Esporte
Da várzea para a Seleção, Bruno Henrique cumpre profecia da avó

Único jogador em atividade no Brasil do meio para a frente da lista de Tite, Bruno Henrique realizou na última sexta-feira a profecia da avó, Dona Léa, que já não está mais entre nós. Anos atrás, quando o atacante ainda jogava no futebol de várzea em Belo Horizonte, ela previu que o neto daria tanto orgulho que um dia jogaria na Seleção.

E Bruno chegou lá depois de um início de ano avassalador pelo Flamengo: foram 18 gols e 13 assistências do camisa 27 rubro-negro em 40 jogos até aqui na temporada. Na seleção brasileira, estreou no empate por 2 a 2 com a Colômbia em Miami, nos Estados Unidos, quando substituiu Philippe Coutinho e jogou os últimos 10 minutos da partida.

– Passa um filme pela cabeça. Lembro perfeitamente o que ela sempre dizia, sempre sonhou que um dia eu ia jogar na Seleção. Hoje, lá do céu, tenho certeza que ela está muito feliz e contente porque estou aqui. Tem mais um jogo, espero fazer mais esse e sair com a vitória – recordou o atacante, que tem o nome da avó tatuado no braço direito.

Irmão mais velho de Bruno, Vander, mais conhecido por “Juninho Neymar”, também cresceu batendo bola, na capital mineira. Mas não teve a mesma sorte do caçula e joga até hoje no futebol amador do estado pelos times Paranaíba, da cidade de Carmo, e Areias, de Ribeirão das Neves. E por causa de uma partida do campeonato local ele quase perdeu a estreia da família na Seleção:

– Estava na estrada, voltando de um jogo, só consegui ver o finalzinho. Mas deu para vê-lo. Ele entrou só um pouquinho, mas foi bom que já dá confiança. Primeira vez na seleção brasileira e já entrou.

Filhos de pais separados, Vander e Bruno Henrique cresceram juntos na casa dos avós, Dona Léa e Seu Genésio, na Vila Tiradentes. O irmão mais velho conta que eles sempre foram muito próximos dela e sentiram muito o seu falecimento há seis anos, vítima de um câncer:

Vander, Seu Genésio e Bruno Henrique: avô acompanha netos no lugar da avó — Foto: Arquivo Pessoal

Vander, Seu Genésio e Bruno Henrique: avô acompanha netos no lugar da avó — Foto: Arquivo Pessoal

– Nossa relação era muito boa, foi ela que nos criou. A gente sempre teve um carinho muito grande por ela. Quando ela se foi, foi um aperto muito grande que tivemos. Ela e meu avô foram nosso alicerce – contou Vander, relatando que o avô repetiu a profecia da Léa depois que ela morreu.

Sem a esposa, Seu Genésio continuou a acompanhar a carreira dos netos e suas aventuras com a bola nos pés. O avô continua vivo e teve a chance de ver Bruno Henrique cumprindo a profecia da avó. Mas assim como o caçula, Vander também acredita que a Dona Léa acompanhou tudo:

– Com certeza. Meus avós sempre foram evangélicos, acreditam bastante em Deus. Tenho certeza que ela lá do céu ficou muito orgulhosa dele.

Com a bênção de Dona Léa, Bruno Henrique quer mais. Tite já disse que vê o jogador como opção para todas as funções do ataque. Porque é veloz e bom no drible para atuar pelas pontas – “e dar profundidade”, como diz o próprio treinador – e rápido e com presença de área para atuar mais enfiado. O atacante admitiu que sentiu um pouco a estreia, mas espera jogar mais contra o Peru.

– O Tite tinha falado que eu entraria para dentro, como no Flamengo. Depois ia me colocar aberto, função que sempre faço, estou acostumado a fazer. Claro que com a qualidade dos jogadores do nosso time fico um pouco ainda acanhado, mas aos poucos vou me soltando para poder cada vez mais entrar nesse time e vestir essa camisa – encerrou.

A Seleção já está na Califórnia para o próximo amistoso ainda nesta data Fifa: enfrenta o Peru, no Los Angeles Memorial Coliseum, à 0h (de Brasília) de quarta-feira (madrugada de terça para quarta). A TV Globo, o SporTV e o GloboEsporte.com transmitem a partida ao vivo.