dez 10, 2025 | Política
A frase, dita com convicção pelo secretário-adjunto de Educação de Mato Grosso do Sul, Sérgio Luiz Gonçalves, resume a visão que tem guiado sua atuação no governo estadual.
Com longa trajetória na gestão pública, passando por Caravana da Saúde, articulação política e administrativa e Secretaria de Fazenda, ele chegou à Secretaria de Estado de Educação com a missão de fortalecer a estrutura da Rede Estadual de Ensino (REE) e aprimorar a gestão de recursos num momento em que o Estado vive expansão econômica e aumento da demanda por qualificação.
Sérgio Gonçalves tem percorrido escolas em todas as regiões do Estado para compreender o cotidiano de professores, servidores e estudantes. Nessas visitas, cobra eficiência, dialoga com equipes e acelera soluções, buscando reduzir a distância entre o gabinete e a realidade escolar.
Para ele, o papel da gestão pública na educação vai além de construir prédios ou comprar equipamentos: envolve criar condições para que cada aluno tenha acesso a um ambiente adequado de aprendizagem.
Em um cenário de grandes investimentos privados e de crescimento populacional em polos industriais, como Ribas do Rio Pardo, o desafio da educação se multiplica.
Novas escolas, reformas estruturais, programas sociais voltados a mulheres e adultos e estratégias de qualificação são parte de um pacote de ações que se tornam fundamentais para preparar Mato Grosso do Sul para o futuro.
E, como reforça o secretário-adjunto, esse futuro só será possível com uma base clara e inegociável: a educação.
Sérgio, em primeiro lugar, gostaria que você falasse sobre sua trajetória na administração pública.
Eu entrei para o governo de Mato Grosso do Sul em 2015, no primeiro mandato de Reinaldo Azambuja. Na época, o Estado tinha uma deficiência muito grande no setor da saúde e estávamos buscando uma maneira de resolver esse problema.
Foi então que encontramos a Caravana da Saúde como uma das soluções, e eu fui um dos coordenadores da caravana, com o doutor Marcelo Henrique Mello. Ele cuidava da parte hospitalar, e eu, de toda a estruturação do projeto, para administrar tudo.
A Caravana da Saúde foi um acontecimento muito interessante, porque envolveu a sociedade civil na época. Era algo novo. Até casamento nós fizemos.
Depois da Caravana da Saúde, o governador Reinaldo Azambuja sentiu a necessidade de colocar um assessor a mais para auxiliar o então secretário de Governo e Gestão Estratégica Eduardo Riedel. Então, eu fiquei mais dois anos ajudando dentro do gabinete nas demandas dele.
Ao fim do primeiro mandato do Reinaldo Azambuja, fui para a Comunicação, onde fiquei quatro anos e acredito que fiz um bom trabalho.
E então veio o governo de Eduardo Riedel…
Nessa transição dos mandatos de Reinaldo Azambuja para Eduardo Riedel, eu fui para a Secretaria de Fazenda, para ajudar o secretário Flávio César.
Já era uma preparação para o mandato atual. Foi um grande desafio entender como funciona a secretaria e também como fazer com que o dinheiro público fosse melhor usado. É um desafio, porque as demandas sempre são muito grandes.
Por fim, mais recentemente, vim para a secretaria executiva da Secretaria de Estado de Educação.
Você sempre foi conhecido por fazer pontes e cultivar bons relacionamentos, sobretudo na gestão pública, onde há burocracia, metas… Como é esse trabalho?
Agora você me surpreendeu. Eu nunca tinha visto por esse prisma, mas construir pontes é saber lidar com pessoas. É algo que o governo tem de fazer. Acredito que temos de dar o nosso melhor, atender às necessidades, ainda que nem sempre seja possível atender todos.
Temos de saber falar de uma maneira em que a pessoa não se sinta excluída do processo. É dessa forma que acredito que um relacionamento se cria.
É por isso que, dentro da administração pública, eu consigo transitar bem, e também por isso saí da Secretaria de Fazenda e fui ser secretário-adjunto de Educação.
E como você tem recebido essa missão? Tem aprendido muito na Educação?
Acredito que está ocorrendo uma boa transformação. A Educação já vinha com bons índices no governo Reinaldo Azambuja, mas precisávamos de ainda mais no setor.
Como eu sou formado em Administração e o nosso secretário, professor Hélio [Daher], domina toda a área pedagógica e é uma pessoa excelente de se trabalhar , entendo que estamos em um momento muito bom.
A minha missão é essa: cuidar da administração e do financeiro da Educação.
Assim que você chegou à secretaria, visitou algumas escolas em todo o Estado. Como foi a experiência?
Temos, hoje, 352 escolas em Mato Grosso do Sul, e eu já visitei mais de 100, principalmente no interior. Eu quis ver de perto a realidade do professor, do pessoal da secretaria, do aluno.
Verifiquei se o ar-condicionado funciona, se os banheiros estão limpos, se o aluno está bem atendido, se a mãe ou o pai são bem recebidos quando chegam à secretaria, provei a merenda que é oferecida.
Foi uma experiência fantástica, porque eu me misturei com a galera, com os alunos. E, historicamente, essa interação do gabinete com quem está na ponta do serviço é algo que faltava.
E qual foi o feedback?
Nessas visitas, conseguimos resolver problemas de forma muito mais fácil. Em primeiro lugar, porque chegamos à escola com toda a estrutura de governo e, em segundo, porque quando estamos in loco é mais fácil ver o que está acontecendo com os técnicos de maneira muito mais rápida e com menos burocracia.
Vemos o problema, resolvemos, e o assunto é encerrado.
O Estado vive aumento na demanda por qualificação em cidades que recebem grandes investimentos, como no Vale da Celulose e em polos da agroindústria. Qual tem sido a resposta da Educação?
Quando a gente tem grandes investimentos, gente qualificada, vem muito mais gente boa. Os investimentos estão chegando, e realmente é um grande desafio. Como diz o nosso governador, Eduardo Riedel, é a “dor do crescimento”.
A notícia boa é que, na Educação, temos acompanhado esse aumento de demanda. Vamos inaugurar, agora em 2026, escolas em cidades que receberam investimentos, como Ribas do Rio Pardo, e há projetos para outras localidades.
Neste ano, entregamos outras três novas escolas, uma delas em Campo Grande. E mais: temos um trabalho que considero fantástico, que é o EJA [Educação de Jovens e Adultos] Mulher.
Teria como detalhar esse programa?
É um programa criado pelo governo de Mato Grosso do Sul que atende a mulher e permite que ela leve seu filho para as aulas. Lá, ela tem acesso a recreação e alimentação para seu filho, o que permite que estude no período noturno.
É uma forma de garantir educação a uma mãe que precisa trabalhar e sustentar a família. Isso transforma a vida dessas mulheres, que se tornam muito mais independentes.
Qual é a estrutura do sistema estadual de educação atualmente?
Temos, sem dúvida, a maior rede escolar já reformada do Brasil, proporcionalmente. Atingimos mais de 70% das escolas reformadas. Desde o início do governo de Reinaldo Azambuja, o investimento em reformas já passa de R$ 1,2 bilhão.
As obras são completas, com adequação estrutural da escola por dentro e por fora e novos equipamentos nas salas de aula e nas cozinhas.
No Paraná, há uma parceria público-privada (PPP) para a gestão de escolas. Há plano parecido para MS?
Acreditamos que, nessa parte de gestão e construção, estamos muito bem encaminhados. Para isso acontecer, teríamos de ter um estudo do governo e vontade política e da sociedade. Vejo com bons olhos todo investimento que possa ajudar, mas não há nenhum estudo em andamento.
Há previsão de novos investimentos para 2026?
Temos, sim. Em 2026, temos de construir, no mínimo, cinco novas escolas nesses polos de desenvolvimento.
E quanto custa uma escola hoje?
Uma escola nova custa em torno de R$ 20 milhões. Já uma reforma pode custar de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões, dependendo da estrutura.
E o programa Revitalizando a Educação com Liberdade, em parceria com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul?
Aqui, em Campo Grande, o programa está indo muito bem e, recentemente, assinamos para implantá-lo em Dourados. É um programa fantástico, não apenas pela reforma que os detentos entregam, mas porque é uma via de mão dupla: eles são muito bem recebidos pelos alunos, com respeito, o que ajuda na ressocialização. Eles também se sentem bem ajudando uma escola.
É um dos programas de que eles mais gostam, porque é emblemático. Além disso, fica muito mais barato, economiza mão de obra e permite comprar materiais com preços menores. As reformas também ocorrem com mais celeridade. Esperamos ampliar ainda mais esse programa.
Seu nome foi lembrado para a Casa Civil do governo de Eduardo Riedel. Como recebeu essa notícia?
Com naturalidade. Criamos bons relacionamentos. Talvez a ideia tenha surgido pelo trabalho técnico, mais voltado aos projetos do governador Eduardo Riedel. Mas, hoje, nosso secretário da Casa Civil é o Walter Carneiro Júnior, que preenche todos os requisitos técnicos e está muito à frente politicamente.
Quantos alunos a REE atende atualmente?
Hoje estamos com 192 mil estudantes matriculados. Para 2026, já abrimos vagas para chegar a 200 mil.
Como funciona o calendário de matrícula e transferência?
Para alunos que já estão na rede, as matrículas e transferências seguem abertas até o dia 22 de dezembro. Para novos alunos, o prazo vai até 30 de dezembro.
O processo é presencial ou on-line?
Totalmente on-line. O sistema permite que o responsável escolha três opções de escolas. Nossa equipe avalia o endereço e direciona para a mais próxima, sempre respeitando as escolhas.
O senhor costuma dizer que educação é a base de tudo. O que isso significa?
Educação é desenvolvimento. É tudo. Não tem outro caminho. Pode parecer um jargão repetido, mas é verdade. Sem educação de qualidade, não há progresso possível. Qualquer avanço econômico ou social começa pela educação e termina nela.
*PERFIL
Sérgio Luiz Gonçalves
Secretário-adjunto de Educação, Sérgio Luiz Gonçalves é formado em Administração pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e tem histórico de serviços prestados na administração pública e na sociedade civil, tendo atuado na Associação dos Prefeitos do Estado de Mato Grosso do Sul (Assomasul) e no governo de MS, como coordenador da Caravana da Saúde e secretário-executivo de várias pastas, como as Secretarias de Governo, de Fazenda e, agora, de Educação.
Fonte: correiodoestado
dez 9, 2025 | Cidades, Política
O Governo do Estado de Mato Grosso do Sul foi reconhecido nacionalmente com o Selo Diamante de Qualidade em Transparência Pública, a mais alta certificação concedida pelo Programa Nacional de Transparência Pública (PNTP). A premiação foi entregue durante a solenidade nacional realizada em 4 de dezembro, dentro da programação oficial do 4º Congresso Internacional dos Tribunais de Contas.
Representando o Governo do Estado na cerimônia, a Controladoria-Geral do Estado esteve presente por meio da Controladora-Geral Adjunta, Marina Hiraoka Gaidarji, que recebeu a homenagem em nome do Executivo estadual. Ela destacou a relevância do reconhecimento.
“Estamos envaidecidos por alcançarmos esse nível de excelência, sendo o único estado do país a receber o Selo Diamante em todas as edições de avaliação realizadas pela Atricon. Este é o nosso quarto Selo Diamante consecutivo, resultado do empenho de toda a equipe da CGE-MS e da colaboração de todas as secretarias envolvidas. Esse reconhecimento evidencia o compromisso do nosso governador Eduardo Riedel em consolidar o fomento ao controle social como política de Estado”, afirmou Marina.
O prêmio também reconhece a atuação da Ouvidoria-Geral do Estado (OGE), fundamental para fortalecer o controle social e garantir atendimento qualificado à população. O ouvidor-geral do Estado, Álvaro Carneiro de Oliveira, ressaltou o impacto institucional da conquista.
“É com grande orgulho e satisfação que nós, da Ouvidoria-Geral do Estado, recebemos mais um Selo Diamante em Transparência Pública. Essa conquista reafirma nosso compromisso com a clareza, a responsabilidade e o acesso à informação para todos os cidadãos sul-mato-grossenses. A excelência alcançada — fruto de esforço coletivo — demonstra que estamos no caminho certo para garantir um Estado íntegro, acessível e comprometido com a participação social. Seguiremos trabalhando para elevar ainda mais esses padrões, tornando a gestão pública cada vez mais transparente, eficiente e confiável”, destacou Álvaro.
A premiação reforça o protagonismo do Governo do Estado e da CGE-MS no cenário nacional de transparência e governança, consolidando Mato Grosso do Sul como referência em integridade, responsabilidade e prestação de contas.
Nesta 4ª edição do PNTP, mais de 10 mil portais públicos foram avaliados em todo o país (entre União, estados e municípios), e apenas 998 receberam o Selo Diamante — colocando Mato Grosso do Sul novamente entre as administrações públicas mais transparentes do Brasil.
Thalita Vieira, Comunicação CGE
dez 9, 2025 | Política
Com anúncio de obras, entrega de títulos de regularização e plantio de árvores, o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul participou das festividades dos 44 anos das Moreninhas, um dos bairros mais antigos e populosos de Campo Grande. Atualmente o bairro tem investimentos que somam R$ 123 milhões (em obras concluídas, em execução e em andamento).
O governador Eduardo Riedel participou do evento na noite deste domingo (7), quando assinou a ordem serviço para início de obras que vão melhorar a vida da população – levando esporte e cultura para o bairro –, entre elas a construção da pista de skate e vestiário das Moreninhas, com investimento de R$ 1,4 milhões.
“É uma alegria comemorar os 44 anos das Moreninhas. A gente trabalha junto com 79 prefeituras do Estado, e queremos ver os municípios se desenvolverem, crescerem, melhorarem a qualidade de vida para a sua gente. Em parceria com a Prefeitura Municipal de Campo Grande, nós vamos continuar fazendo as coisas acontecerem para a população”, afirmou Riedel.
A região tem execução de obras como implantação, drenagem e restauração asfáltica na Avenida Alto da Serra e do Bairro Moreninha IV. Também estão em andamento outras frentes de trabalho com investimentos de R$ 58,4 milhões, incluindo asfalto, drenagem e resturação de pavimento na Moreninha II e IV, e ainda o acesso ao bairro.
Além da entrega de títulos de regularização fundiária realizada pela Agehab (Agência de Habitação Popular do Estado de Mato Grosso do Sul) – para moradores da Moreninha I, II e III –, houve a emissão de RG pela Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) e a formação de lideranças comunitárias pela SEC (Secretaria de Estado da Cidadania). Desde 2023 até agora, 855 famílias foram contempladas com os títulos de propriedade, 252 em 2025 – 100 delas como parte das comemorações do aniversário do bairro.
“A Moreninha vai ter definitivamente a saída do Itamaracá, porque nós vamos começar no início do ano essa obra. Além disso, já está licitado para a Moreninha III e IV a total pavimentação dos dois bairros. E até o meio do ano vocês vão poder andar na nova pista de skate. Além disso, a UEMS funciona na Escola Estadual Waldemir Barros da Silva, e vai continuar. Mas o ano que vem nós vamos começar a pensar num projeto para construir a unidade da UEMS aqui na Moreninha para que os moradores possam ter essa referência do ensino universitário. E dessa maneira a gente vai chegar aos 45 anos da Moreninha, no ano que vem com muitas melhorias para a Moreninha 1, 2, 3 e 4 e os diversos bairros adjacentes, inclusive a Nova Jerusalém”, disse Riedel.
O eventou contou com a participação dos secretários Rodrigo Perez (Segov), Jaime Verruck (Semadesc) e Marcelo Miranda (Setesc), além de outras lideranças municipais e estaduais.
Natalia Yahn, Comunicação Governo de MS
Fotos: Saul Schramm / Secom
dez 5, 2025 | Política
O deputado Paulo Corrêa (PSDB), 1º secretário da ALEMS, em parceira com o vereador por Campo Grande, Ronilço Guerreiro (Podemos), realizou na tarde desta quarta-feira (03), a audiência pública Tecnologia e Dignidade no Tratamento do Diabetes, no plenarinho Nelito Câmara, da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS).
A audiência reuniu especialistas, gestores públicos, representantes de entidades e pacientes para discutir o uso da tecnologia como política pública de saúde de Mato Grosso do Sul. No encontro, foi debatida a incorporação dos sensores de glicose, dispositivos capazes de monitorar continuamente os níveis glicêmicos sem a necessidade de múltiplas picadas nos dedos, às cerca de 300 mil pessoas com diabetes tipo 1 de Mato Grosso do Sul, que será o pioneiro da iniciativa no país.
O equipamento, aplicado sob a pele, mede a glicose no fluido intersticial e envia as informações para um leitor ou aplicativo no celular, permitindo previsões de variações, alertas de riscos e maior segurança no tratamento.
“A gente tem que olhar a diabetes como um programa especial da saúde”, afirmou o deputado Paulo Corrêa ao final da audiência. Com reunião já agendada para fevereiro, Mato Grosso do Sul poderá iniciar o trâmite necessário para a efetivação da política pública para o fornecimento de sensores digitais de monitoramento de glicose já no próximo ano, como informou o parlamentar.
Paulo Corrêa lembrou que o debate teve início na Câmara Municipal de Campo Grande, com o vereador Ronilço Guerreiro, e ganhou força na audiência desta tarde. Segundo o parlamentar, o apoio da Secretaria de Estado de Saúde também é importante para fortalecer a construção do projeto.
Ao fim do encontro, ficou encaminhado, conforme Paulo Corrêa, que o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso do Sul (Cosems/MS), em conjunto com especialistas que participaram da audiência, levantará números precisos de pacientes e de valores necessários para a implantação do programa. O vereador Ronilço propôs implantar em Campo Grande um projeto piloto, uma vez que já tem perto de R$ 500 mil em emendas dos vereadores para os custear a iniciativa.
Debate com Especialistas
A mesa de autoridades foi composta pelo deputado Paulo Corrêa; pelo vereador Ronilço Guerreiro; por Andreia Ferreira da Costa, coordenadora da Coordenadoria de Doenças Crônicas da Secretaria de Estado de Saúde (SES); pelo defensor público Mateus Augusto Sutana e Silva; por Bárbara Medeiros Dantas, gerente técnica de Doenças Crônicas da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) de Campo Grande; e por Ricardo Ayache, presidente da Cassems.
O debate foi subsidiado por quatro palestras que contribuíram para o aprofundamento de aspectos médicos, sociais e econômicos relativos a diabetes.
A endocrinologista Bianca Rahal Paraguassú, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia – Regional MS, explicou as diferenças entre os tipos de diabetes e ressaltou a importância do diagnóstico adequado para orientar o tratamento. Ela destacou que o diabetes tipo 1, mais comum em crianças e adolescentes, pode levar rapidamente a quadros graves como cetoacidose diabética, enquanto o tipo 2, mais prevalente em adultos, costuma ser silencioso e, por isso, difícil de detectar precocemente.
Bianca enfatizou que manter a glicose próxima do normal é fundamental para prevenir complicações cardiovasculares, renais e neurológicas. Por isso, defendeu a incorporação dos sensores de monitoramento contínuo como ferramenta indispensável para melhorar o controle da doença e reduzir riscos associados à hipoglicemia e hiperglicemia.
Controle seguro em crianças depende de acesso à tecnologia
crianças e adolescentes, reforçando que a meta terapêutica ideal é manter a hemoglobina glicada abaixo de 7%. Segundo ela, alcançar essa faixa reduz significativamente danos cognitivos e o risco de complicações futuras, mas exige acompanhamento rigoroso e ajustes frequentes no tratamento.
Ela destacou que os sensores de glicose são decisivos para dar segurança às famílias, especialmente durante a noite, quando episódios de hipoglicemia são mais difíceis de perceber. A tecnologia também permite identificar tendências e prevenir alterações abruptas, o que, para Ana Carolina, justifica que o acesso aos sensores seja incorporado como parte essencial da política pública para crianças e adolescentes com diabetes tipo 1.
Sensores ampliam autonomia e qualidade de vida das famílias
A nutricionista e educadora em diabetes Walkíria da Cruz Vieira Soares relatou o impacto prático dos sensores na rotina dos pacientes. Ela explicou que os dispositivos enviam leituras contínuas ao celular, reduzindo drasticamente a necessidade de picadas diárias no dedo e oferecendo previsibilidade sobre variações da glicose. No entanto, lembrou que o custo médio mensal de cerca de R$ 560 dificulta o acesso para grande parte das famílias.
Walkíria também apresentou dados sobre o diabetes no Estado, que pode afetar direta e indiretamente quase 900 mil pessoas. Estudos, segundo ela, mostram melhora significativa nos índices glicêmicos após três meses de uso dos sensores e redução do risco de internações. Para a especialista, a tecnologia representa não apenas mais segurança clínica, mas também alívio emocional para pais e cuidadores.
Cenário estadual e estimativa de custos para o programa
O tesoureiro e secretário da Associação de Diabetes Mellitus Tipo 1 de Campo Grande, Lenine de Oliveira Rocha Júnior, pai da pequena Eduarda, apresentou um panorama da prevalência do diabetes tipo 1 no Estado, estimada em 5.849 pessoas, incluindo 1.170 crianças e adolescentes. Ele detalhou o custo de um programa estadual voltado ao público infantojuvenil, calculado em cerca de R$ 750 mil por mês apenas com sensores.
Lenine destacou que, no primeiro mês, o Estado teria ainda o custo adicional dos leitores, totalizando aproximadamente R$ 9,38 milhões por ano para atender todos os pacientes jovens. Além dos valores, ele alertou para a necessidade de capacitação de profissionais e suporte técnico contínuo. Para ele, investir em sensores significa garantir dignidade, autonomia e mais segurança às famílias.
*Por: Ulysses Cosenza/ConecteMS
Fotos: Mariana Anjos/Assessoria Parlamentar