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Bela Vista-MS Sábado, 20 de Junho de 2026
Diabetes e açúcar: o mal silencioso 

Diabetes e açúcar: o mal silencioso 

Por ser uma condição que inicialmente não apresenta sintomas, é necessário entender melhor a doença 

Você sabia que o diabetes, diferente do que muitos pensam, é uma doença silenciosa e que merece muita atenção? E o açúcar, um vilão ou mocinho? O que é certo é que algumas coisas não têm como negar: alimentação saudável, exercícios físicos e exames frequentes são fatores primordiais para prevenir o diabetes.

Para entender melhor sobre a temática a Dra. Ana Carolina Wanderley Xavier, endocrinologista da Unimed Campo Grande e presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Secção Mato Grosso do Sul, fala sobre o assunto. Confira!

Por que é uma doença silenciosa? 

Desde seu diagnóstico a doença não acarreta sintomas inicialmente, vai aos pouquinhos aumentando a glicose. Vão anos a fio até surgir a doença e suas complicações. A pessoa pode, sim, ter a doença e não ter nenhum sintoma. Daí a importância de estar sempre alerta e fazer exames regularmente.

Diabetes

A doença é ocasionada pelo aumento de glicose no sangue, surgindo quando há redução ou deficiência na produção do hormônio insulina pelo pâncreas.

Existem três tipos mais comuns da doença, sendo eles:

– Tipo 1: quando a deficiência de insulina leva à destruição das células do pâncreas que produz esse hormônio, influenciados por fatores genéticos e ambientais.

– Tipo 2: surge quando o organismo não produz insulina suficiente, geralmente, relacionado ao sobrepeso, tabagismo, sedentarismo, hábitos alimentares inadequados, poucas horas de sono e doenças cardiovasculares, podendo não apresentar sintomas iniciais.

– Gestacional: pode surgir durante a gravidez devido à resistência das células a insulina. Detectado, normalmente, nos exames de pré-natal.   

Pré-diabetes

O pré-diabetes é como um alarme que o corpo emite pedindo atenção. Ele ocorre quando os níveis de glicose no sangue estão mais altos do que o normal, mas ainda não são tão altos para indicar o diabetes tipo 2.

Essa condição pode ser revertida ou retardada com acompanhamento médico, incluindo:

– O controle de glicose

– A introdução de novos hábitos alimentares

– A prática de exercícios

– O suporte de um profissional e a restauração da normalidade glicêmica são essenciais para evitar complicações da doença e reduzir os riscos de doenças cardiovasculares.

Prevenção 

Monitorar os cuidados com o diabetes é sempre importante para manter os níveis adequados de açúcar no sangue. Por isso, para garantir o bem-estar e a segurança, mesmo convivendo com a doença, é essencial manter os cuidados, incluindo na rotina:

– Alimentação baseada em comidas in natura ou minimamente processadas​
– Exercício físico para aumentar a captação de glicose no organismo​
– Manter ou até aumentar a frequência de controle das taxas​
– Não parar a medicação por conta própria​

Além disso, a melhor maneira de evitar o diabetes é evitar o ganho de peso.

Açúcar, pode? 

Com a doença instalada o primeiro passo é: alimentação saudável. Nesses casos precisa tirar o açúcar. “De vez em quando pode?” Depende do caso, do controle e do estágio que está essa doença.

Segundo passo: atividades físicas. Precisa se movimentar independente da idade.

Terceiro passo: medicamentos. Falo para meus pacientes que estou encantada nos últimos anos com o desenvolvimento no tratamento dessa doença. Existem medicações que oferecem maior controle da doença e, inclusive, outros benefícios, como proteger o coração e até o rim.  

Preste atenção! 

Se você não tem histórico familiar, não está acima do peso, faz exercícios e tem uma alimentação saudável no dia a dia, pode, sim, comer um doce de vez em quando. Porém, caso contrário, precisa de atenção e cuidados. Não podemos também ficar naquela restrição muito intensa se não há a necessidade.

Para saber mais sobre o assunto acompanhe o episódio DIABETES E AÇÚCAR: O MAL SILENCIOSO do podcast Cuidar de Você, com Dra. Ana Carolina.  Basta acessar nosso Spotify (https://bit.ly/PodcastUnimedCG ) e Youtube (https://bit.ly/PodcastUnimedCGYoutube ).

Leia Coluna Amplavisão: Procura-se candidatos a vice-governador

Leia Coluna Amplavisão: Procura-se candidatos a vice-governador

VAGAS ABERTAS: Em plena crise de desemprego há pelo menos 5 oportunidades laborais interessantes, com boa remuneração e validade de pelo menos 4 anos. É que dos 5 pré-candidatos ao Governo já anunciados, nenhum deles ainda tem um nome acertado para ser o companheiro de chapa, ou seja, de postulante ao cargo de vice-governador.

COMPLICADA: O perfil do candidato a vice-governador exige um dos dois requisitos: notório prestígio eleitoral ou excelente condição financeira. Quase sempre não há nomes com ambas qualificações. Na lista – empresários, religiosos, profissionais liberais, educadores, políticos militantes e personagens em busca de visibilidade social e poder.

GARIMPO:  Cada pré-candidato já está fazendo sua lista com nomes ‘selecionáveis’ que certamente passarão pelo crivo seletivo através de critérios ou necessidades do grupo. Mas pelo visto alguns destes nomes  serão lembrados por vários pré-candidatos. Também nesta situação vigora os ditames da lei da oferta e da procura. Mas o candidato a vice não pode ciscar para fora.

DOURADOS. Pela sua importância sócio-econômica lidera a rica região com excelente densidade eleitoral nos municípios em seu entorno. Se até aqui já forneceu 5 vices governadores, é possível que ao menos vamos ter mais do que um representante douradense candidato a vice governador. Eu diria, teremos vários.

MAIS GENTE:  Partindo da premissa de que todos os pré-candidatos tem como base eleitoral Campo Grande, é natural que outras cidades maiores do interior possam oferecer opções razoáveis para uma candidatura a vice-governador. Seriam os casos de Três Lagoas, Corumbá, Ponta Porã e Maracaju – cidades com tradição na vida política do MS.

DEPUTADOS & AÇÕES: Paulo Corrêa (PSDB): autor de Projeto de Lei denominando Ney Azambuja e Olam Garcia 2 trechos de rodovias estaduais; Em evento reafirmou esforços para viabilizar mais recursos ao Hospital do Câncer da capital; atento as reformas do prédio da Assembleia Legislativa. José Teixeira (DEM): Elogiou a postura dos colegas na convocação dos candidatos remanescentes da Agepen; pediu manutenção da iluminação no trecho rodoviário entre Dourados e Itaporã; pede conservação da estrada da Chácara dos Abaetés, em Dourados. Amarildo Cruz (PT); líder da cruzada anti-racista, citou na tribuna as conquistas; em 2008 MS tinha menos que 3% de negros no serviço público e hoje mais de 12%; pediu a continuidade da luta contra as manifestações racistas e citou leis de sua autoria aprovadas. Gerson Claro (PP): esteve em Coxim ouvindo suas lideranças políticas e representantes de entidades diversas; presidente da CCJR distribuiu 30 projetos na primeira reunião anual. Lucas de Lima (Sol): em Camapuã visitou o Hospital Filantrópico, o prefeito Manoel Néry, a Escola Miguel Sutil e conferiu os investimentos graças as suas emendas parlamentares; aprovado em 1ª. discussão sua proposta ‘Julho Sem Plástico’ visando conscientizar a população sobre a necessidade da redução do uso deste material.

É RELATIVO:  Nem  sempre a questão de identidade de postura e pensamento entre o candidato a governador e seu vice tem sido decisiva na escolha. Vice sonha, mas antes disso deve conhecer o tamanho de seu espaço na administração. Agora com a criação da chamada ‘federação’, que no fundo substituirá as ‘coligações’, haverá mais elasticidade no critério de se definir o vice.

É VELHO, mas atual o bordão de que o candidato a vice não deve atrapalhar. Em nível federal vemos Geraldo Alckmin cotado para candidato a vice presidente de Lula (PT). O petista quer repetir Fernando H. Cardoso (PSDB) que tinha em Marco Maciel (PFL) um vice presidente discreto (invisível), hábil em construir consensos, agindo nos bastidores em situações delicadas.

LULA LÁ?  As pesquisas favoráveis. Vai diluindo e trocando ‘corrupção’ por ‘reconciliação’. Quer derrubar barreiras ao convidar Geraldo Alckmin como companheiro de chapa. A próxima missão é se livrar de companheiros estigmatizados, inclusive a ex-presidente Dilma Roussef. Contra ele a ameaça da censura, a volta do imposto sindical, o fim do teto de gastos e anulação da reforma trabalhista.

ENIGMA: Como serão as federações partidárias na pratica?  No Brasil essa questão de fidelidade é duvidosa. Esse noivado obrigatório de 4 anos exigirá afinidade e vantagens. Pode funcionar entre os partidos nanicos sob riscos de extinção devido a clausula de barreira), mas para as siglas de peso há outros fatores complicadores. No Brasil tudo muda e em 2023  poderá estar diferente.

LEMBRETE:  Se nestas eleições nacionais a convivência entre políticos sob o mesmo ‘guarda chuva’ será complicada, imagine no pleito de 2023 onde o cenário será outro devido a realidade de cada município. A federação poderá se transformar numa armadilha para políticos que ficarão engessados exercendo o papel de ‘Maria vai com as outras’.

AÇÕES PARLAMENTARES:  Lídio Lopes (Patri): Requer instalação de 2 redutores de velocidade na MS-485 no distrito de Rio Verde do Sul. Denuncia os desmandos da CCR-MS Via no trecho da BR-163 entre Mundo Novo e Eldorado colocando em risco a segurança dos usuários. Neno Razuk (PTB): Mantem-se vigilante junto às entidades que cuidam de crianças especiais e zela pela aplicação dos recursos originários de suas emendas parlamentares, fazendo a ligação delas com o Governo Estadual. Pedro Kemp (PT): atento as causas sociais liderou debate parlamentar virtual sobre a explosão do feminicídio nos primeiros 39 dias de 2022 vitimando 9 mulheres no MS; criticou o excesso de novos registros de agrotóxicos, 1529 nos últimos 3 anos e 562 em 2021.  José C. Barbosa (DEM): pede o asfaltamento de 38kms da MS-352, entre a MS-080 (7 placas) até o distrito do Taboco; sugere incluir a temática do feminicídio no ambiente escolar e as políticas públicas para prevenir e coibir a violência contra a mulher. Mara Caseiro (PSDB): no evento da Assomassul com a presença do ministro da Casa Civil Onix Lorenzoni manteve contato com prefeitos beneficiados com suas emendas e reivindicações junto ao Governo Estadual; comemora o ritmo do asfaltamento da MS-295 entre Eldorado e Porto Morumbi, sua reivindicação junto ao Governo Estadual.

INSISTO:  Não se faz política de cima para baixo. Os cardeais partidários vivem uma realidade diferente lá em Brasília. Percebe-se que essa engenharia política tem o objetivo de diminuir o número de siglas para facilitar as negociações do Governo em algumas situações. Mas o Brasil não tem cultura para o bipartidarismo como nos Estados Unidos.

NEBLINA:  Vejo o cenário aqui no Estado. Se ainda não temos a definição do quadro nacional com os principais partidos, impossível antever como as federações funcionarão no MS. As lideranças  partidárias  já sentem na pele os prováveis desafios. O PSDB pode caminhar junto com o MDB – por exemplo.  Neste caso elas terão que repensar a postura. E quem seria cabeça de chapa na majoritária?

PODEM TUDO: Os partidos políticos tem tratamento vip. Devem R$ 84 milhões à Previdência Social, do Fundo de Garantia de seus funcionários e multas eleitorais, mas receberão em 2022 perto de R$ 5 bilhões do Fundo Eleitoral. Só o PT deve R$24 milhões seguido do PDT, DEM e MDB na faixa dos R$6 milhões cada. Na outra ponta o fisco não perdoa as empresas, pessoas físicas e entidades devedoras.

PARLAMENTARES EM AÇÃO:  Evander Vendramini (PP): sugere distribuição gratuita pelo Governo do Estado de leite especial às crianças carentes com intolerância a lactose; pede ampliação da estação de tratamento da Sanesul em Ladário; pede ao Governo Federal melhorias na BR-262 (Capital-Corumbá e Capital-Ribas do Rio Pardo) e BR-060 (Capital-Sidrolândia). Antônio Vaz (REP): Presidente da Comissão de Saúde atento a pandemia do Covid-19; viu aprovado seu Projeto de Lei que incentiva a discussão sobre doenças inflamatórias intestinais, os sintomas e tratamento sem preconceito. Capitão Contar (PSL): a mesma postura vigilante; pede informações à Secretaria Estadual de Saúde e a Secretária de Saúde de Campo Grande sobre denúncias de falta de medicamentos e cobra esclarecimentos sobre a falta de médicos nas unidades de saúde. Esteve em Brasília com lideranças do PSL discutindo a sucessão estadual e a inserção do grupo pró Bolsonaro no pleito.  Marçal Filho (PSDB): Propõe a Semana dedicada ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma (câncer ocular); entregou pessoalmente 1 veículo furgão 0/Km a pequenos produtores rurais do distrito de Itamarati que será usado no transporte dos seus produtos. Paulo Duarte (MDB): novo vice-líder do Governo na Alems; seu projeto obriga as empresas prestadoras de serviço de internet fornecerem nas faturas  informações impressas do serviço contratado para evitar abusos; tem proposta batizando Alvorindo Ravagnani Jr. (engenheiro falecido) a ponte sobre o ‘Prosa’ no Parque das Nações Indígenas na capital.

FIM DE LINHA: Prefeito 3 vezes de Maracaju, Murilo F. Azambuja  (MDB) sofre novo episódio desonroso. Acusado de desvio de mais de R$20 milhões da prefeitura, foi preso e vive com tornozeleira – da qual ficará livre só para se submeter a cirurgia aqui na capital. Independentemente do final, jamais se livrará do estigma da prisão, que virou fato comum dentre os políticos.  O que dizer aos amigos e familiares? A honra no lixo.

DESILUSÃO: É nosso o sentimento ao depararmos com casos que envolvem políticos e poderosos corruptos. A mídia noticiou que o Edson Fachin, ministro durão do STF,  concedeu liberdade condicional ao ex- ministro Geddel Vieira (MDB) ( das malas com R$51 milhões) após ficar pouco tempo na prisão. Na outra ponta a justiça exagera com o jovem carioca negro preso quando ia comprar pão. Suspeito só pela cor?

SURFANDO NA BOA! Não há notícias do senador Nelsinho Trad (PSD) sobre seu envolvimento em articulações de candidaturas. Procurando ocupar espaço e mostrar serviço, ele vem se notabilizando como o senador que mais tem conseguido  trazer benefícios e verbas  para nosso Estado. Só um exemplo: Nelsinho é o senador que mais trouxe emendas para Três Lagoas em 2021.

DECIDIDO:  O secretário da Saúde Geraldo Resende (PSDB) confirmou ao colunista nesta semana de que definitivamente está resolvido que o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) cumprirá na íntegra seu mandato. As especulações de que ele renunciaria para tentar uma vaga na Câmara Federal não tem qualquer fundamento.  Resende lembrou que o governador está animadíssimo com sua gestão e empenhado em eleger Eduardo Riedel (PSDB) ao Governo.

 

Finanças pessoais: invista em você, nos seus sonhos e em um mundo melhor!

Finanças pessoais: invista em você, nos seus sonhos e em um mundo melhor!

Quando se observa pesquisas em torno do comportamento do investidor no Brasil, facilmente conclui-se que o Brasileiro não tem o hábito de constituir reservas. Em pesquisa divulgada pela ANBIMA (RAIO X do Investidor 2021 4ª edição), os dados mostram queda no número de investidores em 2020 em relação as pesquisas anteriores, representando atualmente 40% da amostra, ou seja, nos leva a entender que em momento de vulnerabilidade mais da metade da população estaria sem reservas. Quando olhamos para o planejamento de aposentaria o cenário também preocupa, pois 48% dos entrevistados que ainda não estavam aposentados indicaram acreditar que serão sustentados pela previdência social após a aposentadoria.

É claro que sabemos que em 2020 a pandemia impactou o bolso do Brasileiro. A pesquisa identificou que 55% da população teve perda de rendimento ao longo do ano, mas é interessante reforçar que a perda de emprego e renda foi maior entre as pessoas classificadas como não investidoras. Entre os investidores, 50% do total da amostra conseguiram manter a renda, e aí é possível concluir o papel dos investimentos em nossa vida.

Mas porque metade da população não investe?

É claro que primeiro é preciso considerar o cenário econômico, mas também podemos citar a falta de planejamento, o consumo inconsciente, ou seja, questões ligadas à educação financeira. Poupar não depende exclusivamente de salário, e sim saber que não se deve gastar tudo que se ganha. De acordo com a sua realidade, as pessoas devem buscar ter uma reserva para imprevistos. Para quem já venceu essas etapas, outras reservas devem ser constituídas na sequência, para aproveitar oportunidades, realizar os sonhos de quem amamos e ter uma aposentadoria financeiramente tranquila. E a melhor forma de fazer essas reservas é investindo, para que o dinheiro renda e a pessoa não perca poder de compra por causa da inflação.

Especialistas costumam indicar uma regra de reserva de 20% da renda para poupança e investimentos, mas se você se sentir à vontade pode avançar para reservar até 30% ou mais para fins financeiros, pois esse é o melhor cenário para construir patrimônio. Exige uma dose de disciplina, consciência e principalmente dar o primeiro passo, mas não é impossível. Vale destacar que independente da parcela da renda que você irá guardar, é importante manter o equilíbrio entre viver o momento atual e investir para o futuro.

Vamos à prática? Veja abaixo algumas dicas para começar seu planejamento financeiro e tornar-se um investidor. E vale dizer que investidor não é só quem tem muito dinheiro investido, mas sim toda a pessoa que se preocupa com futuro e constitui reservas, ou seja, todas as pessoas podem ser investidores.

Tabule todos seus ganhos e despesas, entenda se está sobrando ou faltando mensalmente dinheiro. Primeiro passo é fazer essa conta fechar, trabalhando para que comece a sobrar. Esse exercício poderá ser mais fácil ou difícil para algumas pessoas, pois pode significar mudança de hábitos, abdicações e muita disciplina.

Agora já sobra? Ótimo, vamos começar a fazer a reserva de emergência. Pense em acumular pelo menos seis vezes o seu salário mensal para gastos imediatos ou que serão usados em até um ano. Essa será sua reserva para curto prazo.

Já tem reserva de emergência constituída? Está em um investimento seguro e disponível? É importante que essa reserva esteja em alternativas conservadoras e de fácil acesso caso você precise resgatar. Para reserva de emergência recomenda-se alternativas com baixo risco e que tenham liquidez como: Poupança, CDB, RDC e fundos de investimento de baixo risco.

Tem um objetivo de médio prazo? Exemplo: Fazer um intercâmbio daqui a três anos. Para esse investimento talvez você possa recorrer a alternativas com risco moderado, dado que você tem um horizonte de tempo maior para suprir variações que podem acontecer. Para investimentos de médio prazo, uma alternativa é a LCA que é isenta de Imposto de Renda.

Certamente você também tem objetivos de longo prazo, aqueles que são para mais de cinco anos, como por exemplo a casa da praia. Para essas metas você poderá optar pela diversificação em alternativas de investimento mais arrojadas, que busquem potencializar os ganhos, e ainda separar uma parte para a previdência privada com o objetivo de ter tranquilidade na aposentadoria.

Além disso há espaço para diversificação em, por exemplo, fundos de investimento e até renda variável. Mas para identificar quais as soluções mais adequadas para você, é primordial antes conhecer o seu perfil de investidor, que nada mais é do que identificar o seu apetite por risco.  Pois de nada adianta um investimento com alta possibilidade de retorno se ele não trouxer tranquilidade, e vale ressaltar que todo investimento tem algum nível de risco.

Por todo esse contexto, uma orientação adequada facilita muito a vida financeira de quem quer investir. As instituições financeiras cooperativas oferecem, de forma segura, alternativas variadas de investimentos que cabem em todos os bolsos. Além disso, ao associar-se à uma cooperativa de crédito, além de obter rendimentos para seus investimentos, você estará colaborando para um mundo melhor a partir de um modelo que faz o dinheiro girar nas economias locais!

Por Lenise Nunes, analista de Investimentos do Sicredi.

 

Devido às mudanças climáticas o Agro quer ampliar o Seguro Rural

Devido às mudanças climáticas o Agro quer ampliar o Seguro Rural

Com os efeitos das mudanças climáticas e não cumprindo as regras ambientais, o setor do agronegócio se mobiliza para ampliar o seguro rural com dinheiro público.

Eventos climáticos extremos têm atingido os estados da região sul e centro-oeste, causando grandes perdas na safra de milho e soja. A produção de leite também está em alerta, pois a estiagem traz sérios prejuízos às pastagens que, consequentemente, afetam a produção leiteira. A situação contrasta com as fortes chuvas verificadas na Bahia, Minas Gerais, Goiás e São Paulo, causando inundações e com isso prejuízos sociais e econômicos, sobretudo nos pequenos municípios que têm o agronegócio como principal atividade.

As perdas expressivas do agronegócio brasileiro e a solução mágica do “seguro rural” que algumas entidades do setor ruralista defendem, demonstram que o setor não está preparado para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas em curso.

A solução do “seguro rural” que alguns defendem tem mostrado suas deficiências, à medida que se deteriora as condições climáticas e ambientais e aumenta o endividamento público, com o pagamento destes seguros. O Estado atualmente custeia de 20% a 40% do investimento total e até R$ 120 mil por produtor pelo programa de subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Interessante notar que alguns candidatos à presidência da república já estão incorporando esta demanda em seus programas de governo. É importante apontar que não se trata de um empréstimo, mas de uma subvenção pública, recurso este que jamais retornará aos cofres públicos para que seja investido em programas voltados às mudanças climáticas, por exemplo.

O orçamento do Ministério do Meio Ambiente em 2021 foi de R$ 1,72 bilhão para todas as ações de proteção ao meio ambiente. Em contrapartida, para o mesmo ano, o governo federal transferiu ao PSR a cifra de R$ 1,18 bilhão, destinado a garantir a produtividade do agronegócio. Com este recurso, o produtor rural se protege financeiramente de eventos climáticos adversos (i.e. geadas, alagamentos, chuvas de granizo) e/ou perdas na produtividade por fatores difusos. Adquirem assim, a capacidade de recuperação econômica frente às perdas de um “ano atípico”.

A grande questão é que todos os anos têm sido “atípicos” e o endividamento público também. Basta um único evento climático numa região, para que se tenha prejuízos em grande escala, arruinando as contas públicas e seus segurados. Uma medida que vem sendo tomada pelo poder público é elevar os prêmios (custo de contratação) ao produtor em decorrência das incertezas climáticas. Entretanto, o mercado que até a pouco tempo se pautava pelas séries históricas e tendências de longo prazo, não está conseguindo se ajustar às previsões atuais.

Na tentativa de compensar as perdas econômicas para as mudanças climáticas, investidores estão expandindo as áreas agrícolas e de pecuária, aumentando o desmatamento e, consequentemente, as condições climáticas de uma região. Além disso, esta mobilidade tem deixado um rastro de destruição com o aumento de terras abandonadas e degradadas.

O atual modelo da monocultura exportadora e da pecuária extensiva é preocupante. Temos como exemplo o que se observa no arco amazônico (área que abrange o Acre, Amazonas, Rondônia, Mato Grosso, Pará e Maranhão), onde se registra os maiores índices de desmatamento, violência rural e a invasão de terras públicas de todo o país.

Para alguns, a expansão assegurada e o seguro rural expandido, a demanda do agro será atendida e o produtor estará protegido perante a perda da produção, pois assim que acessar o PSR, no próximo ano ele voltará ao jogo – nem que seja para perder mais uma vez. Com os recursos públicos o modelo vem se sustentando e, em conjunto, todo mundo “ganha”. Apesar da lógica, ela não se sustenta, pois, este modelo exclui o ponto fundamental:  os eventos climáticos extremos, que não ocorrem sem a participação humana, agravados pelas políticas públicas tomadas no território.

Precisamos sempre alertar, sobretudo aos novos produtores rurais, o conhecimento já assimilado pelos produtores antigos de que existe uma relação direta entre ganhos na produção com a manutenção da vegetação nativa e a produção de água, do aumento da umidade e a redução da temperatura, do aumento da fertilidade do solo e o aumento da produtividade.  Não custa lembrar que “a cobertura vegetal protege o solo do impacto das gotas de chuva e reduz o escoamento da água. As raízes retêm partículas de terra e abrem caminho para a infiltração da chuva. O sombreamento mantém o solo frio e úmido e protege os lençóis freáticos. Em áreas de recarga de aquíferos é a vegetação nativa que regula o quanto de água vai infiltrar e o quanto de solo fértil não será levado pela correnteza. Na beira dos rios, as matas ciliares seguram o barranco, evitam a entrada de poluição, reduzem a evaporação e controlam o pulso das enchentes ao segurar a água que entra e sai. Rios assoreados pelo solo carreado se tornam mais rasos, mais lentos, com mais água exposta ao sol, começam a invadir áreas maiores nas cheias, ficam menos previsíveis e mais destrutivas. Nascentes protegidas pela mata e recarregadas pela infiltração jorram com força o ano inteiro. Rios sem proteção crescem de maneira destrutiva na cheia e morrem na seca. Florestas atraem chuvas a grandes distâncias e as alimentam com sua própria umidade. Solos cobertos têm temperatura média vários graus mais baixos que o de áreas abertas. Está tudo no dia a dia de quem vive no campo e depende de umidade, chuvas e boa temperatura para produzir”.

Passados quase 10 anos do novo Código Florestal que instituiu a obrigatoriedade do Cadastro Ambiental Rural (CAR), este não foi concluído. O CAR permite visualizar as respectivas reservas legais, suas matas ciliares, rios, nascentes, banhados e áreas produtivas de cada propriedade rural. Este cadastro nos daria a oportunidade de compreender a organização do território brasileiro.  Permitiria entender quem cumpre e quem não cumpre a legislação, inclusive mobilizar ações de restauração das áreas degradadas.  O CAR traria segurança jurídica para resolver brigas fundiárias intermináveis e prevenir os conflitos que estão crescendo a todo momento. Foi a grande promessa ruralista na proclamação do Novo Código Florestal: o Brasil entregava as regras de proteção ambiental e os produtores rurais entregavam um cadastro. Só o Brasil entregou.

Para acessar o PSR e receber ajuda do governo, um produtor também não precisa fazer o Cadastro Ambiental Rural (CAR). Basta uma certidão negativa de débitos com o governo (CADIN). Infelizmente, não sabemos se o nosso segurado segue as regras ambientais, em especial quanto aos recursos hídricos, proteção das áreas de proteção permanente (APP’s), etc., mas nós contribuintes financiamos o seu seguro contra a seca.

Os últimos sete anos foram os sete mais quentes já medidos em mais de um século e possivelmente serão mais frios que os próximos 7 anos. (The past seven years have been the hottest in recorded history, new data shows – The Washington Post)O Agro precisa se adaptar urgentemente com base na ciência, como o fez há 50 anos quando a Embrapa iniciava seus trabalhos com uma variedade de soja para o Cerrado.

É a renovação da confiança no velho Brasil que nos trouxe até aqui e é também uma escolha por colocar o estado mais uma vez a serviço de uma elite rural que se recusa a oferecer sua parcela de sacrifício enquanto se afirma o grande motor da economia. Tudo isso no exato momento em que o mundo enfrenta as consequências de uma relação predatória com o ambiente e cresce a pressão pelo sacrifício de todos, em especial, dos mais ricos.

Seguro não é proteção e sequer salvação. Proteger contra uma ameaça é prevenir. E sem cuidar das florestas não vai ter seguro rural que nos salve e nem expansão de lavoura e pecuária que dê conta de mitigar o desperdício de terras e recursos. Estamos acelerando um modelo que tem dado claros sinais de esgotamento e nos levando a crises de abastecimento, de produção de energia e inflação.

Neste contexto, desconfio que o Acordo de Paris poderá salvar a lavoura. O modelo das monoculturas é que precisa ser finalmente superado nas próximas décadas. Mas isso é papo para um outro governo. Para os próximos quatro anos, o desafio é botar o pé no freio e as mãos nas soluções.

Após superar depressão e encontrar felicidade, escritora de MS muda vida de pessoas pelo mundo

Após superar depressão e encontrar felicidade, escritora de MS muda vida de pessoas pelo mundo

Foto: Alessandro Mesquita Photography Lígia Oizumi encontrou cura interior e realização de sonhos por meio dos tsurus

Quem diria que um simples origami em forma de ave – o Tsuru – levasse uma campo-grandense a escrever um livro sobre superação da depressão, busca pela felicidade, realização de sonhos e mudasse a vida de pessoas ao redor do mundo? A escritora Lígia Oizumi, que ficou conhecida como a “menina dos Tsurus” em MS, está de passagem por Campo Grande e ainda se surpreende com as histórias de muitas pessoas que embarcaram em campanhas para confecção de tsurus e leram seu livro.

Um desses casos é da empreendedora Aline Gregório, de 24 anos. Ela conheceu Lígia em Campo Grande, quando a escritora já estava com campanha e apresentar o projeto “1000 Tsurus por um Desejo” em meados de 2016. Na época, Aline era adolescente e cumpria pena em uma Unidade Educacional de Internação (Unei), havia sido transferida de São Paulo e havia perdido a mãe.

“Quando conheci a Lígia estava interna na Unei e havia perdido minha mãe. Estava com depressão e queria apenas ficar no quarto. Aquele momento achei que seria um ciclo vicioso, que não iria sair de lá e nunca ia poder ter minha liberdade de volta. Um dia a Lígia apareceu apresentando o projeto dela. Ela não só ensinou a dobrar um pedaço de papel ou a confeccionar um origami, me ensinou a ter calma, paciência e a buscar a esperança. Quando fiz os tsurus vi que ainda tinha esperança, que nunca é tarde demais, que eu ia sair dali e mudar de vida e esse foi impacto que Lígia trouxe a minha vida”, diz Aline.

E não parou por aí, Aline saiu da Unei e continuou a fazer tsurus e se reencontrou com Lígia. Ela aproveitou oportunidades de trabalho e ajudou escritora a levar cerca de 15 mil origamis para Chapecó (SC) na Arena Condá em homenagem às vítimas e familiares de jogadores do Chapecoense, após a tragédia, quando a aeronave que levava atletas, dirigentes do clube e jornalistas para a final da Copa Sul-Americana caiu, na Colômbia, em 28 de novembro de 2016. No total, 71 pessoas morreram.

“Fomos para Chapecó, visitamos hospitais para entregar os tsurus e foi muito lindo, porque a gente viu o sorriso das pessoas. Senti a mesma coisa quando fui tocada pela Lígia, eu senti esperança e que estava levando também para as pessoas, no hospital, para as crianças. Foi gratificante”, relembra a empreendedora.

Aline, que também superou a depressão diz a todos que a esperança está dentro de cada um, basta encontrar o caminho até ela. “Eu digo para as pessoas que estão passando por um momento difícil, que não perca as forças ou esperança. A vida é maravilhosa, basta você querer, se agarrar naquilo que te dá força. A esperança é que alimenta a alma e faz a gente caminhar”.

O carioca Alessandro do Nascimento, de 41 anos, também é uma das pessoas que foram transformadas. Ele conheceu Lígia quando cumpria pena na Penitenciária Central do Estado – Unidade de Progressão (PCE-UP) de Curitiba, no Paraná.

“Eu cumpri pena porque cheguei ao fundo do poço por conta de más amizades, que me envolveram no mundo das drogas. Eu já havia me arrependido dos meus erros e estava cumprindo pena eu só pensava em cuidar da minha família. Em 2017, a Lígia nos fez uma visita e contou sobre a sua história de depressão e propósito de vida. Não era um choro de tristeza, mas de alegria em fazer diferente. Aquilo tocou a mim e aos demais, e resolvemos entrar e ajudar a Lígia a confeccionar os tsurus que foram para o Japão. Eu cumpri minha pena, e hoje vivo com minha família em paz”, relembra Alessandro.

Ele afirmou que continua fazendo tsurus e entrega para as crianças da sua comunidade e que o livro “Felicidade na Prática” é de fundamental leitura para quem busca a verdadeira felicidade.

“É como se fosse a Bíblia, não adianta você ler apenas. É necessário ler, reler e buscar entendimento. Eu percebi isso quando pude ler o livro, passar seguir a Deus e hoje também como evangélico, que passamos por situações para que possamos sair mais fortes dela. E a Lígia nos ensina como podemos passar por tudo e ainda sermos felizes. Ela tem um coração enorme e agradeço a Deus por isso”, agradece Alessandro.

Os tsurus chegaram ao Japão e até a autônoma, Edna Hatsumi Honji Oliveira, de 55 anos que mora na cidade de Toyohashi, que fica no Estado de Aichi. Ela conheceu a escritora por meio do Facebook.

“Conheci através do Facebook em um vídeo falando sobre o Projeto “1000 Tsurus por 1 Desejo”, em 2017, onde me identifiquei, principalmente com a Lígia. Não a conheço pessoalmente, mas temos contato pela internet desde então. Quando comecei a fazer os tsurus tinha 3 amigas com câncer. Infelizmente duas não resistiram. Fiz os tsurus e entreguei e vi um sorriso em cada uma. Fazer parte deste projeto me abriu um horizonte abriu meu coração e vi que com pequenos gestos posso fazer a diferença na vida de alguém e que a felicidade está dentro de mim. Dentro de nós. Foi muito significativo. E faço os tsurus até hoje”, relembra Edna.

A autônoma também relata que tem a convicção que realmente os mil tsurus trazem a cura, a felicidade, a esperança. “Não é só uma lenda. A Lígia foi e é uma inspiração, uma esperança, uma mestra, um anjo ao ensinar que dobrando um pequeno papel quadrado se transforma em um fio de esperança para aqueles que estão tristes”.

Edna afirma que leu o livro “Felicidade na Prática” e que lendo pela 5ª vez e que sempre tira novos aprendizados. “O livro nos mostra que temos que lutar pela nossa felicidade, ela está dentro de nós e se não a libertamos não poderemos senti-la. Nas passagens do livro, ela nos mostra como procurou alternativas para não desistir do seus desejos e saiu para outros países ensinando a dobrar os tsurus e buscar sabedoria para acrescentar em sua vida”, conta.

Realização e felicidade de Lígia

De passagem por MS, Lígia trouxe seu filho Luka que nasceu do seu casamento com Alex em Nova Iorque, onde atualmente vivem, e revela como fica feliz e surpreende ainda com cada depoimento das pessoas que se sentiram tocadas por suas campanhas com os tsurus e pelo seu livro, que está nas últimas unidades da 1ª edição.

“Eu fico com o coração imensamente feliz de poder compartilhar o que vivi, enfrentei em busca dos meus sonhos e consegui realizá-los. O livro “Felicidade na Prática” tem uma série de ensinamentos que vivi, mas o que mais importa é a mensagem que consegui transmitir de que cada um de nós, independente de sua situação, vida, dificuldades deve buscar sempre a esperança e ter a certeza que pode ser feliz, não daqui 10, 20 ou 30 anos, mas hoje, a cada momento e a cada minuto. Todos somos especiais e cada um de nós pode fazer a diferença neste mundo. Basta encontrar seu propósito”, finaliza.

Lígia ainda conta com as últimas unidades do seu livro “Felicidade na Prática” e que poderão ser autografados até a próxima sexta-feira (11/02) em Campo Grande.

Serviço

O livro “Felicidade na Prática” pode ser adquirido com a escritora Lígia Oizumi em Campo Grande até o próximo dia 11/02, com direito a autógrafo.

A publicação ainda pode ser adquirida no Brasil com frete grátis pela internet por meio do Pag Seguro (clicando aqui) ou ainda pela Amazon para dispositivos de leitura (clicando aqui).

Marcelo Varela Nina
Varela.com – Assessoria e Estratégia em Comunicação

Político por Vocação: Por Rosildo Barcellos

Político por Vocação: Por Rosildo Barcellos

Em 2022, momento em que chego a Academia Brasileira de História e lIteratura, tenho um novo olhar sobre os acontecimentos atuais, e percebo como símbolos e educação se misturam, tornando-se impossível falar de Brizola sem miscigenar saudavelmente a memória de ordem pessoal com a memória política. Vou dar um exemplo: Em 1º de março de 1950, Brizola casou-se com Neusa Goulart, irmã do deputado estadual e futuro presidente da República João Goulart (Brizola e Goulart eram ambos deputados estaduais). O casamento foi realizado na Fazenda de Iguariaçá, em São Borja, tendo o ex-presidente da República Getúlio Vargas como um dos padrinhos. Outrossim, Brizola não nasceu Leonel. Último dos cinco filhos dos pequenos agricultores José e Oniva de Moura Brizola, seu nome de batismo era Itagiba. Veio ao mundo em 22 de janeiro de 1922 na localidade chamada Cruzinha, interior de Carazinho, no norte gaúcho. No ano seguinte, ao final da Revolução de 1923, seu pai, integrante do grupo político maragato, foi assassinado depois do armistício por um vizinho do grupo rival, os chimangos.

Com a morte de José, Oniva havia perdido a posse da terra e da casa onde morava com os filhos. Aos 14 anos de idade, quando foi ser registrado, Itagiba avisou: queria ser batizado com o nome do líder dos maragatos, Leonel Rocha. Assim foi feito, registrado como Leonel de Moura Brizola.    Não posso negar que foi um homem por vezes polêmico em alguns dos seus atos, mas jamais, e em tempo algum, deixou de ter uma visão ampla sobre o Brasil e, principalmente, sempre esteve à frente do seu tempo, quando o assunto era Educação. Sua obstinação pela educação era memorável, e ele a perseguia como peça chave para a mudança do Brasil, pois acreditava, e estava naturalmente certo, que “a educação é o único caminho para emancipar o homem”. Então resolveu criar, com Darcy Ribeiro, os Cieps, entendendo que “uma criança só pode aprender quando se nutre, come, e depois sim, está na escola.  Para  Brizola, todas as crianças deveriam ter direito à escola, pois a violência seria um fruto da falta de educação. Aqui cabe um comentário ( o jornalista Caco Barcelos, ganhou o seu primeiro kichute justamente das mãoes de Leonel Brizola. Era 1956 em uma visita a Vila São José do Murialdo, na periferia de Porto Alegre, Brizola viu crianças descalças, percorrendo as ruas de chão batido. E asseverou: No Rio Grande, eu nunca vi um cavalo sem ferradura. Como pode nossas crianças andar descalças, prometendo um tênis para cada um, e cumpriu.)

Depois disso,foi governador do Rio Grande do Sul, estado onde nasceu, e duas vezes eleito governador do Rio de Janeiro, sendo o único político eleito pelo povo a governar dois estados diferentes da Federação em toda a História do Brasil. O sistema escolar proposto se cosnstituía em estar as CIEPs erguidas próximas às comunidades mais carentes, as escolas de tempo integral permitiam que as crianças entrassem no início da manhã e saíssem ao fim do período vespertino, com banho tomado, três refeições diárias e direito a atendimento médico e odontológico, acesso a piscinas, áreas de esporte, lazer, música, dança, teatro e artesanato. Alunos desabrigados podiam morar na escola, acompanhados por um casal tutor. A estrutura era aberta para festas e reuniões da comunidade. E isso não se resumia a um colégio: em quatro anos, Brizola criou 508 CIEPs. Em seu segundo mandato (entre 1991 e 1994) como governador do Rio, fundou ainda a Universidade Estadual do Norte Fluminense. Assim, ao comemorarmos, em 22 de janeiro de 2022, o centenário de nascimento de Leonel de Moura Brizola, exaltamos a prova de que a política pode ser o lugar da ação  coerente em favor dos que mais precisam, o lugar onde o interesse público se sobreponha.

Depois de 60 anos de vida pública,  Leonel de Moura Brizola é a personificação  do título que recebeu em 2015: Herói da Pátria Brasileira. E finalizo com uma de suas falas…pra pensar: “ Sou um grande admirador de toda inteligência que, longe de mesquinho interesse e livre de dogmas partidários, lança-se gratuitamente na arena da sabedoria humana a serviço dos necessitados. “

*Articulista

**Maragato.
O termo tinha uma conotação de ironia,  atribuída pelo imperialistas e legalistas aos revoltosos liderados por  Silveira Martins, que deixaram o exílio, no Uruguai. Como o exílio havia ocorrido no Uruguai numa região colonizada por pessoas originárias da Maragateria (na Espanha), os republicanos apelidaram-nos de “maragatos”, buscando caracterizar uma identidade “estrangeira” aos federalistas. O lenço vermelho identificava o maragato.

***Chimango.
Ave de rapina muito comum na campanha riograndense, Alcunha dada aos liberais moderados pelos conservadores, no início da monarquia brasileira. No RS, nos anos de 1920, foi à codinome dada pelos federalistas aos governistas. O lenço de cor branca identificava os chimangos.