ago 4, 2025 | Diversos
“Do Pântano para a Ilha” reúne elementos típicos do Estado em mostra com 14 telas, a maioria delas produzidas exclusivamente para a ocasião
Conhecida internacionalmente, especialmente pelas obras com onças-pintadas, sua marca registrada, a artista plástica Lúcia Martins Coelho Barbosa se prepara para cruzar uma nova fronteira com sua arte. Após já ter exposto em sete países e quatro estados brasileiros, ela inaugura amanhã uma exposição inédita em Florianópolis, “Do Pântano para a Ilha”, em evento que vai até o dia 11 de agosto, na loja Arquitetura do Sono. A mostra é composta por 14 telas, sendo 11 delas inéditas, criadas exclusivamente para a ocasião, que marca a primeira vez de Lúcia expondo em Santa Catarina.
“A exposição foi a convite das responsáveis pelo espaço, que, ao saberem que eu era daqui, tiveram muita curiosidade de saber mais sobre o Estado e entenderam que os arquitetos e apreciadores de arte de Florianópolis gostam de coisas brasileiras em seus projetos. Quando eu falei que morava perto do Pantanal, falaram que seria interessante trabalhar em cima desse tema. Por isso criei esse nome, ‘Do Pântano para a Ilha’, e coloquei nas telas elementos como as flores de aguapé, as árvores do Cerrado, as onças, que são meu carro-chefe”, resume Lúcia.
Outro elemento regional incorporado nos quadros é a renda nhanduti, um bordado artesanal tradicional do Paraguai cujo nome significa “teia de aranha” em guarani, uma referência à sua aparência delicada e intrincada, utilizada normalmente em peças decorativas e roupas. Ao todo, foram sete meses de preparação para a exposição, em um longo processo de produção e ressignificação de obras, utilizando as técnicas pastel sobre papel e acrílico sobre tela.
“As obras que a gente tem dentro dessa exposição vão refletindo lugares, flores, animais, que talvez as pessoas não prestem atenção no dia a dia, mas que saem do comum. Quisemos resumir em 14 obras tudo que a Lúcia olha, vive e o que ela acha importante no nosso estado para o Brasil e para o mundo. A gente quer mostrar que há beleza aqui e que as pessoas precisam olhar mais para nós”, comenta Ygor Alcantara, que assina o catálogo da mostra como diretor.
Para Lúcia, a arte é como um portão de entrada para um novo mundo, nesse caso o Pantanal, Mato Grosso do Sul. “O Pantanal não é margem: é centro de novas narrativas. É daqui que falamos ao mundo. O que eu gostaria que essa minha exposição causasse é até um certo espanto de ver que aqui também tem gente que faz arte, e nada melhor do que se apresentar quando alguém já tem curiosidade de te conhecer. Tenho a impressão de que isso não vai parar por aqui, e sim que pode ser o início de uma série, que vou incorporar elementos de lá também nas minhas artes”, completa.
“Eu vivo para a arte, se eu não tivesse essa profissão, esse dom de colocar nas telas minhas emoções, meus sentimentos, talvez eu não tivesse nenhuma utilidade para a sociedade. A arte é, acima de tudo, questionadora. O que eu sinto como artista plástica há mais de 45 anos é que estamos ainda abrindo caminho para os artistas que virão. Gostaria muito que o artista fosse respeitado, fosse aceito, fosse útil, pois a arte alimenta a alma”, finaliza a artista.
Serviço: A exposição “Do Pântano para a Ilha”, da artista plástica sul-mato-grossense Lúcia Martins Coelho Barbosa, ficará disponível para visitação de 5 a 11 de agosto, na loja Arquitetura do Sono, localizada na Av. Madre Benvenuta, nº 1318 – Santa Mônica, em Florianópolis (SC).
ago 2, 2025 | Diversos
Disponível no YouTube: vídeo que retrata com dança e poesia a história da ferrovia de M
A poesia, a dança e o cinema se encontram nos trilhos da antiga malha ferroviária de Mato Grosso do Sul. Já está disponível para acesso, no canal do Youtube (@pamellarani), o vídeo-arte “Olha! Lá vem o trem chegando”, obra audiovisual que percorre caminhos de memória, deslocamento e identidade com uma narrativa sensível e poética sobre a história da ferrovia que ajudou a construir a história do Estado.
Com oito minutos de duração, a criação está disponível, gratuitamente, no streaming e pode ser utilizada por escolas, universidades, coletivos artísticos e pelo público em geral como referência criativa, material de estudo ou ponto de partida para debates sobre vídeo-arte, performance, memória e território.
O trabalho é fruto da parceria entre Pâmella Rani — que assina o texto, a interpretação, a voz e a dança — e Julián Vargas, músico e artista plástico responsável pela trilha sonora, câmera, montagem e ilustração.
A proposta nasceu do poema “Olha! Lá vem o trem chegando”, escrito por Pâmella em 2023 durante uma viagem a Corumbá. Inspirada pela paisagem do Rio Paraguai e pelos fluxos humanos que atravessam fronteiras, a obra convida o espectador a mergulhar em gestos e imagens que evocam deslocamentos, memórias familiares e afetivas.
Gravado entre Campo Grande e Corumbá, o vídeo percorre antigas estações ferroviárias, rios e cenários marcados pelo tempo, explorando os vínculos entre território, corpo e história. A trilha sonora — com influências de Naná Vasconcelos e Metá Metá — combina percussões orgânicas, sons de pássaros, águas e ecos de trem, criando uma atmosfera que guia o movimento e a narrativa visual.
Para Pâmella, a obra provoca também uma reflexão sobre o papel simbólico e real da ferrovia no estado. “O projeto retrata esse trem que chegou e propõe pensar: onde ele está hoje? Qual foi e qual é a sua importância? Ele se foi? É um convite para revisitar a história e perceber o que permanece nos nossos caminhos, no nosso imaginário e nas nossas relações com o território”.
A obra também se destaca pelo compromisso com a acessibilidade: está disponível com audiodescrição, legendas e tradução em Libras, reforçando o acesso inclusivo à produção cultural.
“É um trabalho que fala de memória, mas também de futuro — de como os caminhos que percorremos nos moldam e nos movem”, reforça Rani.
Para Julián, a força da obra está na fusão entre som, imagem e movimento: “O som é a linha que costura o trem e o rio; a paisagem, mais do que cenário, é personagem”.
Realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo (LPG), do MinC – Ministério da Cultura, Governo Federal, com apoio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), Setesc e Governo do Estado, o projeto fortalece a produção audiovisual experimental e poética no MS, valorizando o protagonismo dos artistas locais. Assista gratuitamente ao vídeo-arte no YouTube (@pamellarani). Mais informações pelo Instagram – @raniepam.
jul 28, 2025 | Diversos
Curtas-metragens de todo o Brasil podem ser inscritos para evento que acontece em novembro
A cidade morena se prepara novamente para ser o ponto de encontro do curta-metragem brasileiro. Seguem abertas até esta quinta-feira (31 de julho), as inscrições para a segunda edição do Festival Curta Campo Grande, que acontecerá entre os dias 12 e 15 de novembro de 2025. A participação é gratuita e voltada a filmes finalizados em 2024 ou 2025, com duração de até 30 minutos. As orientações constam no site www.festivalcurtacampogrande.com.
A primeira edição, realizada em 2024, surpreendeu pelo profissionalismo, pelo acolhimento e pela força de sua curadoria. Agora, em seu segundo ano, o festival retorna mais maduro, consciente de seu papel na cena audiovisual nacional e atento às potências do cinema sul-mato-grossense.
“Para mim, como idealizador, é uma alegria muito grande saber que o projeto vai ter continuidade, porque nós sabemos que muitos projetos como esse, infelizmente, por falta de apoio, acabam morrendo na primeira edição”, afirma Dannon Lacerda, um dos idealizadores do festival. “Acho que agora conseguimos consolidar a nossa proposta curatorial e, ao mesmo tempo, acrescentar novidades que vamos anunciar ao longo do período de pré-produção”.
Curadoria plural e nova parceria com o Curta Cinema
Entre as novidades já confirmadas está uma parceria inédita com o Festival Curta Cinema, um dos principais festivais dedicados ao curta-metragem na América do Sul, que trará uma mostra internacional não competitiva para Campo Grande.
Com duas mostras competitivas — Curta Brasil e Curta MS — e outras mostras paralelas, o festival segue com a proposta de exibir uma seleção plural, comprometida com temáticas urgentes da contemporaneidade e com a representatividade de grupos historicamente minorizados.
“Desde a minha experiência como curador do Festival do Rio e como realizador com filmes em diversos festivais, observo como é fundamental a curadoria abarcar questões que merecem ser debatidas hoje. A arte tem esse papel: provocar, refletir, propor mudanças”, defende Dannon.
Júri técnico, voto popular e formação de público
Os filmes selecionados concorrerão ao Troféu Tuiuiú, em categorias como melhor curta de ficção, documentário, direção, atuação, roteiro, fotografia, arte, som e montagem. A exemplo do ano anterior, os vencedores serão escolhidos por um júri técnico especializado e também pelo voto popular, numa tentativa de ampliar o diálogo entre crítica e público.
“O júri oficial está centrado na análise técnica e artística, mas quisemos manter também o voto do público, pois é essencial saber o que chama a atenção de quem frequenta o festival, mesmo que não seja um especialista em cinema. Esse retorno é valioso e ajuda na formação de plateia, algo que sabemos que leva tempo. Muitos festivais levam décadas para se consolidar nesse aspecto. Nós temos orgulho de trilhar esse caminho, passo a passo”, afirma o idealizador.
Mais do que uma mostra de filmes, o Festival Curta Campo Grande se afirma como um gesto de pertencimento cultural. Ele oferece visibilidade a novas vozes, constrói pontes entre realizadores de diferentes regiões do Brasil e contribui para a formação crítica e artística do público local. “É um trabalho de formiguinha e com orçamento bastante restrito, mas que a gente faz com muito orgulho. Um festival assim não serve apenas para premiar bons filmes — ele ajuda a melhorar o mundo ao ampliar o olhar sobre realidades diversas”, completa Dannon Lacerda.
A lista de selecionados será divulgada até 15 de outubro de 2025 no site oficial www.festivalcurtacampogrande.com e nas redes sociais do festival (@festivalcurtacampogrande).
jul 28, 2025 | Diversos
A morte precoce da cantora Preta Gil, aos 49 anos, por complicações de um câncer colorretal, comoveu o país e reacende um alerta urgente: o câncer de intestino cresce de forma alarmante no Brasil e no mundo. Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer) é o segundo tipo mais frequente entre mulheres e o terceiro entre homens. A detecção precoce salva vidas, mas a verdadeira chave está na prevenção primária — construída diariamente por meio de hábitos saudáveis. Quem cama a atenção para essa situação é o médico cardiologista, João Jackson Duarte, com ação voltada para a medicina integrativa.
Quem deve fazer colonoscopia preventiva?
De acordo com o médico, a colonoscopia é um exame fundamental para detectar lesões precursoras do câncer, como pólipos. Ela deve ser realizada de forma preventiva por:
* Pessoas a partir dos 45 anos, mesmo sem sintomas.
* Indivíduos com histórico familiar de câncer colorretal (parentes de primeiro grau).
* Portadores de doenças inflamatórias intestinais crônicas (como retocolite ulcerativa e doença de Crohn).
* Pacientes com síndromes genéticas de predisposição ao câncer (como síndrome de Lynch).
* Pessoas com sintomas persistentes no trato gastrointestinal.
Sinais e sintomas de alerta para o câncer colorretal
Muitas vezes silencioso, o câncer de intestino pode se manifestar tardiamente, por isso a necessidade de estar atento a sinais como alterações persistentes no hábito intestinal (constipação ou diarreia prolongadas); presença de sangue nas fezes (vermelho vivo ou escuro, tipo borra de café); fezes muito finas ou em fita; sensação de evacuação incompleta; dor ou desconforto abdominal frequente; perda de peso inexplicada; fadiga excessiva ou anemia sem causa definida; náuseas e vômitos, especialmente em casos de obstrução intestinal.
Esses sintomas, de acordo com doutor Jackson, merecem investigação, sobretudo em maiores de 45 anos ou com fatores de risco.
A saúde intestinal como chave preventiva: o papel do butirato
O médico explica que a Medicina Integrativa propõe uma abordagem ampliada, que complementa o tratamento tradicional com estratégias nutricionais e de estilo de vida. Um dos alicerces dessa visão é o cuidado com a microbiota intestinal, reconhecida hoje como um elo essencial entre imunidade, metabolismo e câncer.
Nesse contexto, destaca-se o butirato, um ácido graxo de cadeia curta classificado como pós-biótico. Ele é produzido no intestino pela fermentação de fibras prebióticas por bactérias benéficas. Suas funções são notáveis pois protege a mucosa intestinal; reduz a inflamação local; inibe o crescimento de células tumorais e fortalece a barreira intestinal e o sistema imune.
Segundo ele, dietas pobres em fibras e ricas em ultraprocessados reduzem drasticamente a produção de butirato, aumentando a vulnerabilidade do intestino a mutações e lesões inflamatórias. Já o consumo de vegetais, leguminosas, sementes, aveia e fibras solúveis estimula a flora saudável e o metabolismo do butirato.
Prevenção prática: alimentação, exames e suplementação
Além de colonoscopia e testes de sangue oculto nas fezes, exames mais modernos — como o perfil da microbiota intestinal (microbioma intestinal) e do metaboloma fecal — já permitem mapear bactérias protetoras ou patogênicas, bem como a capacidade de produção de butirato. A presença elevada de Fusobacterium nucleatum e baixa diversidade microbiana já foram associadas a maior risco de câncer colorretal.
“Suplementos também podem ter papel complementar, corrigindo deficiências silenciosas (como vitamina D, magnésio, zinco, complexo B) e reduzindo inflamação por meio de compostos como curcumina, ômega-3 e polifenóis”, sugere o especialista.
Um chamado à consciência
A despedida de Preta Gil é dolorosa, mas deixa uma lição poderosa: é possível prevenir grande parte dos cânceres de intestino com educação, rastreamento e escolhas cotidianas. Cuidar da saúde intestinal, promover o butirato por meio de fibras, cultivar uma microbiota saudável e fazer os exames no tempo certo são medidas ao alcance de todos.
“Prevenção é ato de amor-próprio. E saúde é muito mais que ausência de sintomas — é presença de vitalidade, atenção e consciência”, finaliza o médico
jul 26, 2025 | Diversos
Você sente dor de cabeça com frequência e já tentou de tudo, mas ainda não descobriu a causa? Pois saiba que o problema pode estar nos seus olhos. A dor de cabeça, também conhecida como cefaleia, é um dos sintomas mais comuns entre os brasileiros e pode ter diversas origens. Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, mais de 140 milhões de brasileiros sofrem com o problema, e o que muita gente não imagina é que alterações oculares estão entre os principais gatilhos. E nem sempre é preciso ter um problema grave na visão para isso acontecer.
“Erros de refração não corrigidos ou corrigidos de forma inadequada, uso excessivo de telas, olho seco, presbiopia, estrabismo, inflamações oculares e até doenças autoimunes podem provocar dores de cabeça”, explica o Dr. Leopoldo Ribeiro, oftalmologista do H.Olhos, Hospital de Olhos da Rede Vision One.
O especialista alerta que os sintomas nem sempre são fáceis de identificar como oculares, o que torna o diagnóstico ainda mais desafiador. “É comum o paciente sentir dor ao redor ou dentro dos olhos, notar uma perda momentânea de parte da visão, enxergar pontos cintilantes, ter lacrimejamento, sensibilidade à luz e até visão dupla”, detalha o médico do H.Olhos.
Entre os principais vilões estão os erros refrativos – como miopia, astigmatismo e hipermetropia –, especialmente quando os óculos estão com a receita desatualizada ou são usados de forma errada. O esforço excessivo para enxergar pode levar à fadiga visual e, consequentemente, à dor de cabeça. Outro fator importante é a chamada presbiopia, popularmente conhecida como “vista cansada”, que costuma aparecer a partir dos 40 anos.
Para quem passa muitas horas em frente ao computador ou ao celular, o alerta é ainda maior. “O uso excessivo de telas exige esforço visual constante e exposição prolongada à luz azul, o que contribui diretamente para o surgimento de dores de cabeça de origem ocular”, ressalta o Dr. Leopoldo.
Segundo o médico, essa exposição prolongada também está associada ao agravamento do olho seco — uma condição em que há redução na produção de lágrimas ou má qualidade da lubrificação ocular —, outro fator importante na origem da cefaleia.
Outro ponto que costuma gerar dúvida é a diferença entre a enxaqueca clássica e a ocular. “A enxaqueca ocular geralmente dura menos tempo e está ligada a espasmos nos vasos sanguíneos da retina. Ela pode provocar pontos cegos, flashes de luz ou distorções nas imagens. Já a enxaqueca comum pode durar até 72 horas e vem acompanhada de dor pulsátil em um dos lados da cabeça, náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e ao som”, diferencia Ribeiro.
Muitas pessoas têm dúvidas sobre quando procurar um oftalmologista. O ideal, segundo o Dr. Leopoldo, é não esperar a dor se tornar constante. “Assim que os primeiros sintomas aparecerem, o paciente deve buscar avaliação oftalmológica. A consulta pode identificar causas visuais que muitas vezes passam despercebidas”, orienta o oftalmologista do H.Olhos.
O exame oftalmológico completo vai muito além do teste de visão tradicional. “Avaliamos a acuidade visual, a necessidade de correção com lentes ou óculos, o reflexo pupilar, a motricidade ocular (a movimentação dos olhos), a superfície ocular, a pressão intraocular e o fundo de olho”, explica o Dr. Leopoldo.
E engana-se quem pensa que o problema atinge apenas adultos. Crianças e adolescentes também podem sofrer com dores de cabeça causadas por questões oculares, especialmente pela exposição excessiva a telas e erros refracionais não diagnosticados.
Além de manter as consultas oftalmológicas em dia, algumas medidas simples ajudam a evitar esse tipo de dor. “É fundamental garantir boa iluminação ao ler ou trabalhar, fazer pausas visuais a cada hora, manter-se bem hidratado e usar os óculos ou lentes com a prescrição correta”, finaliza o Dr. Leopoldo Ribeiro, oftalmologista do H.Olhos, Hospital de Olhos da Rede Vision One.
Crédito: Imagem de Drazen Zigic no Freepik
jul 23, 2025 | Diversos
Campo Grande (MS) – A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE), uma condição que afeta milhões de brasileiros e compromete diretamente a qualidade de vida, tem sido alvo de importantes avanços científicos. O médico cirurgião do aparelho digestivo e especialista em cirurgia bariátrica, Dr. Wilson Cantero, traz à tona as descobertas mais recentes sobre diagnóstico, causas e abordagens terapêuticas da doença que vai muito além da azia e do desconforto estomacal.
Segundo ele, a DRGE é provocada pelo retorno anormal do conteúdo do estômago para o esôfago, o que pode causar, além da conhecida queimação, sintomas como tosse crônica, sinusite, dor de ouvido e até dor na arcada dentária. “O refluxo deixou de ser um simples incômodo gástrico para se tornar um problema de saúde pública, com impactos respiratórios, metabólicos e emocionais importantes”, destaca Dr. Cantero.
Segundo ele, estudos recentes relacionam o refluxo não apenas a maus hábitos alimentares e à obesidade, mas também a fatores genéticos. Alterações no gene GPR35, por exemplo, foram ligadas à maior suscetibilidade ao refluxo ácido, segundo publicação no Journal of Gastroenterology.
Outro fator importante são os avanços no diagnóstico. Exames como a impedância-pHmetria esofágica já permitem identificar não só o refluxo ácido, como também os episódios não ácidos, sendo fundamentais nos casos mais complexos. “A tecnologia tem ajudado muito. Hoje temos exames precisos e menos invasivos, como a impedância-pHmetria e a manometria, que nos dão uma visão completa do que está acontecendo no esôfago do paciente”, explica.
Além dos tratamentos convencionais com medicamentos, o especialista reforça a importância de mudanças no estilo de vida, perda de peso, refeições menores, evitar alimentos gordurosos e reduzir o consumo de bebidas com cafeína, como café, chimarrão e tereré, ainda são pilares fundamentais.
Quando a cirurgia entra em cena
Para casos mais graves ou que não respondem bem à medicação, intervenções minimamente invasivas têm ganhado força. A fundoplicatura laparoscópica, considerada o padrão-ouro, e o moderno sistema LINX — um anel magnético que reforça o esfíncter esofágico — têm trazido resultados promissores. “Essas técnicas devolvem qualidade de vida ao paciente que convive há anos com os sintomas sem melhora significativa”, afirma Dr. Cantero.
Outro avanço é o uso de probióticos, como o Lactobacillus reuteri, e terapias biológicas que agem sobre inflamações causadas pelo refluxo. “Estamos acompanhando uma transformação no tratamento da DRGE, que caminha para a personalização do cuidado com base em marcadores biológicos e até inteligência artificial, que já está sendo usada para prever riscos e ajustar tratamentos individualizados”, acrescenta o médico.
O alerta de Dr. Wilson Cantero é claro: não negligencie os sintomas de refluxo. “Tratar cedo evita complicações sérias, como esofagite, úlceras e até predisposição ao câncer de esôfago. A boa notícia é que temos, hoje, muito mais ferramentas e conhecimento para tratar de forma eficaz e definitiva”, conclui.
Fonte: Vivianne Nunes