jul 30, 2019 | Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não se limitou a sinalizar com a negociação de um acordo de livre comércio entre o seu país e o Brasil (Mercosul) nesta terça-feira, 30. Trump declarou também ser “uma grande indicação” do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para a embaixada do Brasil em Washington. Insistiu ainda não ser um caso de “nepotismo” o fato de a nomeação ter sido feita pelo pai do parlamentar, o presidente Jair Bolsonaro.
A declaração de Trump traz implícito o aval do governo americano à indicação do filho de Bolsonaro para a embaixada. Sua resposta ao pedido de agrémentenviado pelo Itamaraty foi tão informal quanto a própria nomeação do deputado pelo presidente. Ambos os lados jogaram para o alto as formalidades e a tradição da diplomacia, que exige confidencialidade nesse processo. Eduardo Bolsonaro terá de ser sabatinado pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado e, se aprovado, sua indicação será submetida a votação no plenário da casa.
“Eu acho o filho dele (Jair Bolsonaro) excepcional. Eu conheço o filho dele e provavelmente por isso (o governo brasileiro) o indicou”, afirmou Trump. “Não acho que seja nepotismo”, acrescentou, ao ser questionado se não seria um exemplo dessa prática anti-ética na política.
O presidente americano lembrou ainda ter uma “boa relação” com Bolsonaro, o pai, e estar seguro do sucesso das negociações comerciais que espera ver iniciadas em breve. Voltou, porém, à indicação do deputado para a embaixada brasileira. “Eu penso que isso é uma grande nomeação, porque eu conheço o filho dele, eu creio que ele é verdadeiramente competente, como seu pai. Ele (Eduardo) me lembra o seu pai, e eu gosto do seu pai.”
De fato, Trump conheceu Eduardo Bolsonaro durante a visita oficial de seu pai a Washington, em março passado. Em uma situação inusitada, o deputado ingressou no Salão Oval junto com o presidente para o encontro reservado com Trump, enquanto o chanceler Ernesto Araújo foi mantido na antessala. Momentos depois, durante a declaração para a imprensa dos dois líderes no Jardim das Rosas, o americano pediu para o filho do presidente brasileiro, mais conhecido como Zero Três, se levantar e o cobriu de elogios.
“O trabalho que você fez é fantástico, e eu sei que o presidente agradece”, disse Trump ao deputado do PSL.
jul 30, 2019 | Brasil

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) e o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Guilherme Boulos (PSOL-SP), assinam uma nota defendendo a liberdade de imprensa e pedindo o afastamento do ministro Sergio Moro e do procurador Deltan Dallagnol de suas funções.
O documento também é subscrito pelo ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho, o ex-senador Roberto Requião e a ex-candidata à vice-presidência da República Sônia Guajajara.
A nota se baseia em atos e falas de representantes do governo federal decorrentes da publicação de mensagens, pelo site The Intercept Brasil, trocadas entre o Moro e procuradores da Lava Jato.
“São absurdas as ameaças contra o jornalista Glenn Greenwald [americano, fundador do The Intercept Brasil], seja por palavras do presidente da República ou por atos ilegais, a exemplo da portaria 666, do Ministério da Justiça”, diz o texto.
Na sexta (26), o ministro da Justiça publicou uma portaria que estabelece um rito sumário de deportação de estrangeiros considerados “perigosos” ou que tenham praticado ato “contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal”.
No sábado (27), o presidente Jair Bolsonaro disse em entrevista que Greenwald “talvez pegue uma cana aqui no Brasil”.
O manifesto também se diz solidário à ex-deputada Manuela D’Ávila, “que não praticou nenhum ato ilegal”. Walter Delgatti Neto, suspeito de ter hackeado celulares de autoridades, disse à Polícia Federal que conseguiu o contato de Greenwald por intermédio de D’Ávila. Ela confirma.
A autoridades, Moro chegou a dizer que as mensagens apreendidas com os hackers detidos pela PF serão destruídas.
“Em qualquer outro país democrático do mundo isso [o afastamento de Moro do cargo] já teria ocorrido, pois está evidente que Moro não se comporta de acordo com a legalidade, insistindo em espantosos abusos de poder”, afirma o texto assinado por líderes da esquerda.
Leia a íntegra do documento abaixo:
“Nota em defesa da liberdade de imprensa e pelo afastamento de Moro e Dallagnol
Em face dos graves acontecimentos que marcaram os últimos dias no Brasil, vimos a público para:
1. Manifestar a nossa defesa firme e enfática das liberdades de imprensa e de expressão, das quais é consectário o direito ao sigilo da fonte, conforme dispõe a nossa Constituição Federal. Assim sendo, são absurdas as ameaças contra o jornalista Glenn Greenwald, seja por palavras do presidente da República ou por atos ilegais, a exemplo da Portaria 666, do Ministério da Justiça. Do mesmo modo, estamos solidários à jornalista Manuela DAvila, que não praticou nenhum ato ilegal, tanto é que colocou seu telefone à disposição para perícia, pois nada tem a esconder.
2. Registrar que apoiamos todas as investigações contra atos de invasão à privacidade. Contudo, desejamos que todo esse estranho episódio seja elucidado tecnicamente e nos termos da lei, sem interferências indevidas, como a praticada pelo ministro Sérgio Moro. Este agente público insiste em acumular funções que não lhe pertencem. Em Curitiba, comandava acusações que ele próprio julgaria em seguida. Agora, no ministério, embora seja parte diretamente interessada e suspeita, demonstra ter o comando das investigações, inclusive revelando atos sigilosos em telefonemas a autoridades da República.
3. Postular que haja o imediato afastamento do ministro Sérgio Moro, pelos motivos já indicados. Em qualquer outro país democrático do mundo isso já teria ocorrido, pois está evidente que Moro não se comporta de acordo com a legalidade, insistindo em espantosos abusos de poder. Do mesmo modo, a Lava Jato em Curitiba não pode prosseguir com a atuação do procurador Deltan Dallagnol, à vista do escandaloso acervo de atos ilícitos, a exemplo do comércio de palestras secretas e do conluio ilegal com o então juiz Moro.
jul 30, 2019 | Brasil

Dois dos quatro presos sob suspeita de envolvimento em ataques hackers contra autoridades, como o ministro Sergio Moro (Justiça), relataram à Justiça, nesta terça (30), que sofreram maus-tratos. O depoimento foi prestado nesta manhã ao juiz Vallisney Oliveira, da 10ª Vara Federal em Brasília.
Durante a audiência de custódia realizada para averiguar as condições das prisões, as defesas dos suspeitos pediram a soltura deles, mas o juiz negou. Oliveira afirmou que, até o momento, não surgiram novos elementos que mudassem o cenário em relação à última sexta-feira (26), quando ele prorrogou a prisão temporária dos quatro suspeitos por mais cinco dias. O prazo das prisões vence na quinta (1º).
Os suspeitos Gustavo Henrique Elias Santos, 28, e Suelen Oliveira, 25, foram os únicos a relatar uma série de condutas dos policiais que consideraram maus-tratos. Eles afirmaram que foram impedidos, ao serem presos, de ligar para seu advogado, Ariovaldo Moreira, que acompanhou a audiência nesta manhã.
“Os policiais entraram em casa, já fui agredido verbalmente desde o momento que estouraram a porta, porque eu estava dormindo. Desde o começo eu colaborei, deixei eles super à vontade, mas fui bem agredido verbalmente. ‘Hacker, bandido, tá preso, perdeu’“, narrou Elias Santos.
“Eu estava dormindo pelado, e não deixavam de jeito nenhum eu pôr uma roupa. Não deixaram eu colocar uma cueca. Depois de algum tempo me deram uma roupa, eu já algemado. Eu disse que queria conversar com meu advogado, queria saber o que estava acontecendo. A primeira coisa que falaram: ‘Você que é o hacker’. Desde o momento que entraram em casa eu pedi para ligar para meu advogado, conversar com minha mãe, e não deixaram”, queixou-se.
Para Elias Santos, os supostos maus-tratos foram desnecessários. Ele também se referiu a seu amigo Walter Delgatti Neto, 30, também preso, como o principal culpado.
Suelen começou o depoimento chorando. Disse que só pôde tomar banho depois de dois dias presa, e por determinação do delegado Luís Flávio Zampronha, que conduz o inquérito.
“Me trataram mal, fizeram muitas piadinhas, fiquei sem papel higiênico, sem absorvente, tive que tomar água do chuveiro”, disse Suelen. “Não quero voltar mais lá [na penitenciária feminina do Distrito Federal]. Eu não tenho nada a ver com isso”, afirmou, chorando.
O Ministério Público solicitou cópias dos depoimentos de Elias Santos e Suelen para abrir inquérito para investigar os supostos maus-tratos cometidos pelos agentes de segurança.
Diferentemente, os outros dois presos, Danilo Marques e Walter Delgatti Neto, não relataram maus- tratos nem coação por parte dos policiais.
Delgatti disse que prestou seu primeiro depoimento à PF, no dia em que foi preso, por livre e espontânea vontade, embora tenha ressaltado que estava tenso por causa do clima da prisão e sem os remédios de uso controlado que costuma tomar.
Questionado por seu advogado, Luiz Gustavo Delgado Barros, sobre eventual pressão psicológica, Delgatti respondeu que o procedimento adotado pelos policiais foi tranquilo. “Não fui coagido, mas eu estava naquele clima [do momento da prisão], e sem medicamentos também”, disse.
A defesa de Delgatti argumentou, ao pedir sua liberdade, que o suspeito já foi ouvido e assumiu a autoria solitária dos delitos. Para a defesa, Delgatti poderia ser solto por ter residência fixa e ter colaborado em todas as etapas da investigação. Os defensores disseram também que a empresa de serviços de Voip (ligações pela internet) já forneceu à PF a relação de tentativas de telefonemas feitas por Delgatti mas não tiveram êxito no pedido de soltura.
Por fim, o juiz Oliveira autorizou as defesas a terem acesso ao inquérito e aos depoimentos prestados pelos suspeitos, incluindo os vídeos das oitivas.O magistrado também determinou que Suelen, que passou os últimos dias na penitenciária feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, seja transferida para a carceragem da Polícia Federal, como pleiteou o advogado.
Questionada por jornalistas, a Polícia Federal ainda não se manifestou sobre as declarações do casal preso.
CRONOLOGIA DO CASO
Ataque a Moro
Em 4 de junho, conta do Telegram do ministro Sergio Moro (Justiça) é invadida. Polícia Federal abre inquérito. Procuradores da Lava Jato também tinham reportado invasões
Sem acesso físico
A informação inicial: não havia programa de espionagem instalado no aparelho e o hacker não tinha assumido o controle do telefone. A única pista era esta: antes do ataque, o ministro recebera diversas ligações; numa delas, seu próprio número era o chamador
Telegram
Com base nisso, a PF pediu informações para operadoras de telefonia e descobriu ligação que o Telegram havia feito para Moro, para passar um código de acesso
Mesmo número
A polícia também percebeu uma série de chamadas feitas para o ministro ao mesmo tempo da ligação do Telegram, o que ajudou a concluir que os telefonemas eram uma estratégia para fazer a ligação do Telegram cair na caixa-postal e deixar recado com o código de acesso
Voip
A PF descobriu que essas ligações com número do próprio destinatário eram feitas por tecnologia Voip, que é uma ligação pela internet. O serviço permite editar o número chamador. O acesso à caixa-postal se dava por uma vulnerabilidade na rede de telecomunicações
ID
A polícia conseguiu identificar que todas as chamadas feitas para o celular do ministro tinham sido feitas por um ID determinado (número). A PF conseguiu relacionar esse ID com um outro ID, que havia feito ainda mais chamadas, por um erro cometido pelos hackers
Erro
A conta do primeiro ID foi bloqueada pela empresa de Voip, por causa de reclamações de chamadas suspeitas realizadas por ele. Um outro ID ligou para reclamar em nome do primeiro e aí se estabeleceu a relação
Dados falsos
A PF, porém, identificou que os dados registrados dos três IDs não eram verdadeiros. Para saber quem eram os reais usuários, a PF teve que ir atrás dos endereços de IP, espécie de CEP dos computadores, que foram atribuídos aos dispositivos que se conectaram com a empresa de Voip no momento dos ataques
jul 27, 2019 | Brasil

Na manhã deste sábado (27), na cidade do Rio de Janeiro, o presidente Jair Bolsonaro disse não caber ao ministro Sergio Moro a decisão de destruir o conteúdo de mensagens capturadas de celulares hackeados.
“A decisão de possível destruição não é dele. Cada um de nós pode pensar e até torcer por alguma coisa. O Moro não fala nada que a lei não permita fazer”, disse Bolsonaro. “Foi uma invasão criminosa. Eu não tenho esse problema porque nada trato de reservado ou confidencial nos meus telefonemas”, completou o presidente.
O presidente Bolsonaro também se manifestou sobre o jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept Brasil: “ele não se encaixa na portaria. Até porque ele é casado com outro homem e tem meninos adotados no Brasil. Malandro, malandro, para evitar um problema desse, casa com outro malandro e adota criança no Brasil. Esse é o problema que nós temos. Ele não vai embora, pode ficar tranquilo. Talvez pegue uma cana aqui no Brasil, não vai pegar lá fora não”, disse.
A destruição de material obtido com os hackers presos pela Polícia Federal dificultaria a possibilidade de investigações contra autoridades como o ex-juiz Sérgio Moro, atual ministro da Justiça, e o procurador Deltan Dallagnol. Conversas obtidas pelo The Intercept Brasil indicam que ambos cometeram irregularidades ao longo da Operação Lava-Jato. Mas, por ter sido obtido de maneira ilícita, o material não pode servir de base para eventuais inquéritos ou processos – os juristas classificam essas provas como frutos de árvores envenenadas.
Já o conteúdo apreendido pela Polícia Federal em computadores dos suspeitos foi resultado de buscas autorizadas pela Justiça. O advogado Breno Melaragno Costa, professor de direito criminal da PUC-RJ, diz que essas provas – depois de periciadas – poderiam ser suficientes para enquadrar os invasores na Lei 12.737/12, conhecida como Lei Carolina Dieckmann, e que trata de crimes de informática.
jul 27, 2019 | Brasil

O jornalista Glenn Greenwald, editor do site The Intercept Brasil, respondeu neste sábado à declaração do presidente Jair Bolsonaro de que “talvez ele poderia pegar uma cana aqui no Brasil”. No Twitter, o jornalista afirmou que o presidente “não tem poder” para ordenar prisões e que “ainda existem tribunais em funcionamento”.
Greenwald também comentou que o governo não tem prerrogativa para deportá-lo e que ele não irá deixar o Brasil. “Eu tenho o poder de sair do Brasil, voluntariamente – e tinha esse poder o tempo todo. Mas não fiz e não vou, apesar dessas ameaças. Por quê? Porque sei que não tem nada contra mim. Vou defender a democracia do país dos meus filhos”.
À frente do Intercept, Greenwald tem publicado desde o início de junho reportagens baseada em conversas vazadas do procurador Deltan Dallagnol com o ministro da Justiça, Sergio Moro, e com outros integrantes da força-tarefa da Lava Jato.
Fonte: Veja
jul 27, 2019 | Brasil
O brasileiro consome apenas 3,5 kg de peixes de cultivo (tilápia, tambaqui e outros) por ano. É muito pouco. Afinal, trata-se de uma proteína de excelente qualidade, saborosa, saudável e disponível em diferentes pontos de venda – restaurantes, food service, feiras, sacolões, entrepostos etc. Para motivar as pessoas a comer mais peixes de cultivo, a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) está lançando a Campanha ‘Coma Mais Peixe’.
A campanha, apoiada por empresas associadas da Peixe BR, envolve diversas iniciativas, como participação e realização de eventos de gastronomia, parcerias com chefs, degustação em pontos de venda, valorização do peixe de cultivo na merenda escolar e muito mais. O foco é destacar os aspectos nutricionais diferenciados dos peixes de cultivo, além de falar em segurança alimentar, boas práticas de produção e certificações de qualidade.
“Coma Mais Peixe” é mais uma iniciativa da Peixe BR para elevar o consumo nacional, fomentar a demanda de peixes de cultivo no Brasil, reforçar os benefícios nutricionais dos peixes, provocar o maior envolvimento dos diversos players da cadeia produtiva, reforçar a qualidade da piscicultura e fortalecer a atividade como um todo”, afirma Francisco Medeiros, presidente executivo da Associação Brasileira da Piscicultura.
A proposta é atrair todos os agentes da piscicultura para a campanha – produtores, processadores e consumidores, passando pela mídia, influenciadores digitais, formadores de opinião e a sociedade em geral.
“Queremos envolver a população nessa causa e oferecer oportunidades para todos participarem dessa importante ação. O Brasil é o 4º maior produtor mundial de tilápia e o maior produtor de tambaqui. Essas duas espécies representam os principais pilares da piscicultura nacional, mas têm potencial para produzir muito mais, oferecendo proteína de qualidade indiscutível para a população”, ressalta Francisco Medeiros. “Possuímos uma cadeia produtiva qualificada, tecnificada e preocupada com a saúde alimentar da sociedade. A população precisa conhecer melhor nossa piscicultura. Para isso, nada melhor do que uma campanha como a ‘Coma Mais Peixe’”, complementa o presidente executivo da Peixe BR.
Grandes empresas da cadeia da piscicultura já confirmaram apoio à campanha. São elas: Aquabel, Aquafeed, Copacol, Cristalina, Elanco, Geneseas, Grupo Ambar Amaral, Mcassab, Presence, Socil, Phibro, Tilabrás e Zaltana Pescados.
Engaje-se na campanha ‘Coma Mais Peixe’ nas redes sociais: Instagram (@comamaispeixe_br) e Facebook (comamaispeixe_br).