out 16, 2015 | Artigos

Felipe ZampieriTeruia
No caminho entre a minha casa e o escritório, geralmente passo por três ou quatro escolas, sejam elas publicas ou particulares, facilmente e de forma “assustadora” noto mudanças que na minha época estudantil jamais poderia ser identificada. Nossa sociedade se transformoue hoje vivemos uma troca de valores e papeis, somado ao turbilhão de informações que podemos absorver, a esposa trabalha, o avanço tecnológico “explodiu”, a família em uma constante metamorfose, a criança de hoje não comunga das mesmas aptidões que uma criança de vinte anos atrás. Porem o que mais me tem chamado atenção são as mudanças entre escola e Aluno, essas mudanças além de causarem uma celeuma na cabeça das crianças geram expectativas.
Com o intuído de defender seus filhos destas transformações, os pais estão buscando uma proteção desenfreada, ao contrario de realizar dinâmicas que valorizam suas habilidades com o objetivo se se tornarem pessoas justas e perfeitas para viverem em sociedade. A instituição família vem sofrendo sintomas de colapso, e alguns pais querem atribuir a responsabilidade de educar aos professores e as escolas, pela formação de habilidades para competências na vida adulta.
Neste sentido o que podemos fazer pelas futuras gerações é mostrar-lhes a solidez da formação moral e educacional desde pequenos, não podemos carregar a frustração, do NÃO dito com firmeza, as tarefas diárias, como arrumar a cama ao levantar, a mesada bem administrada, o tempo distribuído entre lazer e estudos, entre diversos limites que alicerçam o edifício moral so ser humano. Importante lembrar que de nada adiantará se os não houver o exemplo dentro de casa, de nada adianta a imposição dos limites, que sejam educados em não responder e falar palavrões, limitar determinados tipos de musicas, se eles burlam as leis e os valores morais e adotam a postura: “faça o que eu falo, mais não faça o que eu faço”.
Mostre com suas ações que seu filho possa assumir responsabilidades, por exemplo: peça a seu filho, principalmente os menores, para que o ajude com os deveres domésticos (guardar os brinquedos, limpar a mesa ou guardar a roupa limpa), comente com eles os programas e músicas atuais, coloque-o a par da realidade financeira da família. A criança que aprende ter responsabilidades desde pequena sai melhor na escola e na vida! Sempre lembrando que: “a palavra convence, o exemplo arrasta”. Seja um exemplo a ser seguido, que lê, acha a aprendizagem emocionante, gosta de resolver problemas, tentar coisas novas e que respeita a si mesmo, o outro e as regras da sociedade.
Em relação a escola, os pais precisam ser mais objetivos e deixar a escola exercer a função dela, isso é muito comum acontecer o filho comete alguma coisa de errada na escola, é repreendido pelo professor e quando chega em casa distorce a historia e o os pais de forma feroz critica o trabalho do profissional da educação. Muito importante é demonstrar respeito tanto pelo sistema escolar quanto pelo professor. As acusações verbais contra a escola no momento de raiva podemconstruir em seu filho sentimentos contrários à escola e dar a ele um pretexto para não se esforçar. Portanto, mesmo quando não estiver de acordo com uma política da escola, é seu papel estimulá-lo a obedecer às regras da escola, assim como precisará obedecer às regras mais amplas da sociedade. Levando em consideração que como pais, não se questiona o pediatra, o dentista, no máximo sugere-se, mas na escola acha no direito de dar palpites de determinar ações, de corrigir a metodologia ou a proposta educacional. Será que, os pais, são os especialistas nesta área?
Portanto, senhores pais busquem participar das ações realizadas na escola onde seu filho estuda, lembrando que escola e família têm papeis diferentes, mais um objetivo comum. Respeite o espaço de cada um. Interaja com seus filhos buscando saber como foi o dia na escola, sempre respeitando privacidade e a individualidade de cada um. Entenda que a responsabilidade das tarefas de casas é exclusiva do seu filho, assim, busque serparceiro quando necessário, mas não assuma a responsabilidade no lugar dele. Deixe que ele absorva as consequências.
Incentive-o a pensar, deixe que ele busque resolver seus problemas, busque alternativas, ache soluções.Não deixe que o horário de estudos se torne uma batalha, negocie e estabeleça metas e regras, e obviamente cobre os resultados. Tente se preocupar menos com as notas e mais com a aprendizagem, pois assim os senhores estarão educando para viver em sociedade e não para viver apenas dentro de casa, pois os pais passam pela vida, mas a educação deles será levada para outras gerações. Seus comentários e principalmente suas ações influenciam diretamente na vida escolar de seus filhos.
out 15, 2015 | Artigos

Ricardo Ayache*
Na semana passada, foi anunciada a concessão do Prêmio Nobel de Economia para o matemático e economista escocês Angus Deaton pela Real Academia de ciências de Estocolmo, Suécia. Acreditamos mais do que merecida a escolha.
Deaton destaca-se pelo estudo sobre o combate à pobreza e desigualdades. A partir de suas proposições, governos e organizações da sociedade civil podem fazer o planejamento e monitoramento de eficácia de políticas públicas de forma muito efetiva. O economista explica que através da observação dos dados referentes das decisões individuais de consumo, a partir de pesquisas quantitativas, podemos avaliar como uma determinada política pública teve impacto real na vida das pessoas.
Por exemplo, um governo faz um esforço para diminuir a fome em uma determinada região. A partir de uma pesquisa domiciliar no local com os moradores podemos quantificar o que mudou nos padrões de consumo dessa população aferindo se aumentou a aquisição de alimentos pelas famílias, determinando assim a eficácia da política adotada. Esse mesmo método pode ser aplicado a inúmeras outras áreas, como educação, saúde e outras.
Em sua obra, Deaton também se propõe a fazer medições da pobreza e desigualdade, oferecendo subsídios à gestão pública no enfrentamento dessas questões. O economista foca para isso em dois grandes eixos: o entendimento de como os consumidores distribuem sua renda na aquisição de bens e serviços e a relação desses dados com o consumo do conjunto da sociedade. Assim aproxima a micro com a macroeconomia, possibilitando a elaboração de políticas econômicas mais eficientes por parte dos países.
Autodeclarado keynesiano, o escocês afirma em sua obra “The Great Escape”, de 2013, que no mundo moderno, algumas sociedades foram eficientes em fazer com que um grande número de pessoas escapasse da pobreza e elevassem também a expectativa de vida de suas populações. Diz que a adoção de políticas de bem estar implementadas foram as responsáveis por esses avanços. Com esse raciocínio Deaton é um crítico das políticas de austeridade adotadas recentemente no enfrentamento às crises econômicas. Em artigo publicado em 2012, no jornal espanhol El País, Deaton diz que “Todos queríamos ser felizes, mas uma grande parte do mundo está hoje preocupada porque os programas de austeridade que muitos países padecem nos deixarão infelizes, talvez por muitos anos”.
Acreditamos que a Academia acertou em cheio ao laurear Angus Deaton, pois seu trabalho estimula o debate sobre como avançar em políticas públicas no enfrentamento dos graves problemas da atualidade. Além disso, temos a convicção de que as observações técnicas sobre a sociedade aliada à crença em valores humanistas ajudam muito a construir um futuro melhor e o trabalho do economista Angus Deaton tem muito a ver com isso.
*- Ricardo Ayache é médico cardiologista e presidente do Instituto Diálogo e da CASSEMS
out 15, 2015 | Artigos

Rosemeire Faria_Cred Wesley Costa
Este artigo nasceu de uma das várias reflexões que faço em sala com estudantes de Pedagogia.
Frequentemente, tem me chamado a atenção o relato dos meus alunos quando lhes pergunto se estão felizes por terem escolhido essa carreira. Vejo na maioria a paixão pela educação. Fico empolgada e alimento mais ainda essa identificação, pois acredito no poder da educação, acredito que, ensinando às crianças, podemos ter adultos melhores. Se educarmos, ensinarmos agora, não será preciso punir no futuro.
Embora a empolgação seja evidente nas atitudes desses futuros educadores, também sinto que uma tristeza tenta apagar o brilho que eles trazem nos seus olhos.
Certa vez, debatendo sobre a necessidade da valorização aos professores, sobre a importância de lutar por mais respeito aos educadores e de não nos deixar vencer pelo desânimo, uma acadêmica, com tristeza, compartilhou: “- Professora, como encontrar forças para lutar contra o desrespeito e a desvalorização, se dentro da nossa família encontramos pessoa que não aceitam a nossa decisão por escolher Pedagogia?”.
Ela havia ouvido de uma tia as seguintes frases: “Que bom que está na universidade! Mas por que escolheu Pedagogia? Quer morrer de fome? Você deveria escolher Direito, Enfermagem, Medicina, Engenharia….”. Fiquei perplexa, sem palavras naquele momento, suspirei profundamente. E é claro que rebati o discurso.
Nada contra as outras profissões, todas têm o seu valor e são necessárias para o desenvolvimento da sociedade. Mas, o que seria dos outros profissionais se não tivessem passado pelos bancos escolares? Se não tivessem tido um professor que lhes apresentou as letras e o mundo mágico dos livros? Um profissional que contou histórias ou estórias, que cantou cantigas e brincou diversas vezes com os números e com as letras, rolando no chão se fosse preciso. Uma única resposta se tem para tais questionamentos: não seriam nada.
Se isso é fato, então por que não ser professor? Por que não escolher Pedagogia, Letras ou Matemática? Por que não é a profissão mais bem paga?! Isso também é fato. Não sei como as autoridades ainda não viram que, melhorando a educação do País, melhorar-se-á todo o resto, não precisa ser um gênio para chegar a essa conclusão. Essa é uma questão para discutirmos em um artigo futuro.
Então, a lição que tiro disso tudo nesta semana em que comemoramos o Dia do Professor é que, se não incentivarmos os nossos jovens que querem escolher a educação como campo de atuação profissional a abraçar o seu sonho e a lutar para torná-lo realidade, a profissão Professor estará com os seus dias contados, será o fim de uma das mais antigas e mais lindas profissões da humanidade. Que pena!
*Graduada em Letras, Direito e Pedagogia, Especialista em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa, Especialista em Direito Público, Mestra em Linguística e Doutoranda em Educação e Professora.
out 13, 2015 | Artigos

Alci Massaranduba
O renomado escritor russo Leon Tolstoi escreveu uma fábula rica em ensinamentos, ela se refere a um camponês ferido da cobiça de terras. Não podendo conseguir do patrão quanto desejava, procura outro senhor, que lhe diz que, com o dinheiro que tem, pode receber toda a extensão de terra em volta da qual ele seja capaz de andar até ao pôr-do-sol. O camponês concorda alegremente, e o dono das terras coloca seu boné sobre um torrão e lhe diz que pode andar até onde quiser, em círculo, voltando ao boné antes de se pôr o Sol, e toda a parte assim rodeada lhe pertencerá.
A princípio o camponês anda calmamente, mas logo adiante vê um pedaço de terra muito boa, ótima para plantar milho, e então alarga o círculo a fim de incluir aquele trecho. Mais adiante descobre um pedaço excelente para o cultivo de batatinhas, e aligeira o passo para incluí-lo também. Outro magnífico lote de terra lhe chega ao alcance da vista, e outro mais, e outro ainda.
Para abranger tudo aquilo, tem que correr, e assim faz; primeiro a passo cadenciado, depois com toda a força. Afinal conclui que já basta, e nota com apreensão que o Sol está bem perto do horizonte e o boné ainda fora de vista. Estica os passos, mas tem os pés feridos e sangrentos, dói-lhe a cabeça, os pulmões arquejam como uma forja de ferreiro, as veias se acham tensas e inchadas, o coração bate como um malho contra as costelas. Redobra os esforços e afinal avista o boné. Está exausto, todos os nervos tensos, a cabeça parece nadar-lhe, e diante dos olhos vê uma névoa rubra. Mas os ouvidos latejantes percebem os estridentes aplausos dos circunstantes, e com esforço sobre-humano estende a mão para o boné. Mas antes de atingi-lo cai exânime, o Sol se põe e ele jaz morto.
A cobiça pode ser entendida como um desejo desmedido pelo poder, dinheiro, bens materiais, glórias. O cobiçoso deseja o que é do outro, e se pudesse tomaria isso a força e pegava para si. A fábula de Tolstoi exemplifica muito bem o processo da cobiça no coração humano. Quando o desejo é maior que a razão não há limites para se chegar ao resultado esperado. Infelizmente, até mesmo a alegria e o sorriso farto de alguém pode gerar um sentimento tão nefasto numa pessoa a tal ponto que métodos antiéticos e ilegais são utilizados como se fosse algo banal, sem nenhuma importância. Quantas vidas já não foram destruídas, quantos relacionamentos não foram desfeitos, quantas amizades já não foram esmagadas? Muito sofrimento poderia ser evitado se a moléstia da cobiça não se multiplicasse em velocidade tão assustadora.
A época que vivemos é de comparações, tudo é medido pelo tamanho do “sucesso” de alguém e isso não significa unicamente a posse de bens matérias, pois há figuras ilustres que cobiçam a vida de simplicidade de meros desconhecidos assim como há pessoas humildes que cobiçam a vida de luxo e conforto dos abastados. Lamentável é que algumas pessoas gastam todas as suas energias e tempo se preocupando em demasia com que o outro faz e possui e se esquece de viver a própria vida. Há a ilusão de que se tomar algo do outro para si uma milagre venha a acontecer como se toda a estima baixa, as frustrações e as injustiças desapareçam na rapidez de um estalar de dedos. Ledo engano!
Alci Massaranduba
Autor dos livros “Minha Vida de Carteiro” e “Pensamentos de um Carteiro”. Bacharel em Administração de Empresas com Habilitação em Comércio Exterior pela UEMS e Especialista em Gestão Empreendedora de Negócios pela UNIGRAN.
out 8, 2015 | Artigos
Avaliar certamente tem a ver com aprovar ou não os educandos. Mas esse não deve ser o único motivo, talvez nem o principal. Tão ou mais importante que medir o quanto sabem nossos alunos, é tentar obter dados que permitam conferir e repensar permanentemente as abordagens educacionais adotadas. Se possível, ao avaliarmos possamos conhecê-los melhor e, porque os conhecemos e os reconhecemos individualmente, sejamos capazes de traçar percursos de aprendizagem adequados para eles.
Nas abordagens mais comuns, boa parte das avaliações dá-se por meio de questões ou tarefas que pretendem responder se o aluno sabe ou não sabe. Sendo assim, em geral, importa quase que exclusivamente se as repostas às questões estão certas ou erradas. Normalmente, as respostas erradas, além de indesejáveis, são, em geral, inúteis do ponto de vista das consequências futuras no próprio processo em curso. O fruto da avaliação, nesta perspectiva mais simplista, não vai além de um atestado que pretende informar se o estudante domina ou não aquele conteúdo específico.
Para os professores mais comprometidos, as respostas erradas têm a mesma relevância que as certas. Se as respostas certas atestam algum domínio do conteúdo, as erradas permitem identificar eventuais lacunas, possíveis conceitos equivocados, ritmos inadequados de aprendizagem, dificuldades em interpretar texto, falta de foco e concentração, ausência de atitudes e iniciativas etc.
Na verdade, não somente respostas às questões importam: elas se somam a um conjunto enorme de atos, comportamentos, velocidades, reações e capacidade de enfrentar desafios, de forma isolada ou em equipe, que, no global, evidenciam habilidades e competências muitas vezes difíceis, ou mesmo impossíveis, de serem identificadas somente via teste padrão. As provas tradicionais somente enxergam, quando bem feitas, se as informações foram ou não assimiladas. As demandas do presente, e especialmente do futuro, vão muito além da informação pura e simples e tendem a não ter esse elemento como parâmetro central. Avaliar não ficou mais simples; ficou muito mais complexo.
A título de exemplo, optaria, preliminarmente, por uma comparação com o jazz. Observe uma banda de jazz e perceba: (i) que o público sabe identificar diferenças entre uma banda que tem qualidade de outra com menor valor; e (ii) se todos os componentes tocarem solo, também saberão, razoavelmente, identificar quem toca bem e quem não toca tão bem. Insisto nesta comparação, mais uma vez, para destacar que avaliar implica em estimular, sempre que possível, o trabalho em grupo, ressaltando o quão essencial é criar em equipe, mas que tal processo também demanda, em geral, individualizar, permitindo perceber no grupo o que cada um efetivamente fez ou deixou de fazer.
Assim, nas boas “performances” de jazz, ao longo da apresentação coletiva, cada instrumentista é convocado a tocar separadamente. Neste caso, é esperado que o solo contenha todos os compassos da música, evitando os chamados “riffs”, frases curtas e repetidas de poucas notas. Mesmo assim, talentosos músicos saberão tocar “riffs” com habilidade e competência, alterando suas notas e seus tempos.
Da diversidade e da pluralidade nascem equipes fantásticas, em que, talvez, nenhum deles, individualmente, seja tão diferenciado. Às vezes, o mais discreto e não necessariamente o mais habilidoso instrumentista pode ser, por outras razões, a mola propulsora do grupo. Há, por outro lado, casos de junção de bons músicos sem que os resultados esperados tenham emergido. Há casos desastrosos em que a banda não funciona coletivamente e nem individualmente e o som final sugere mudanças ou reprovações.
Nestes dias próximos do Dia do Professor celebremos aqueles docentes que avaliam para aprovar ou reprovar, mas que vão além. Eles o fazem para conhecer melhor os educandos e, ao conhecê-los, podem traçar trajetórias específicas que reflitam os caminhos mais adequados de um processo de aprendizagem que demanda ser, cada vez mais, personalizado, ainda que conjugado com grande escala. Parabéns especiais a esses professores que viabilizam quantidade e qualidade e que entendem que todos aprendem, todos aprendem sempre, mas cada qual aprende na sua maneira única.
(*) Ronaldo Mota é Reitor da Universidade Estácio de Sá e Diretor Executivo de Educação a Distância da Estácio
set 28, 2015 | Artigos

Quando a “indignação lava jato” vai chegar aos municípios?
(Marco ASA) – Então tá! Estamos todos indignados com os “desmandos”daqueles que supostamente desviaram bilhões da Petrobras. Todos apóiam (com razão) a Operação Lava Jato. Todos querem um “Brasil limpo”. Mas, hoje, assisti uma notícia de que o programa de creches lançado pelo governo federal está parado, já que a maioria das empreiteiras largou as obras no meio DEPOIS DE RECEBER O DINHEIRO. Sim, porque o dinheiro foi liberado pelo governo federal. Aí, as obras estão paradas, os prefeitos culpam as empreiteiras e fica tudo por isso mesmo.
Cadê a indignação “lava jato”? Moro em Cuiabá, Mato Grosso, e, por aqui, os casos de desmando com o dinheiro público, em função das obras da Copa do Mundo de 2014 beija o cinismo puro. O VLT, transporte leve sobre trilhos que ia ligar o aeroporto de Varzea Grande (na Grande Cuiabá) ao centro e aos bairros populosos, para transportar os torcedores da Copa, são apenas buracos nas avenidas principais da cidade, um monte de trens enferrujando e a desculpa de que precisam de mais R$ 1 bilhão. ISSO DEPOIS DE TEREM RECEBIDO MAIS DE R$ 1 BILHÃO. Cadê a indignação “Lava Jato”neste caso?
Em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, a dança das cadeiras na Prefeitura têm prejudicado a população no seu dia a dia, com incerteza nos serviços como coleta de lixo, por exemplo? Estão vendo algum protesto nas ruas contra isso?
Além disso, assembleias legislativas e câmaras municipais de todos o Brasil continuam “comendo” boa parte dos orçamentos dos governos dos Estados e das prefeituras para manter estruturas caras e ineficientes. Cada deputado e cada vereador tem direito a um número enorme de assessores que, muitas vezes, nem cabem em seus gabinetes e, por isso não vão trabalhar. Aí, ouvimos a desculpa de sempre: “preciso que meus assessores fiquem nas bases, ouvindo os anseios do povo”. Povo? Que povo?
As Câmaras e Assembleias são mantidas com repasses do orçamento de municípios e estados. Ou seja, parte dos seus impostos, vai para a manutenção desses sistemas ineficientes de poder. Quando se fala em rombo de orçamento, não podemos apenas responsabilizar o Executivo. O Congresso Nacional “come”bilhões do orçamento federal para manter verdadeiros feudos, cercados de luxo e totalmente ineficientes. E não se houve qualquer rumor de redução de custos, de auxílios-moradia, de troca de frota, de combustível à vontade… nada!
E cadê a investigação sobre isso? No Brasil, há desvio pra tudo. E, por incrível que pareça, até a lei de responsabilidade fiscal é utilizada para manobras. Ora vejam: a empreiteira pega uma obra pública. O dinheiro saiu. Ela alega falência. A obra para. E a Prefeitura alega que precisa de pareceres jurídicos para contratar outra empreiteira, com nova licitação que dura anos e, tudo o que foi construído se perde com o tempo. O único prejudica é o tal do povo.
Por que os mesmos indignados, de todos os partidos, não montam uma comissão nacional de investigação de obras. Aí, faz-se uma análise apartidária sobre coisas estranhas como as cisternas no Nordeste, cuja verba já saiu e não foram instaladas. Sobre os bilhões gastos com a despoluição dos rios Tietê e Pinheiros, em São Paulo, que continuam fedidos como sempre. Sobre os trilhos da Ferrovia Norte-Sul, comprados na China e que não suportam peso (!?!?), sobre a cobrança de pedágio em rodovias federal com apenas 20% das duplicações prontas (!?!?!?), sobre monopólio da coleta de lixo em todo o Brasil. Enfim! Motivos para se indignar não faltam. E, sinceramente, o Brasil não vai ser “consertado”ao final da Lava Jato. O problema é mais embaixo. E a indignação deve começar nas Câmara Municipais e Prefeituras, cujos desmandos interferem no nosso dia a dia.
(Marco ASA – ou Marco Antônio dos Santos Araujo – é jornalista, publicitário e escritor. Contatos pelo e-mail portalautoasa@gmail.com)