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Bela Vista-MS Sábado, 14 de Março de 2026
Artigo: Carne brasileira: do pé-duro ao contrafilé de primeira

Artigo: Carne brasileira: do pé-duro ao contrafilé de primeira

Foto CV 2

Carlos Viacava

 Em recente publicação da ABIEC, encontramos trechos interessantes de autoria de Mário Palmério, registrados no romance “Vila dos Confins”, de 1956, onde o autor fala do fenômeno da multiplicação do gado no Triângulo Mineiro, resultado das inovações e cruzamentos daquela época: “Gado há bastante. Quase tudo ainda gado de antigamente e ordinaríssimo pé-duro. Progridem, todavia, algumas zonas, resultado da cruza do Zebu. O Gir, o Nelore e o Guzerá melhoram: pé-duro e curraleiro viram mestiços, mestiço vira meio-sangue, meio-sangue vai virando aos poucos um gadão de muita caixa e peso, Zebu inteirado, de cupim, barbela e gavião. É só não desanimar, que o cruzamento compensa”.

Disso tudo nasceu o PO (Puro de Origem), graças ao trabalho da Sociedade Rural do Triângulo Mineiro, criada em 1934, transformada em ABCZ, cujos associados criaram, em 1938, o Registro Genealógico das Raças Zebuínas.

 Esse é a origem do gado PO zebuíno brasileiro, que fixou raças com o Gir e Gir Mocha, o Nelore (mocho ou de chifres), denominações de ambos constantes do Regulamento do Registro Genealógico das Raças Zebuínas, o Guzerá, o Sindi, o Indubrasil, o Tabapuã, o Cangaian e, mais recentemente, o Brahman, importado dos Estados Unidos e países latino-americanos.

 Dentre essas raças que se tornaram importantes produtoras de leite e carne, tiveram grande expansão o Gir e o Nelore, graças, principalmente, à sua perfeita adaptação ao clima das regiões tropicais e semitropicais que caracterizam o grande planalto central brasileiro.

E o contrafilé de primeira?

As maiores quantidades de carne consumidas no mundo provêm das raças britânicas, Hereford e Aberdeen Angus, selecionadas há milênios para produção de alimentos, enquanto raças continentais e mesmo algumas zebuínas foram desenvolvidas principalmente para tração e muito utilizadas na produção agrícola e no transporte.

 A dificuldade de adaptação dessas raças ao ambiente brasileiro, de um lado, e a grande facilidade de adaptação do Nelore, de outro lado, fizeram com que essa raça tivesse enorme crescimento entre nós e se transformasse num produto de exportação valioso em nossa balança comercial.

 A grande façanha de nossos selecionadores foi estabelecer padrões raciais objetivos e persegui-los tenazmente durante anos a fio até que conseguíssemos a uniformidade racial que impera em nosso gado Nelore e em outras raças zebuínas. Dali em diante, entra o melhoramento genético, que deve ser empregado para a melhoria da qualidade e do poder competitivo da carne brasileira. Mais carne de boa qualidade a preços competitivos, gado mais eficiente para a lucratividade dos criadores e para a produção de carne de padrões internacionais.

 É igualmente importante crescer com sustentabilidade ambiental, melhorando as pastagens degradadas, aumentando o sequestro de carbono, reduzindo a emissão de metano e assim contribuindo no combate à desertificação mundial e às mudanças climáticas.

 Por essas razões, entendo que a ABCZ deve colocar entre suas prioridades a defesa da carne brasileira no Brasil e no exterior, independentemente da raça; o melhoramento genético, prestigiando em alto nível todos trabalhos aqui desenvolvidos; e a integração lavoura-pecuária-floresta.

 Carlos Viacava

Titular da marca CV, foi diretor da CACEX e presidente da ACNB (Associação dos Criadores de Nelore do Brasil)

Artigo: A influência dos Regimes de Casamento nos Processos de Sucessão Familiar

Artigo: A influência dos Regimes de Casamento nos Processos de Sucessão Familiar

 SucessãoFamiliarArtigo: O ordenamento jurídico brasileiro dispõe de diferentes instrumentos que organizam e regem o patrimônio dos cônjuges: os regimes de casamento. Conforme estes dispositivos, o casal tem o livre arbítrio para dispor de seus bens como melhor lhes convir. Contudo, é preciso observar de que forma tais regimes influenciam nos processos de planejamento patrimonial, societário e sucessório das famílias.

 De acordo com o diploma civil vigente, o casal tem como optar pelos regimes da Comunhão Universal de Bens, Comunhão Parcial de Bens, Separação Total de Bens e Participação Final nos Aquestos. Além da União Estável, que não se configura como regime, mas é um dispositivo muito utilizado e acolhido pela legislação, como trataremos posteriormente.

 Na Comunhão Universal de Bens, todo patrimônio – tanto do marido como da mulher, adquiridos antes ou durante o casamento, inclusive aqueles provindos de herança ou doação – passam a fazer parte de uma única massa de propriedade do casal e, ao passo que se exclui dessa comunicação as dívidas anteriores ao pacto antenupcial que não venham a se reverter em proveito comum, bem como os bens que apresentam cláusula de incomunicabilidade. Cabe salientar que o pacto antenupcial é o instrumento público utilizado para instituir o regime de casamento estipulado pelo casal.

 Sendo assim, esse regime une os bens, resultando em um único patrimônio, onde ocorrendo a falta de um dos cônjuges o sobrevivente ficará com a metade dos bens e o restante será dividido entre os herdeiros. Lembrando que o cônjuge sobrevivente só é considerado herdeiro quando não houver outros beneficiários, pois sua parte já foi assegurada. Em caso de divórcio, todo o patrimônio será dividido igualmente entre os dois. 

 Na existência de uma empresa familiar, constituída formalmente com personalidade jurídica, as quotas de propriedade do sócio – casado em comunhão universal de bens – também serão de domínio do seu cônjuge, uma vez que o patrimônio se torna único. Logo, qualquer ato que modifique o patrimônio desse sócio, como aquisição ou transferência de quotas, deve ser aprovado pelo seu cônjuge.

 Já a Comunhão Parcial de Bens estipula que o patrimônio de cada cônjuge, adquirido antes da união, permaneça no domínio do mesmo. Por outro lado, os bens adquiridos durante o casamento serão de propriedade de ambos, com exceção do que for recebido através de doação, herança ou os sub-rogados.

 Dessa forma, vindo a falecer um dos cônjuges, a metade dos bens adquiridos durante o casamento, ou seja, os bens comuns, serão do cônjuge sobrevivente, uma vez que ele já possui o direito a meação, ao passo que a outra metade destes bens será dividida entre os herdeiros. Já os bens particulares (anteriores ao casamento, doados, sub-rogados, etc.) serão divididos entre os herdeiros descendentes e cônjuge, conforme decisão recente proferida pelo Supremo Tribunal de Justiça. Ocorrendo o divórcio, os bens particulares permanecerão com o seu proprietário, enquanto que os comuns serão divididos igualmente entre o casal.

 Tal comunhão merece muita atenção, principalmente em sociedades entre pais e filhos. No caso do filho (a) ser casado através desse regime, qualquer patrimônio adquirido (quotas, imóveis, etc.) por compra e venda, será por direito metade do seu cônjuge. Ocorre que, em muitos casos, o recurso financeiro para esta aquisição teve origem no patrimônio dos pais e, no entendimento da família, esse novo bem adquirido não deveria ser incorporado igualmente ao patrimônio do cônjuge do filho (a), o que na prática acaba acontecendo.

 Cabe ressaltar que não sendo formalizada, por meio de pacto antenupcial, a expressa concordância dos cônjuges pela utilização de outro regime de casamento, o regime de comunhão parcial de bens será automaticamente adotado.

 O regime da Separação Total de Bens vem sendo cada vez mais utilizado entre membros de empresas familiares, visto que o patrimônio de cada cônjuge será exclusivo daquele que o adquiriu, não importando se a aquisição tenha ocorrido anterior ou na constância do casamento. Esse regime será obrigatório para os maiores de 70 anos e menores de 18 anos que contraírem matrimônio, ao passo que para os demais será opcional, devendo ser realizado um pacto antenupcial para definir o regime. Em caso de divórcio não haverá a divisão de bens, permanecendo cada um com seu próprio patrimônio.

 De acordo com o artigo 1.829 do Código Civil Brasileiro, em caso de separação convencional de bens, na falta de um dos cônjuges, o sobrevivente concorrerá com os herdeiros ao seu quinhão na herança. No entanto, muitos juristas entendem que por ser o intuito deste regime exatamente a proteção individual de cada cônjuge, com o falecimento de um deles, os bens deixados ficarão apenas para seus herdeiros. Cabe ressaltar que estas são duas correntes que discutem este tema, acarretando na divergência de decisões, onde não se atingiu ainda o entendimento pacífico.

 A partir deste fato, destacamos a importância de realizar o processo de sucessão em vida, uma vez que, optando por este regime, a transferência do patrimônio torna-se mais segura, já que se trata de patrimônio individual, proporcionando aos pais maior proteção para dispor de seus bens, além de garantir que estes ficarão com quem for de sua vontade.

 Pouco utilizado, o Regime de Participação Final nos Aquestos garante que cada cônjuge, na constância do casamento, possuirá patrimônio próprio, podendo dispor dos bens livremente, inclusive aliená-los sem a autorização do outro, quando estes forem móveis. No caso de divórcio, este regime estipula que o patrimônio total seja igualmente dividido entre as partes, com exceção daqueles adquiridos antes do casamento, que sobrevieram por sucessão ou liberalidade, além de dívidas relativas aos bens supracitados. 

 Ocorrendo a falta do marido, por exemplo, a esposa terá direito a metade dos bens adquiridos na constância do casamento, bem como ocorre na comunhão parcial de bens. Os demais serão partilhados entre os herdeiros.

 Não estipulada como regime, entende-se por União Estável a união pública, contínua e duradoura, presente em um relacionamento afetivo, onde as partes envolvidas moram ou não sob o mesmo teto.

 No ano de 2015, o Supremo Tribunal de Justiça decidiu que, além dos aspectos citados, um fato é imprescindível para caracterizar esta união:  a vontade e o compromisso pessoal e mútuo de constituir família. Baseado na Constituição Federal, a lei tem o compromisso de facilitar a conversão de União Estável em casamento e, uma vez caracterizada, o artigo 1.725 do código civil vigente versa que: “Na união estável, salvo contrato escrito entre os companheiros, aplica-se às relações patrimoniais, no que couber, o regime da comunhão parcial de bens”.

 Na hipótese de divórcio, a decisão sobre a divisão dos bens ainda dependerá de entendimento do magistrado, que poderá se basear nos termos do artigo supracitado ou, ainda, em decisão proferida em setembro de 2015 pelo STJ:  para que os bens adquiridos durante a união sejam partilhados, será necessário provar a contribuição de ambos os companheiros na sua aquisição.

 Ocorrendo a morte de uma das partes, o artigo 1.790, também do código civil atual, determina que a companheira ou companheiro participe na sucessão do outro quanto aos bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável. Por tratar-se de um tema discutido nos tribunais, ainda não existe uma decisão unificada sobre o assunto.

 Vale citar que nada impede a formalização da união por meio de escritura pública, onde o casal pode optar pelo regime que melhor convir, podendo se dar inclusive pela separação total de bens.

 Mediante o exposto, destacamos a importância que o regime adotado pelo casal tem nos processos de planejamento sucessório nas empresas familiares, uma vez que o dispositivo acolhido irá ordenar a divisão dos bens. Portanto, entendendo que o procedimento sucessório é de extrema relevância, principalmente no âmbito das empresas familiares, identificamos o regime de Separação Total de Bens o que oferece maior segurança patrimonial, societária e sucessória, já que individualiza o que cada cônjuge possui e confere ao casal a liberdade para efetuar compras e investimentos em nome de ambos os cônjuges.

 Observando sempre o caráter individual e peculiar de cada cliente, a Safras & Cifras atua há 25 anos junto às famílias empresárias na busca da perpetuação dos negócios, procurando definir um processo sucessório mais tranquilo e seguro, através de profissionais preparados para auxiliar nas diferentes circunstâncias que o tema em questão proporciona.

 Alfredo Petrucci de Carvalho

alfredo.carvalho@safrasecifras.com.br

Graduando em Direito

Manuela Sallis 

manuela@safrasecifras.com.br

Graduada em Direito

Artigo: Nem só de PO vive a pecuária

Artigo: Nem só de PO vive a pecuária

Foto CV 1

Carlos Viacava é pecuarista e titular da marca CV Nelore Mocho

P.O. significa “puro de origem”. Daí surgem também as expressões POI, LA e Cara Limpa. Uma das funções da ABCZ, por delegação do Ministério da Agricultura, é cuidar do registro genealógico das raças zebuínas no Brasil, mas não é a única: elas podem ser muito mais abrangentes.

Trata-se de uma missão valiosa, porque preserva a genealogia do nosso rebanho de origem indiana (“bos indicus”), como também é valiosa a missão de outras associações de raças a quem compete o registro do gado de origem europeia (taurino ou “bos taurus”).

Para o melhoramento genético, é importante o conhecimento da genealogia correta, por várias razões, inclusive para se conhecer o grau de consanguinidade de um acasalamento ou mesmo de um rebanho inteiro.

Para tornar economicamente viável esse controle genealógico, estabeleceram-se taxas ou encargos para os pecuaristas que por ele se interessassem, taxas essas que compõem a principal receita da ABCZ e que só são suportadas pelos criadores porque há uma isenção total do ICMS para esses animais. Ou seja, o controle genealógico só subsiste porque é subsidiado pelo poder público estadual e por um arcaico sistema tributário, que no caso específico realiza uma bitributação, porque o ICMS é pago novamente na venda da carne.

Deixando de lado o problema das distorções de nosso sistema tributário e pensando em melhorar a pecuária e a carne brasileiras, devemos considerar que só uma pequena parte do gado brasileiro é PO, ou é controlada pela ABCZ, cujo público alvo é uma minoria do nosso rebanho.

Por isso, acredito que a missão da ABCZ pode ser muito mais abrangente quando envolver também os rebanhos de gado hoje fora de seu controle, que compõem a maioria dos animais existentes.

Toda fazenda de cria, recria ou engorda pode aumentar sua eficiência se contar com um apoio técnico de custo acessível envolvendo a identificação dos animais e o melhoramento genético.

Para se alcançar resultados no melhoramento genético é importante a genealogia, mas ela não é peça indispensável desde o início. Pode-se iniciar com a identificação dos animais, e pouco a pouco, a cada nova geração, irá sendo construído o pedigree dos indivíduos.

Os valores cobrados hoje pela ABCZ para registro de nascimento, registro definitivo, participação no melhoramento genético, etecetera são muito altos para atrair novos criadores. Pode-se dar um apoio muito grande a inúmeros criadores com um assessoramento técnico que inclua a adoção de programas de melhoramento existentes no Brasil, inclusive o da ABCZ, que recentemente desenvolve programa próprio, mas sem desprezar os demais, sem querer monopolizar as ações. Deixemos o mercado resolver o que é melhor para cada um, com liberdade.

Claro que esse assessoramento técnico tem um custo, mas será um custo muito inferior se não houver exigência dos certificados atuais de nascimento, registro definitivo, multas e outras cobranças desnecessárias.

Quem não precisar desses documentos pode dispensá-los e assim mesmo produzir uma melhoria em seu criatório obtendo avanço expressivo na performance e nos resultados econômicos.

Carlos Viacava é pecuarista e titular da marca CV Nelore Mocho

Os bastidores da Finlândia e os atalhos do Brasil

Os bastidores da Finlândia e os atalhos do Brasil

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Ronaldo Mota é Reitor da Universidade Estácio de Sá

Durante a semana passada, em Londres, tive a oportunidade de participar, como convidado da CISCO, da Exposição BETT (em inglês, “British Educational Training and Technology Show”). Ela é considerada, desde 1985, uma das mais importantes feiras na área de tecnologias na educação, atraindo algo em torno de 40 mil visitantes de mais de uma centena de países.

O Programa da delegação brasileira deste ano incluiu uma visita com palestras e debates no Institute  of  Education (IoE), classificado recentemente pelo “Times Higher Education Ranking” como a melhor instituição do mundo na área de educação. O professor David Scott, do IoE, uma das maiores autoridades em teorias de aprendizagem e meu co-autor no livro “Educando para Inovação e Aprendizagem Independente”, argumentou à delegação brasileira que seria pouco recomendável ao Brasil definir suas estratégias educacionais na educação básica tendo como referência principal melhorar seus indicadores no PISA. A explicação dele para não exagerarmos na ênfase ao PISA tem a ver com o caso Finlândia e seus bastidores.

A Finlândia é sempre uma referência importante em educação. Pelo passado e mais recentemente pelo que está fazendo hoje ao se preparar para o futuro.  A Finlândia entrou no século 21 liderando os resultados do PISA (Programa Internacional para a Avaliação de Estudantes da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico). Curiosamente, desde então, tudo se passa como se a Finlândia, quase que propositalmente, caísse de forma sistemática no ranking. A grande percepção dos gestores da educação finlandesa foi suspeitar que o sucesso no PISA poderia, eventualmente, inibir mudanças no processo de aprendizagem, as quais eles sabiam ser urgentes e necessárias. Ou seja,  a régua do PISA, provavelmente, mede melhor qualidades e expectativas  do passado do que os predicados e exigências do futuro.

Em compasso com a radicalidade das transformações que se seguiram na Finlândia, progressivamente, ela foi ultrapassada por outros países, como Cingapura, Hong Kong, Taiwan, Coréia do Sul e Japão.  Com o tempo,  as escolas finlandesas foram adotando, ou se preparando para adotar, metodologias  ativas que estimulam a aprendizagem independente. Para tanto, parte significativa das aulas tradicionais são substituídas pelo desenvolvimento de projetos temáticos nos quais os alunos refletem principalmente acerca do processo de aprendizagem em si.

Os formuladores de políticas educacionais e os docentes da Finlândia parecem saber melhor do que os demais países que a forma tradicional de educação, basicamente estruturada em aulas expositivas sobre disciplinas estanques, ainda que com um passado vitorioso, não mais prepara adequadamente as crianças e os jovens para o futuro. Ainda que as crianças possam ir bem no PISA, dado que o passado é compatível com as réguas adotadas, os desafios do futuro não parecem estar plenamente contemplados. A necessidade do desenvolvimento da capacidade de pensamento transdisciplinar, ou seja, olhar os mesmos problemas a partir de perspectivas e ferramentas diferentes, ao mesmo tempo que o educando aumenta a percepção acerca dos mecanismos segundo os quais ele aprende (metacognição, ou aprender a aprender), compõem as estruturas centrais da nova metodologia.

São mudanças complexas e que afetam a todos, em particular os professores, os quais passam a ter, relativamente, menos controle sobre os cursos, demandando que necessariamente eles trabalhem de forma colaborativa entre si e, especialmente, com seus alunos. Gradativamente, os mestres deixam de ter como atribuição principal as aulas expositivas (embora elas permaneçam em algum nível existindo) e, cada vez mais, se assemelham à figura de preceptores.  Seja enquanto aqueles que acolhem e ajudam o educando a entender a si mesmo e refletir sobre sua própria aprendizagem, ou então aqueles que promovem a mentoria, especialmente conectando todas as disciplinas e conhecimentos fragmentados. Assim, cabe aos docentes atuar junto a seus alunos para extrair da multidisciplinaridade e das posturas metacognitivas os ingredientes principais para que eles possam aprender a resolver problemas e desenvolver projetos.

Em suma, olhemos para a frente, respeitemos as enormes diferenças de realidades, dado que, certamente, temos no Brasil muitas trilhas preliminares por cumprir ao mesmo tempo que temos que enfrentar complexidades similares às finlandesas. Porém, sem sabermos o que queremos para o futuro, a chance  de errar por adotarmos remédios inadequados é muito alta. Felizmente, o Brasil tem sim atalhos possíveis e bons ingredientes. Precisamos saber, antes de mais nada, onde queremos chegar, conhecer bem outras experiências e definir, coletivamente, o quanto estamos dispostos a ousar.

(*Ronaldo Mota é Reitor da Universidade Estácio de Sá e Diretor Executivo de Educação a Distância da Estácio)

Artigo: Momentos finais – Por Alci Massaranduba

Artigo: Momentos finais – Por Alci Massaranduba

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Alci Massaranduba

Cheguei ao fim da minha jornada e só o que me resta é dizer: Adeus! Estou partindo com um misto de sensações antagônicas. Não seria presunçoso da minha parte ao afirmar que fiz toda a diferença na vida das pessoas, na verdade fui decisivo. Não me julguem precipitadamente, pois não fui responsável pelo fracasso de ninguém. Afirmo isso porque fui acusado injustamente e só tenho a companhia das palavras na minha defesa. Fui considerado um inimigo, mas creia em mim, sou inocente.

O meu desejo sincero é que todos os sonhos, até mesmo os mais exóticos tenham tido a oportunidade de desabrochar trazendo um aroma agradável por todos os lugares. Para alguns fui uma benção para outros fui considerado como maldição. Sei que muitos riram comigo assim como muitos outros choraram. Alegria e tristeza por diversas vezes andaram juntas. Andei lado a lado com os mais abastados e presenciei toda a tragédia advinda da pobreza. Presenciei as atrocidades do terrorismo e das guerras descabidas, vi toda a dor dos que sofrem oprimidos pelo desejo doentio dos seus semelhantes em enriquecer acima de todas as virtudes. Estive presente no meio politico mundial e fiquei pasmo com certas decisões que foram tomadas.

A discrição é uma das minhas mais fortes características, por isso, só observo. Tenho convivido com o elogio e a critica. Sei que todos os pensamentos negativos ao meu respeito podem se transformar a qualquer momento, não é uma esperança vã, pois o ciclo tem se repetido há muito tempo e chego a dizer que as reações, em certo sentido, são até previsíveis.

Antes da minha partida definitiva gostaria de lhe dizer algumas palavras de encorajamento. Apesar das dificuldades não desanime, está chegando um novo tempo e com ele uma nova oportunidade de alcançar o sucesso. Se você estiver lendo essas palavras é sinal de que a ainda há esperança mesmo diante do caos interior. Não pense que estou dizendo absurdos, pois sou testemunha ocular de pessoas que superaram todas as suas limitações e surpreenderam o mundo com a sua força e o poder das suas ideias. Dei pulos de alegria ao ver pessoas condenadas mortalmente pela doença se levantar triunfante juntamente com a cura.

Dizem que o meu fim trás inevitavelmente um novo começo, por isso, não estou triste em dizer-lhe: Adeus para sempre. É preciso que eu parta para que tudo se renove. O velho precisa deixar de existir para que o novo possa despontar no horizonte. Cumpri a minha missão e estou pronto para partir. Vivi intensamente a minha finita existência porque sei que cumpri fielmente com o desígnio confiado a mim pelo meu grande Criador. Ao compreender claramente que nascemos e existimos com um propósito maior e que não estamos sozinhos tudo passa a ter mais sentido e uma força sobrenatural passa a nos mover mesmo diante na nossa inércia. Somos seres amados por Deus e isso faz toda a diferença. Jamais se esqueça do seu valor diante do Pai.

Ah, já ia me esquecendo de me apresentar formalmente. O meu nome é: Ano de 2015. Muito prazer!

 Alci Massaranduba

Autor dos livros “Minha Vida de Carteiro” e “Pensamentos de um Carteiro”. Bacharel em Administração de Empresas com Habilitação em Comércio Exterior pela UEMS e Especialista em Gestão Empreendedora de Negócios pela UNIGRAN.

 

Artigo do Presidente dos Correios – Buscar o equilíbrio para voltar a crescer

Artigo do Presidente dos Correios – Buscar o equilíbrio para voltar a crescer

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Presidente dos Correios

É de conhecimento de todos que a situação econômica mundial tem afetado todas as empresas. Com os Correios não é diferente. De janeiro a outubro deste ano, a receita total apresentou crescimento de 8,2% em relação ao mesmo período de 2014, totalizando R$ 15,557 bilhões. No entanto, as despesas acumuladas no mesmo período ficaram em R$ 16,904 bilhões. Temos consciência de que nosso principal desafio é enfrentar o déficit para equilibrar as contas e voltar a crescer já no próximo ano.

Iniciamos nossa gestão cortando custos e promovendo medidas para o aumento das receitas. De imediato, revisamos os salários da diretoria, suspendemos o aumento das funções e corrigimos as tarifas dos serviços postais, como cartas e telegramas, que estavam defasadas. O reajuste é de centavos, que não oneram a população nem impactam a inflação, mas de grande importância para nosso equilíbrio fiscal. Aliás, a tarifa postal brasileira é a quinta mais barata do mundo.

Também criamos uma força-tarefa, com a participação dos trabalhadores, que tem prazo até o dia 29 de janeiro de 2016 para definir cortes e otimizar recursos, tais como revisão e renegociação de contratos de aluguel de imóveis; diminuição dos valores de patrocínios e publicidade; extensão do prazo de renovação da frota de veículos e de mobiliário; entre outros. As entregas matutina e alternada de correspondências também estão previstas.

Além disso, para incrementar nossa receita e enfrentarmos a concorrência, vamos atuar em duas vertentes: diversificar os produtos e serviços e qualificar a atuação da nossa rede de agências, por meio de novas parcerias que permitam aprimorar nosso portfólio e atender cada vez melhor a população.

Nesse sentido, vamos fortalecer os Correios, ampliando nossa atuação no segmento postal financeiro, oferecendo serviços como microcrédito e seguro, e atuar com comunicação multicanal digital, pois embora ainda não seja uma realidade no Brasil, a redução no volume de correspondência física é uma tendência sentida em outros países. Outro projeto diz respeito à atuação dos Correios como uma operadora de telefonia móvel celular, o MVNO. Apostamos, ainda, no plano de expansão para outros países e no fortalecimento do setor de logística, que nos apresenta um imenso desafio no próximo ano, quando realizaremos a operação logística dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. A expectativa é que esses projetos tragam receitas, rentabilizando a imensa rede que os Correios possuem em todo o Brasil e garantindo sua sustentabilidade.

É um grande desafio, mas contamos com a experiência e o valor dos 120 mil trabalhadores para sermos bem sucedidos. Assumo o compromisso com nossos clientes e com a sociedade de que os Correios voltarão a crescer e a dar lucro. Em breve, comemoraremos esse resultado positivo e dias melhores para essa tão admirada instituição.