abr 18, 2016 | Artigos

Rogério Frota Melzi
Como podemos ou devemos agir diante da situação política e dos desdobramentos da votação doimpeachment para o nosso Brasil? Saliento que estou escrevendo esse texto na 5ª feira, três dias antes da votação do impeachment no Congresso. Portanto, minha intenção aqui não é declarar opinião, tampouco prestar um papel que não é meu, mas, sim, de analistas políticos e econômicos, antropólogos, sociólogos etc. Escrevo sob o meu ponto de vista como indivíduo, brasileiro, cidadão e presidente de uma instituição de educação da qual muito me orgulho.
Quero tratar aqui de dois temas definitivos neste momento: a tolerância e o protagonismo. O primeiro diz respeito ao ato de entender o outro, compreender as diferenças e aceitar que os demais seres humanos não necessariamente vão pensar igual a mim em todas as questões. Cada um de nós aprendeu isso de algum modo (lembrem-se que educação vem do exemplo, começando pelo que aprendemos, ainda crianças). No meu caso, eu me lembro da minha mãe repetindo duzentas vezes por dia que “a nossa liberdade termina onde começa a do outro…”
O exercício da tolerância já começa nos nossos próprios pensamentos, pois eu reconheço que se pensar continuamente de modo intolerante, um dia me tornarei uma pessoa intolerante e começarei a acreditar que tenho direito a todo o “bônus” de viver em sociedade, sem ter que lidar com o “ônus” que isso gera. Diga-se de passagem, em tempos e em lugares diferentes, essa mesma crença estúpida, levada a níveis extremos, fez nascer ditadores sanguinários que se viram no direito de exterminar pessoas com aparências, preferências e pensamentos diferentes dos seus.
Uma outra característica que eu gostaria de tratar é o protagonismo. Permitam-me uma distinção entre o protagonismo como cidadão e como indivíduo. No conceito do “protagonismo cidadão”, temos todo o direito de manifestar opinião, respeitando, é claro, os princípios da tolerância mencionados anteriormente. Para mim isso significa ir para as ruas, vestir as cores que mais me agradam, conversar com os meus representantes nos Três Poderes, escrever para as “Seções de Leitores” de jornais e até tentar influenciar de modo educado e cordial as pessoas às quais tenho acesso. Mas o “protagonismo cidadão” deve parar por aí: a partir desse ponto cabe às nossas instituições nos representarem e, através do seu poder legítimo, garantir a continuidade do nosso país na mais perfeita ordem e com o devido respeito à Constituição.
O protagonismo que eu queria discutir aqui é o “outro”: o protagonismo de nossas vidas. Investir tempo, recursos, e muita energia, nas coisas que podemos controlar e que nos permitirão fazer a diferença no futuro. Estudo, carreira, saúde, segurança, formação, trabalho, lazer, aposentadoria, família. Só que, como sabemos, isso é custoso, vem com muita luta, dedicação e resiliência. E mais, como também sabemos, isso deve ser feito por cada um de nós, pois sabemos que ninguém (nem mesmo “o governo”) resolverá os nossos problemas nem conquistará as coisas por nós.
E o que isso tem a ver com o momento atual? É justamente nas horas mais difíceis, nas crises mais agudas, que precisamos manter o moral em alta, evitar grandes distrações com o que está fora do nosso controle e seguir investindo nos nossos projetos de vida. Agora é a hora de arregaçar as mangas, seguir sonhando, buscar o crescimento contínuo, pensar grande, ousar, empreender. Mas como fazer isso tudo se nossa preocupação maior está em brigar com o meu colega de trabalho porque a votação do impeachment não foi exatamente a que eu queria? Em outras palavras, como fazer para concentrar as energias e focar naquilo que verdadeiramente importa, se passo horas na frente da internet para brigar com gente que eu sequer conheço e criticar as opiniões de pessoas que eu nunca verei? Como fazer para construir um Brasil melhor se agora agrido meus compatriotas porque esses usam uma camiseta da cor que eu não gosto ou seguram cartazes com os quais eu não concordo? Ou ainda: como focar no que eu preciso para seguir com o meu projeto de vida, se passo horas questionando decisões técnicas e legais sobre as quais não tenho sequer o conhecimento necessário?
Reparem, não estou falando aqui sobre ser um completo alienado e deixar o nosso destino nas mãos de pessoas nas quais não confiamos, mas de procurar equilíbrio entre ser cidadão e cuidar da sua vida, concentrando energia nas coisas que dependem mais de nós. Estou falando em cobrar os nossos representantes, sobretudo os que receberam os nossos votos, de modo equilibrado e racional. E mais: em confiar nas nossas instituições, que atualmente demonstram ter maturidade e trabalhar com independência, preservando assim um dos pilares da nossa organização social (a independência dos Três Poderes).
É hora de trabalhar duro, investir no futuro, acreditar em si próprio, fazer planos. Para tirar o Brasil da situação difícil em que nos encontramos, mais do que nunca precisamos demonstrar tolerância com os nossos compatriotas e, ao mesmo tempo, agir como protagonistas, fazendo a nossa parte, antes de exigir que os outros façam a deles. E se quisermos investir tempo e energia para influenciar os nossos alunos, colegas, familiares, cônjuges, colegas de clube ou igreja, antes de entrarmos em uma disputa sem solução, que tal começarmos a pregar mais tolerância e protagonismo em defesa de um lugar melhor para todos nós?
(*) Rogério Melzi é presidente do Grupo Estácio
abr 15, 2016 | Artigos
Em torno do século VII, o termo iconoclasta designava os adeptos do movimento de contestação à veneração de ícones religiosos. De fato, iconoclasta significa literalmente “quebrador de imagem”, derivado do grego eikon (imagem ou ícone) e klastein (quebrar). Contemporaneamente, este termo passou a ser aplicado também a qualquer um que quebre dogmas, convenções ou mesmo que desdenhe das regras estabelecidas.
O neurocientista Gregory Berns, ao final da década passada, lançou o livro O Iconoclasta, cujo conceito é atualizado e passa a ser aplicado também a uma pessoa rebelde que interpreta a realidade de uma maneira não usual e faz aquilo que o senso comum julga impossível ou não aconselhável de ser feito. Neste especial sentido, é permitido se referir como iconoclasta a alguém inovador e que, pela sua provocação e ousadia, gera avanços e questionamentos. Na perspectiva de Berns, enquanto uma pessoa comum percebe o mundo baseado na história passada e naquilo que lhe é relatado, o iconoclasta, antes de tudo, arrisca enxergar o diferente, assumindo os riscos das discordâncias, dos pioneirismos e das visões divergentes sobre temas supostamente bem estabelecidos.
Se, por um lado, podemos chamar a iconoclastia criativa de Berns como positiva, há igualmente a iconoclastia puramente resultante da má educação e da disposição permanente de descumprir regras estabelecidas, caracterizada por não respeitar os demais, por desacatar as normas gerais de convivência social e reflete, de alguma forma, elementos de percepção de superioridade em relação aos outros. Nesta categoria estão comportamentos que refletem nosso passado, ainda tão presente em nosso hábitos e costumes do dia-a-dia, nos quais as rebeldias podem ter um viés puro de egoísmo e de desrespeito ao coletivo. A iconoclastia mal-educada pode ser evidenciada em pequenos delitos, os quais findam por respaldar e dar guarida aos grandes defeitos.
Vejamos um frugal e simples exemplo: aos domingos e feriados, em várias cidades do país, como a que eu vivo, o Rio de Janeiro, a orla tem uma das pistas fechada ao tráfego de automóveis, permitindo aos pedestres e ciclistas desfrutarem de espaço urbano essencial e prazeroso. Funciona assim: há uma pequena pista dedicada exclusivamente aos ciclistas, nas quais se anuncia aos pedestres que a evitem, bem como há uma faixa maior reservada aos pedestres, onde é explicitamente informado a todos que somente crianças com menos de oito anos a utilizem de bicicleta.
Ainda que não faltem avisos, é extremamente comum observar a dificuldade dos ciclistas de conviverem em harmonia com os pedestres. Muitas vezes vemos pessoas caminhando na ciclovia, não raro em duplas, dificultando por completo a mobilidade das bicicletas, bem como observamos muitas bicicletas trafegando perigosamente no meio dos pedestres na faixa, em tese, a eles reservada. Bastaria que as proibições fossem respeitadas e todos, tanto ciclistas como pedestres, aproveitariam bem melhor seus respectivos espaços. Ao contrário, na prática, resultado da má educação, amplificam-se os conflitos e não raros desentendimentos surgem, transformando aquilo que deveria ser prazeroso em disputas e transtornos sem sentido.
Seria aconselhável que um policial ou autoridade municipal tentassem impor as regras, mas as chances de insucesso, infelizmente, seriam altas. Esta iconoclastia mal-educada não tem nenhum vínculo com a iconoclastia criativa de Berns, mas sim está atada ao que existe de pior em nossa cultura e é fruto da descrença nos governantes, estando ancorada nos estímulos às práticas individualistas de usufruir do máximo que puder, mesmo que em detrimento do coletivo. São exemplos triviais, mas que guardam profunda correlação com uma possível transformação, via boa educação, que moldasse para melhor a formação cultural de um povo que soubesse, de forma coletiva e solidária, definir bem seus destinos.
* Ronaldo Mota é diretor executivo de Educação a Distância da Estácio.
abr 11, 2016 | Artigos
A Receita Federal promulgou no dia 2 de julho de 2015 a Instrução Normativa nº 1571, que dispõe sobre a obrigatoriedade da prestação de informações relativas às operações financeiras de interesse da Secretaria da Receita. Através deste ato, foi então instituída a chamada e-Financeira. Mas para os contribuintes, o que muda? Que impactos terão, principalmente, os produtores rurais na gestão de seus negócios? Quais informações estarão à disposição da Receita Federal? Quem deve transmitir essa declaração?
Inúmeros são os questionamentos em torno deste tema, porém a única certeza é que o contribuinte bem informado estará apto a cumprir com a legislação, evitando surpresas e transtornos. Nossa intenção, é levantar as principais questões que cercam essa declaração, já considerada como o grande trunfo da Receita Federal no combate à sonegação e na identificação de casos em que o contribuinte possa ter cometido algum ato de incompatibilidade nas suas movimentações financeiras.
A e-Financeira faz parte de uma série de iniciativas da Receita Federal para inovar a forma com que os contribuintes transmitem as suas informações operacionais para o fisco. Para compreendermos melhor, é preciso voltar no tempo, mais especificamente no dia 22 de janeiro de 2007, quando através do Decreto nº 6.022 a Receita Federal do Brasil deu o pontapé inicial na modernização da sistemática de cumprimento das obrigações acessórias.
Com a ideia de representar um significativo avanço na informatização da relação entre o fisco e os contribuintes é instituído o projeto SPED (Sistema Público de Escrituração Digital), do qual a e-Financeira, criada em 2015, é parte integrante. A e-Financeira é uma declaração que trata das movimentações nas contas bancárias de pessoas física e jurídica. Foi criada para substituir a DIMOF (Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira), instituída através da Instrução Normativa 811/2008 e que ainda não teve sua revogação, o que faz com que ambas as obrigações ainda sejam exigidas. No entanto, a e-Financeira, além de afetar um maior número de contribuintes, enquadra-se no conceito do ambiente SPED, em compatibilidade com a atividade operacional atual da Receita Federal, ao contrário da DIMOF, que é em formato desktop.
Quem deve transmitir a e-Financeira?
São responsáveis por informar os dados da e-Financeira para a Receita Federal as instituições financeiras depositárias de conta de depósito, inclusive de poupança, administradoras de consórcios, seguradoras, corretoras, distribuidores de títulos e valores mobiliários e entidades de previdência complementar.
Quais os critérios quanto a obrigatoriedade da declaração?
Serão informadas à Receita Federal todas as movimentações financeiras mensais superiores a R$2.000,00 para Pessoa Física e R$6.000,00 para Pessoa Jurídica. A declaração e-Financeira trata de movimentação e não saldo final na conta, ou seja, se a conta bancária movimentou no período de 30 dias um montante que supere o mínimo disposto na IN 1571/2015, as movimentações serão informadas ao fisco mesmo que o saldo final do mês seja igual à zero. Outra questão é o fato gerador, que na DIMOF era semestral, na e-Financeira passou a ser mensal. Sendo que estarão à disposição do fisco, os fatos ocorridos a partir de 01/12/2015.
E quanto a quebra do sigilo bancário?
Quando foi promulgada, a IN 1571/2015 gerou rumores entre profissionais das mais diversas áreas e contribuintes, isso porque repercutiu a informação, inclusive em veículos de comunicação, de que a e-Financeira estaria incorrendo na quebra do sigilo bancário dos contribuintes.
Tal questionamento fez com que a Receita Federal lançasse uma nota de esclarecimento, no dia 4 de fevereiro deste ano, alegando que a obrigatoriedade se ampara no princípio constitucional que permite à administração tributária, respeitando os termos da lei, identificar as atividades econômicas dos contribuintes e que tal comando constitucional garante os meios para que a missão da administração tributária seja efetiva. Entretanto, mesmo com a nota, a discussão acerca do tema ainda existe.
E quais os impactos da e-Financeira na gestão do negócio rural?
O que o empreendedor rural e os contribuintes em geral devem levar em consideração, é que o fisco, a partir do momento que recebe os dados da e-Financeira, tem acesso a informações vindas de outra parte, além das prestadas pelo próprio contribuinte, servindo de uma nova fonte para o cruzamento de dados, que é a forma que a Receita Federal vem utilizando para apurar os casos de sonegação e evasão fiscal.
O cuidado deve ser redobrado com arrendamentos, aluguéis diversos, contratos registrados na junta comercial, Ganho de Capital na venda de algum bem ou, ainda, alguma comercialização sem documentação fiscal, que acarretarão na identificação, por parte da Receita Federal, de movimentações na conta bancaria que não condizem com as informações prestadas na declaração de Pessoa Física ou Jurídica.
Nos últimos 15 anos, houve uma grande inserção de rotinas operacionais administrativas e fiscais na prática de gestão do agronegócio brasileiro, adaptações essas que a Safras & Cifras, empresa que atua há 26 anos junto aos produtores rurais familiares, acompanhou de perto através do trabalho que desenvolve em mais de dez estados brasileiros.
O empresário rural tem, portanto, mais essa atribuição para incorporar à rotina de gestão do seu negócio. A missão agora é ter uma gestão estratégica, onde as atividades operacionais, administrativas, movimentações financeiras de pagamentos a fornecedores e recebimentos de cliente estejam perfeitamente alinhadas com cada declaração.
O que vem ocorrendo no negócio rural, é uma intensa mutação nas práticas comerciais de mercado, nas estratégias de produção, na gestão do negócio e nas rotinas fiscais dos órgãos reguladores. E o empresário e empreendedor rural precisa estar sempre bem informado e atualizado. Portanto a pergunta que fica é: você está preparado para este desafio?
Bruno Rodrigues Paiva Ferreira
brunoferreira@safrasecifras.com.br
Graduando em Ciências Contábeis
abr 7, 2016 | Artigos
Os tempos contemporâneos são marcados pela profundidade e rapidez das mudanças em curso. Neste ambiente de informação plenamente acessível, instantaneamente disponibilizada e praticamente gratuita é absolutamente natural que atividades que estamos acostumados hoje sejam profundamente abaladas amanhã e que profissões que nos parecem eternas desapareçam, ou se tornem raras brevemente.
Assim também foi no passado, ainda que em ritmo mais lento, quando grandes transformações se efetivaram. Uma das mais curiosas e ilustrativas diz respeito aos monges copistas. Esses monges eram totalmente dedicados à cópia de livros, os quais eram escritos à mão, utilizando penas de ganso e tinturas, decorados com pinturas e feitos sobre pergaminhos, ou seja, peles tratadas de carneiros ou cabras.
Essas cópias eram preparadas com especial esmero e, consequentemente, demoravam muito e os produtos finais resultavam extremamente caros, portanto, raros. Os monges copistas na Idade Média (séculos V a XV) eram cultos e faziam parte do extremamente seleto grupo que sabia ler e escrever. Na absoluta ausência de tecnologias que fizessem este trabalho, os monges copistas acreditavam que ao copiarem os livros estariam prestando um serviço a Deus, esforço recompensado pela liberdade que tinham em ilustrar as obras. Em geral, o trabalho manual de cópia dos manuscritos na Idade Média era realizado no interior dos mosteiros, em um quarto chamado scriptorium, daí a terminologia com significado amplo da palavra escritório, tal como adotamos hoje.
O século XV não trouxe boas novidades aos monges copistas. O final da Idade Média, o começo do Renascimento, as novas descobertas, o crescimento do contato com o mundo oriental e o acesso às novidades vindas da China, da Índia e do mundo árabe promoveram mudanças profundas. Entre elas, a introdução do papel, invenção chinesa barata, abundante e de fácil recorte e manuseio.
Interessante observar que antes do século XV os europeus simplesmente não se interessaram por essas novidades em curso na Ásia. Esse quadro se altera no século XV. O alemão Johannes Gutenberg não inventou, mas sim “reinventou” a imprensa e é considerado o homem que aperfeiçoou, de maneira decisiva, a arte asiática, dado que ele desenvolveu os caracteres móveis de chumbo, que podiam ser utilizados indefinidamente, além de uma nova tinta de impressão e a prensa de imprimir. Com isso, mudou definitivamente o mundo dos livros, em todas as suas dimensões e consequências: política, econômica, social e religiosa. A partir de Gutenberg, uma nova história se desenvolve e os livros, antes raros, se tornaram abundantes, baratos e de muito mais fácil manuseio, seja na fabricação ou sua utilização mais direta. Por sua enorme contribuição, Gutenberg pode ser chamado de pai da tipografia e do livro moderno.
Bem, e como ficaram os brilhantes e competentes monges copistas após Gutenberg? Eles foram se tornando cada vez menos necessários e praticamente desapareceram poucas gerações depois. Os tempos atuais reproduzem, à luz das tecnologias digitais, quadros muito similares e a história dos monges copistas se repetirá em escala muito maior em praticamente todas as ocupações atuais. O certo é que as atividades humanas em geral serão atingidas, umas mais rapidamente, outras perdurarão um pouco mais, mas todas as profissões, de alguma forma, serão revistas e algumas simplesmente desaparecerão.
(Ronaldo Mota é Reitor da Universidade Estácio de Sá e Diretor Executivo de Educação a Distância da Estácio)
abr 5, 2016 | Artigos
Em meio à crise financeira e política instaurada no país, onde inúmeras incertezas cercam a população, o contribuinte não deve esquecer de prestar contas ao Leão até o dia 29 de abril. Ao longo dos anos, a Receita Federal tem investido pesado em diferentes tecnologias, buscando chegar às informações em tempo real.
Por meio de um sistema muito eficiente de cruzamento de dados, que busca na fonte de renda (imobiliárias, cartórios e registros de imóveis, fornecedores, bancos, empresas de prestação de serviço e outros) a confirmação das informações prestadas pelo contribuinte, a possibilidade de erros ou até mesmo de fraudes diminui bastante, fazendo com que mais contribuintes caiam na temida “malha fina”.
Em dezembro de 2015 a Receita Federal disponibilizou a e-Financeira, ferramenta utilizada para rastrear contribuintes por meio de suas contas bancárias e ampliar o alcance da DIMOF (Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira) – criada após o fim da CPMF e necessária para que o governo mantivesse o controle da movimentação financeira dos contribuintes.
Com a e-Financeira, as instituições informam as movimentações bancárias, de Pessoa Física, superiores a R$ 2.000,00 mensal, enquanto que na DIMOF esse valor era de R$ 5.000,00 no semestre. Nela, ainda contém informações com relação a consórcios, previdência privada e transferências entre contas correntes. Porém, além da e-Financeira, que apresenta um perfil do titular da conta corrente, o contribuinte deve atentar para as demais declarações usadas no cruzamento de informações. Destacamos algumas delas:
– DECRED (Declaração de Operações com Cartões de Crédito) – Nela, as operadoras de crédito informam os recebimentos das faturas do cartão de crédito de valores superiores a R$ 5.000,00 para Pessoas Físicas;
– DMED (Declaração de Serviços Médicos e de Saúde) – Onde os planos de saúde e médicos informam os valores recebidos;
– DIMOB (Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias) e DOI (Declaração sobre Operações Imobiliárias) – São nelas que os registros de imóveis e cartórios informam toda a movimentação imobiliária;
– DIRF (Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte) – Documento onde as empresas em geral informam os rendimentos tributáveis, distribuição de lucros e outros;
– CBE (Capitais Brasileiros no Exterior) – É a declaração obrigatória para residentes no país que sejam detentores de ativos no exterior (participação no capital de empresas, títulos de renda fixa, ações, depósitos, imóveis, dentre outros) com valor igual ou superior a US$100 mil no último dia de cada ano.
Vale destacar que o contribuinte que possui ativos no exterior deverá informá-los em sua declaração do Imposto de Renda e, além disso, se o valor for igual ou superior a US$ 100 mil deverá entregar a declaração CBE até o dia 5 de abril de cada ano. A não entrega desta declaração implicará em multa de R$ 25 mil ou 1% do valor do bem declarado, valendo o que for menor.
Graças ao cruzamento de informações mencionado anteriormente, desde o exercício de 2014 alguns contribuintes já recebem a declaração do Imposto de Renda de Pessoa Física pré-preenchida pela própria Receita Federal. Sendo assim, é preciso tomar todo o cuidado na hora de informar o restante dos dados.
Para evitar erros no preenchimento ou falha nas informações, ocasionando fiscalizações desnecessárias, a Safras & Cifras, empresa que atua há 26 anos junto à empresas rurais familiares, destaca a importância do contribuinte preocupar-se com a declaração durante o ano em curso e não somente na época de preenchimento dos dados. De acordo com a empresa, um estudo tributário antecipado é uma das principais alternativas para que tudo esteja organizado e pronto até o dia 31 de dezembro de cada ano. Logo, já é tempo de pensar na declaração de 2017/2016.
Lizandra Blaas
lizandra@safrasecifras.com.br
Graduada em Ciências Contábeis
Lato Sensu em Ciências Contábeis
Danielle Balhego da Silva
uruguaiana@safrasecifras.com.br
Graduada em Ciências Contábeis
abr 1, 2016 | Artigos

(*) Ricardo Senna é Diretor-Presidente do Instituto Teotônio Vilela – MS (ITV)
O fundamento da política de estabilização econômica desencadeada durante o Governo Fernando Henrique Cardoso consistia no reconhecimento de que a inflação era o pior de todos os impostos, pois penaliza, especialmente, aqueles que não tinham acesso a mecanismos de proteção da renda, ou seja, os trabalhadores.
Nesse sentido, o Plano Real foi exitoso tanto no combate como no controle da inflação. Além disso, pavimentou os caminhos urgentes e necessários para o estabelecimento de uma política social estruturante, inclusiva e que permitiu conquistas importantes para os trabalhadores como, por exemplo, os ganhos reais dos salários e uma rede de proteção social.
Infelizmente, por incompetência técnica e incapacidade política, o Governo Dilma destruiu todas as principais conquistas sociais dos trabalhadores: o desemprego aumentou, a desigualdade social foi agravada, aumentou a concentração de renda, a inflação não só voltou com força como deteriorou o poder de compra dos salários e, como se isso não bastasse, foram severamente contingenciados os recursos para as áreas da educação, saúde e segurança pública.
Mas não para por aí. O Governo Dilma jogou o país na pior recessão da sua história e impôs uma crise fiscal para os estados e municípios, aprofundando as desigualdades regionais e minando as perspectivas de desenvolvimento das regiões menos favorecidas.
Mato Grosso do Sul não ficou imune a esse caos político e econômico: o desemprego aumentou, a renda caiu e a economia perdeu dinamismo. O resultado só não foi pior em função dos esforços do governo estadual em promover um ajuste das contas públicas para equilibrar as finanças e evitar uma piora da situação econômica. Além disso, foi realizado um esforço inédito de planejamento visando o uso racional dos recursos públicos e efetividade da política pública, foi construído um ambiente mais amigável à realização dos investimentos privados e, principalmente, foram priorizadas ações convergentes com os anseios manifestados pela população que mais precisa.
A experiência política, econômica e social vivida pelo país recentemente nos revela um modelo de desenvolvimento que se esgotou e um governo incapaz de construir as pontes necessárias para nos livrar da crise.
As recentes manifestações populares mostram que o caminho é pela mudança dos rumos políticos, econômicos e sociais do país. A saída é pela construção de um novo projeto de desenvolvimento para o país que possa resgatar os ganhos que a sociedade, em especial, para os trabalhadores. Ouvir as vozes que vem da rua é essencial para que possamos transpor as barreiras que nos impedem de nos tornarmos uma nação verdadeiramente estável economicamente, fortalecida institucionalmente e justa socialmente.
(*) Ricardo Senna é Diretor-Presidente do Instituto Teotônio Vilela – MS (ITV)