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Bela Vista-MS Sexta-Feira, 13 de Março de 2026
O esquecimento evoca a permissão, lembrar reacende o combate !

O esquecimento evoca a permissão, lembrar reacende o combate !

   aracelli  Por várias vezes ouço as pessoas reclamando que o Brasil tem datas demais para comemoração ou manifestação. Eu quase me inclinei a pensar assim também, não fosse a importância dessas datas e por conhecer como é a memória do nosso povo. Assim sendo, se não fossem essas datas alavancarem nossa memória e nosso ímpeto, vários casos de polícia não estariam solucionados e muitas pessoas estariam lutando em vão pelos nossos direitos. É o caso de 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, legalmente instituído pela Lei 9970/2000 com o objetivo de mobilizar e convocar a sociedade brasileira a se engajar no combate a violência sexual de crianças e adolescentes, bem como na defesa dos seus direitos. Essa escolha foi proposta porque neste fatídico dia do ano de 1973, a menor, Aracelli Cabrera Crespo, em Vitória-ES, chocou o país com seu fenecimento, e ela ainda nem havia completado nove anos. Aracelli foi sequestrada, drogada, estuprada, teve seu rosto desfigurado com ácido, entre outras barbáries após ter feito, supostamente, um serviço de entrega de drogas para sua mãe. Araceli só foi sepultada três anos depois. Sua morte, contudo, ainda me causa indignação.

     Os acusados, Paulo Helal e Dante de Bríto Michelini, eram conhecidos na cidade pelas festas que promoviam em seus apartamentos e em um lugar, na praia de Canto, chamado Jardim dos Anjos.Eu entendo que ainda muitas pessoas usam o termo Direitos Humanos de uma forma errada, muitas vezes para tentar encobrir seus próprios erros. Temos antes de tudo lembrar que nas obrigações sociais temos direitos e deveres em escalas iguais. Todavia a fundamentação de datas se transforma num momento de reflexão haja vista que a industria bilionária, ilegal, que compra e vende crianças como objetos sexuais sujeita-as a uma das mais danosas formas de exploração do trabalho infantil, coloca em risco sua saúde mental e física, e prejudica todos os aspectos de seu desenvolvimento. Constitui uma das piores violações dos direitos humanos.

     Isto posto é de se louvar que em termos genéricos a exploração sexual pode ser conceituada como sendo todo o tipo de atividade em que uma pessoa usa o corpo ou a sexualidade de uma criança ou adolescente para tirar vantagem ou proveito de caráter sexual, implícito ou não, com base numa relação de poder, pagamento com ou coerção física e psicológica. Envolvendo algum tipo de prazer financeiro ou sentimental para o adulto. Mas o mais importante além de conceituar precisamos perceber que de tudo isso o primordial é não se omitir. Informações sérias, com elementos formadores, porque a partir deste ponto é possível dar resolubilidade às denúncias e isso implica, pois, objetivos diferenciados que são os de fazer cessar imediatamente a violência sexual;.agir no sentido de evitar sua recidiva e notadamente e precipuamente punir os responsáveis pela violência (sem esquecer o indispensável desmonte e responsabilização das redes) e em segunda ordem atingir  os pais negligentes.

     Trata-se então de dois mundos a serem cuidados: o das dores e dos danos e o do processo de responsabilização e isso é que mais importa. É necessário atenção constante na educação dos filhos e em segundo lugar que as pessoas em geral tenham confiança que se alguém que estiver fazendo algo ilegal ou errado serão punidas por isso e as pessoas que sofreram lesão em seus direitos serão amparadas pelo poder público, respeitadas,ajudadas e auxiliadas a retomar o curso de sua vida voltando a produzir para a sociedade como um todo.

*Articulista – Rosildo Barcellos

 

Sociedade de irmãos nas empresas rurais: desafios e soluções

Nas empresas familiares, os acordos estabelecidos hoje, sobre quem manda e quem será mandado, sem dúvidas evitam os desacordos de amanhã, pois a harmonia entre os membros de uma família empresária está diretamente ligada aos acertos na tomada de decisões.

Dessa forma, a sociedade entre irmãos não pode ser estabelecida na informalidade. Na maioria dos casos, os sócios querem solucionar os problemas, mas não querem saber as causas. Por isso, é importante refletir sobre a criação e/ou manutenção da sociedade:

– Vocês querem continuar sendo sócios?

– Como vocês se imaginam como sócios?

– Vocês são sócios porque eram sucessores, irmãos ou não tiveram outra oportunidade de trabalho?

Algumas práticas são fundamentais para que a sociedade, assim como a empresa, se perpetue:

– Comunicação. TEM?

– Prestação de contas. FAZEM?

– Resolução dos conflitos. FAZEM?

– Regras para trabalhar em sociedade. TEM?

Se as respostas acima não são positivas, por que continuam sócios?

Buscar a solução para essas questões vai garantir a transparência na administração e a continuidade do negócio, já que falta de comunicação, por exemplo, resulta em desconfiança e rompimento.

É importante lembrar que a postura adotada hoje servirá de exemplo para as próximas gerações. Quais exemplos estão sendo dados para as novas gerações? Geralmente na segunda geração o emocional prevalece em detrimento do jurídico, fato este que não ocorre na terceira geração, quando o aspecto jurídico se sobressai ao emocional. Em uma empresa familiar, os irmãos são mais irmãos que sócios e os primos são mais sócios que primos. Dessa forma, tentar solucionar conflitos de irmãos aplicando somente ferramentas de gestão é um erro, pois os problemas são, na maioria das vezes, emocionais.

Organogramas são sempre habitados por pessoas e, por isso, diante da necessidade de ajustes é muito mais fácil mudar a estrutura em que a organização está baseada do que mudar as pessoas. Nesses casos, é necessário alterar aspectos mais profundos, visto que por mais perfeito que tenha sido montado esse organograma, ele não poderá curar as feridas humanas de uma relação conflitante.

Para resolver conflitos em sociedades entre irmãos é preciso adotar determinadas regras:

– Criar um conselho com a participação dos irmãos;

– Fazer reuniões e comunicarem-se permanentemente;

– Implantar um protocolo, onde estarão descritas todas as regras a serem seguidas;

– Cobrar o cumprimento das regras;

– Estabelecer um diálogo aberto e franco durante as reuniões;

– Estabelecer claramente as funções operacionais de cada irmão, para que um não interfira na função do outro dentro da propriedade;

– Definir as remunerações.

É preciso lembrar que as pessoas têm perfis psicológicos diferentes e, em um trabalho em que diversos membros da família estão envolvidos, essas características acabam sendo externadas mais facilmente e quando não compreendidas colaboram para o aumento dos conflitos.

Observe os exemplos dos perfis abaixo:

– Racional lógico: toma decisões a partir de informações completas. Na comunicação é breve e conciso, mostrando os prós e os contras. É organizado, eficiente e segue a agenda planejada.

– Visionário Intuitivo: toma decisões sem razões explícitas. Na comunicação, quando mantem, é de forma informal. Pensa em voz alta, é sensível, intuitivo com as pessoas e gosta de se fazer presente.

Para trabalhar em equipe com familiares sugerimos:

– Estar de acordo sobre quem vai exercer a liderança e de que forma isso será feito;

– Desenvolver uma visão compartilhada sobre o tipo de empresa e negócio que gostariam de ter;

– Estabelecer as funções e responsabilidades com objetivos bem definidos;

– Profissionalizar a direção no âmbito de análises e tomada de decisões;

– Estabelecer ferramentas que melhorem a comunicação e diminuam os conflitos;

– Ter regras claras sobre a sociedade empresarial e familiar.

É importante termos em mente que muitos problemas econômicos não tiveram suas causas em frustrações financeiras, mas sim nos relacionamentos familiares. Em 60% dos casos os conflitos são originados pela falta de comunicação entre a família, em 25% por inadequada preparação dos sucessores e herdeiros e, em apenas 15% por razões técnicas e conjunturais. A vida real nos mostra que ter conflitos é normal em qualquer relacionamento, mas o problema está quando não dominamos as técnicas que auxiliam na redução dos mesmos.

Os conflitos não resolvidos provocam atitudes que dificultam as relações pessoais e tornam a comunicação muito difícil, condição esta que é necessária para trabalhar em equipe e ter sucesso na vida pessoal e empresarial. Nesse aspecto é que a Safras & Cifras, empresa que há 26 anos trabalha junto as famílias empresárias rurais brasileiras, assessora, orienta e instrumenta a relação família, patrimônio e negócio.

Cilotér Borges Iribarrem

ciloter@safrasecifras.com.br

Consultor em governança e sucessão familiar em empresas rurais

Mãe: o esteio da família dentro da Empresa Familiar – Por Rodrigo Pagani

Mãe: o esteio da família dentro da Empresa Familiar – Por Rodrigo Pagani

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Rodrigo Pagani

As empresas familiares de primeira geração, normalmente, têm como característica principal a presença ativa dos fundadores, isto é, dos pais. Além deles, por vezes, estão os filhos, cada um com atributos bem singulares. Independente da origem, as empresas familiares possuem traços marcantes, resultado das figuras que a compõem, e essas características específicas, na maioria das vezes, se destacam aos olhos de todos, mesmo daqueles que não estão diretamente ligados ao negócio, despertando, inclusive, o interesse de estudiosos do assunto.

Nesse contexto, repleto de personagens, é comum falarmos do pai tomador de decisão, timoneiro, por vezes indeciso, em apuros, mas, sobretudo, vencedor. Do filho destemido, audacioso, inexperiente, dos irmãos concorrentes, ciumentos, parceiros e da irmã repleta de conhecimentos, porém imatura. No entanto, é preciso que se atente para uma figura que, na maioria das vezes, é a real protagonista na empresa familiar: a mãe.

Muitas vezes ela é sobreposta pela sombra do pai que conduz, diretamente, os negócios da família. Porém, o papel que a mãe exerce é fundamental na manutenção dos relacionamentos e na administração dos conflitos e emoções que circundam a família. Aliás, é no contexto familiar que a capacidade de gestão da matriarca mais se destaca e chama a atenção. 

Mesmo que o ambiente dos negócios seja propício para desavenças, manter os membros da família unidos é de extrema importância para a continuidade dos negócios, sendo este um dos maiores desafios de uma família empresária. Nesse sentido, a mãe é essencial, uma pacificadora nata, alguém que, muitas vezes, tenta criar mecanismos para que a família se mantenha intacta, sem ser influenciada pelos problemas da empresa.

Trata-se de uma pessoa que provavelmente já passou por diversas experiências, entre elas, discussões entre o marido e os filhos, eventuais embates entre irmãos dentro de uma sala de reuniões e, até mesmo, ver sua casa se tornar uma extensão da empresa. Todos esses dilemas, além de outros tantos, acabam inviabilizando os prováveis, e bem planejados, encontros de família, em jantares ou almoços de domingo. Mas, ainda assim, ela permanece firme no objetivo de manter a família unida.

Além de harmonizadora, a mãe também é mestre na arte de ouvir, dando voz a todos os lados. É acolhedora, sabendo abraçar como poucos e consolar sem fazer distinção. E, por vezes, combativa, enfrentando eventualmente o pai para proteger os filhos. Mas afinal, o que a mãe deve fazer para preservar a família, salvar o negócio e permitir que a harmonia familiar se perpetue?

Para responder essa pergunta é preciso assumir momentaneamente o papel materno e fazer novos questionamentos:

– Será que meus filhos querem mesmo participar da empresa da família?

– Devo participar mais ativamente do negócio da família?

– O que fazer para ser escutada por todos?

– Como vivenciar embates entre meu esposo e meus filhos, em uma sala de reuniões, e não ficar abalada emocionalmente?

– Como aceitar que meus filhos não se cumprimentem dentro da empresa?

– Tenho conhecimento suficiente para opinar e contribuir positivamente nos negócios?

– Será que meu papel não é cuidar dos netos?

E, por fim, o que devo fazer para que os encontros de família, tão bem planejados, não se resumam a conversas e discussões sobre os negócios?

As respostas para esses questionamentos obviamente não são simples, mas revelam a importância significativa da progenitora neste cenário repleto de emoções e dilemas, que é o mundo dos negócios, em especial os familiares.

Indiscutivelmente, a mãe é o elo mais forte entre o pai e os filhos e quem preserva os laços da intensa odisseia da empresa familiar. A atitude dela, em querer assumir um papel de protagonismo dentro da estrutura, reflete diretamente na família e na empresa, através da preservação dos vínculos e da manutenção do negócio. Ela é indispensável no processo de continuidade da empresa, afinal, também é fundadora, possui influência, admiração e respeito dentro do grupo familiar e, sem dúvidas, está apta a transitar entre todos os ambientes deste cenário.

Para nós da Safras & Cifras, que há 26 anos acompanhamos empresas familiares rurais nos mais diversos momentos, todos os membros do grupo têm extrema importância no negócio, mas são as mães que, na maioria das vezes, conseguem visualizar a necessidade de buscar uma consultoria especializada para auxilia-las na busca de respostas e assessora-las no objetivo maior: tratar a família como família e o negócio como negócio, mantendo os familiares unidos e a empresa saudável.

Rodrigo Pagani

Graduado em Direito e

Pós-Graduando em Direito de Família Contemporâneo e Mediação

rodrigopagani@safrasecifras.com.br

 

Feliz Dia das Mães – Por: Ruy Chaves (*)

Mais velho que eu, Millôr Fernandes participou da criação do mundo e, sem jamais ter apresentado provas concretas, ousou contar “Esta é a Verdadeira História do Paraíso”.

Com certeza exausto após ter criado apenas do barro o homem tão feio e imperfeito, Deus descansou e completou a Criação com sua obra-prima que, mais tarde, seria chamada de mulher. Acompanhando todo o processo como cronista da época, Millôr chocou o mundo ao publicar uma carta supostamente do Todo-Poderoso para Eva: “Minha cara, eu te criei porque o mundo estava meio vazio e o homem solitário. O paraíso era perfeito e, portanto, sem futuro… Olha Adão enquanto dorme; é teu. Ele pensará que és dele. Tu o dominarás sempre… É lento, o homenzinho. Mas hás de compreender. Foi a primeira criatura humana que fiz em toda a minha vida. Tive que usar argila”. E assim começou a incrível aventura que nos trouxe a maio de 2016.

O primeiro a pecar não foi o Millôr, nem eu, foi Lúcifer, então o mais poderoso dos anjos, o sol da manhã, a estrela brilhante, que, insatisfeito apesar de tantas honras, desejou ser o Deus Altíssimo. Punido por sua inveja, Lúcifer foi renomeado Satanás e trouxe a tentação para Adão e Eva. 

E esta tal de tentação, sem dúvida, se transformou no maior problema da natureza humana. Afinal, todas as dificuldades da vida decorrem de Eva ter cedido à conversa mole da serpente que insistentemente sibilava ao seu ouvido: “Come, Eva. Não engorda. Ficarás para sempre linda como os anjos, serás imortal e derreterás o coração de Adão por tanta paixão”. O resto da história todos sabem: Eva e Adão comeram frutos proibidos e foram expulsos do paraíso onde, com certeza, era sempre verão, e tiveram que cobrir suas purezas com folhas de parreira.

No mundo real, mas sempre desejando o paraíso, as mulheres ficaram cada vez mais lindas, mais sábias, senhoras de seus destinos e a moda iniciou sua longa trajetória. Desde a criação, as mulheres dominam o mundo e usam todas as suas ilimitadas competências e sensibilidades, mas não conseguem tirar do homem as suas muitas impurezas ainda decorrentes da péssima qualidade do barro original de onde foram criados. Os homens continuam impuros, perversos, incompetentes, inábeis, ingratos, insensíveis, arrogantes, rudes, cínicos, falsos, mentirosos, destrutivos, horrorosos, cabeça de barro, pés de barro, coração de barro, alma barrenta, caem em qualquer tentação; todo o tempo famintos e insaciáveis, comem todos os frutos proibidos e roem a vida e a alma das pessoas além da honra e da riqueza das nações.

Mas sempre se prostam diante das mulheres em luxúria, ou em duvidosos arrependimento pedindo perdão com lágrimas nos olhos, ou… Felizmente, o Todo Poderoso fez as mulheres absolutamente fantásticas e poderosas, além de lindas, e ainda lhes concedeu o privilégio divino da maternidade. As mulheres são tudo de bom, a perfeição da Criação! Nós, os homens? Somos apenas desprezíveis bonecos de barro, sem alma, apenas barro. Feliz Dia das Mães! Panta Rei.

* Ruy Chaves é diretor da Estácio

Aplacar a tempestade – Paiva Netto

Aplacar a tempestade – Paiva Netto

A importância do controle gerencial na atividade agrícola

Ao longo do tempo, o Brasil foi adquirindo propriedade para falar sobre o agronegócio, pois nos últimos anos o país tem chamado a atenção do mundo para a capacidade de produzir alimentos, sendo inclusive considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o futuro “celeiro do mundo”.

Essa capacidade se deve, principalmente, as vantagens naturais que o Brasil possui, como clima adequado para o plantio de diversas culturas, solo fértil, disponibilidade de água, biodiversidade, energia solar e competência do produtor rural brasileiro. Outros fatores também contribuem nesse aspecto, como o constante investimento por parte dos produtores em novas tecnologias para o auxílio na eficiência produtiva.

No entanto, mesmo dispondo dessas vantagens, a atividade agrícola no Brasil vem se tornando cada vez mais complexa. Com a abertura do mercado externo e as constantes mudanças nos hábitos de consumo da sociedade moderna, o meio se tornou dinâmico e, o produtor passou a competir não mais com os vizinhos de cerca, mas com os produtores de outros países que possuem, normalmente, economia e sistema de governo completamente diferentes do Brasil.

Além das dificuldades da competitividade, o produtor precisa administrar outros fatores que fazem com que o custo de produção se torne cada vez maior. Entre os itens que compõem esse custo, a logística certamente é o que mais tem dificultado a vida dos produtores. A falta de investimentos por parte do governo em modalidades de transporte mais eficientes e baratas faz com que o produtor seja dependente, quase que exclusivamente, do modal rodoviário para a escoação da produção. Por ser um dos meios mais caros, o impacto no retorno do negócio é grande.

Esses obstáculos impactam tanto a atividade que foi criado um nome genérico para classificá-los, o famoso “Custo Brasil”, que já é conhecido e comentado em outros países. Um estudo realizado pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul – Farsul revelou que grande parte dos produtores gaúchos pagam mais caro para levar a soja que produzem até o Porto de Rio Grande, do que é pago para levar essa mesma carga de Rio Grande até Xangai, na China. 

Mesmo sendo noticiado frequentemente que o setor agropecuário está com um bom desempenho e tem contribuído para a economia do país, a realidade enfrentada atualmente pelo produtor rural não tem sido muito favorável. O mercado não tem oportunizado grandes possibilidades de ganho e as dificuldades que impactam diretamente os custos de produção têm influenciado cada vez mais o desempenho da atividade, deixando claro que não há mais espaço para erros de gestão. Os produtores precisam começar, o quanto antes, a buscar ferramentas para otimizar a performance de seus negócios.

Normalmente, o produtor rural está habituado a concentrar esforços na melhoraria de sua eficiência produtiva e, certamente, tem obtido êxito. Os dados mostram a produtividade média das principais culturas cultivadas no Brasil, que em um curto espaço de tempo, aumentou significativamente. Porém, preocupar-se apenas com a produção já não é mais o suficiente, visto que o cenário atual exige que o produtor esteja atento a todos os fatores que envolvem o negócio. Em uma atividade onde as margens se tornam cada vez menores, e diversas variáveis podem influenciar o seu desempenho, um pequeno detalhe pode ser o divisor de águas entre o sucesso e o fracasso, como também entre o lucro e o prejuízo.

Diante desse cenário, não há dúvidas de que o produtor precisa buscar ferramentas que lhe forneçam suporte na gestão do seu negócio. É necessário que ele comece a se preocupar em melhorar sua eficiência administrativa. Nós da Safras & Cifras, empresa que há 26 anos assessora produtores rurais na gestão do seu negócio, vemos os pilares da administração –  planejar, organizar, dirigir e controlar – como fatores determinantes nesse aspecto, sendo que um depende do outro para que o processo administrativo seja eficiente e alcance os objetivos esperados.

Quem conhece a realidade do agronegócio certamente já observou que o produtor rural desempenha as ações de planejar, organizar e dirigir quase que instintivamente, pois elas fazem parte da rotina da propriedade. Já o controle, na maioria dos casos, é deixado de lado pelos administradores rurais e isso normalmente é um dos causadores do fracasso da atividade, pois o gerenciamento dos custos e a avaliação dos resultados são ferramentas indispensáveis para mensurar a situação da empresa em termos de retorno financeiro.

Sem ter em mãos as informações cruciais do negócio, o gestor não tem um amparo confiável para a tomada de decisão, fazendo isso muitas vezes empiricamente, baseado na experiência que adquiriu ao longo dos anos e não na realidade da empresa. No entanto, o atual momento do agronegócio não permite mais esse tipo de gerenciamento, pois as mudanças são constantes e os custos têm impactado cada vez mais o desempenho das atividades econômicas dentro das propriedades.

Por isso se faz cada vez mais necessário uma profissionalização por parte dos produtores no que tange os sistemas de controle implantados na atividade, pois sem conhecer a realidade destes dados se torna difícil para o administrador manter a saúde financeira em tempos de grandes dificuldades e incertezas.

Charles Daneberg

Graduando em Administração

charles.daneberg@safrasecifras.com.br