maio 17, 2023 | Colunistas
Um dos momentos divinos do norte do país é quando nossos olhos chegam perto do encontro das águas. Lá a presença de Deus é evidente. Os rios Negro e Solimões não se misturam, apesar de caminharem juntos, a harmonia da natureza transcende em decorrência das diferentes temperatura e velocidade, de uma e de outra. O Rio Negro é mais quente, menos denso e mais ácido, porque ele corre em uma área de formação geológica mais antiga. Ao seu lado, Solimões majestoso flui com ternura fraterna. E um dos assuntos que são recorrentes na pauta das discussões, No entanto, nos nossos tempos de internet, estamos perdendo as perspectivas de construção de uma convivência humana irmanada; cada vez mais ganham destaque outros ditados como: “Cada um por si e Deus por todos”, e infelizmente essa premissa tem causado mais problemas que soluções.
É o que tentamos mudar nesse “Maio Amarelo”, em sua décima edição. Lembro da obra de Terêncio, comediógrafo latino do século 2 a.C., na qual se relata a história, ocorrida em Atenas, de um vizinho que se
intromete na vida dos outros sem perceber que coisas piores estão acontecendo ao seu redor. Como justificativa para os inoportunos palpites que dava, esse vizinho fala: “Homo sum: humani nil a me alienum puto”, isto é, (Nada do que é humano me é estranho). A Campanha do Maio Amarelo reforça a nossa responsabilidade no trânsito, tanto como pedestres quanto como condutores. Ou seja : Todos. Por isso, não esqueçam: PEDESTRE: sempre utilize as passarelas, faixas elevadas e faixas de pedestres. CONDUTOR: respeite as sinalizações e cuidado com os vulneráveis no trânsito. Em algum momento, todos nós estaremos no lado vulnerável do trânsito.
Ressalto também os exemplos históricos. No Congo do século XIX, Hutus e Tutsis se misturavam e tendiam a se tornar um único povo, quando de repente o colonizador belga resolveu impor cotas em empregos e na educação. Foram concedidos documentos raciais diferentes para os dois povos, que começaram a desenvolver processos de afirmação étnica por oposição entre si.
Passou o tempo e Ruanda, que era um dos menores e mais pobres países do mundo, transformou-se no terceiro país africano que mais importava armas. Entre janeiro de 1993 e março de 1994, graças ao financiamento francês, o país conseguiu da China mais de 580 mil machetes a preço de liquidação. Sedimentou-se assim um dos episódios mais bárbaros da história da humanidade culminando em 1994, quando em apenas três meses mais de 800 mil pessoas foram chacinadas em sua maioria a golpes daqueles machetes adquiridos. Do processo de independência de Ruanda até o genocídio, os conflitos étnicos foram frutos da disputa política dentro do país e resultaram no produto das decisões de se diferenciar as pessoas. E o Maio Amarelo é justamente o contrário. É unir todos os esforços em prol de um ideal, reduzir mortes no trânsito e para isso todos devem estar juntos, com o pensamento de ofertar a cortesia no trânsito e sobretudo estar, do mesmo lado da trincheira.
*Membro do GETRAN/MS
maio 16, 2023 | Colunistas
O desempenho das mães na defesa do lar e da família nunca foi tão vital e necessário como agora, nesses tempos “modernos” em que ameaças físicas, morais e espirituais são constantes e com um único propósito: destruir a estrutura familiar existente desde o início dos tempos. Os alvos são o cônjuge e especialmente os filhos, os mais visados por inimigos que os atacam por diversas frentes numa guerra insana para se ter o domínio da sociedade.
São adversários ferozes, vorazes e abomináveis, sem escrúpulo algum, nem mesmo para divulgar e tornar público suas intenções de desmontar a família. Consideram-na uma ameaça ao estabelecimento de um novo regime político e ideológico para se alcançar o poder e a livre promiscuidade nas relações humanas.
Uma das maiores autoridades do país disse recentemente com a maior naturalidade que “essa pauta da família, a pauta dos valores, é uma coisa atrasada”. Outra, menos importante, num programa de debates disse: “… se queremos destruir a família? Sim! Queremos”. Declarações e ações dessa natureza têm-se proliferado em todo o país, de diversas formas, em manifestações públicas, dentro de escolas, para crianças e adolescentes, nas universidades e na forma de projetos de lei nas esferas municipal, estadual e federal, no judiciário etc.
O amor de mãe, dádiva de Deus, é uma força que pode ajudar a vencer essa guerra e impedir o estabelecimento do caos na Nação. É ela, mãe, quem tem o poder, no lar, de trazer crianças ao mundo, educá-las e formá-las para se tornarem cidadãos e cidadãs fortes e conscientes dos verdadeiros valores que se deve entesourar e defender na vida, como honestidade, integridade, moralidade, bondade e firmeza de caráter.
Manter um lar onde os filhos possam crescer mental, emocional, física e espiritualmente em harmonia é um dos maiores desafios da família, e a mãe pode e deve desenvolver um vital papel nesse processo, para que todos resistam aos ventos e tempestades que tendem só a piorar nesses últimos tempos que antecedem a segunda vinda de Jesus Cristo.
Nosso Salvador nos deixou ensinamentos e mandamentos morais e espirituais, que estão cada vez mais ameaçados de controle, deturpação e censura por homens inescrupulosos e blasfemos.
A família só sairá vitoriosa nesta guerra se os pais tiverem Deus como prioridade em seu convívio familiar. Em tal lar, os filhos devem aprender a amar e a servir uns aos outros, a seguir os mandamentos do Senhor e a serem bons cidadãos e cidadãs. E a mãe em especial, insisto, tem papel relevante nesse processo de ensino e formação.
É ela quem sabe melhor orientar os filhos, desde pequeninos, sobre o que é certo e errado e na medida em que crescem, trabalha ainda mais essa questão, porque o mundo tentará de todas as formas, mostrar ao contrário, que o certo é errado e vice-versa.
A religiosidade da família é um instrumento de força e defesa da família nessa guerra entre o bem e o mal. Cabe ao pai e à mãe o fortalecimento da espiritualidade de todos os seus membros. Para isso, o clima de diálogo e harmonia é fundamental. Todos precisam exercer atividades coletivas tanto de lazer, entretenimento e religiosidade. Boas e francas conversas com cada filho ajudam a dissipar dúvidas e a estabelecer um bom relacionamento entre as partes. Isso evita que ameaças externas se instalem na mente e no coração dos mais vulneráveis.
Deus está sempre pronto a ajudar todos aqueles que O buscam. Ele nos deu o arbítrio, que nos permite recorrer ou não à Sua pessoa. Todos sabemos disso, pois temos testemunhos pessoais e/ou de outras pessoas que receberam do Senhor verdadeiros milagres em suas vidas. Então, é indispensável manter a família fortemente alicerçada na obediência aos ensinamentos e mandamentos que Ele nos deixou, para não sermos derrotados pelo mal.
E não é à toa que Ele orienta a mãe em especial: “Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele”.
*Jornalista e Professor
maio 15, 2023 | Colunistas
13 de maio de 2023. 135 anos se passaram desde a instituição da Lei Áurea no ano de 1888. É imprescindível refletir: quais foram as mudanças no imaginário brasileiro e quais foram os reflexos reais destas mudanças na vida cotidiana do negro brasileiro? Uma pergunta com respostas longas, complexas, decepcionantes e, antes de tudo, alarmantes.
Vivemos inseridos em uma sociedade que ainda, nos dias de hoje, vive regada e temperada a boas doses da chamada “Democracia Racial”, que mais opto em chamar de “Conveniência Racial”. O sistema social brasileiro se mostra, na contemporaneidade, como um projeto, muito bem montado no imaginário coletivo, de se aceitar o negro e a negra em nichos pré-estabelecidos e determinados.
Ainda não somos uma sociedade preparada, infelizmente, para aceitar e assumir os negros doutores, políticos, médicos, intelectuais, ou que, essencialmente, ocupam lugares de destaque e de poder. No entanto, somos uma sociedade totalmente democrática em relação ao negro se ele ainda estiver ocupando as senzalas sociais e os trabalhos subservientes.
Nada de pejorativo no termo subserviência, mas podemos sim, como negros, ocupar lugares diversos, não apenas os determinados por um sistema excludente baseado na hierarquia racial. Para tanto, ainda hoje, somos capazes de fazer com que pessoas negras sirvam a sociedade com trabalhos análogos à escravidão, com maus-tratos, má alimentação e remuneração precária. Trabalhos que não condizem com a realidade dos avanços feitos em 135 anos e que não garantem qualidade de vida.
Voltando ao ano de 1888, desta vez no dia 14 de maio, fica a provocação de que neste dia, o dia seguinte à abolição, inicia-se um processo de exclusão e de construção imaginária do negro que agora faz parte de uma sociedade a qual não pensou o espaço para estas pessoas. Resistência sempre!!
Nada a se comemorar, muita reflexão, muita luta e muita reverência aos Movimentos Negros, incessantes militantes e lutadores que vem, desde o Movimento Negro Unificado, conquistando e derrubando barreiras numa sociedade estruturada pelo racismo.
Paulo Sergio Gonçalves, coordenador do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas (NEABI) e professor de direito, literatura e sociologia da Estácio.
neabipaulo.g@estacio.br
maio 13, 2023 | Colunistas
Tenho identificado que o saldo mais visível do ponto de vista da classe que vive do trabalho foi o crescimento da pobreza, que se generalizou e aprofundou de tal forma, que as suas consequências não dizem respeito apenas aqueles a quem falta trabalho, moradia, comida, saúde e escola com real aprendizado, mas a sociedade como um todo: uma vez que existe uma estrita relação dessa, com o crescimento da violência, da insegurança e da marginalidade. A emergência de pretensos novos paradigmas produtivos implicaram a redefinição do lugar destinado a educação, uma vez que, a partir da década de 90, diversos interesses passam a convergir. As razões desses interesses dizem respeito, particularmente, a qualificação do trabalhador, objetivando adaptar-lhes as inovações tecnológicas ou a qualificação social e técnica, como possibilidade de acesso.
Mas eu preciso dizer: qualquer projeto, que realmente queira que ofereça frutos deve ter um mínimo de planejamento, um pouco de recursos e um líder que realmente tenha os olhos voltados para seu ofício. Foi o caso do Clube de Regatas Flamengo, que abraçou dois títulos esse ano seguindo esse tripé. Particularmente em Campo Grande, a fundação social do trabalho tem sido eficiente, principalmente pela história de seu gestor imediato.
Por assim dizer, o crescimento econômico com distribuição de renda gera um círculo virtuoso, reduz a pobreza, propicia forte expansão do mercado consumidor, amplia oportunidades profissionais, valoriza o espaço local e fortalece a cidadania, mas o gestor destes locais que abraçam o trabalhador carcomido pelas mazelas do sistema, precisa saber a pressão que o sistema nos oferece e Ademar Vieira Junior é uma dessas pessoas, que sabe sim, diferenciar o joio do trigo e tem colocado essa visão na sua vida, apoiando com veemência os projetos sociais do “Instituto Alecrim’. Ele nascido no distrito de Culturama, nas proximidades de Fátima do Sul, aqui no estado, veio para Campo Grande acompanhando a mãe. Eram dez irmãos e ele o caçula. O pai foi tentar a vida no garimpo de Serra Pelada, informando que iria voltar em quarenta dias e nunca mais voltou.
A mãe começou a trabalhar na viação MOTTA na limpeza dos ônibus. Ele após diversas outras atividades, somente na quarta tentativa de cargo eletivo conseguiu êxito, mais tarde chegando a subsecretaria de Direitos Humanos Municipal. E continuou batalhando até por em prática o Instituto Social Alecrim, que tem sede a rua Mansour Contar 440 Jardim Los Angeles, na Capital do Estado.
O ISA está dividido em três vertentes: Ambulância, visita solidária e escolinha de futebol. E tem feito a diferença em centenas de pessoas. Mormente, a frase “O Trabalho na Construção da Dignidade Humana”, não foi apenas tema de Redação do ENEM, é um fato real e a se considerar tanto pelo executivo, como pelo legislativo em prol da sociedade como um todo. Ademar, por derradeiro. simplifica sua vida dizendo ” Cresci vendo minha mãe superar cada obstáculo que a vida colocava nela, passou por momentos tão difíceis que as vezes ia dormir se sentindo exausta e com lágrimas nos olhos, mas mesmo assim levantava todas as manhãs com energia e ânimo, para dar amor incondicional e colocar comida na mesa. Sou alguém forte porque fui criado por alguém mais forte do que eu!
*Articulista
maio 12, 2023 | Colunistas
PESQUISAS: Tidas como pimentas do ‘tira gosto’ da feijoada eleitoral. Elas rendem comentários na mídia, influenciam a opinião pública, dão asas à imaginação, fomentam sonhos. O Instituto Ranking está publicando uma amostra interessante sobre o cenário eleitoral de Campo Grande. Tal como o horóscopo – vale dar uma conferida.
PREVIDENTE: Para o deputado Pedrossian Neto é preciso que a PEC 132 seja votada antes que o STF julgue a ação do ‘Marco Temporal’ no dia 7 de junho. A lacuna na Constituição permite que após demarcada a terra, os produtores sejam retirados dela sem indenização. Aí virá o estrago com conflito inevitável entre índios e produtores.
FAZ SENTIDO: Pedrossian lembra que cabe à Câmara Federal produzir uma solução legislativa – a intermediação entre as partes (produtores e índios), evitando que o STF faça o arbitramento de consequências dolorosas. Aliás, o deputado federal Rodolfo Nogueira (PL) promete continuar a luta na Câmara pela solução com a indenização justa para os produtores.
NAS URNAS: Quase sempre o olhar do eleitor tem o caráter meramente paroquial. As questões nacionais vistas como irrelevantes, são apenas referenciais. O eleitor pensando na sua cidade como um todo, preocupado no seu bem estar e olhando para o horizonte. A questão ideológica perde terreno para a pessoalidade dos protagonistas.
‘SAPIÊNCIA’: Oposição – sobre ela Getúlio Vargas tinha uma sacada pragmática: “é mais fácil ser oposição do que situação; trabalha-se melhor com o imaginário ingênuo das pessoas”. No que diz respeito ao embate eleitoral e suas consequências ele assim definia: “não é a oposição que vence, é a situação que perde”.
EFEITO DORIL: O cacife eleitoral muda como as nuvens. De uma eleição para a seguinte pode ocorrer surpresa em forma de desastre. Tal como uma planta é preciso cultivar o eleitorado. Um exemplo: Em 2006 Antônio Cruz obteve 39.643 votos para a Câmara Federal e em 2012 não se elegeu vereador da capital: apenas 4.912 votos.
SOLIDÃO: Para o laureado escritor Gabriel Garcia Marques: “a fama é capaz de fabricar a maior, a mais pavorosa das solidões. Esta solidão da fama só é comparável a solidão do poder. O poder absoluto é a realização mais alta e completa do ser humano. E por isso, resume, ao mesmo tempo, toda a sua grande e toda sua miséria.”
‘DAY AFTER’: Preparar-se para o ostracismo após a fama ou poder não é fácil. Com o dinamismo atual o descarte é rápido, a memória curtíssima. O anonimato após o sucesso afeta políticos, autoridades, artistas e esportistas. Poucos tem o equilíbrio para tocar a vida sem ranço e desejo de volta. Portanto, aproveitem enquanto podem!
VOLÁTIL: Em todos os níveis o desempenho nas urnas está atrelado a vários fatores. Com o advento das redes sociais é possível destruir imagem e reputação e construir lideranças como num passe de mágica. Exemplos: Camila Jara (PT) – 56.552 votos; Marcos Pollon (PL) – 103.111 votos e Rafael Tavares (PRTB) – 18.224 votos
QUESTÕES: Até onde as eleições de 2022 influenciarão no pleito de 2024? Os grandes eleitores de ontem continuarão amanhã de bola cheia? Esquemas estruturais e força dos partidos vão superar eventuais prestígios pessoais de candidatos? No fundo há muita especulação e ‘fake news’ com o propósito de apenas criar bolhas.
VEJAMOS: Bolsonaro (PL) obteve na capital 313.906 votos (62,65%) e Lula (PT) 187.109 votos (37,35%) – Tereza Cristina 24’.903 votos (52,56%) – Marcos Pollon (PL) (deputado federal) 38.410 votos e Lucas de Lima 16.566 (PDT) (dep. Estadual) – Riedel 267.393 (55,60%) e Contar (PRTB) 213.491 (44,40%).
CONTAR DE NOVO? Apenas o discurso ideológico de Contar bastaria para se eleger prefeito da capital? Mineiramente Pollon (mui amigo?) já ofereceu a candidatura para Contar nesta semana. Na opinião pública ficou a marca negativa de Contar pela sua atuação no debate da TV Morena. E qual a estrutura partidária de campanha? Sei não…
OS NÚMEROS são referência e não se pode leva-los em conta como se fossem decisivos para 2024. Transferir prestígio e votos é algo duvidoso e os exemplos estão aí. Bolsonaro, Lula, Riedel e Tereza terão esse poder? O que dizer então de Pollon e Lucas de Lima candidatos mais votados na capital? Alçarão voo mais alto com base nos votos de 2022? Depende do cenário, do discurso e da reação do eleitorado – é claro.
CONTINUANDO… Também não se pode esquecer de votos que acabaram perdidos. Caso de Luiz H. Mandetta com 92.401 votos e que enseja a pergunta: para onde esses votos irão? Quanto aos 107.210 votos de André Puccinelli (MDB) vale também questionar se ele tentará negociá-los politicamente ou vai usá-los como trampolim. Corre o risco de mergulhar na ‘piscina vazia’.
O CANDIDATO: O deputado federal Beto Pereira (PSDB) que obteve 16.444 votos na capital em 2022 é apresentado como o postulante do partido. Questionamentos naturais em relação a sua musculatura política para agregar apoios tem surgido. Há nas redes sociais a notícia de que o ex-governador Reinaldo Azambuja seria o candidato natural por várias razões. Pelo sim, pelo não…
MANDETTA: Os 92.401 votos em 2022 não seria passaporte para futuras viagens eleitorais. Ainda magoado pela demissão, o ex-ministro da saúde malha Bolsonaro . As criticas afastam seus eleitores do ‘centrão’ (classe média) e não atrai os eleitores da esquerda – embora seu partido União Brasil seja coadjuvante do PT. Complicado.
A PROPÓSITO: A missão do jornalista não é apenas simplesmente escrever uma notícia. Vai além; fazendo a leitura do presente sem ignorar o passado, adicionando conhecimento dos personagens e as previsões possíveis. Esse conjunto de fatores ajuda a passar ao leitor a análise do que ocorre não só a céu aberto, como nos bastidores.
AINDA BEM! A Inglaterra tem apenas 168 sindicatos, a Dinamarca 164 e os ‘USA’ 130. No Brasil havia 16.293 mil sindicatos até 2022. Mas sabe como é: companheiros querem a ‘volta dos bons tempos’: sinônimo de grana fácil. Felizmente mais da metade dos deputados federais são contra a volta da obrigatoriedade da contribuição. Aleluia!
FOLCLÓRE: Eleições 1982 – Zé Elias X Wilson Martins. Para ajudar seu candidato Pedrossian trouxe Rita Lee para inaugurar o Ginásio Guanandizão. Deu azar: ela acabou incentivando o clima em pról de Wilson – que teve o nome ovacionado pela plateia. Maior colégio eleitoral do MS, a capital decidiu em prol do candidato do MDB.
CONCORRÊNCIA: Em Campo Grande, Sidrolândia, Maracaju, Dourados e Ponta Porã – principalmente – cresce o número de usuários dos serviços cartoriais de São Paulo e Paraná para lavratura de escrituras de imóveis. A diferença com os valores cobrados aqui é enorme e vários ‘despachantes intermediários’ já anunciam seus préstimos na internet.
PILULAS DIGITAIS:
Se você não ficar rico ao lidar com políticos há algo errado em você. (Donald Trump)
A saudade não deseja ir para a frente. Ela quer voltar. (Rubem Alves)
O Brasil não tem povo, tem espectadores. (Lima Barreto)
Em Brasília a união faz a farsa. (jornalista Josias de Souza)
Poder. Nenhum desses governantes têm um itinerário. O que eles gostam mesmo é de ficar no volante.( Millôr)
Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses. (Rubem Alves)
Somos carteiros: temos a missão de caprichar na entrega, evitar que a carta chegue molhada e, principalmente, gostar do que fazemos.” (Ronald Golias)
maio 10, 2023 | Colunistas
Embora o regime democrático seja o melhor do mundo, especialmente devido às liberdades do povo, de ir e vir, de expressão, de estudar e se especializar na profissão que bem entender, o capitalismo, que dele faz parte, precisa ser aperfeiçoado para ser mais justo na relação profissional. Evoluir da ultrapassada relação “patrão/empregado” para a moderna e valorizada condição de “empreendedor/colaborador”.
Os tempos são outros. Modernos, dinâmicos e participativos. Exigem que a segunda parte dessa fabulosa engrenagem (que juntas geram todas as riquezas econômicas da nação) receba não só o devido respeito e consideração, mas também e principalmente, uma melhor remuneração pelos relevantes serviços prestados no dia a dia.
O colaborador faz jus a um recebimento financeiro digno e a outros benefícios, por conta de seu indispensável e produtivo desempenho.
O empreendedor precisa abandonar o velho, injusto e egoísta sistema de remuneração pelo serviço prestado pelos seus colaboradores. Não basta a aplicação da lei que estabelece pisos e salários mínimos. Ser justo é pagar dignamente aquilo que se recebe na indústria, no comércio, nos serviços, em qualquer setor. O mínimo pode até ser legal, porém é imoral por seguir longe dos patamares ideais e possíveis de serem retribuídos aos bons profissionais.
O mundo deixou o regime de escravidão há muito tempo, no qual o homem um dia teve a coragem de dominar e aprisionar seu semelhante para o obrigar a trabalhar gratuitamente para ele, sob pena de ser chicoteado, espancado e até morto pela desobediência.
Se o mundo acabou com o escravagismo, o que dizer de um regime que persiste em continuar a exploração do trabalho alheio, no qual o “patrão” paga o mínimo a seu empregado? Não se vê grande evolução nessa segunda etapa na qual a maioria do empresariado brasileiro ainda se enquadra.
Por que não pagar salários dignos ao colaborador? Salários Justos e equivalentes ao que realmente valem seus serviços?
Como pode um empreendedor ganhar milhões às custas de seus colaboradores e retribuir-lhes com migalhas? Longe de endossar ou pactuar com aqueles que pregam o estabelecimento de outro regime para o país para se corrigir as injustiças econômicas e sociais, mas fazer justiça com aqueles que nos servem é um dever sagrado. Sim! Isso mesmo, sagrado! Duvida?
Veja então o que o próprio Senhor fala a respeito da relação trabalhista:
“Ai daquele que edifica a sua casa com injustiça, e os seus aposentos sem direito, que se serve do serviço do seu próximo sem remunerá-lo, e não lhe dá o salário de seu trabalho” (Jr. 22:13)
Em Tiago (5:4) Ele continua enfático: “Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras, e que por vós foi diminuído, clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos Exércitos”.
Observe que o Senhor adverte o empregador para que seja justo com seus funcionários e prestadores de serviços. A avareza, o egoísmo e a ganância dificultam o homem de enxergar isso e de evoluir como pessoa, como cidadão, como Cristão. Esses obstáculos precisam ser quebrados para que eles entendam que pagar bem seus colaboradores não é nenhum favor é uma obrigação que deveria ser feita com amor, respeito e consideração.
Precisa entender também que nesses tempos modernos, bens materiais como automóveis, casa confortável e boas escolas para os filhos, viagens de férias e boa alimentação às famílias de seus servidores não são mais considerados um “luxo” (privilégio de poucos), mas um direito e necessidade (comum) de todos.
Algumas empresas no Brasil já deram um grande salto de evolução, ao passarem a adotar em seus estatutos e nos contratos trabalhistas, a “Participação no lucro da empresa”, além de estabelecerem salários mensais dignos, e outras vantagens que só estimulam a dedicação ao trabalho.
Em troca, as empresas ganham na produção e na produtividade, pois colaboradores satisfeitos desempenham um papel extraordinário no exercício das suas funções. São mais criativos, determinados e dão ritmo ao bom desempenho de toda engrenagem. Lamentável apenas que essa consciência ainda é de bem poucos empreendedores.
*Jornalista e Professor