(67) 99634-2150 |
Bela Vista-MS Segunda-Feira, 14 de Setembro de 2026

A atuação das equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, com auxílio da tecnologia, contribui na prevenção e controle dos incêndios florestais em todo o território estadual. No Pantanal, uma das áreas mais remotas e de difícil acesso terrestre, aéreo e mesmo fluvial, o trabalho dos bombeiros garantiu a extinção de dois grandes incêndios nas regiões do Nabileque e Salobra. Uma equipe permanece em combate na região do Paiaguás, em Corumbá próximo ao município de Coxim.

Para visualizar a área atingida pelo fogo no Nabileque, a equipe do CPA (Centro de Proteção Ambiental) realizou um voo para reconhecimento aéreo do local e também pousou em uma das fazendas próximas do incêndio, nesta quarta-feira (6).

“O incêndio foi detectado pelos satélites do geomonitoramento que é feito todos os dias no território sul-mato-grossense. Levantamos os pontos de calor e analisamos a progressão deles. Algumas vezes, antes do fazendeiro observar o incêndio na propriedade, a gente consegue detectar no CPA. O Pantanal tem algumas particularidades, a área é muito remota, são poucos acessos e a vizinhança fica a quilômetros de distância. A gente detecta o incêndio e o mais rapidamente possível enviamos as equipes para o controle, evitando a propagação”, explicou a tenente-coronel Tatiane Inoue, chefe do CPA, que funciona em Campo Grande.

O capitão Hamad Ale Aziz Pereira, que comandou a operação no Nabileque, relatou as dificuldades para chegar ao local do incêndio. A equipe saiu de Campo Grande no dia 30 de agosto, e demorou um dia para chegar na área em chamas. O fogo, que atingiu uma área de aproximadamente 10 mil hectares, só foi controlado oito dias depois. “Andamos 200 km em estrada de chão, após a saída da BR-262. No local foi realizado resfriamento, abafamento, utilizamos máquinas dos fazendeiros. O sol estava muito quente, com temperaturas elevadas, e ventos a mais de 40 km/hora. Além do local ser de difícil acesso, com falta de água para o combate e o que dificultou bastante foi a questão da locomoção das viaturas. Foram muitos quilômetros andando a pé com bombas costais, equipamentos”.

O cabo David Alex Mota é piloto de drone e confirma que o emprego de equipamentos de tecnologia contribui para a prevenção e também de forma direta nas ações de combate a incêndios. “O Corpo de Bombeiros evoluiu na questão, antigamente a gente vinha com carro e abafador. Com os drones a gente consegue ver o incêndio por completo, todas as partes dele e atua de forma mais eficiente para ver onde acatar e a melhor estratégia. O drone é uma ferramenta excelente e o kit pickup (para captação de água no local do combate) também, que ajuda a resfriar no combate, além do soprador e equipamentos novos que dão eficiência muito maior”.

Leia  Adolescente indígena de 16 anos é encontrado morto no bairro Nova Esperança, em Bela Vista

Nos oito dias de missão, 15 bombeiros atuaram no combate, com o trabalho concentrado no início da manhã e período noturno, quando as temperaturas estavam mais amenas. Os equipamentos de tecnologia, foram fundamentais para garantir a segurança da equipe e também a efetividade na atuação. “A parte de tecnologia é primordial para realizamos o combate a noite. E a navegação, com certeza, a utilização do drone para segurança das equipes é importante. Por causa das altas temperaturas, o combate noturno tem muito efeito. Dois dias atrás estava quase 40°C e isso fica inviável para o bombeiro. Além disso, a área do incêndio era rodeada de carandás, que propagam o fogo de forma terrestre e área”, explicou o capitão Hamad.

Maria Inês Monteiro mora no pantanal há 10 anos e há um mês está na propriedade mais atingida pelo incêndio – que foi controlado. “O incêndio começou na região de onde vem mais o vento, que alastrou o fogo, e jogava a chama muito alta. Chegou até o campo, no piquete da fazenda. E aqui tem muito óleo, tem os carandás perto, e a gente passou esse medo. O carandá é seco em cima, as folhas espalham, tem um miolinho e quando pega chama em cima, ele guarda o fogo e pode alastrar de novo. Fiquei com muito medo, chegou muito perto, era fumaça, nevoeiro o tempo inteiro, mas agora tá calmo, acabou o vento”.

As altas temperaturas e o vento foram os principais, aliado ao local de difícil acesso, foram os principais obstáculos encontrados para o controle e extinção do incêndio. “Todo ano tem a temporada dos incêndios. O Pantanal é um bioma de difícil acesso e algumas regiões como Nabileque e Nhecolândia é mais difícil de realizar o combate. Dependendo dos horários os ventos têm maior velocidade e dependendo da região também. Nem toda região tem esse vento que tem aqui no Nabileque, que é mais plano, o vento dificulta muito o trabalho”, afirmou o sargento Ronaldo Cadário.

Tecnologia

Leia  Adolescente indígena de 16 anos é encontrado morto no bairro Nova Esperança, em Bela Vista

O uso da tecnologia contribui para as ações de monitoramento e preservação do Pantanal e dos outros biomas presentes em Mato Grosso do Sul – Cerrado e Mata Atlântica -, no trabalho desenvolvido pelo Corpo de Bombeiros do Estado no combate aos incêndios florestais.

Com drones, equipamentos de proteção individual específicos para garantir segurança (roupas e botinas resistentes as chamas), monitoramento via satélite com uso de plataformas da Nasa – agência do governo dos Estados Unidos –, Polícia Federal, Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), além de tecnologia de navegação, dados e inteligência artificial, a atuação dos bombeiros é cada vez mais específica e qualificada para evitar e mitigar os danos causados pelos incêndios florestais.

Em funcionamento há mais de 21 anos, o CPA funciona 24 horas por dia – todos os dias da semana – com trabalho de monitoramento e análise diária de dados que servem como base das atividades dos bombeiros no combate a incêndios florestais no Estado.

“Temos convênio com a Nasa, Polícia Federal e Imasul, que é um diferencial do monitoramento realizado. Tudo com dados alimentados instantaneamente, o que contribui para avaliação das estratégias de atuação e combate”, explicou o tenente Alexandre de Oliveira, especialista em engenharia ambiental do CPA.

Alerta

Desde o dia 17 de julho, o Corpo de Bombeiros Militar de MS está em alerta para atuar em caso de incêndios florestais no Pantanal, e também no Cerrado e Mata Atlântica, biomas presentes no Estado.

Com o alerta, publicado pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), foram suspensas as autorizações ambientais de “queima controlada”, até 31 de dezembro deste ano.

Leia  Adolescente indígena de 16 anos é encontrado morto no bairro Nova Esperança, em Bela Vista

Na prática, o período é de cautela e monitoramento constante. O que possibilita a pronta atuação das equipes a postos em diferentes regiões do Estado, nas ocorrências como os três atendimentos atuais de combate a incêndios.

Atenção imprensa: vídeos e sonoras estão disponíveis aqui

Natalia Yahn, Comunicação Governo de MS
Fotos: Álvaro Rezende