Destaques
“Arquivo vivo”, advogada executada na fronteira ameaçava autoridades

“Arquivo vivo”, advogada executada na fronteira ameaçava autoridades

Em áudio divulgado por jornal paraguaio, Laura Casuso afirmou que Minotauro comanda crime na fronteira de um tablet e que chefe da Polícia Nacional está na folha de pagamento do tráfico.

Defensora dos narcotraficantes brasileiros Jarvis Gimenes Pavão e Fernando Marcelo Pinheiro Veiga, a advogada Laura Marcela Casuso, 54, vivia em guerra com autoridades paraguaias. Na noite de segunda-feira (14), Laura foi alvejada com dez tiros de pistola 9 milímetros por pistoleiros, em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia vizinha de Ponta Porã (MS), a 323 km de Campo Grande. Ela morreu horas depois.

Em 2016, quando o governo paraguaio defendeu a extradição de Pavão para o Brasil, Laura ameaçou revelar negócios sujos envolvendo o então presidente do país vizinho, Horacio Cartes. No ano passado, acusou o governo de mentir sobre supostos planos de resgate e fez novas ameaças.

Nos últimos meses, Laura tinha intensificado as acusações às autoridades paraguaias e revelado, em conversas com pessoas ainda mantidas em sigilo, nomes de membros do governo e da polícia que receberiam dinheiro para proteger o crime organizado.

Propina do chefe – Nesta quarta-feira (14), o jornal ABC Color, o mais influente do Paraguai, divulgou um áudio enviado por Laura Casuso via WhatsApp a uma pessoa não identificada em que ela faz novas denúncias de corrupção entre policiais paraguaios.

Um dos alvos das denúncias é o comissário Abel Cañete, diretor geral de investigações da Polícia Nacional do Paraguai. Na conversa, possivelmente com alguma autoridade do país vizinho, ela afirma que um homem chamado Epifânio Barreto é quem leva dinheiro do crime organizado para Abel Cañete.

“Vocês estão podres até a cabeça. Epi [Epifânio] é quem traz dinheiro para o grupo de Abel e companhia, então eles são todos loucos. Você não pode fazer nada trabalhando assim”, afirmou Laura no áudio revelado pelo ABC. Epifânio seria o contato de Minotauro com o comissário.

Minotauro – A advogada diz na conversa que sua fonte é uma ex-amante do narcotraficante Jorge Rafaat Toumani, morto a tiros de metralhadora calibre 50 em Pedro Juan Caballero, em junho de 2016. E afirma que o brasileiro Sérgio de Arruda Quintiliano Neto, o Minotauro, é o novo capo da fronteira.

“A ex-mulher, amante eterna de Jorge, de Rafaat, esteve comigo no Brasil. Ela me disse, ela me assegurou, ela disse: ‘Eu não sei para onde o Minotauro foi, mas de um tablet, o Minotauro está controlando todos, toda a cidade”, afirmou Laura.

A advogada diz ao interlocutor que a ex de Rafaat agora é amante de Minotauro: “Ela está com ele. A tipa é muito habilidosa e ninguém fica atrás da tipa”.

Na tarde desta quarta-feira, Abel Cañete disse que existem muitos “Abels” na Polícia Nacional. Ele negou envolvimento com o narcotráfico e disse que há 30 anos mora na mesma casa.