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Bela Vista-MS Quinta-Feira, 12 de Março de 2026

Sancionada em setembro do ano passado, a minirreforma eleitoral traz diversas alterações que devem mudar a forma de fazer campanha no país. A nova lei valerá pela primeira vez nas eleições municipais de outubro deste ano e dois aspectos específicos testarão a capacidade dos governantes de se reinventar: a proibição da doação eleitoral por parte de empresas e o tempo de campanha, que foi reduzido pela metade.

O especialista em comunicação e marketing político digital Marcelo Vitorino afirma que o pleito este ano será atípico, pois não pode ser baseado no passado nem servir de parâmetro para o futuro. Pelas novas regras eleitorais, os concorrentes terão menos tempo para mostrar quem são, especialmente, nos meios de comunicação de massa. A corrida eleitoral só poderá começar 45 dias antes do dia da votação. Antes eram 90 dias. “Será um grande teste e, provavelmente, as regras serão alteradas de novo depois dele. Os partidos terão de que reaprender a fazer campanha e se dará bem quem apostar no princípio básico da política, que é a militância”, comentou.

Na opinião do pesquisador, uma boa campanha neste ano tem de apostar em alguns caminhos básicos: mobilização nas ruas, militância virtual, investimento em campanha ideológica e apresentação de um bom conteúdo. Ao falar sobre a militância virtual, Vitorino destaca que não se trata de redes sociais, mas de um bom uso dos recursos da internet, como e-mails e comunicadores instantâneos. “As manifestações de 2013 criaram uma falsa ideia de que a internet serve para mobilizar as massas, mas as pessoas na internet não defendem pessoas, elas defendem causas, e isso tem de ser levado em consideração.”

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A nova legislação também diminuiu o tempo para trabalhar a imagem dos candidatos: o período de propaganda na televisão passou de 45 para 35 dias. De acordo com Vitorino, antes, você investia na figura do postulante e convencia a população por meio da repetição nos meios de comunicação. “Hoje, não há mais tempo para se investir nessa linha de campanha, por isso é necessário apresentar um conteúdo para o eleitor, por meio de um bom site. E o bom conteúdo é segmentado. Isso é uma vantagem que a internet traz. Eu posso falar coisas diferentes para segmentos diferenciados”, comenta. O professor ressalta que um bom site de campanha tem de responder três perguntas essenciais sobre o candidato: quem é ele, o que ele pretende e o que ele pensa. “O Brasil tem uma cultura de que o político não pode dizer o que pensa. Não dá mais para ser assim. O conteúdo tem que aparecer.”

Apesar de parecer uma boa ideia, Marcelo Vitorino afirma que o retorno político das redes sociais em uma campanha é mínimo e o investimento é desnecessário. Além disso, no Brasil, há uma limitação legal que inviabiliza o uso de redes sociais durante a campanha, que é a proibição de investimento publicitário no período eleitoral. “Esse só não é o pior momento para se fazer campanha eleitoral pelas redes sociais porque em 2008 era proibido. Como a legislação eleitoral proíbe o post patrocinado, o uso da rede não alcança nem 5% dos seus seguidores”, comenta.