Prorrogação da Operação Dourados, solicitada pelo governador Reinaldo Azambuja, foi publicada no Diário Oficial da União do dia 30
O pedido do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) para a permanência do Exército na região de Antonio João, a 279 km de Campo Grande, na fronteira do Brasil com o Paraguai, onde índios e produtores rurais estão em conflito pela posse de terras, foi atendido pela presidente Dilma Rousseff. Entretanto, os militares devem permanecer na região apenas por mais 11 dias.
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O decreto da presidência da República, publicado no Diário Oficial da União do dia 30 de outubro, prorroga a Operação Dourados até o dia 15 de novembro de 2015. Após essa data, se não houver outra prorrogação, os militares deverão voltar para os quarteis.
A manutenção da tropa na área de conflito por apenas mais 11 dias foi confirmada pela 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada de Dourados, que comanda a operação.
O Exército está na região de Antonio João desde o início de setembro, após o confronto entre índios e fazendeiros que terminou com a morte do guarani-kaiowá Semião Fernandes Vilhalva, 24.
No dia 28 de outubro, Reinaldo disse que a permanência dos militares na região ajuda a garantir a lei e a ordem. “Em função da reintegração de posse afastada, voltou a criar uma instabilidade no local. Então nesse momento é melhor manter o Exército lá para evitar um problema maior”, afirmou.
Os 550 índios que ocupam três das sete fazendas que formam o território Ñanderu Marangatu, de 9.300 hectares, deveriam ter sido despejados no dia 21 de outubro, mas a vice-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministra Carmen Lúcia, suspendeu a reintegração de posse.
O Exército mantém pelo menos 800 homens nos municípios de Antônio João, Aral Moreira, Bela Vista e Ponta Porã, com poder de efetuar prisões em flagrante, patrulhamentos e vistorias “com a missão de preservar a ordem pública diante à situação de conflito entre indígenas e proprietários rurais da região”.
Além de estradas que cortam a região, os militares estão no interior das áreas ocupadas. Uma equipe, usando dois veículos de combate, permanece na porteira da sede da Fazenda Fronteira, uma das propriedades ocupadas e onde mora o dono da terra, o ex-prefeito de Antonio João, Dácio Queiroz Silva. Semião tombou a menos de 500 metros desse local.
