Com mais de sete milhões de seguidores no Instagran e responsável por lives que atraem mais de um milhão de católicos para rezarem o terço a partir das 4 da madrugada (3 horas de MS), o Frei Gilson provocou polêmica na Câmara de Vereadores de Campo Grande nesta terça-feria (11).
A audiência do sacerdote católico disparou desde o início da quaresma e por conta disso acabou envolvido em polêmica nacional entre bolsonaristas e lulistas.
A confusão começou depois que o vereador bolsonarista Rafael Tavares (PL) apresentou, em nome da bancada, um pedido para que a Câmara aprovasse uma moção de apoio ao religioso.
Porém, antes da votação, vários vereadores quiseram se maniestar. O petista Landmark, por exemplo, afirmou ser contra porque o frei estaria sendo investigado pela Polícia Federal por ser golpista e porque o frei fez orações para que o Brasil fosse libertado do comunismo. Declarações, segundo o petista, que são absurdas.
Em resposta, o vereador André Salineiro negou que a Polícia Federal esteja investigando o frei e classificou os críticos do frei como “diabinhos vestidos de gente. Isso mesmo, uns diabinhos vestidos de gente. Um bando de alma perdida que vem criticar o cara que tá rezando, orando”.
E as críticas não pararam por aí. “Só podem ter cocô de galinha na cabeça. Isso aqui não deveria nem ser motivo de discussão, é uma moção de apoio em prol de uma pessoa que está fazendo o bem”, afirmou o bolsonarista Salineiro, dando a entender que a indicação de seu partido estava livre de qualquer significado político e ideológico.
Na sequência vereadora Luiza Ribeiro e o vereador Jean Ferreira ambos do PT, enfatizaram que os esquerdistas não são contra as orações ou vigílias do frei, mas contra as declarações, segundo eles, machistas e preconceituosas.
A vereadora reclamou principalmente do tom agressivo de Salineiro e lembrou que, já que os seguidores da direita são tão adeptos da religiosidade, qual a explicação para estarem defendendo a morte do Papa Francisco, por exemplo.
“A direita deveria pensar muito bem antes de vir a esse plenário. O Frei Gilson precisa ser repreendido e não elogiado. Ele criticou o fato de as mulheres quererem cada vez mais. O senhor sabe o que nós queremos cada vez mais? Que esse plenário não tenha 94% de homens e 6% de mulhres. Nós queremos mais respeito. Nós queremos acabar com o feminicídio. E vocês virem aqui elogiar uma fala equivocada do frei? E tem mais, é a mesma bancada da direita que pede a morte do Papa”, esbravejou a petista.
Ela exigiu que Salineiro se retratasse e chegou a receber o apoio do presidente da Câmara, o vereador Papy. Porém, a retratação não ocorreu.
Segundo os petistas, justamente no Dia Internacional da Mulher viralizou uma fala na qual o líder religioso dizia que a fraqueza feminina era “sempre querer mais”.
“Essa é a fraqueza da mulher. Ela sempre querer mais. ‘Eu não me contento só em ter as qualidades de uma mulher. Eu quero mais’. E isso é a ideologia dos mundos atuais. Vou até usar a palavra que vocês já escutaram muito: empoderamento. ‘Eu quero mais’. É claro ver que Deus deu ao homem a liderança”, afirmou o frei pertence à Ordem Carmelita Mensageiras do Espírito Santo.
Nesta segunda-feira, Frei Gilson recebeu o apoio público do deputado Nikolas Ferreira e do ex-presidente Jair Bolsonaro, que publicou sua foto nas redes sociais e disse que ele “cada vez mais se apresenta como um fenômeno em oração, juntando milhões pela palavra do Criador”.
E é por conta disso que foi apresentada a moção de apoio e, automaticamente, vieram os repúdios. Ao final das discussões, a moção de apoio foi aprovada por 21 votos favoráveis e cinco contrários.
Além dos três petistas, votaram contra o vereador Carlão (PSB) e o tucano Flávio Cabo Almi, filho do falecido Cabo Almi, um dos petistas históricos de Campo Grande.
Fonte: correiodoestado