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Bela Vista-MS Sábado, 05 de Abril de 2025

“Enquanto tiver agressor andando tranquilamente pelas ruas, mulher nenhuma está segura em Mato Grosso do Sul.”

A declaração do deputado estadual Paulo Corrêa (PSDB), 1º secretário da Assembleia Legislativa, reflete a revolta diante de mais um caso de violência contra a mulher. No último dia 3 de março, sua sobrinha foi brutalmente agredida pelo companheiro enquanto amamentava a filha do casal, uma bebê de apenas 8 meses.

O agressor foi preso em flagrante, teve a prisão mantida em audiência de custódia, mas, no dia 11 de março, foi colocado em liberdade por determinação do desembargador Fernando Paes de Campos. A decisão gerou indignação.

“A justiça não protege, expõe”

Para Paulo Corrêa, a liberação do agressor expõe sua sobrinha e outras vítimas à insegurança constante.

“Homem que bate em mulher é a escória da sociedade e tem que ser enjaulado. A polícia fez o seu trabalho, o juiz manteve a prisão, mas um desembargador achou por bem soltar esse covarde. Minha sobrinha está com medo de ser a próxima vítima de feminicídio. Como podemos protegê-la, se a justiça não protege, expõe?”, questionou.

O parlamentar criticou ainda a decisão de conceder ao agressor o direito de visitar a filha, mesmo sem nunca ter pago pensão para a bebê.

“Além de tudo, ele ainda tem direito de visitar a filha. Como isso vai funcionar? Como minha sobrinha pode confiar que ela e a bebê estão seguras? Essa decisão é absurda e insensível”, desabafou. “Enquanto minha sobrinha está presa em casa, esse canalha que a agrediu está solto”.

Paulo Corrêa cobra providências do Tribunal de Justiça

O deputado afirmou que vai buscar reverter a decisão com o apoio de seus colegas parlamentares e pretende levar o caso ao presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, desembargador Dorival Renato Pavan.

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“Há menos de um mês tivemos uma reunião com todos os poderes aqui na Assembleia para discutir ações concretas de proteção à mulher. Mas, na prática, o que mudou? Mulheres continuam sendo vítimas de violência todos os dias. Até quando vamos normalizar isso?”, cobrou.

Erro grave no atendimento à vítima

Paulo Corrêa também denunciou um erro no atendimento prestado na Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM). Segundo ele, a delegada responsável pelo caso acabou identificando erroneamente o irmão da vítima como o agressor e acabou o indiciando pelo crime de lesão corporal dolosa.

“Olha o tipo de atendimento que estamos oferecendo às vítimas. Um erro crasso que pode trazer prejuízos incalculáveis ao meu sobrinho, que só foi à delegacia para acolher a irmã. Isso é inadmissível”, criticou.

O parlamentar reforçou que seguirá cobrando medidas efetivas para garantir segurança às vítimas e impedir que novos casos de violência contra a mulher terminem em tragédias.