Com objetivo de prestigiar e valorizar a segurança pública, o governador Eduardo Riedel participou nesta terça-feira (27) da aula inaugural do curso de formação policial da PCMS (Polícia Civil de Mato Grosso do Sul). A solenidade ocorreu no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, em Campo Grande.
A aula é voltada aos 472 aprovados no último concurso público realizado pela instituição. São 135 candidatos para o cargo de escrivão de polícia judiciária e outros 337 para o cargo de investigador de polícia judiciária. O evento marcou o início da formação, com apresentação das normas, rotinas acadêmicas e do fortalecimento da Polícia Civil.
“São 472 alunos de 26 mil inscritos no concurso. Grupo que carrega uma responsabilidade muito grande e tem o propósito de servir e proteger o cidadão sul-mato-grossense. Para quem veio de fora façam daqui a sua casa”, afirmou o governador.
Governador Eduardo Riedel discursa durante aula inaugural
Riedel ressaltou que Mato Grosso do Sul é um estado jovem em pleno crescimento, muito fruto do seu ambiente de segurança. “Posso afirmar que uma das primeiras questões que o investidor avalia quando vai investir em um lugar são seus indicadores de segurança. Nosso papel é criar um ambiente seguro, de ordem e paz e estes novos policiais serão protagonistas deste processo”, completou.
O delegado-geral da Polícia Civil,Lupérsio Degerone Lúcio, definiu o evento como uma data histórica para instituição. “Gratidão ao governador pela sensibilidade e comprometimento com a segurança pública, que recebeu investimentos em tecnologia, estrutura e capacitação. Os novos alunos vão ingressar na melhor Polícia Civil do Brasil”.
Também fez questão de dar boas-vindas aos aprovados. “Parabéns pela aprovação em um concurso tão concorrido. Vão entrar como cidadãos comuns e sair como policiais aptos e capacitados, com a missão de servir. Se dediquem ao máximo, com garra, determinação e comprometimento. Irão participar de um novo momento, onde a Polícia Civil passa por uma transformação digital e tecnológica, sendo a que tem os maiores índices de elucidação de crimes do país”.
Formação
O curso de formação possui carga horária prevista de 680 horas-aula, dispondo de aulas teóricas e práticas, bem como as avaliações correspondentes em cada disciplina. A previsão de término é para 15 de maio. A publicação da classificação final do certame está prevista para 25 do mesmo mês. Depois os aprovados começaram a tomar posse.
Esta é a última fase do concurso, na qual os candidatos recebem treinamento para as funções que serão desempenhadas e também possui caráter eliminatório e classificatório. As aulas podem ocorrer em diferentes turnos, até mesmo à noite e aos sábados e domingos, e incluem disciplinas teóricas e práticas.
Segundo a Polícia Civil, os candidatos recebem ajuda de custo para transporte e alimentação e demais despesas necessárias durante a formação. A remuneração inicial para ambos os cargos é de R$ 6.569,53, para jornada de 40 horas semanais, com possibilidade de trabalho em escalas, inclusive em finais de semana e feriados.
“Hoje não apenas ingressaram na carreira, mas se tornam parte de uma história viva, escrita por homens e mulheres que com coragem e determinação dedicaram as suas vidas à defesa da sociedade. Ingressar na Polícia Civil é assumir um compromisso que transcende o ato de ocupar um cargo público, ela é mais que uma instituição e sim um legado, que é sinônimo de proteção e justiça. Meu conselho é que cuidem das suas carreiras e sejam proativos”, afirmou o secretário adjunto de Justiça e Segurança Pública, Ary Carlos Barbosa.
Leonardo Rocha, Comunicação do Governo de MS Fotos: Saul Schramm
A Sead (Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos) publicou nesta segunda-feira (26) um edital de fomento de R$ 6,45 milhões para seleção de OSCs (Organizações da Sociedade Civil).
Poderão participar do chamamento público as OSCs não convocadas para a celebração de parceria no Chamamento Público Sead nº 01/2025 (publicado no DOE nº 11.826, de 13/05/2025) e as que, embora convocadas, não efetivaram a celebração da parceria em razão de desclassificação naquele processo seletivo.
Assinado pelo secretário em exercício Ben-Hur Ferreira, o edital deste ano é dividido em três campos: Fundo Estadual para a Infância e Adolescência – Feinad (R$ 3,6 milhões), DIreitos Humanos (R$ 1,02 milhão) e Assistência Social (R$ 1,83 milhão). O valor mínimo por proposta é de R$ 100 mil.
O período para apresentação das propostas vai de 9 de fevereiro a 10 de março e o processo é totalmente on-line pelo Siafic (www.siafic.ms.gov.br), sendo que as OSCs devem estar cadastradas no sistema.
Mato Grosso do Sul dará mais um passo adiante em sua logística aeroviária com a abertura de nova rota direta entre Campo Grande e a capital mineira Belo Horizonte, através do aeroporto de Confins. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (23) pela Azul Linhas Aéreas, empresa que vai operar a linha que amplia a conectividade sul-mato-grossense com um dos principais centros econômicos do Brasil.
A nova ligação reforça a malha aérea sul-mato-grossense, que hoje já conta com voos diretos para a capital paulista São Paulo, para Guarulhos (localizada na Grande São Paulo) e Campinas (interior de SP), além de Brasília (DF) – conexões fundamentais para o turismo e para fortalecer ainda mais o ambiente de negócios, atração de investimentos e integração aos principais centros produtivos e de negócios.
Principal aeroporto de Minas Gerais e tido como um ‘hub’ do setor, Confins fica no município de mesmo nome, na grande Belo Horizonte. A criação da rota vem em momento de expansão do Aeroporto Internacional de Campo Grande, que opera sob concessão para a empresa Aena, e também três dias após a Azul anunciar uma linha internacional entre Confins e Montevidéu, capital do Uruguai, a partir de março.
A operação da linha entre Mato Grosso do Sul e Minas Gerais começa já em 2026, no dia 1º de abril, com vendas já disponíveis a partir desta sexta-feira (23) nos canais oficiais da companhia. Segundo a Azul, os voos serão operados diariamente, em ambos os sentidos, com aeronaves Embraer 195-E2, com capacidade para até 136 passageiros, e Airbus A320, que comportam até 174 passageiros.
“Estamos muito felizes com esse voo conectando a capital mineira ao nosso Estado. Foi um trabalho de anos da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul, por meio do Programa Decola MS, em parceria com a Azul, para recuperar essa operação que existia durante a pandemia e havia sido suspensa”, destacou o diretor-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul, Bruno Wendling.
Aplicando já o fuso horário de cada local (-4 em MS e -3 em MG), o horário previsto pela Azul de partida do voo em Confins será 8h15, com chegada à capital sul-mato-grossense às 9h25. No sentido inverso, o voo parte de Campo Grande às 10h05, com pouso em solo mineiro previsto para 13h15.
“O lançamento do voo direto entre Confins e Campo Grande reforça o compromisso da Azul com a ampliação da conectividade aérea no país e contribui para o desenvolvimento regional por meio da aviação. A nova operação facilita o acesso de Mato Grosso do Sul a um de nossos principais hubs, o aeroporto de Confins, ampliando as possibilidades de conexão para diversos destinos no Brasil e no exterior”, afirma a gerente sênior de Planejamento de Malha da Azul, Beatriz Barbi.
Logística aérea de MS em crescimento
A ampliação da malha aérea comercial de Mato Grosso do Sul está inserida em uma estratégia estruturada de fortalecimento da logística estadual, que vem posicionando o Estado como um dos mais promissores do país em infraestrutura de transporte. O avanço é impulsionado por investimentos públicos voltados à modernização e expansão da rede, com reflexos diretos no turismo, no ambiente de negócios e na integração regional.
Desde 2023, o Plano Aeroviário Estadual orienta as ações do Governo do Estado, com investimento estimado de R$ 250 milhões até 2026 em obras de construção, restauração e ampliação de aeroportos e aeródromos estratégicos. Mais de R$ 100 milhões já foram aplicados em obras concluídas, fortalecendo a conectividade entre municípios e ampliando o acesso aos mercados nacionais e internacionais.
Entre os principais projetos em execução está a ampliação da pista do Aeroporto Internacional de Campo Grande, com acréscimo de 500 metros, além da implantação de novos sistemas de segurança e navegação aérea, como PAPI e estação meteorológica, elevando a capacidade operacional do terminal.
Já no Pantanal, será implantada uma pista no Porto São Pedro, inicialmente voltada ao combate a incêndios florestais, com potencial de uso futuro para turismo e logística regional. No interior, o plano contempla a construção de nova pista asfaltada em Nova Alvorada do Sul, a pavimentação de uma pista de 1.500 metros em Aquidauana, a implantação do Aeroporto de Inocência, a restauração de aeródromos em Paranaíba, Camapuã e Cassilândia, além da ampliação do aeródromo de Naviraí.
Outro investimento estratégico é o Aeroporto Regional de Dourados – Francisco de Matos Pereira, que receberá um novo terminal de passageiros e cargas, com investimento estimado em R$ 39 milhões, já aprovado pela Secretaria de Aviação Civil e com licitação prevista para o primeiro semestre de 2025.
O planejamento prevê ainda novas licitações para os aeródromos de Água Clara e Maracaju, estudos para implantação em Mundo Novo e Amambai, além da ampliação do aeródromo de Nova Andradina e do aeroporto de Três Lagoas. O conjunto de investimentos consolida a infraestrutura aérea como eixo estratégico para o desenvolvimento econômico, a integração regional e a ampliação da competitividade logística do Estado.
Comunicação Governo de MS Foto: Azul Linhas Aéreas
O prefeito de Ladário, Munir Sadeq Ramunieh (PSDB), fez uma série de restrições sobre o uso do celular durante o expediente aos servidores públicos, como uso de redes sociais e captação de áudio, vídeo ou imagens. Quem desrespeitar a portaria poderá ser advertido ou alvo de PAD (processo administrativo disciplinar).
A medida consta no Diário Oficial da Assomasul (Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul), desta terça-feira (20), e passa a valer a partir de hoje.
A Portaria nº 049/PML/2026 regulamenta o uso dos telefones celulares durante o expediente com “caráter educativo e organizacional” para servidores públicos, estagiários, colaboradores e prestadores de serviço que atuem nas dependências da administração municipal. A medida vale para todos, independente do cargo, função ou setor.
A publicação veda o uso do aparelho para gravação de vídeos ou áudios; captação de imagens (fotos); transmissões ao vivo; postagens, comentários ou interações em redes sociais; e no caso de “ligações pessoais prolongadas ou repetitivas”.
O servidor público ainda fica proibido de usar o celular nos casos de atendimento direto ao público; reuniões internas ou externas e em atividades técnicas, operacionais ou administrativas que exijam atenção contínua e concentração.
A orientação é que, durante o expediente, os aparelhos fiquem no modo silencioso ou vibratório.
O uso do celular para fins funcionais deverá ocorrer somente quando for estritamente necessário à função. No caso de fins pessoais, o uso deve ser breve e pontual, como para emergências familiares; demandas urgentes de saúde; e comunicações breves e indispensáveis.
Mesmo nestas situações excepcionais, está proibida a gravação de vídeos, áudios, imagens ou a realização de postagens em redes sociais durante o expediente.
Ao projetar 2026, o novo presidente do diretório municipal do PSDB em Campo Grande, Jonas de Paula, não deixa margem para dúvidas e destaca que a prioridade eleitoral tucana é a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP) e a eleição do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) para o Senado. Em tom bem-humorado, mas com recado político claro, ele definiu a ida de Riedel ao PP como um movimento estratégico:
“O governador Riedel foi eleito pelo PSDB. A gente brinca que fizemos um empréstimo para o PP, para ele dar um up lá. Mas a prioridade do PSDB é a reeleição do governador Eduardo Riedel e a eleição do ex-governador Reinaldo Azambuja para o Senado, nossa prioridade zero”, confirma.
A declaração foi dada nesta quinta-feira (22), no Giro Estadual de Notícias, em um momento em que o partido discute federação, alianças e o papel que terá nas eleições gerais.
MS como reduto tucano em meio ao declínio nacional – O plano eleitoral tucano em Mato Grosso do Sul se apoia no fato de o Estado ter virado uma espécie de “ilha” de força partidária em meio ao encolhimento nacional. Enquanto o PSDB perdeu espaço em grandes centros e registrou sua menor bancada federal em 2022, em MS o partido conquistou o governo pela terceira vez consecutiva.
Azambuja venceu em 2014 e foi reeleito em 2018, e, em 2022, Eduardo Riedel foi eleito governador com 56,9% dos votos válidos no segundo turno. Na mesma eleição, o PSDB elegeu seis deputados estaduais, formando a maior bancada na Assembleia Legislativa.
É esse capital político que Jonas e o vice-presidente do diretório municipal, Almir Cantero, querem transformar em votos e cadeiras em 2026. O novo presidente da sigla em Campo Grande foi direto ao listar as prioridades.
“A prioridade do PSDB é a reeleição do governador Eduardo Riedel. A segunda prioridade é eleger o ex-governador Reinaldo Azambuja para o Senado, nosso primeiro senador.”
Ele reforçou que, mesmo com o governador hoje filiado ao PP, a origem tucana de Riedel e a continuidade de um projeto de gestão são centrais para o discurso. “Não posso olhar para trás e deixar de atribuir ao ex-governador Reinaldo a capacidade de diálogo e de gestão que ele imprimiu, culminando com a eleição do então secretário de Governo, Eduardo Riedel, para sucedê-lo. Em 45 anos de Estado, foi a primeira vez que um governador elegeu seu sucessor”, diz.
Câmara Federal e Assembleia: quem fica e quem vem – No plano proporcional, o PSDB prepara chapa para a Câmara dos Deputados com a aposta na reeleição de nomes já conhecidos:
“Nossa chapa de federal está consistente com o deputado Beto Pereira, o deputado Dagoberto Nogueira, o deputado Geraldo Rezende. Vamos trabalhar para que esses três cheguem novamente à Câmara, porque isso é importante para o Estado”, opina.
Jonas cita ainda outros quadros “sem mandato”, além de prefeitos e ex-prefeitos, que devem compor a chapa. Em relação à Assembleia Legislativa, ele antecipa um cenário de mudanças internas:
“Informações preliminares indicam que, dos seis deputados, quatro devem se desfiliar. Devem permanecer o deputado Caravina e a deputada Lia Nogueira. Mas temos grandes quadros, como os quatro vereadores de Campo Grande, que são pré-candidatos, ainda avaliando se vão disputar estadual ou federal”, informa.
O raciocínio, segundo o dirigente, é aproveitar o fim de um ciclo de 12 anos consecutivos de presença tucana no comando do Executivo estadual, previsto para o fim de 2026, como vitrine para renovar lideranças.
Apesar de enumerar nomes e prioridades, Jonas insiste que o “coração” da estratégia não está apenas em candidaturas, mas na base. “Vamos preparar a militância, debater a última década, ou mesmo as últimas duas, para que o partido esteja pronto. Um partido que não cresce, que não cria torcida e militância, e que não disputa campeonatos, está fadado a desaparecer.”
Ele adianta que ações já estão planejadas para fevereiro e março, antes da abertura oficial do calendário eleitoral, justamente para organizar o PSDB de baixo para cima: “Teremos pouco tempo para essa organização, mas vamos fazê-la junto com os filiados. A partir de abril, com o calendário eleitoral aberto, o foco já será quase campanha”, explica.
Almir completa que o planejamento vai além de 2026. “O PSDB está aqui para servir a população. E essa reconstrução que o Jonas comanda em nível municipal não olha apenas para 2026. Já estamos preparando o partido para 2028 e 2030. Estamos olhando para o futuro”, aponta.
No diagnóstico da cúpula tucana, a viabilidade do projeto eleitoral passa por um reposicionamento ideológico que dialogue com o eleitor cansado da disputa PT x bolsonarismo. Jonas e Almir enxergam o PSDB como alternativa de centro, com base social-democrata.
“As pessoas querem fugir dessa polarização entre bolsonarismo e lulopetismo. O PSDB ressurge como grande esperança”, afirma Almir. Ele critica a lógica de personalismo e a falta de projetos concretos no debate nacional: “Hoje temos pré-candidatos de ‘tiktok’, que passam o dia nas redes sociais, atacando pessoas, mas sem apresentar propostas. O que o povo quer são projetos que melhorem a vida de verdade”, salienta.
Para Almir, a social-democracia tucana, que sempre defendeu Estado regulador, economia de mercado com responsabilidade social e fortalecimento de políticas públicas, continua atual. “A social-democracia nos dá a possibilidade de gerenciar e fiscalizar a iniciativa privada, com parcerias público-privadas que nasceram em governos tucanos e foram muito bem aplicadas aqui no Estado. O povo quer dignidade, trabalho, salário, não apenas depender de programas de transferência de renda”, diz.
Gestão, obras e municipalismo como vitrine – Uma frente importante no discurso tucano para 2026 será a gestão estadual dos últimos 12 anos, especialmente na área de municipalismo e infraestrutura. Jonas cita o programa que amplia repasses e investimentos em parceria com as prefeituras e a aposta em obras estruturantes.
Nova direção municipal comandada por Jonas de Paula e Almir Cantero quer resgatar a base histórica tucana e reconectar o partido com a sociedade
O novo presidente do diretório municipal do PSDB em Campo Grande, o locutor e suplente de vereador Jonas de Paula, assumiu oficialmente a direção tucana na Capital neste mês. Em entrevista ao Giro Estadual de Notícias desta quinta-feira (22), ao lado do vice-presidente, o histórico militante e fundador do partido em Mato Grosso do Sul, Almir Cantero, ele definiu o momento como “uma reacomodação” e avisou que o foco será recolocar a militância no centro do projeto político.
“O momento político do PSDB é um momento de reacomodação, de aglutinação. Vamos trabalhar muito a militância e os filiados, resgatando a importância que cada um deles teve nas conquistas do PSDB”, afirmou Jonas de Paula, destacando que a prioridade é “reavivar” a base para os próximos pleitos.
A mudança ocorre após um ciclo de transformações no cenário estadual, com a ida do ex-governador Reinaldo Azambuja para o PL e do governador Eduardo Riedel para o PP, em meio à formação de um amplo arco de alianças em torno de um projeto de centro. Mesmo com a migração de lideranças, Jonas insiste em uma imagem forte para explicar o peso tucano na política local. “O PSDB continua sendo o pai de todos, porque a maioria dos quadros que reforçaram outros partidos saiu do PSDB”, resumiu.
Militância no centro da estratégia – Se há uma palavra repetida pela nova direção é “militância”. Jonas e Almir defendem que o partido precisa reconstruir seu vínculo de base, com filiados, movimentos internos e participação orgânica, especialmente em Campo Grande.
“Não adianta ter torcida e não jogar, e não adianta jogar sem torcida”, disse Jonas. “Um partido que não cresce, que não cria militância, que não disputa campeonatos, está fadado a desaparecer”, diz.
Almir, que ajudou a fundar o PSDB em 1988, relembrou a força militante do passado e a responsabilidade de resgatar esse espírito: “Nós fizemos em 1993 a maior convenção municipal da história do Estado, talvez do Centro-Oeste, com 1.500 convencionais votando. Esse sentimento precisa ser resgatado. O PSDB tem uma história que não se acaba, é uma história que se renova”, destacou.
Segundo ele, a reorganização passa por atrair novos quadros, juventude, mulheres, diversidade e movimentos sociais, mantendo viva a identidade social-democrata. “O PSDB terá uma reoxigenação da militância, com novos quadros, novas lideranças, atraindo juventude, diversidade e mulheres para militar conosco”, projetou o vice-presidente.
Fundado em 1988, o PSDB nasceu como expressão da social-democracia no Brasil, a partir de uma dissidência do PMDB liderada por nomes como Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas e André Franco Montoro. O partido governou o país de 1995 a 2002, com FHC, período marcado pelo Plano Real, estabilização econômica e criação de programas sociais que mais tarde seriam unificados no Bolsa Família.
Nos anos 2000 e 2010, o PSDB foi o principal polo de oposição ao PT em nível nacional, estruturando uma polarização que dominou a política brasileira por cerca de duas décadas. A partir de 2016, porém, o partido entrou em declínio, perdeu espaço simbólico para o bolsonarismo e registrou em 2022 o pior desempenho de sua história em eleições gerais, inclusive perdendo o governo de São Paulo após 27 anos.
“Quando o PSDB foi fundado, em 1988, a população clamava por uma nova experiência. Hoje, a população quer escapar da polarização entre bolsonarismo e lulopetismo. O PSDB ressurge como grande esperança”, avaliou Almir.
Almir, que ajudou a fundar o PSDB em 1988, relembrou a força militante do passado e a responsabilidade de resgatar esse espírito – (Foto: Jamille Gomes)
A força tucana em Mato Grosso do Sul – Enquanto encolheu nacionalmente, o PSDB se consolidou como potência regional em Mato Grosso do Sul. Reinaldo Azambuja foi eleito governador em 2014 e reeleito em 2018, encerrando o segundo mandato com alta aprovação. Em 2022, o partido elegeu Eduardo Riedel governador com 56,90% dos votos válidos no segundo turno.
Além do Executivo, os tucanos conquistaram a maior bancada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), com seis deputados estaduais na atual legislatura, o que reforçou o peso do partido no tabuleiro local. Jonas cita esse histórico para defender que o “legado tucano” se traduz em políticas públicas concretas, especialmente o municipalismo:
“O programa de municipalismo não é falácia. Os municípios recebem do governo do Estado muito além do repasse obrigatório. Há uma construção conjunta para definir prioridades e levar obras para a ponta”, afirmou, citando investimentos em infraestrutura, universalização de água e esgoto por meio da Sanesul e o impacto de grandes projetos como a Rota da Celulose e a Rota Bioceânica.
Um ponto sensível da entrevista foi a relação do diretório municipal com a bancada tucana na Câmara de Campo Grande. Questionado sobre queixas de vereadores em relação ao antigo comando, Jonas buscou baixar a temperatura e afirmou que a nova gestão quer diálogo permanente.
“Os vereadores de Campo Grande que quiseram participar e estavam ligados ao diretório foram contemplados na instância estadual. Na Capital, optamos por uma comissão provisória com filiados históricos, como o Almir, para resgatar a base. Agora é hora de sentar cara a cara com cada vereador e mostrar que estamos em um momento de remodelação, não de fim de partido”, explicou.
Almir reforçou a visão de que o mandato parlamentar não pode ficar dissociado da sigla. “O vereador é extensão do partido. E o partido tem que participar do mandato e das decisões, porque qualquer posição tomada impacta o vereador e o PSDB. Nossa intenção é participar, dando opinião e ajudando nossos vereadores a exercerem bons mandatos”, disse.
Ele também enfatizou que os tucanos não têm intenção de abandonar a gestão municipal. “Não estamos abandonando a prefeitura de Campo Grande. Estamos tentando ajudar a tirar a cidade de um buraco que vem de anos, de gestões diferentes. O PSDB tem responsabilidade com a população campograndense.”
Terceira via e resgate da social-democracia – Diante da polarização nacional, Jonas e Almir enxergam espaço para um projeto de centro com identidade social-democrata. Almir critica a lógica de liderança “messiânica” e a política de redes baseada em pautas superficiais:
“Hoje há pré-candidatos ‘tiktok’ que vivem nas redes sociais, mas não apresentam projetos. Falam de pessoas, não de propostas. O que o povo quer são políticas para melhorar a vida”, explica. Ele lembra que a social-democracia, base do PSDB, sempre buscou equilibrar economia de mercado com proteção social e parcerias público-privadas:
“Essa parceria público-privada nasce da social-democracia. Foi um projeto dos governos tucanos e que foi muito bem aplicado aqui no Estado pelo ex-governador Reinaldo e continua agora com Eduardo Riedel.”
Ao comentar o cenário social, Almir citou o número de brasileiros dependentes de programas federais: “Temos cerca de 99 milhões de pessoas dependendo do governo federal. As pessoas perderam dignidade, perderam o trabalho. Não se trata só de dar comida, mas de devolver a condição de trabalhar, ganhar seu salário e escolher o que consumir”, opina. Na avaliação dele, essa agenda combina com as origens do PSDB, que ajudou a estruturar programas sociais depois incorporados e ampliados por outros governos.
Nova direção municipal comandada por Jonas de Paula e Almir Cantero quer resgatar a base histórica tucana e reconectar o partido com a sociedade – (Foto: Jamille Gomes)
O novo presidente fez um apelo direto à base tucana de Campo Grande e do interior: “Digo sempre que o PSDB é o pai de todos, porque distribuímos nossa força política. E esse militante que está se sentindo escondido, chateado porque alguém não o tratou bem, que não tomou um café na sala certa, precisa voltar. Procure o diretório local. Aqui em Campo Grande vamos fazer o mesmo.”
Segundo ele, já há ações previstas para fevereiro e março, antes da abertura do calendário eleitoral, justamente para reorganizar o partido a partir da base. “Teremos pouco tempo para essa organização, mas vamos fazer junto com os filiados. A militância tucana precisa ombrear esse novo momento do PSDB”, concluiu.