(67) 99634-2150 |
Bela Vista-MS Segunda-Feira, 16 de Março de 2026
Rota Bioceânica: projetos de tecnologia e inovação vão proporcionar melhor qualidade de vida

Rota Bioceânica: projetos de tecnologia e inovação vão proporcionar melhor qualidade de vida

O secretário-executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação da Semadesc, Ricardo Senna, conduziu, na terça-feira (19), segundo dia de realização do Seminário Internacional da Rota Bioceânica, o painel sobre Tecnologia e Inovação. A apresentação destacou o potencial do corredor logístico como vetor de desenvolvimento científico e tecnológico para o Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, além da melhoria da qualidade de vida das populações impactadas pela Rota.

“A Rota Bioceânica, mais do que um corredor logístico competitivo que vai facilitar e dinamizar o trânsito de mercadorias, é também um corredor de desenvolvimento para regiões distantes dos grandes centros, que carecem de novas possibilidades de crescimento e de geração de emprego e renda. Além de Mato Grosso do Sul, temos outros sete estados, no Paraguai, Argentina e Chile, que serão impactados de todas as formas pela Rota e temos aí um leque de oportunidades, em termos de tecnologia e inovação, que vão proporcionar às populações, comunidades e vilarejos ao longo desse corredor, melhorias expressivas em sua qualidade de vida”, comentou o secretário Ricardo Senna.

Garantir a conectividade e a integração digital em todos os pouco mais de 3 mil km da Rota é considerada vital para viabilizar as chamadas aduanas de cabeceira única e dar eficiência e segurança aos trâmites de cargas e agilizar a circulação de pessoas.

“O Plan Maestro do BID para Rota, que está em fase de elaboração, destaca essa necessidade e, nisso, temos aí uma gama de experiências, como a nossa Infovia Digital, que podem servir de inspiração para garantir essa conectividade ao longo da Rota. O modelo que almejamos é de um corredor integrado e ágil. Por exemplo: um caminhão vai sair com sua carga lacrada aqui de Campo Grande e essa carga será monitorada full time, por onde ele passar até chegar ao destino final, por meio de câmeras, leitura ótica de placa, de QR Code, ou outro dispositivo, sem a necessidade de o motorista parar muito tempo ou até mesmo descer de seu veículo. E isso só vai efetivamente acontecer com a utilização soluções tecnológicas e inovadoras, daí a oportunidade, não só para o setor privado, mas para as instituições de ciência e tecnologia do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile”, acrescentou o secretário-executivo da Semadesc.

Em sua apresentação, Senna também destacou o Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul, que desempenha um papel fundamental na consolidação do Programa de CT&I da Rota Bioceânica. A iniciativa busca incentivar parcerias entre universidades, centros de pesquisa e setores produtivos, promovendo soluções inovadoras para infraestrutura, transporte e comércio.

O painel também contou com a participação de Sonia Leis, vice-presidente da Zona Franca de Jujuy, representando o Ministerio de la Producción de Argentina e de Jaime Henriquez, Gerente de Sustentabilidad y Desarrollo Territorial da Ferrocarril Antofagasta Bolívia. Os especialistas debateram como a inovação pode impulsionar a competitividade regional e ampliar as oportunidades de negócios, pesquisa e intercâmbio tecnológico entre Brasil, Argentina, Paraguai e Chile.

Marcelo Armôa, Comunicação Semadesc
Fotos: Dionedson Terena/Semadesc

BID apresenta Plano Mestre com diretrizes aos governos regionais para viabilizar a Bioceânica

BID apresenta Plano Mestre com diretrizes aos governos regionais para viabilizar a Bioceânica

Facilitação do comércio e processos transfronteiriços; Infraestrutura física e digital voltada para cadeias de valor e Desenvolvimento produtivo local e comercial. Esses são os pilares do PM-CBC (Plano Mestre Regional para a Integração e Desenvolvimento do Corredor Bioceânico de Capricórnio), apresentado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) no final da tarde de terça-feira (19) no segundo dia do Seminário Internacional da Rota Bioceânica.

A apresentação foi conduzida por Morgan Doyle, representante do BID, que destacou o potencial estratégico do corredor para a conectividade e o desenvolvimento econômico da região. “O BID está comprometido em apoiar iniciativas que fortaleçam a conectividade e a competitividade da América do Sul. Esse Plano Mestre visa fortalecer a conectividade e impulsionar o crescimento econômico entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, afirmou Doyle.

Financiado pelo BID com um aporte de US$ 600 mil, o Plano vai apontar possíveis caminhos e soluções para modernizar a infraestrutura portuária, rodoviária e de fronteiras ao longo do corredor e, também, tratar da harmonização regulatória e facilitação comercial, promovendo maior integração entre os países.

Para sua elaboração foram contratadas, pelo BID, empresas de consultoria especializadas, responsáveis por realizar diagnósticos regionais, coletar e analisar dados, conduzir entrevistas e oficinas com stakeholders locais, além de desenvolver um plano de ação para orientar políticas públicas e investimentos na região.

Com prazo de 36 meses de execução, a elaboração do plano está em fase de diagnóstico e definição de estratégias para infraestrutura, desenvolvimento produtivo e comércio transfronteiriço. A etapa diagnóstica envolveu trabalho do BID juntamente com o Estado de Mato Grosso do Sul; região de Antofagasta e Tarapacá, no Chile; Províncias de Salta e Jujuy, na Argentina); Departamentos de Boquerón, Alto Paraguai e Presidente Hayes, no Paraguai.

Entre os próximos passos, destacam-se a realização de reuniões bilaterais e um plano de ação para eliminar entraves logísticos e regulatórios. Além disso, serão priorizados investimentos públicos e privados em setores estratégicos, como agropecuária, mineração e energia, incentivando o crescimento de pequenas e médias empresas ao longo do trajeto da Rota. O documento final deverá ser apresentado e validado no próximo Foro de Governadores do Corredor Rodoviário Bioceânico.

O Seminário Internacional da Rota Bioceânica foi realizado pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), em parceria com o Sebrae-MS e Fiems e teve a participação de 1600 pessoas, de 22 países, em debates com autoridades, especialistas e representantes do setor privado, reforçando o compromisso da integração como motor de desenvolvimento das regiões abrangidas pela Rota no Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

Marcelo Armôa, Comunicação Semadesc
Fotos: Mairinco de Pauda/Semadesc

Paulo Corrêa destaca MS como protagonista na Rota Bioceânica durante seminário internacional

Paulo Corrêa destaca MS como protagonista na Rota Bioceânica durante seminário internacional

O deputado estadual Paulo Corrêa (PSDB) participou, nesta terça-feira (18), da abertura do Seminário Internacional da Rota Bioceânica e do 6º Fórum de Governos Subnacionais do Corredor Bioceânico. Entusiasta do novo corredor comercial, Corrêa reforçou a importância do projeto para a integração regional, desenvolvimento econômico e fortalecimento da competitividade dos produtos sul-mato-grossenses.

“Mato Grosso do Sul é a bola da vez. Somos a porta de entrada da Rota Bioceânica, e isso significa mais oportunidades, mais empregos, mais renda e mais progresso para nossa população. Estamos conectando o Brasil ao mercado asiático de forma mais eficiente e competitiva, e o impacto desse corredor comercial será transformador”, afirmou Paulo Corrêa.

A obra da ponte binacional entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta (Paraguai) segue em ritmo acelerado, com 65% dos trabalhos concluídos. A estrutura é um dos principais avanços da Rota Bioceânica, que encurtará distâncias e reduzirá custos logísticos ao conectar Brasil, Paraguai, Argentina e Chile ao oceano Pacífico por via rodoviária. O corredor de 3.200 km será um elo estratégico entre a produção sul-americana e o mercado asiático, hoje o maior parceiro comercial da região.

“Estamos diante de um marco histórico para a integração da América do Sul. Este corredor trará uma nova dinâmica para o nosso Estado e para todo o Brasil, impulsionando o turismo, a indústria e o agronegócio. Mato Grosso do Sul já desponta como referência nesse processo e, com a Rota Bioceânica, nosso potencial será ampliado”, destacou o parlamentar.

Com o avanço das obras e o fortalecimento da cooperação internacional, Paulo Corrêa reforça a necessidade de manter o foco nas estratégias para consolidar Mato Grosso do Sul como um dos grandes beneficiados da Rota Bioceânica. “O futuro está chegando, e estamos prontos para aproveitá-lo. Este é um caminho sem volta para o crescimento e a modernização da nossa economia”, concluiu o deputado.

Evento – Promovido pelo Governo do Estado, em parceria com a Fiems e Sebrae, com apoio da Energisa e da Águas Guariroba, o Seminário Internacional da Rota Bioceânica e o 6º Fórum de Governos Subnacionais do Corredor Bioceânico acontecem de 18 a 20 de fevereiro no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, em Campo Grande.

A programação inclui painéis, reuniões técnicas e culturais, reunindo autoridades dos quatro países envolvidos, além de especialistas e empresários interessados nas oportunidades geradas pelo corredor bioceânico.

Adriane prestigia encontro de prefeitos da Rota Bioceânica em Campo Grande

Adriane prestigia encontro de prefeitos da Rota Bioceânica em Campo Grande

Prefeita Adriane Lopes (Progressistas) participou, nesta terça-feira (18), do primeiro dia do encontro de prefeitos da Rota Bioceânica, em Campo Grande. O evento vai até quinta-feira (20).

Conforme divulgado pela rede social, a progressista esteve no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo e cumprimentou gestores de diversas cidades de MS. O mesmo evento abriga o 6º Foro de Los Gobiernos Subnacionales del Corredor Bioceânico.

O evento reunirá autoridades dos governos brasileiro, paraguaio, argentino e chileno; dos municípios e governos regionais que são abrangidos pelo Corredor Bioceânico, assim como empresários e demais interessados da sociedade civil, diz a divulgação da prefeitura.

A construção da rota e toda a estrutura de entorno avança a cada dia. O projeto econômico, produtivo e logístico conecta o Centro-Oeste brasileiro aos portos do norte chileno, fazendo de Campo Grande um hub de produtos para o Brasil, o Paraguai, a Argentina e o Chile; reduz distâncias, tempo e custo, com o acesso via Pacífico aos principais consumidores do mundo e também aos grandes polos de tecnologia da Ásia e da América do Norte.

Ainda segundo divulgado, o município de Campo Grande preside o Comitê Gestor dos Municípios da Rota Bioceânica e por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades), está com um estande montado no Centro Cultural Rubens Gil de Camillo, onde acontece o Seminário Internacional da Rota Bioceânica e o 6º Foro de los Gobiernos Subnacionales del Corredor Bioceânico.

Rota Bioceânica: MS e Jujuy estreitam laços em reunião na Assembleia

Rota Bioceânica: MS e Jujuy estreitam laços em reunião na Assembleia

Campo Grande, 18 de fevereiro de 2025 – A Frente Parlamentar em Apoio ao Comércio e Serviços, coordenada pelo deputado Renato Câmara, realizou uma reunião de trabalho na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul para discutir novas oportunidades de negócios entre Mato Grosso do Sul e a província argentina de Jujuy. O encontro reuniu autoridades, empresários e representantes do setor produtivo dos dois países, com foco na ampliação do turismo e no fortalecimento das relações comerciais de serviços e produtos.

Durante a reunião, o deputado Renato Câmara destacou o papel estratégico de Mato Grosso do Sul como elo entre os mercados do Brasil e da Argentina, ressaltando a importância da Rota Bioceânica para a integração econômica da região.

“O que a população quer saber é: quais os benefícios que a Rota Bioceânica vai trazer para os empresários e para a população? A FCDL, por meio da presidente Inês, junto com a comissão da Argentina, veio conhecer de perto as nossas potencialidades. E a Assembleia Legislativa está presente nessa discussão para promover e destravar legislações e projetos que precisam ter continuidade. O nosso compromisso é garantir que esse desenvolvimento chegue, de fato, até a população.”

Além do deputado Renato Câmara, participaram do encontro o embaixador João Carlos Parkinson, coordenador nacional dos Corredores Rodoviário e Ferroviários Bioceânicos pelo Ministério das Relações Exteriores, o presidente do Celeiro MS, Rodrigo Trambuch, a administradora e intermediadora de negócios Joana Baptista, e Rodrigo Jeferson, também representando o Celeiro MS. O setor produtivo de Mato Grosso do Sul foi representado pelo presidente da CDL, Leonardo Santiago, e pela presidente da FCDL-MS, Inês Santiago. A Fundação de Cultura de MS também esteve presente, com a participação de Giovana Corrêa, representando o diretor-presidente Eduardo Mendes. Já o setor do turismo foi representado pelo diretor-presidente da Fundação de Turismo de MS, Bruno Wendling.

A delegação argentina contou com a presença da presidente do Conselho Profissional de Ciências Econômicas de Jujuy, Blanca Julia Juarez, além de empresários e especialistas do setor logístico e comercial. Durante o encontro, os representantes argentinos destacaram o interesse em ampliar a participação cultural e turística, mencionando a possibilidade de integrar eventos realizados em Mato Grosso do Sul, como o Festival América do Sul, realizado em Corumbá. Atualmente, Mato Grosso do Sul já participa do Festival de Chamamé em Corrientes, fortalecendo os laços culturais entre os dois países.

Parceria econômica e cultural entre MS e Argentina avança, incluindo voos entre Campo Grande e Jujuy, expansão do câmbio no interior para moedas como guarani e peso argentino, e maior integração em eventos como o Festival América do Sul.

O embaixador João Carlos Parkinson ressaltou que o setor do turismo deve ser um dos principais beneficiados com essa aproximação entre os territórios.

“A parte mais concreta é a promoção do turismo. Há um enorme potencial a ser explorado, e temos todo o interesse em aproximar os nossos territórios. A melhor forma de fazê-lo é através de voos entre os nossos destinos.”

O debate também trouxe reflexões sobre a viabilidade de um voo ligando Campo Grande a Jujuy, como explicou o diretor-presidente da Fundação de Turismo de MS, Bruno Wendling.

“É possível ou é viável um voo entre os países Campo Grande e Jujuy? Eu acho que é viável, mas agora é preciso um trabalho conjunto para identificar a demanda real das duas regiões. A Argentina já tem um fluxo de milhares de turistas argentinos viajando anualmente, tanto de forma aérea quanto terrestre. Agora, cabe aos países, províncias e estados fortalecer essa relação, levantar um planejamento, trabalhar com o mercado e, claro, criar ações estratégicas para impulsionar essa demanda.”

Já a presidente da FCDL-MS, Inês Santiago, enfatizou o papel da Federação como elo entre o setor público e privado, destacando o trabalho conjunto para impulsionar o desenvolvimento regional.

“Enquanto Federação, temos o importante papel de ser essa interlocutora entre o setor privado e o setor público. E essa missão se fortalece com a participação fundamental e a sensibilidade do deputado Renato Câmara, presidente da Frente Parlamentar do Varejo de Comércio e Serviço, que tem sido um grande parceiro nesse debate. Também contamos com a presença essencial e o compromisso do ministro Parkinson, que tem demonstrado total dedicação a esse projeto da Rota Bioceânica. Esse é um trabalho conjunto para garantir que as oportunidades e os benefícios desse corredor cheguem ao comércio, ao setor produtivo e à população.”

Com o diálogo estabelecido, as próximas etapas envolvem a formalização de acordos e a implementação de projetos que consolidem essa aproximação.

Fonte: Por: Débora Louise G. Guglielmelli   Foto: Romulo Montagna

Com obras em expansão, corredor bioceânico gera esperança de futuro promissor aos empresários de MS

Com obras em expansão, corredor bioceânico gera esperança de futuro promissor aos empresários de MS

Com as obras em andamento e o sonho da Rota Bioceânica cada vez mais perto, os empresários que moram no principal corredor (bioceânico) de Mato Grosso do Sul estão cheios de esperança para ampliar os investimentos, expandir os negócios e viver uma nova realidade econômica, que pode vir com exportação de produtos, turistas estrangeiros e geração de empregos.

Dentro do Estado este corredor parte de Campo Grande (BR-060), segue por Sidrolândia, Nioaque, Guia Lopes da Laguna, Jardim, até chegar em Porto Murtinho, pela rodovia BR-267. Lá segue a construção da ponte binacional, que liga o Brasil ao Paraguai, Argentina e portos chilenos, em direção ao Oceano Pacífico. A previsão é que ela fique pronta no primeiro semestre de 2026.

Neste caminho as oportunidades começam a aparecer. O produtor rural Israel Pereira Vieira tinha lavoura e criação de pecuária na sua fazenda São Clemente em Sidrolândia, quando começou um novo desafio na sua vida, que é promover turismo ecológico na região. Junto com sua família montou um pacote de trilhas e contemplação da natureza, que inclui uma caminhada de 5 km pela mata, até chegar em cinco cachoeiras exuberantes.

Situado bem no percurso da rota, ele espera que esta nova realidade aumente sua clientela e quem sabe traga turistas internacionais para sua fazenda. “Acredito que com a rota o nosso movimento vai aumentar, tenho esta esperança quando ela estiver pronta. A rota vai ser muito boa para nós, tenho ideia até de colocar um restaurante na rodovia, pois faz falta aqui na região, quem sabe até uma borracharia”.

Israel conta que está se preparando para este momento, tanto que já passou por uma capacitação de 240 horas para a função de condutor de turismo, pois é o comandante da trilha. Ele espera investir e ampliar seu negócio.

“Nosso pacote funciona assim, o cliente agenda com antecedência. Chega aqui cedo, ganha um café da manhã pantaneiro (arroz carreteiro, sopa paraguaia e chipa) e segue por uma trilha de 5 km até chegar em cinco cachoeiras. Aproveita para tomar banho e na volta ainda tem almoço. Nosso objetivo em breve é colocar uma piscina e ainda abri um camping para o pessoal acampar. O turista respira ar puro, tem contato com a natureza e sai de alma lavada”.

Israel Pereira com a esposa na sua fazenda de ecoturismo

 Caminho promissor

O município de Jardim é um dos eixos principais do corredor bioceânico dentro do Mato Grosso do Sul. O escoamento de produtos e turistas vão passar pela cidade para seguir a Porto Murtinho. Com este cenário positivo, os empresários da região estão confiantes no crescimento da economia e expansão das vendas.

Alberto Galassi Duarte representava uma multinacional do setor agropecuário, quando percebeu que a empresa não atendia algumas demandas, como rações, proteicos e energéticos para pecuária. De olho nesta oportunidade abriu sua própria empresa (Galassi Nutrição Animal) em Jardim que preenchia esta lacuna. Atualmente tem estrutura e logística para atender os produtos da região. A Rota Bioceânica é a “cereja do bolo” e a certeza de um futuro promissor.

“Este é um fator que gera muito entusiasmo e otimismo na gente, tem uma visão clara que o Governo do Estado está fazendo sua parte e caminhado na direção certa para viabilizar a rota. Jardim faz parte deste corredor, uma cidade que Deus colocou no centro deste trajeto. Fica claro para nós o tamanho da oportunidade aberta ao setor empresarial. Vamos fazer parte deste ciclo para desfrutar das condições. Nós vislumbramos também exportar nossos produtos para nossos vizinhos paraguaios”.

De olho nas novas tecnologias e no impacto ambiental, Zadrick Mendonça fundou a startup “Óleoponto”, que fornece um sistema de reciclagem de óleo que é normalmente é descartado em pias, ralos e bueiros. Empresário de Jardim, ele abriu este negócio sustentável e pensa em expandir a iniciativa com o corredor bioceânico.

“Eu inventei uma máquina inteligente que coleta óleo de cozinha. Desenvolvemos a tecnologia e participamos inclusive da COP26, no ano de 2022 por esta iniciativa. Hoje ela está em operação no Rio de Janeiro e estamos trazendo ao Estado. Com a rota podemos visualizar estas oportunidades. Os empresários da cidade estão se preparando para esta realidade. Aqui antes era uma rota de fim de linha, agora viramos o centro para exportações e seremos protagonistas”, avalia Zadrick.

Ponte binacional em Porto Murtinho

Porta de entrada

 Porto Murtinho é a porta de entrada e saída da Rota Bioceânica. A cidade estratégica que liga Mato Grosso do Sul e o Brasil por este corredor que vai sair no Oceano Pacífico e encurtar o caminho aos mercados asiáticos. No local se concentra uma das principais obras deste projeto, que é a ponte binacional.

A estrutura financiada por Itaipu Binacional, terá 1.294 metros de comprimento e 29 metros de altura em relação ao leito do rio Paraguai. O seu orçamento é de U$$ 85 milhões. Ela está sendo construída na fronteira entre Porto Murtinho e a cidade de Carmelo Peralta, no Paraguai. Neste momento mais de 65% dos trabalhos já foram concluídos.

A expectativa é que fique pronta no primeiro semestre de 2026. São 400 homens trabalhando na estrutura. Os viadutos já foram finalizados e os pilares (implantados) já passaram de 60% tanto do lado brasileiro, como o paraguaio.

Neste momento está sendo feito o balanço sucessivo da ponte de 350 metros, que é uma particularidade que diferencia a obra das demais. Este é um método de construção que consiste em avançar segmentos de concreto, chamados aduelas, até cobrir o vão necessário.

“Os trabalhos estão em pleno vapor, com mais de 400 pessoas disponível para obra. É uma estrutura que vai unir o Brasil ao Paraguai, Argentina e Chile. Ela representa integração, desenvolvimento e prosperidade”, garante Douglas Oliveira Pereira, gerente de produção da ponte binacional.

Na cidade também segue em andamento a obra de acesso à ponte binacional. Esta alça começa pela rodovia BR-267 até a entrada da ponte. Neste trecho serão pavimentados 13 km, dispondo ainda da construção de um centro aduaneiro, trabalho de terraplanagem e acesso elevado à estrutura binacional. O investimento será de R$ 472,4 milhões por parte da União, sendo a principal obra do lado brasileiro.

No olho do furacão

 Para quem mora em Porto Murtinho, a cidade sempre foi vista como “fim de linha”, o último caminho que termina no Rio Paraguai. No entanto o corredor bioceânico mudou esta realidade e “acendeu a chama” para quem deseja empreender ou ampliar seu negócio. Estar no “olho do furacão” para colher os frutos do futuro.

Bruna Coelho morava em Brasília e resolveu mudar para Porto Murtinho em 2019 por motivos pessoais. No começo fazia sua mala e saia para vender roupas pela cidade. O negócio cresceu e ela resolveu desenhar os modelos e fazer sua própria coleção de pijamas personalizados, que podem ser usados durante todo o dia. Com uma loja na Capital e outra na fronteira, conseguiu levar seus produtos até o Chile, antecipando a integração que vai ocorrer com a rota.

“Desenvolvemos várias coleções, entre ela a do Pantanal, que deu muito certo. Nossos pijamas são usados como look, para sair na rua e passear, tanto para homens como mulheres. Comecei a ser chamada para muitos eventos e desfiles em 2023, até chegar em Iquique (Chile), em uma ação junto com o Sebrae, onde consegui fazer minhas primeiras vendas no país”, afirmou Coelho.

Ela espera investir ainda mais na loja de Murtinho, inclusive abrindo a sua própria produção das roupas. “Estamos no portal da rota, tenho planos de montar esta produção, que vai nos favorecer com a logística em relação aos custos. Também queremos abrir novas unidades na Capital e em Bonito”.

Annice Diaz abriu sua agência de turismo

Além do mercado empresarial, o turismo também terá espaço neste cenário promissor. Annice Diaz abriu uma agência de viagens e resolveu fazer pacotes de ida e volta, para trazer grupos de turistas sul-americanos ao Mato Grosso do Sul e também levar os brasileiros a cidades importantes dos países vizinhos. A ponte binacional vai ser o “passaporte premiado” que faltava neste cenário.

“Sou turismóloga de formação, sempre tive o sonho de criar uma agência de viagens, criar roteiros e atender os turistas daqui além da pesca, mas mostrando o lado da história, cultura e belezas naturais. Já fizemos o cicloturismo, onde seguimos por enquanto de balsa, atravessa para Carmelo Peralta e dali seguimos de bicicleta até a construção da ponte. Depois voltamos com um roteiro contemplando as belezas naturais”, conta Diaz.

Annice destacou que muitos turistas paraguaios já vieram para o Estado por meio da sua agência para conhecer Porto Murtinho, até chegar em Bonito. “Tivemos por exemplo a turma de menonitas, que são colônias alemãs instaladas no Paraguai e vieram para Bonito. Outros grupos já me procuraram para Dourados, Jardim e Campo Grande. A rota vai ser uma grande oportunidade. Vou fortalecer minha agência, buscar parcerias e criar novos produtos agregados. Porto Murtinho é uma cidade com muito potencial”.

Já o empresário Neodi Vicari abriu três empreendimentos na entrada de Porto Murtinho. Além do posto de gasolina, também instalou um restaurante e um espaço de triagem e estacionamento dos veículos de carga, com a capacidade de 400 carretas. O principal negócio do grupo é a Mecari Distribuidora, que é em Campo Grande, que é uma das 50 maiores atacadistas de material de construção do Brasil.

Grupo montou posto de gasolina, restaurante e estacionamento de veículos

Leonardo Rocha, Comunicação do Governo de MS
Fotos: Saul Schramm