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Bela Vista-MS Sexta-Feira, 04 de Abril de 2025

Entre os diversos assuntos refletidos na obra de Manoel, a peça percorre a memória da infância. “Ele fala de uma infância arquetípica, do essencial que surge no vazio. E a infância é esse lugar do símbolo e da metáfora da invenção. Plantamos a peça nesse lugar da criação, no qual se tem liberdade pra fazer ‘peraltagens’ com as palavras. Mas, entre adultos, as brincadeiras viram verdadeiras subversões. “Quando Manoel fala do ‘exercício de ser criança’, é que algo perdido precisa ser praticado como esse lugar do vazio,onde as crianças andam de chinelo, aonde ecas se sentem no abandono, onde não tem nada. Mas por não ter nada, tem tudo, tem a capacidade da criação. É como se ele nos perguntasse quais são os valores que queremos seguir. Ele te chama pra te perguntar o que você está fazendo aqui, em que acredita, o que acha realmente importante.

Ele faz com que nos perguntemos se estamos mantendo alerta nossa capacidade de invenção”, No espaço aberto da interpretação, a aparente simplicidade da poesia de Manoel abraça, com humor e graça, temas urgentes da sociedade contemporânea. “Quando ele diz que o que não serve para o lixo serve para a poesia, ele dá um tapa com luva de pelica na sociedade de consumo. Você precisa de beleza, riqueza ou de espaço para a condição de criação, ou ainda de alguém que se preocupa contigo? Ele quer desacostumar o olhar, e isso começa na forma como se comunica com o próximo. Manoel Wenceslau Leite de Barros (1916 – 2014): Poeta nascido no Mato Grosso está ligado ao pós-modernismo brasileiro. Seu primeiro livro, Poemas concebidos sem pecado (1937), foi produzido por um grupo de amigos e publicado com uma tiragem de apenas 21 exemplares. É aclamado nacional e internacionalmente pela originalidade do seu trabalho, tendo sido agraciado com mais de 10 prêmios, entre os quais, dois Jabutis. Autor de vasta obra, com mais de 30 livros publicados, entre eles, Compêndio para uso dos pássaros (1960), Tratado geral das grandezas do ínfimo (2001),  Poemas Rupestres (2004),  Portas de Pedro Viana (2013).

Sua mais famosa publicação é Livro sobre Nada (1996). Márcio de Camillo por sua vez é apresentador de televisão, cantor, compositor e instrumentista, criado no Mato Grosso do Sul, cenário que compôs a base inicial do seu estilo musical. Depois de viver um ano nos EUA, mudou-se para São Paulo em 1988, onde passou a trabalhar com diversos artistas da música brasileira, como Renato Teixeira e Zé Geraldo. Com o primeiro gravou lembranças matogrossenses  Em 1996, Márcio lançou seu primeiro CD, intitulado “Olhos d’água”, no qual apresentou uma fusão nova de ritmos tipicamente brasileiros (baião, maracatu, arrasta-pé) e os ritmos de fronteira (chamamé e a guarânea).Em 2001 retorna para Mato Grosso do Sul e lança o CD “Telepaticamente”, produzido por Mário Manga, com um som moderno e ao mesmo tempo lírico, mesclando aparatos tecnológicos como samplers e guitarras com bandolins e quarteto de cordas. Em 2003, Márcio foi um dos 25 artistas sul-americanos selecionados para participar do Artists in Development – workshop promovido pela Unesco, realizado em Salvador/BA, quando teve a grande oportunidade de trocar experiências com profissionais internacionais, como Marie Afonso (integrante do grupo europeu Zap Mama indicado para o Grammy internacional), Janny Adlington, uma das responsáveis pelo fenômeno Buena Vista Social Club, Benjamim Taubkin e outros.

Desse encontro, o convite estendeu-se à Womex (The Word Music Expo) em Sevilha/ES, como representante do Brasil.   Ao retornar ao Brasil, mais brasileiro do que nunca, cria a AMP – Associação de Músicos do Pantanal, com o objetivo de difundir a produção musical sul-mato-grossense em projetos sócio-culturais, como os projetos de circulação pelas escolas públicas da capital, “Nossa Escola, Nosso Canto” e “Intervalo Musical”, divulgando a música e os artistas locais, para formação de platéia.Se fosse apenas isso, Márcio inspirado pelo desejo de ensinar poesia à filha de uma maneira diferente, e assim o músico sul mato-grossense, Márcio de Camillo, idealizou o Projeto Crianceiras, onde através de várias outras linguagens artísticas como o teatro, a música, a dança e recursos audiovisuais incríveis, aproxima as crianças do universo poético de Manoel de Barros. Os personagens formam o fio-condutor da seleção feita pelo músico dentro da obra de Barros.Sobre o assunto ele dizia: “Eu busquei os personagens e histórias dentro dos poemas.

Por exemplo, ‘O Menino e o Rio’ é uma canção, um poema entoado, que fala do próprio Manoel de Barros”, explica. “Além disso, estava sempre atento às mensagens das poesias, procurando as que mais podiam ser melhor compreendidas pelas crianças” Aliás falando em crianças, aproveito para dizer que:Quando dentro de você se formar aquele tornado de raiva e você sentir vontade de gritar por causa daquele pedido de colo no momento errado, pare, olhe bem aqueles olhinhos fixos em você… Ninguém nunca vai te olhar com tanto amor daquele jeito. Quando você, mãe,  estiver super cansada, louca por um banho e por um café quente, e repentinamente passos rápidos vierem na tua direção lhe mostrando os desenhos novos da escola, pare e olhe bem aquele rostinho feliz… Ninguém nunca vai querer dividir conquistas com você daquele jeito.

Quando você estiver no meio da novela “A usurpadora”  e escutar o choro gritando por teu nome com o joelho ralado, e você quiser brigar porque lhe estão pedindo colo, pare… Ninguém nunca no mundo inteiro vai pedir o seu colo para se sentir protegido daquela maneira.A necessidade do seu toque, da sua presença, do seu carinho… isso acaba, é trocado por outros toques, outros carinhos… não voltam mais.

O sopro para tirar o cisco dos olhos, as costas de Clea, na vista bela de Bela Vista, que viraram cavalinho, o colo que virou ninho, seu beijo que cura machucados…passa.

Quando você sentir vontade de sumir porque está esgotada demais, cansada demais, apenas pare, olhe, lembre – se… Ninguém nunca vai te amar daquela maneira, te querer daquela maneira, te idolatrar daquela maneira. Agora lhe pergunto: Você já quis ser o centro da vida de alguém?

Ser os pilares da vida de alguém? Ser o cais de alguém?

Pois então, agora saiba que para seus filhos, e seus afilhados, você é TUDO na vida de alguém, neste exato momento é você o tudo dele(a), o tudo que ele tem, a mais importante, a mais especial. Olhe para o seu filho(a) agora…sinta o amor nos olhos dele(a) quando ele te olha tocarem a sua alma…Você, mãe, nunca será amada da maneira que o teu/tua filho(a) te ama hoje, da maneira que ele te ama,. Você pai, sempre recordará  do joelho machucado que sua filha lhe mostrou (depois de uma peraltagem);  antes de dormir e voce foi lá pacientemente e passou um creme. Sinto dizer, não foi só um creme que você passou. Passou sue essência de carinho e de simplicidade. E é justamente essa essência que Márcio de Camillo captou na obra de Manoel de Barros e  trouxe para a música. Muito Obrigado Márcio.

*Articulista