(67) 99634-2150 |
Bela Vista-MS Sexta-Feira, 26 de Junho de 2026

Especialistas da Rede HU Brasil destacam importância do diagnóstico e do tratamento para qualidade de vida do paciente

Caracterizado pelo surgimento de manchas brancas na pele, o vitiligo afeta entre 0,46% e 0,68% da população brasileira e pode ocorrer em qualquer fase da vida. Ainda cercada por desinformação e preconceitos, a doença autoimune pode impactar a autoestima e a qualidade de vida dos pacientes. Especialistas da Rede HU Brasil destacam que o diagnóstico precoce, o tratamento adequado e o suporte psicológico são fundamentais para o controle da doença e para a promoção do bem-estar.

“É uma doença autoimune, ou seja, o seu próprio organismo reconhece e “ataca” os melanócitos que são as células responsáveis pela pigmentação da pele, do cabelo e dos olhos”, explica o dermatologista do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT), Ebert Aguiar, ao falar com paciente e acompanhante sobre a causa, o tratamento e o prognóstico do vitiligo.

O especialista afirma que a doença pode acontecer com qualquer pessoa. “Como é uma doença autoimune não temos como prever a sua evolução naquele momento. Ou seja, as manchas podem aumentar, diminuir ou se manter estáveis”, explica.

Hospitais universitários da Rede HU Brasil garantem atendimento dermatológico, acolhimento, cuidado e informação para combater o preconceito, além de suporte psicológico para reduzir os efeitos na autoestima dos pacientes com vitiligo.

Sintomas e diagnóstico
De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) na maioria dos casos, o vitiligo se manifesta apenas com manchas brancas na pele. Em situações, menos comuns, o paciente pode apresentar sensibilidade ou dor no local das lesões. Entretanto, uma grande preocupação dos dermatologistas são os sintomas emocionais que os pacientes podem desenvolver como consequência da doença.

Leia  Consolidação da Rota Bioceânica ainda exige muito trabalho, afirma Reinaldo

O vitiligo pode ser classificado em dois tipos: segmentar ou unilateral, que aparece só de um lado do corpo, geralmente em pacientes jovens, e pode atingir pelos e cabelos da região; e não segmentar ou bilateral, no qual as manchas surgem nos dois lados do corpo, como nas duas mãos, dois pés, dois joelhos. “Quanto mais cedo o diagnóstico maior a chance de as lesões serem menores e mais responsivas ao tratamento, com repigmentação”, orienta o dermatologista do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes-UFBA), Paulo Machado.

Dados de incidência
Segundo Ebert, a prevalência do vitiligo é bastante variável ao redor do mundo. No Brasil, varia entre 0,46 a 0,68% da população, sem discrepância entre os sexos ou grupos raciais. A idade média de início oscila entre os 20 e 30 anos, apesar de poder acometer desde crianças até idosos. “O vitiligo é responsável ainda por 1,4 a 1,9% das consultas dermatológicas, e até 3,5% das consultas dermatológicas em crianças, conforme dados coletados de artigos publicados em 2022”, afirmou.

Orientações e cuidados
O vitiligo é uma doença multifatorial, e que envolve fatores genéticos e metabólicos ligados ao estresse oxidativo celular. “Por se tratar de uma doença autoimune, não temos como falar de prevenção primária”, ressaltou Ebert.

Para Paulo Machado, a ausência de melanina nas lesões impõe cuidados maiores com a exposição solar, principalmente se localizadas em áreas expostas. “Pode ocorrer queimadura solar e, a longo prazo, uma maior chance de câncer cutâneo na ausência de cuidados com a proteção contra o sol”, afirma.

O paciente é orientado a evitar fatores que possam precipitar o aparecimento de novas lesões ou acentuar as existentes, como atritos e traumas na pele. São sugeridos terapias e hobbies que auxiliem no bem-estar psicológico, tendo em vista o impacto significativo na qualidade de vida e na autoestima, principalmente em adolescentes. “A depender do perfil do paciente recomendamos o acompanhamento psicológico, que pode ter efeitos bastante positivos nos resultados do tratamento”, destacou Ebert Aguiar.

Leia  FETEMS divulga Ranking Salarial 2026 e reforça cobrança pela valorização dos profissionais da educação

Tratamento
Paulo Machado afirma que o vitiligo tem tratamento e, embora a resposta seja lenta, é possível controlar a doença. “A fototerapia de banda estreita ou narrowband (UVB-nb) é considerada um dos melhores tratamentos disponíveis”, finalizou.

Imagem: Freepik