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Bela Vista-MS Sábado, 20 de Junho de 2026

O publicitário campo-grandense Alexandre Espinosa, de 57 anos, descobriu sua paixão por aventuras em motocicleta e mesmo sendo relativamente novo nesse universo resolveu realizar uma grande aventura em três estados brasileiros e percorrer 4 mil quilômetros.

Desde que comprou sua primeira moto, ele começou suas viagens explorando municípios próximos à capital, até poder partir para Paraná, Santa Catarina e depois São Paulo.

“Minha primeira viagem foi para Corguinho, numa jornada de 103 km, que para mim foi uma verdadeira aventura. Tomei café por lá e retornei. Depois, continuei viajando em grupos da concessionária para cidades como Aquidauana, Sidrolândia e Morro do Paxixi. Mas sempre sentia vontade de ir mais longe”, conta Espinosa.

Inspirado pela experiência em Bonito, decidiu embarcar em uma jornada mais desafiadora. “Assisti a vídeos no YouTube sobre viagens e decidi explorar as serras de Santa Catarina em dezembro de 2023.”

A preparação para essa grande aventura envolveu a aquisição de equipamentos como jaqueta, mochila e botas para chuva. “A ansiedade crescia à medida que a data se aproximava. Saí de Campo Grande no dia 22 de dezembro, com toda a bagagem preparada.”

O começo da jornada não foi sem desafios. “Enfrentei problemas logo no início. A mochila térmica que preparei insistia em cair da moto. Resolvi pendurá-la mesmo, mesmo que isso não estivesse nos meus planos”, comenta Espinosa.

A incerteza também fez parte do percurso. “Ao chegar à divisa do estado, em Bataguassu, questionei se estava fazendo a coisa certa. Até descer e subir da moto se tornou uma tarefa árdua”, lembra.

A viagem atravessou diferentes estados, com momentos memoráveis e desafios inesperados. Em Maringá/PR, Espinosa agradeceu a Deus por ter chegado ao destino após enfrentar obstáculos no caminho. “Um carro quase me atingiu, mas isso só aumentou minha determinação em seguir adiante”, destaca.

O percurso passou por diversas paisagens e experiências únicas. De Morretes a Matinhos/PR, o motociclista descreveu a beleza das serras até as praias tranquilas do Paraná. Em Florianópolis, além de explorar a cidade, teve dificuldades para encontrar o caminho de volta ao hotel, uma situação que só foi resolvida com a ajuda do GPS. “Eita cidadezinha de trânsito complicado”, brincou.

“Saindo de Florianópolis segui para a Serra do Rio do Rastro/SC, indescritível a sensação de estar nesta serra depois de assistir tantos vídeos no youtube mostrando como fazer, cada curva você apreciando a natureza, essa é a vantagem da motocicleta, tem-se a sensação de fazer parte do espetáculo que está à sua frente. Parei em um mirante no meio do caminho para colocar meu adesivo que mandei fazer (prova que o ‘Spina’ esteve aqui), um casal vendo que eu tinha chegado só me perguntou de onde estava vindo, quando falei que era de Mato Grosso do Sul, fizeram um vídeo comigo para mostrar para seu familiares. A cada instante da viagem, com cada pessoa que conversava e dividia o entusiasmo que estava sentindo ao ver toda a natureza sentia que fazia parte de uma família (a família da estrada) foi indescritível ao perceber que havia alcançado Santa Catarina. Cada quilômetro percorrido me fez refletir sobre mim mesmo e sobre a minha jornada na vida, sempre grato a Deus pela vida.

Terminando de subir a Serra do Rio do Rastro/SC segui para a cidade de Urubici, ponto turístico de viajantes do Brasil, dormi em uma pousada, e segui cedo para fazer a Serra do Corvo Branco – SC, onde no alto desta serra tem um corte na rocha de 90 metros de altura, feita pelo homem, e também um mirante no topo desta serra que foi feita de vidro, sensação assustadora pois uma passarela de vidro que você tem a sensação de estar flutuando no penhasco a sua frente.

Segui para Capão Bonito/SP para fazer a Serra da Serpente, uma estrada famosa pela quantidade de curvas existentes, 260 quilômetros de estrada e mais de 1.200 curvas, ficando horas curva sobre curva, impressionante, cansativo mas gratificante por ter conquistado mais esta serra.

Os momentos de descontração também foram marcantes. “Em Capão Bonito/SP, encontrei outros motociclistas com histórias fascinantes. A conexão entre nós é única. É como se fôssemos irmãos desconhecidos na estrada”, relata.

Após nove dias na estrada e 3.800 km percorridos, Espinosa retornou a Campo Grande, já planejando novos destinos. “A saudade da estrada e das conexões feitas ao longo do caminho já me fazem planejar minha próxima viagem. Mal posso esperar para pegar a estrada novamente.”

Com a determinação de quem aceita desafios, Alexandre Espinosa transformou uma simples viagem em uma jornada pessoal de superação e descobertas, mostrando que a estrada é um espaço de conexões e reflexões profundas que o aproximaram ainda mais de Deus.