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Bela Vista-MS Sexta-Feira, 13 de Março de 2026
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Presídio de Segurança Máxima em Campo Grande (Foto: Divulgação )

Campo Grande (MS) – O mecânico Leonid El Kadre de Melo, último foragido da “Operação Hashtag” preso neste domingo (24) em Comodoro, a 656 km de Cuiabá, em Mato Grosso, deve ser levado para o presídio federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. No local, já estão as outras 11 pessoas suspeitas de planejar ataques terroristas na Olimpíada do Rio de Janeiro.

Leonid foi preso pela Polícia Militar por volta das 19h30 na rodoviária de Comodoro após ser reconhecido por conta das fotos divulgadas pela imprensa. Uma denúncia dizia que um homem estava tentando comprar uma passagem sem documentos. Os policiais chegaram até o local, o reconheceram e deram voz de prisão. Ele foi levado para a delegacia para prestar depoimento.

Na sexta-feira (2), o penúltimo foragido, Valdir Pereira da Rocha, se entregou à Polícia Federal na cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade, a 562 km de Cuiabá. Todos os presos na ação estão no presídio federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. A unidade é de segurança máxima e recebe presos de alta periculosidade, como o traficante Fernandinho Beira-Mar, que está detido no local.

Operação Hashtag

A chamada “Operação Hashtag” foi lançada na semana passada pela Polícia Federal, resultando na prisão de dez pessoas em sete estados, informou o Ministério da Justiça.

Foram as primeiras prisões no Brasil com base na recente lei antiterrorismo, sancionada em março pela presidente afastada, Dilma Rousseff.

Também foram as primeiras detenções por suspeita de ligação com o grupo terrorista Estado Islâmico, que atua no Oriente Médio, mas tem cometido atentados em várias partes do mundo.

Além das prisões, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em dez estados – São Paulo (8); Goiás (2); Amazonas (2); Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Paraíba, Ceará, Minas Gerais e Mato Grosso (um em cada). Houve ainda duas conduções coercitivas, em São Paulo e Minas Gerais.

‘Célula amadora’

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, disse, em coletiva na semana passada, que os investigados na operação não tiveram contato com membros do Estado Islâmico e que se trata de uma “célula absolutamente amadora”, porque não tinha “nenhum preparo”.

“Mas obviamente que não podemos – nenhuma força de segurança – ignorar isso. […] Só o fato de começarem atos preparatórios, não seria de bom senso aguardar para ver, e o melhor era decretar a prisão deles”, afirmou o ministro.

Moraes disse que o grupo mencionava a intenção de comprar um fuzil AK-47 em uma loja clandestina no Paraguai.

Segundo Moraes, os investigados na operação, batizada de Hashtag, nunca tinham se encontrado pessoalmente e eram monitorados há meses pela polícia. Eles costumavam se comunicar pela internet, por meio dos aplicativos de mensagem instantânea WhatsApp e Telegram.

Questionado sobre como foi o monitoramento dos suspeitos, já que o WhatsApp foi bloqueado mais de uma vez pela Justiça brasileira justamente por não fornecer dados para investigações, o ministro inicialmente não quis responder. Depois disse que revelar como se deu o monitoramento atrapalharia a investigação.