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Bela Vista-MS Sábado, 14 de Março de 2026
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Laura Feliciana Paulo, recém formada em Medicina, pertence à etnia terena de Mato Grosso do Sul. (Foto: Felipe Michalski

Santa Maria (RS) – A noite de 9 de dezembro de 2016 ficará marcada para sempre na história da UFSM: pela primeira vez, uma estudante com origem indígena se formou em Medicina na Universidade. Laura Feliciana Paulo, 24 anos, da etnia Terena, foi a responsável pelo feito e não conseguiu esconder a felicidade pela sua conquista durante a cerimônia de colação de grau, no Clube Dores, em Santa Maria.

Além de ter sido a primeira indígena formada em Medicina, Laura foi a primeira cotista indígena a passar no Vestibular para o curso, em 2010. Durante o período em que esteve na UFSM, ela acompanhou a evolução dos programas de assistência estudantil para a população indígena.

“Quando eu entrei na Universidade, ainda não tinha benefícios exclusivos para estudantes indígenas, até porque, na época, eram três cotistas e 12 autodeclarados no total. Aí, eu gozava dos benefícios gerais da UFSM. Em 2011, conseguimos o Benefício Socioeconômico automático para estudantes indígenas que, a partir do momento da matrícula, já conseguíamos as refeições no RU de graça e conseguimos a moradia estudantil também, sem precisar passar pela seleção. Em 2012 ou 2013, conseguimos a casa do estudante com os apartamentos para os indígenas em específico. Eram dois apartamentos, depois conseguimos quatro e hoje contamos com seis e uma casa alugada”, relata.

Além disso, Laura conta que a UFSM sempre esteve aberta às reivindicações estudantis e ao diálogo. “A UFSM sempre foi muito aberta, tanto a Reitoria, a Prae, a Prograd, sempre estiveram muito abertas para conversar sobre qualquer coisa. Eles ajudaram muito”, afirma.

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Agora formada, seus planos estão em retornar para casa, onde já teria recebido propostas de emprego. Natural da cidade de São Paulo, mudou-se ainda criança para Anastácio, no Mato Grosso do Sul. Lá, cerca de 80 famílias terenas vivem em uma aldeia urbana no município.

Estima-se que a população terena no país seja de 50 mil e que eles estejam distribuídos nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. (Texto e fotos: Felipe Michalski, acadêmico de Jornalismo, bolsista da Agência de Notícias)