Cada vez mais presente na rotina de quem busca uma saúde mais equilibrada e integrativa, a suplementação alimentar também chegou à prática cardiológica. Mas, segundo o cardiologista Dr. João Jackson Duarte, o uso de suplementos por pacientes com problemas no coração exige uma análise rigorosa, baseada em exames, histórico clínico e medicamentos em uso.
“Nem todo cardiopata pode usar suplementos indiscriminadamente”, alerta o médico. “É fundamental que o uso seja individualizado, considerando o tipo de cardiopatia, a condição renal e as possíveis interações medicamentosas.”
O Dr. João Jackson, que atua com enfoque em saúde integrativa, reforça que embora suplementos como ômega-3, coenzima Q10, magnésio e vitaminas do complexo B possam trazer benefícios à saúde cardiovascular, eles também apresentam riscos quando utilizados sem orientação. Pacientes com insuficiência renal, por exemplo, podem ter complicações ao usar potássio ou magnésio sem controle. Da mesma forma, altas doses de vitamina E podem elevar o risco de sangramento em quem faz uso de anticoagulantes.
“Na prática clínica, o que vemos é que muitos suplementos têm, sim, potencial de proteger o coração. Mas quando mal utilizados, podem ser perigosos”, explica. “Ômega-3 pode interferir na coagulação, magnésio em excesso pode levar à queda da pressão e bradicardia, e até a coenzima Q10 pode afetar levemente o efeito da varfarina.”
Entre os suplementos que mais utiliza no consultório, com base em exames laboratoriais e sintomas específicos, estão:
Coenzima Q10: com ação antioxidante e apoio à produção de energia, é usada em pacientes com fadiga, insuficiência cardíaca leve ou em uso de estatinas.
Ômega-3 de alta concentração: com efeitos anti-inflamatórios e protetores da função vascular.
Magnésio: indicado na prevenção de arritmias e controle da pressão arterial.
L-carnitina e D-ribose: que atuam no metabolismo energético e na fadiga cardíaca.
Vitaminas B6, B12 e folato em formas ativas: para o controle da homocisteína, associada a risco cardiovascular.
L-taurina e PQQ (Pirroloquinolina Quinona): com ações mitocondriais e vasculares promissoras.
Segundo ele, a suplementação pode ser uma aliada poderosa na prevenção de complicações cardíacas, mas deve ser tratada com o mesmo cuidado que um medicamento.
“O erro está em banalizar o uso”, reforça. “O coração exige respeito. E isso inclui cautela até naquilo que parece natural.”