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Bela Vista-MS Terça-Feira, 10 de Março de 2026

A morte precoce da cantora Preta Gil, aos 49 anos, por complicações de um câncer colorretal, comoveu o país e reacende um alerta urgente: o câncer de intestino cresce de forma alarmante no Brasil e no mundo. Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer) é o segundo tipo mais frequente entre mulheres e o terceiro entre homens. A detecção precoce salva vidas, mas a verdadeira chave está na prevenção primária — construída diariamente por meio de hábitos saudáveis. Quem cama a atenção para essa situação é o médico cardiologista, João Jackson Duarte, com ação voltada para a medicina integrativa.

Quem deve fazer colonoscopia preventiva?
De acordo com o médico, a colonoscopia é um exame fundamental para detectar lesões precursoras do câncer, como pólipos. Ela deve ser realizada de forma preventiva por:

* Pessoas a partir dos 45 anos, mesmo sem sintomas.
* Indivíduos com histórico familiar de câncer colorretal (parentes de primeiro grau).
* Portadores de doenças inflamatórias intestinais crônicas (como retocolite ulcerativa e doença de Crohn).
* Pacientes com síndromes genéticas de predisposição ao câncer (como síndrome de Lynch).
* Pessoas com sintomas persistentes no trato gastrointestinal.

Sinais e sintomas de alerta para o câncer colorretal

Muitas vezes silencioso, o câncer de intestino pode se manifestar tardiamente, por isso a necessidade de estar atento a sinais como alterações persistentes no hábito intestinal (constipação ou diarreia prolongadas); presença de sangue nas fezes (vermelho vivo ou escuro, tipo borra de café); fezes muito finas ou em fita; sensação de evacuação incompleta; dor ou desconforto abdominal frequente; perda de peso inexplicada; fadiga excessiva ou anemia sem causa definida; náuseas e vômitos, especialmente em casos de obstrução intestinal.

Esses sintomas, de acordo com doutor Jackson, merecem investigação, sobretudo em maiores de 45 anos ou com fatores de risco.

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A saúde intestinal como chave preventiva: o papel do butirato

O médico explica que a Medicina Integrativa propõe uma abordagem ampliada, que complementa o tratamento tradicional com estratégias nutricionais e de estilo de vida. Um dos alicerces dessa visão é o cuidado com a microbiota intestinal, reconhecida hoje como um elo essencial entre imunidade, metabolismo e câncer.

Nesse contexto, destaca-se o butirato, um ácido graxo de cadeia curta classificado como pós-biótico. Ele é produzido no intestino pela fermentação de fibras prebióticas por bactérias benéficas. Suas funções são notáveis pois protege a mucosa intestinal;  reduz a inflamação local; inibe o crescimento de células tumorais e fortalece a barreira intestinal e o sistema imune.

Segundo ele, dietas pobres em fibras e ricas em ultraprocessados reduzem drasticamente a produção de butirato, aumentando a vulnerabilidade do intestino a mutações e lesões inflamatórias. Já o consumo de vegetais, leguminosas, sementes, aveia e fibras solúveis estimula a flora saudável e o metabolismo do butirato.

Prevenção prática: alimentação, exames e suplementação

Além de colonoscopia e testes de sangue oculto nas fezes, exames mais modernos — como o perfil da microbiota intestinal (microbioma intestinal) e do metaboloma fecal — já permitem mapear bactérias protetoras ou patogênicas, bem como a capacidade de produção de butirato. A presença elevada de Fusobacterium nucleatum e baixa diversidade microbiana já foram associadas a maior risco de câncer colorretal.

“Suplementos também podem ter papel complementar, corrigindo deficiências silenciosas (como vitamina D, magnésio, zinco, complexo B) e reduzindo inflamação por meio de compostos como curcumina, ômega-3 e polifenóis”, sugere o especialista.

Um chamado à consciência

A despedida de Preta Gil é dolorosa, mas deixa uma lição poderosa: é possível prevenir grande parte dos cânceres de intestino com educação, rastreamento e escolhas cotidianas. Cuidar da saúde intestinal, promover o butirato por meio de fibras, cultivar uma microbiota saudável e fazer os exames no tempo certo são medidas ao alcance de todos.

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“Prevenção é ato de amor-próprio. E saúde é muito mais que ausência de sintomas — é presença de vitalidade, atenção e consciência”, finaliza o médico