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Bela Vista-MS Quinta-Feira, 12 de Março de 2026

16_06_raffatarma_editadaJovem passava pelo local e viu tiroteio; ‘nunca aconteceu isso’, diz. Traficante foi executado com tiros de metralhadora, no Paraguai.

Testemunha da execução do traficante Jorge Rafaat, na noite dessa quarta-feira (15), em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, uma jovem resume o que viu por cerca de 30 minutos. “Pensei que era o fim do mundo. Me joguei no chão”. Por medo, algumas escolas em Ponta Porã, cidade brasileira vizinha a Pedro Juan, suspenderam provas programadas para esta quinta-feira (16) e muitos alunos paraguaios faltaram às aulas.

A jovem, que é paraguaia, chamou de “filme de terror” o tiroteio. Ela passava pelo local, bem próximo à linha de fronteira e do prédio da Polícia Nacional do Paraguai, quando viu o carro com a metralhadora à frente dos veículos do traficante e do segurança dele. De repente, tiros começaram a ser disparados de ambos os veículos. “Tive medo de morrer porque os tiros não paravam. Eu só rezava”, fala a jovem.

Caminhonete tinha metralhadora no lugar dos bancos traseiros (Foto: Gabriela Pavão/ G1 MS)Caminhonete tinha metralhadora no lugar dos bancos traseiros (Foto: Gabriela Pavão/ G1 MS)

O automóvel do traficante, que é blindado, estava mais próximo dos suspeitos. Rafaat foi atingido por tiros de metralhadora calibre .50, que estava amarrada com fitas utilizadas em rapel e no lugar onde deveria haver os bancos traseiros.

“A fronteira tem fama de ser perigosa, mas, nunca aconteceu isso assim porque sempre passam e matam quem querem matar e pronto”, diz a paraguaia, que afirma ter ficado com medo depois do episódio dessa quarta-feira.

A jovem afirma que execuções são comuns no município, mas, normalmente, são vítimas pessoas suspeitas de envolvimento em crimes.

Loja de pneus amanheceu queimada, na fronteira com o Paraguai (Foto: Martim Andrada/ TV Morena)
Loja de pneus amanheceu queimada, na fronteira com o Paraguai (Foto: Martim Andrada/ TV Morena)

Incêndio – A loja do traficante Jorge Rafaat amanheceu esta quinta-feira (16) queimada. O comércio de pneus fica na avenida que divide Brasil e Paraguai, a cerca de 20 metros de Ponta Porã, município que fica a a 326 quilômetros de Campo Grande.

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Nenhum suspeito do atentado à loja foi identificado. O comércio paraguaio abriu normalmente nesta quinta-feira.

Velório com segurança
Na manhã desta quinta-feira, foi feita uma reunião entre as polícias Nacional do Paraguai e Militar do Brasil para garantir a segurança do velório de Jorge Rafaat, em Ponta Porã.

“Demos toda atenção necessária para que os familiares, bem como as pessoas que se encontram instaladas próximo aonde está sendo realizado o velório, no sentido de garantir a integridade física dessas pessoas, a tranquilidade pública”, afirmou o comandante da Polícia Militar Waldomiro Centurião.

Marcas de tiros na fachada de comércio de Pedro Juan (Foto: Gabriela Pavão/ G1 MS)Marcas de tiros na fachada de comércio de Pedro
Juan (Foto: Gabriela Pavão/ G1 MS)

Execução
Moradores registraram o tiroteio, que durou quase 10 minutos. Os atiradores usaram uma metralhadora antiaérea, calibre .50, para atingir o carro de Jorge. A caminhonete, mesmo blindada, não resistiu ao armamento de guerra.

Rafaat foi condenado pela justiça brasileira por tráfico de drogas em 2014, mas vivia no Paraguai como um empresário de sucesso. Ele era conhecido como o “rei da fronteira”. A polícia apreendeu muitas armas e munição, deteve sete suspeitos e acredita que o motivo de crime tenha sido uma disputa pelo controle do tráfico de drogas na região.

Arma apreendida após execução de traficante no Paraguai (Foto: Gabriela Pavão/ G1 MS)Arma apreendida após execução de traficante no Paraguai (Foto: Gabriela Pavão/ G1 MS)