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Para o prefeito Derlei Delevatti, rota bioceânica é viável e não se limitará às exportações

Para o prefeito Derlei Delevatti, rota bioceânica é viável e não se limitará às exportações

A visita de representantes dos governos federal e estadual e empresário do setor de transportes de cargas ao Paraguai, Argentina e Chile, iniciada no dia 25 de agosto, foi extremamente positiva e não deixou dúvidas quanto ao compromisso do Brasil na construção da ponte sobre o rio Paraguai e o empenho de Mato Grosso do Sul em criar a nova rota do corredor bioceânico.

A avaliação é do coordenador-geral de Assuntos Econômicos do Ministério das Relações Exteriores, João Carlos Parkinson de Castro. Ele integrou a caravana formada por mais de 80 pessoas, que completou a viagem até a costa do Pacifico na sexta-feira, 02 de setembro, em Assuncion, percorrendo cerca de seis mil km em 29 caminhonetes.

A viagem, segundo ele, confirmou a ótima infraestrutura rodoviária e portuária do Chile, nos portos de Iquique, Antofagasta e Mejillones e a rapidez com que a Argentina executa a pavimentação dos últimos 24 km do trecho do corredor em seu território, na fronteira com o Paraguai. Também destacou o esforço do Paraguai em asfaltar 570 km da rodovia do chaco, cujo trecho, de 277 km, já foi licitado.

“Além disso, percebemos, pela receptividade dos nossos irmãos latino-americanos, que existe uma expectativa não só da iniciativa privada, como das autoridades, mas também da população, na efetivação desse corredor, um desejo cultivado há muitos anos”, comentou o representante do Ministério das Relações Exteriores.

Corredor intensifcará o Turismo entre a parte mais seca do mundo com a mais úmida do Brasil

Para o prefeito de Porto Murtinho, Derlei Delevatti (PSDB) que integrou a comitiva da RILA – Rota de Integração Latino-americana – ressaltou que concretizando a rota o setor do Turismo se intensificará entre os paises componentes, porque vai ligar a região mais seca do mundo, que é o deserto do Atacama com a região pantaneira e com a serra da Bodoquena com suas águas cristalinas. Num trecho de 1.500 km vão se integrar cerca de dois milhões de habitantes neste setor.

Derlei sublinhou que a rota é viável pela distância que separa o setor do agronegócios do centro oeste brasileiro com os portos chilenos e acessar os países asiáticos se economizando distância e com maior competividade.

“Entendo que em todo o trajeto da rota haverá desenvolvimento, vão se criar vários núcleos de comunidade de apoio a logística de transportes e onde hoje esta despovoada com a rota será povoado com prestação de serviços ao longo do percurso”, diz o prefeito murtinhense.

Empenho do governo de MS

Empenho do governo de MS

O prefeito de Murtinho enfatizou ainda as articulações políticas de Mato Grosso do Sul para efetivar esta rota, citando o empenho do governador Reinaldo Azambuja e da bancada federal para que a construção da ponte tenha inicio o mais rápido possível. No entanto, alertou para o fato de que o sucesso comercial da rota não depende apenas de infraestrutura, mas de ordem aduaneiro.

Nessa questão aduaneira o representante do Ministerio das Relaçoes Exteriores, Parkinson, voltou a pontuar alguns itens importantes.

“É preciso medidas para definir regras aduaneiras para assegurar o livre tráfego de cargas, maiores controle de bens e pessoas, que precisam, necessariamente, ser empreendidas nos próximos meses. O fortalecimento dos laços entre a população, autoridades e setor privado é outro ponto fundamental, ainda há muito desconhecimento das potencialidades do projeto”, comentou João Carlos.

Ao realçar que a construção da ponte e o fácil acesso à costa do Pacifico representam uma mudança de paradigmas, João Carlos Parkinson disse que as transformações que vão ocorrer devem ser desenvolvidas pelas autoridades locais e não pelo governo central.

“Os agentes locais devem assumir a liderança desse processo e levar adiante as modificações necessárias, como criar um ambiente para fomentar o turismo e incentivar outras áreas, como a produtiva”, pontuou.

Cordilheira dos Andes

Sal de Salta, Argentina

A rota da integração, em sua opinião, não alavancará apenas a economia de Mato Grosso do Sul, do Centro-Oeste, e dos três países que integram o corredor com exportações, mas abrirá perspectivas de crescimento para novas correntes comerciais. Ele lembrou que Salta, na Argentina, é grande produtora de sal e pode atender a demanda do Estado, no lado paraguaio, nas localidades de Loma Plata, Filadelfia e Newland, e no Alto Paraguai são grande produtora de carne bovina que vai implementar as exportações.

“Na visita que fizemos a Salta, descobriu-se que é possível exportar sal para atender a grande demanda de Mato Grosso do Sul, que traz o produto de Mossoró-RN, numa distância de três mil km, quando poderia ser suprido pela Argentina em um tempo de 14 horas”, frisou.

Neste aspecto, segundo ele, o novo corredor não servirá unicamente aos países exportadores de comodities e terá apenas um caminho, o dos portos chilenos. “É um projeto mais complexo, servirá as importações e exportações em todos os sentidos, será abrangente, atendendo demanda e acordos localizados, como a questão do sal”, finalizou Parkinson.

Na sexta-feira, 02, a comitiva chegou a Assunção onde encerrou a viagem, no prédio do Ministério das Relações Exteriores aconteceu a solenidade de encerramento da empreitada de integração, nessa ocasião estavam presentes os senadores brasileiros Waldemir Moka e Simone Tabet, o ministro das relações Exteriores do Paraguai Eladio Loizaga, Emabaixador do \brasil no Paraguai e os ministros de Obras Públicas Ramon Gimenes Gaona e depois parte da comitiva se reuniu com o ministro de Indústria e Comercio Gustavo Leite. Autoridades paraguaias garantiram que vão pavimentar todo o trecho no chaco por cruza a estrada da integração.