O prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP) se mostrou indignado diante da possibilidade de estar na mira da Operação Lava Jato, que investiga desvios milionários dos cofres da Petrobras. Segundo o procurador-geral do MPF (Ministério Público Federal), Rodrigo Janot, o PP (Partido Progressista), administrado por Bernal em Mato Grosso do Sul teria desviado R$ 357,9 milhões da União que foram investidos em campanhas em 2012 e 2014.
Bernal, que também ocupa a vice-presidência nacional do PP, destaca que a acusação já faz parte de estratégias políticas para 2016. “É uma mentira extremamente maldosa, que já vem no início de ano de eleição”.
As informações que basearam a denúncia de desvios são de balanço, entre os anos de 2006 e 2014, do esquema comandado pelo ex-diretor de abastecimento Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef. Os detalhes estão descritos em denúncia contra o deputado Nelson Meurer (PP-PR), oferecida ao Supremo Tribunal Federal. De acordo com a acusação formal do MPF, doações oficiais ao partido – o primeiro a ter o nome envolvido na Operação Lava Jato – ocultaram o pagamento propina.
Conforme os dados cadastrados no portal da transparência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), durante sua campanha para prefeito de Campo Grande, em 2012, Bernal recebeu mais de R$ 1.569,986,00, que foram repassados pelo diretório nacional. Já da direção estadual/distrital, também comandada por ele, o pepista recebeu R$ 100 mil.
Em 2014, o Partido Progressista recebeu R$ 400 mil da empresa JBS, uma das investigadas pela Operação Lava Jato. O dinheiro foi enviado para a campanha de Alcides Bernal, que estava fora da prefeitura, após ser cassado por improbidade administrativa, e concorria ao Senado.
A Operação já investiga outros dois políticos de Mato Grosso do Sul que pertencem ao Partido dos Trabalhadores, Delcídio do Amaral, que está preso, e o deputado federal Vander Loubet. Delcídio, inclusive, foi um dos principais apoiadores da campanha progressista, com diversas aparições em público e troca de elogios. Hoje, porém, o prefeito evita comentar sobre o ex-aliado.
Reportagem: Top Midia