Política
Família desconfia que plano de fuga de Delcídio seria usado como ‘queima de arquivo’
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Foto: Reprodução / Google

A família do ex-diretor internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, desconfia que a ‘rota de fuga’ – que passaria por Mato Grosso do Sul – oferecida pelo senador Delcídio do Amaral (PT) poderia servir como ‘queima de arquivo’, já que o réu sabe muita coisa sobre os esquemas de corrupção apurados pela Operação Lava Jato. A informação foi divulgada após as especulações de que a Polícia Federal começa a suspeitar que a gravação feita por Bernardo Cerveró pode ser ‘armação’.

De acordo com a coluna de Cláudio Humberto, do Diário do Poder, a família ficou assustada ao saber do plano de fuga que foi proposto pelo senador. Este seria um dos motivos que levaram Bernardo, filho do ex-executivo e afilhado de Delcídio, a produzir os áudios que resultaram na prisão do ex-líder do governo da presidente Dilma Rousseff. Nesta segunda-feira (25), Delcídio completa dois meses que está preso em Brasília (DF).

Ainda segundo a publicação do colunista, o plano de fuga traçado pelo senador, previa que Nestor Cerveró passaria por Mato Grosso do Sul, por via terrestre até chegar ao Paraguai. De lá, o mesmo pegaria uma aeronave com destino à Espanha. Para a família, assim que o executivo passasse por solo sul-mato-grossense, o mesmo estaria ‘vulnerável’ e suscetível a ataques de ‘pistoleiros de aluguel’.

Esta possibilidade acabou deixando a família temerosa em relação ao executivo e teria motivado Bernardo a fizer a gravação para que o jogo fosse aberto. Com isso, o pai conseguiria manter a sua integridade física e, se revelasse todo o esquema, por meio de delação premiada, abrandaria a pena. Além do plano de fuga, Delcídio ainda ofereceu ao amigo uma ajuda mensal de R$ 50 mil para manter a sua família, que ficaria em solo brasileiro. Tudo em troca do seu silêncio.

Armação
De acordo com a publicação da Folha de São Paulo, os investigadores da Operação Lava Jato concordam com a defesa do senador Delcídio do Amaral e veem indícios de que a gravação produzida por Bernardo Cerveró para prender o senador foi “coordenada” por fora — e não uma decisão espontânea do filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

Mencionam os métodos de gravação e a maneira como Bernardo conduziu a conversa como sinais de que ele não agiu sozinho. Há quem use o termo “armação”. Utilitário Cerveró fechou seu acordo de delação premiada depois de sua defesa apresentar a gravação, que serviu como prova para levar o senador petista à prisão.

Como contra-ataque, o advogado do senador, Antônio Figueiredo Basto, revelou que deve entregar nesta segunda-feira (25), no Supremo Tribunal Federal (STF), o pedido de quebra de sigilo telefônico de Bernardo. O resultado deverá integrar a defesa do petista. O objeto é ter acesso à lista de pessoas com quem o filho do ex-executivo trocou telefonemas e tentar cruzar os dados para saber se Bernardo manteve contato com os procuradores da Operação Lava Jato antes de Delcídio ser preso.