(67) 99634-2150 |
Bela Vista-MS Quarta-Feira, 11 de Março de 2026

dsc08056Quando o assunto é qualidade da carne bovina, qual é a melhor opção? O boi castrado ou boi inteiro? E quando está em jogo a melhor remuneração? Qual sistema de produção adotar? A indecisão sobre este tema é algo que realmente preocupa o criador de gado sul-mato-grossense e, por isso mesmo, temas como este serão debatidos na 5ª edição do Confinar – evento que trata de pecuária intensiva em busca de rentabilidade.

Para o supervisor técnico Novilho Precoce MS, Klauss Machareth, no boi inteiro existe a dificuldade de colocar capa de gordura que protege a carne na câmara fria. “Para que a qualidade da matéria-prima não seja afetada, o boi precisa sair do frigorífico a um temperatura de 4º C”, ressalta. Já o boi castrado tem um menor rendimento de carne e um custo maior de produção.

A grande dificuldade, na avaliação do especialista, é colocar acabamento no boi inteiro, principalmente por causa do efeito da testosterona nesse tipo de animal . “Já o boi castrado é mais calmo, com isso é mais tranquila a reposição de gordura”. Para a Klauss, o efeito deste acabamento resulta na boa procedência da carne. “O frigorífico até paga um bônus de R$ 5 por arroba  em animais que atendem este padrão de qualidade, no quesito acabamento”.  Segundo o especialista, um animal, para que atenda a exigência de mercado, com um bom acabamento, tem que apresentar seis milímetros de gordura.

A pergunta é: será que esse bônus compensa? Não é o que os números mostram considerando que, enquanto o castrado registra um bom acabamento e o produtor consegue uma remuneração melhor, o boi inteiro tem um desempenho superior e rende mais 10% de volume de carne, isso sem contar o custo que o produtor tem para castrar. “Enquanto que o animal castrado é abatido com 18 arrobas de carne, o inteiro pode atingir 19,5 arrobas”, explica o especialista na novilho precoce.

Leia  Energisa amplia programa de formação de eletricistas com foco em mulheres

Para ser ter uma ideia do que isso representa em termos de receita, se contabilizarmos que a arroba está cotada a R$ 135, o boi inteiro vai atingir R$ 2.592 a unidade, enquanto que o castrado a R$ 2.430 a unidade. A conta é grosseira, mas comprova que o bônus ainda precisa aumentar para compensar no bolso do criador.

Ainda assim, Klauss reforça a importância de que o produtor analise o setor. “O desafio é adequar o produto ao mercado, que está cada vez mais exigente no quesito qualidade. Mas este desafio é de todos os elos da cadeia produtiva e não só do produtor que, para investir, precisa de melhor remuneração”. A pergunta de Klaus é incisiva e merece reflexão: “Você tem que entender o seu sistema de produção? Você vai abater um animal que não atende a demanda?”

Já na opinião do zootecnista e supervisor técnico da Beef Tec, Rafael Camargo, há soluções para quem optar pelo boi inteiro e a saída está no manejo nutricional. “Por exemplo, no confinamento, a opção é aumentar a carga energética da dieta e, com isso conseguir um melhor acabamento de carcaça”.

Para Camargo, não há também como definir o melhor negócio ao produtor, sem considerar as variantes da escolha. “O pensamento é que quando o animal inteiro é a pasto, onde a densidade energética da dieta é menor, existe  dificuldade em das acabamento na carcaça. O produtor precisa entender, em qualquer que seja a sua escolha, que existem nichos de mercado a serem explorados”.

A conclusão de Camargo é que é possível  produzir carne de boi inteiro com relativa qualidade, abatendo os animais com precocidade, adequado manejo alimentar, entre outros fatores.

Por último, entre castrar ou não castrar, o produtor deve analisar o seu negócio em todos os sentidos, se a sua propriedade comporta um investimento e a espera por um produto que em médio prazo terá reconhecimento do mercado ou se é melhor manter a produção e investir na alimentação.

Leia  Energisa amplia programa de formação de eletricistas com foco em mulheres

Sobre o evento – O simpósio será realizado nos dias 31 de maio e 1º de junho, no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, em Campo Grande/MS. Em sua quinta edição, o Confinar já consta na lista dos principais eventos sobre pecuária do Brasil. O objetivo principal é fornecer ao pecuarista uma série de novas informações por intermédio das opiniões dos melhores analistas e dos dados dos principais pesquisadores do setor para aumentar a rentabilidade do negócio.

O Confinar é uma realização da Beef Tec e é organizado pela Company Eventos. Para o diretor da Beef Tec o simpósio permite ao produtor acesso a informações de qualidade que visam otimizar o desempenho ‘dentro da porteira’. “Esse evento foi concebido pela necessidade de levar informação ao produtor e assim fazer com que ele melhore o uso da tecnologia na propriedade dele”.

Em 2015, o evento contou com a participação de mais de mil pessoas, provenientes de onze Estados. Além disso, estiveram no Confinar produtores rurais vindos da Bolívia, Argentina e Paraguai. O evento teve mais de dez apresentações com temas que abordaram desde a legislação, custo e oportunidades à importância da profissionalização no agronegócio.