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Bela Vista-MS Sexta-Feira, 30 de Outubro de 2026
Deputado Paulo Corrêa entrega R$ 40 mil em materiais hospitalares para PM

Deputado Paulo Corrêa entrega R$ 40 mil em materiais hospitalares para PM

O deputado estadual Paulo Corrêa entregou na tarde desta terça-feira (20) ao Fundo de Assistência Feminina da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul diversos materiais hospitalares adquiridos com recurso de emenda parlamentar.

A solenidade de entrega aconteceu na Policlínica da Polícia Militar e contou com a presença da esposa do deputado, Adriana Corrêa, do Comandante Geral da PMMS, Coronel Marcos Paulo Gimenez e a Presidente da FAF (Fundo de Assistência Feminina da PMMS) Raquel do Valle Pereira Gimenez, além de representantes da Policlínica da PM, e membros do FAF. Na Oportunidade, o Presidente da ALEMS e sua esposa, foram homenageados, pelo incondicional apoio e preocupação, em prol da vida e bem estar do militares do Estado de Mato Grosso do Sul.

Ainda na ocasião, o presidente da Assembleia Legislativa anunciou que está em busca de apoio junto ao Governador Reinaldo Azambuja, de recursos para a construção do Centro de Reabilitação da Segurança Pública. Um espaço de apoio e de ajuda para reabilitação e readaptação de todos os profissionais do segmento, que deve trazer benefícios diretos tanto para o profissional quanto para a população.

Criado em 09 de novembro de 1985, Fundo de Assistência Feminina da PMMS é uma entidade civil de fins filantrópicos, com Estatuto devidamente registrado em cartório, caráter beneficente, educativo, prestando serviços no âmbito psicossocial, aos policiais militares, seus familiares e à comunidade. Dentre os vários atendimentos estão auxílio com material ortopédico, medicamentos de alto custo, cestas básicas, alimentação especial, educação, assistência nutricional, social, psicológica, auxílio funerário, enxovais de bebê, orientações e encaminhamentos a profissionais afins.

 

Com fotos de Cyro Clemente

Deputado Coronel David segue Bolsonaro que busca grupo político afinado e ouvindo a população para as eleições 2022

Deputado Coronel David segue Bolsonaro que busca grupo político afinado e ouvindo a população para as eleições 2022

Ouvir a população e integrar grupo político afinado e com metas bem definidas são componentes importantes para a disputa de uma eleição. A opinião é do deputado estadual Coronel David (sem partido) manifestada na entrevista ao jornal diário O Estado, edição desta quarta-feira (21).

O parlamentar já está em campo para fortalecer a proposta de reeleição do presidente da República Jair Bolsonaro, também sem partido.  Uma missão necessária pois, embora ambos não estejam filiados no momento a nenhuma sigla partidária, deve ser levada em conta a importância de se preparar para a batalha eleitoral de 2022.

O parlamentar faz questão de afirmar que ‘’eleição se ganha antes’’ e explica como isso pode acontecer: ‘’Nos preparativos, na montagem de grupos políticos de apoio e busca de novos colaboradores’’.

Assim, Coronel David deixa claro que Bolsonaro está no caminho certo ao analisar qual partido deverá se filiar diante da impossibilidade, por uma questão de prazo, da criação do Aliança pelo Brasil.

Disse que criar um partido demanda tempo e vê que, diante disso, a estratégia do presidente é acertada.

Afirmou que ‘’o ideal é que nós tivéssemos o Aliança para o Brasil de forma regular para que pudéssemos ser candidatos em 2022 junto com o presidente Bolsonaro. Só que o prazo eleitoral não espera’’, explicou.

‘’Não há como chegar no último dia par escolher um partido e ter condições de ser candidato’’, afirmou o parlamentar na entrevista ao O Estado, frisando ainda que, por isso, desde já o presidente Bolsonaro começou a fazer consultas aos partidos. Quer, segundo Coronel David, verificar ‘’aquele que melhor se aproxima das pautas e que possa reunir todos aqueles que lutam pelas mesmas coisas”.

Nessa convergência de pensamentos, o parlamentar ressalta que, embora se sinta lisonjeado por receber convites de filiação por diversos partidos, seu grupo político é o do presidente Jair Bolsonaro e reiterou que vai acompanhá-lo quando este se definir por uma nova sigla.

Sobre qual cargo deverá disputar, disse que ouvirá o grupo político e a voz das ruas para definir seu projeto político 2022. ‘’Entendo que para escolher a disputa de cargos há necessidade de uma série de avaliações. A eleição implica muitas pessoas e além do grupo político que a gente participa, ouvir a população é fundamental’’, afirmou ainda na entrevista.

Foto: Correio do Estado

Prefeito e vereadores participam de reunião com o diretor presidente do DETRAN/MS

Prefeito e vereadores participam de reunião com o diretor presidente do DETRAN/MS

Prefeito e vereadores participam de reunião com o diretor presidente do DETRAN/MS

Cumprindo agenda em Campo Grande – MS, nesta quinta-feira, 15 de abril, os vereadores e o prefeito de Bela Vista participaram de uma reunião com o diretor presidente do DETRAN/MS – Departamento Estadual de Trânsito do Mato Grosso do Sul – Rudel Espínola Trindade Júnior, diretor Adjunto Valter José Bortolleto e Maria Moura, engenharia de trânsito, Prefeito Reinaldo Piti, presidente da câmara Johnys Basso, vereador Fleitas, Fabrizia Tinoco, Hemerson Buiu, Edinho Duarte e Geferson Vieira.

Na oportunidade o prefeito e os vereadores apresentaram ao diretor presidente do DETRAN/MS reivindicações de melhorias para beneficiar o município.

Foram feitas as seguintes reivindicações: a reestruturação do trânsito no centro da cidade, recapeamento da via onde o ocorrem às aulas das auto-escolas, faixas elevadas na frente das escolas, sinalizações nas principais vias e cruzamentos de Bela Vista.

As autoridades justificaram os pedidos “Propusemos essa parceria para que possamos estar executando mais esses serviços para a nossa cidade, com o objetivo de padronizar a sinalização, organizar o trânsito, além de proporcionar mais segurança para motoristas e pedestres. Estamos esperançosos que teremos a parceria com órgão”.

Rudel Espindola afirmou que ira fazer um levantamento para poder resolver as demandas e colocou á disposição uma engenheira de trânsito para ir até o município, para fazer os levantamentos e projetos que possam colaborar para um trânsito mais eficiente em Bela Vista.

Ademir Mendonça – Assessor de Imprensa

Prefeitura de Caracol distribui kits de proteção individual para garis

Prefeitura de Caracol distribui kits de proteção individual para garis

Prefeitura de Caracol distribui kits de proteção individual para garis

A fim de prevenir os riscos de acidentes de trabalho, garantindo segurança e bem estar aos funcionários, a Prefeitura de Caracol, através da Secretaria Municipal de Agricultura e Comissão interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho, distribuiu kits de EPIS – Equipamentos de Proteção Individual aos funcionários que trabalham na coleta de lixo do município.

O prefeito Neco Pagliosa e o vice prefeito Preguinho e o Secretário de Agricultura, Carlos Roberto Hespporte e funcionários da secretaria coordenaram a entrega de dos kits para os de coletores nesta manha de quinta-feira (15).

Segundo o prefeito Neco Pagliosa, o uso desse equipamento  é fundamental para garantir a saúde e a proteção do trabalhador. “O uso desse Equipamento de Proteção Individual evita conseqüências negativas em casos de acidentes de trabalho. Além disso, o EPI também é usado para garantir que o profissional não fique vulnerável a doenças ocupacionais, que podem comprometer a capacidade de trabalho e de vida dos profissionais durante e depois da fase ativa de trabalho”, disse Neco.

Importância do EPI

O EPI é importante para proteger os profissionais individualmente, reduzindo qualquer tipo de ameaça ou risco para o trabalhador. O uso dos equipamentos de proteção é determinado por uma norma técnica chamada NR 6, que estabelece que os EPIs sejam fornecidos ao trabalhador para o desempenho de suas funções.(Com informações da Assessoria de Comunicação)

 

Ademir Mendonça – Fronteira News – Foto: Alexandre Arruda

Detran-MS entrega Central de Exames e dobra capacidade de atendimento médico e psicológico na Capital

Detran-MS entrega Central de Exames e dobra capacidade de atendimento médico e psicológico na Capital

O Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul) entrega, nesta quarta-feira (14), a Central de Exames Maria Solange Félix e Silvio Haddad. Localizada no Pátio Central, em Campo Grande, a unidade vai concentrar todo o atendimento de exames de aptidão física e mental, de perícia psicológica e de médico especial aos candidatos à primeira habilitação, renovação de CNH (Carteira Nacional de Habilitação), mudança de categoria e reabilitação de condutores e permissionários. Todos os exames, que até hoje eram feitos na sede do Detran, na saída para Rochedo, serão transferidos para a Central.

Em um espaço moderno, seguro e de fácil acesso, a Central de Exames está distribuída em 761 metros quadrados, no terceiro andar do Pátio Central e abriga nove salas de atendimento médico e seis para atendimento psicológico.

De acordo com a diretora de Habilitação do Detran-MS, Lina Issa Zeinab, a Central de Exames tem a capacidade de atender até 500 pessoas por dia. “Vamos proporcionar maior conforto e segurança aos clientes, com localização mais acessível e instalações adequadas”, afirmou a diretora.

Desde o dia 15 de março, os serviços relacionados à habilitação [emissão de carteira definitiva, segunda via e Permissão Internacional para Dirigir] estão sendo executados exclusivamente pelo Portal de Serviços do Detran-MS. “Dessa forma, o atendimento é feito com horário previamente agendado, evitando aglomerações neste período delicado de pandemia pelo qual estamos passando. Sem contar que o cliente pode ordenar seu atendimento de acordo com a sua necessidade”, enfatizou a diretora.

Central de Exames Maria Solange Félix e Sílvio Haddad

Ao inaugurar a nova Central de Exames, o diretor-presidente do Detran-MS, Rudel Trindade, lembra que foi feita uma justa homenagem a dois profissionais cujos nomes fazem parte da história do Departamento: a psicóloga Maria Solange Félix e o médico Silvio Haddad, ambos especialistas em psicologia e medicina do tráfego.

Maria Solange acreditava que a psicologia poderia contribuir na disseminação de uma cultura de paz no trânsito, do respeito à cidadania e da solidariedade entre as pessoas. Ela atou no Detran de São Paulo e do Mato Grosso do Sul e foi diretora-científica da Associação Brasileira de Educadores de Trânsito. Solange também foi membro da Câmara Temática de Saúde e Meio Ambiente do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito).

Silvio Haddad era membro titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Foi Diretor-Científico da Associação Brasileira de Perícias Médicas e Medicina Legal de Mato Grosso do Sul, diretor-presidente da Abramet-MS (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego de Mato Grosso do Sul) e diretor-técnico responsável pelo Centro de Atendimento Médico Pericial do Estado.

Rudel lembra que, a intenção era, celebrar esse instante com toda pompa que ele merece. “Gostaríamos de poder chamar a família, os amigos próximos, as autoridades na área para essa homenagem e também para comemorar a inauguração de um espaço confortável e seguro para nossos clientes. No entanto, sabemos que este não é o momento e reconhecemos a necessidade de resguardarmos a saúde de todos, o que não diminui nosso apreço pelas homenagens e pela entrega desse espaço, que foi planejado com muito cuidado por todos nós”, finalizou.

Vivianne Nunes

De Corumbá a Murtinho, Histórias da Ferrovia, da Guerra e do Cuê

De Corumbá a Murtinho, Histórias da Ferrovia, da Guerra e do Cuê

O Rio Paraguai de Corumbá a Porto Murtinho, no extremo sudoeste de Mato Grosso do Sul, foi o centro de grandes conflitos envolvendo portugueses, espanhóis e índios guaicurus, até o final da Guerra do Paraguai (1864-1870). Ao percorrer seus 526 quilômetros, pelo caminho se encontram testemunhos da disputa pelo território, como as fortificações, e uma comunidade que ainda mantém crenças e lendas, personificando heróis e celebrando milagres.

No centro da cobiça de portugueses e espanhóis pelo caudaloso e estratégico rio e as reservas de pedras preciosas na região de Cuiabá, a fundação de Corumbá, em 21 de setembro de 1778, foi determinante para o domínio da coroa lusitana na fronteira Oeste. Pelo Tratado de Tordesilhas, essa porção do Brasil pertenceu à Espanha até o século XVI. Portugal se impôs, dizimou nações indígenas e se estabeleceu militarmente.

Para ocupar definitivamente a região, no entanto, a história nos revela os percalços das investidas portuguesas pelo controle do desconhecido, a começar pelo total abandono da região do baixo Pantanal, tomada facilmente pelos paraguaios durante a guerra. A fundação do Forte Coimbra, em 1775, foi a primeira das patacoadas. O forte acabou erguido em local errado, no Estreito de São Francisco Xavier, ao invés do Fecho dos Morros, próximo a Porto Murtinho.

Forte Coimbra (1775), entre Corumbá e Murtinho: militares e civis, isolados, cultuam os milagres atribuídos a Nossa Senhora do Carmo

Sertanista bajulador do general

Quando a capitania de Mato Grosso decidiu construir uma segunda fortificação, rio acima (norte), para impedir o avanço de tropas espanholas e índios pelo Rio Mondego (Miranda), o enviado da Coroa escolheu às cercanias da morraria do Urucum, próximas à foz do afluente. Fundou-se ali Albuquerque, em 1776, mas descobriu-se que não havia ponto elevado para erguer o novo forte. Albuquerque tornou-se uma vila de apoio e hoje é distrito de Corumbá e atrativo de pesca esportiva.

Navios a vapor, alguns luxuosos, cruzavam os rios platinos, ligando Corumbá a Montevideo e ao Rio de Janeiro

Finalmente, o governador e general Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, fidalgo lusitano, se convence das encostas na curva do rio e manda fundar a nova fortificação, que se chamaria Albuquerque Novo, depois Corumbá. Mandou o sertanista João Leme do Prado limpar o terreno e este, ao montar acampamento em terra agricultável na confluência do Paraguai com o Paraguai-Mirim, teve o repente de fundar Ladário, nome da cidade natal do governador em Portugal. Cidades-gêmeas, Ladário e Corumbá comemoram aniversário no mesmo ano (1778) e mês (setembro), por uma diferença de 19 dias.

Soldado guarda o rio no Forte Coimbra

Ladário foi bairro e distrito de Corumbá e ocupa uma porção ínfima dentro do território do vizinho, que se espalha por 64 mil km², sendo o 11º maior município do Brasil. É sede do distrito naval da Marinha, que sustenta sua economia. Ambos brigam pelo maciço de Urucum, onde o Rio Paraguai contorna para chegar ao Porto da Manga, na Estrada-Parque, que foi picada da expedição do sertanista Cândido Rondon, estrada boiadeira e único acesso por terra à região, até a construção da BR-262, em meados de 1980.

Museu de Rondon abandonado

O distrito da Manga foi importante porto de transbordo de gado e hoje sua pequena comunidade vive da pesca, abandonado pelo poder público. Guarda uma das relíquias dos tempos de apogeu de Corumbá e a chegada do telégrafo naqueles confins de 1900: uma casa de madeira em palafitas de aroeira, na beira do Paraguai, que seria o posto do “guarda-fio”. Havia também imóvel semelhante do outro lado do rio.

Esse “guarda-fio” instalado no início do século XX, era um ponto de apoio da rede telegráfica para monitorar a fiação de 300 metros que passava sobre o rio, em direção a Corumbá. Muitos falam que ali, lugar ermo naqueles tempos, também funcionava uma agência dos telégrafos, o que não procede. A casa ainda intacta – ela registra, nos seus esteios, marcas das maiores cheias do rio – foi restaurada há alguns anos para ser o Museu do Rondon, mas Estado e Município abandonaram o projeto de 2004.

Estrutura em palafita do centenário “guarda-fio” do telégrafo de Rondon: projeto do museu abandonado pelo poder público

Manga também foi local de grandes saladeiros, dos quais não se tem vestígios. A região é hoje atrativo de pesca, que se estende rio abaixo até o distrito de Porto Esperança, comunidade tradicional do Pantanal, que nasceu com a chegada da estrada de ferro, na primeira década de 1900. Era uma vila próspera e movimentada com sua estação ferroviária construída em 1912. Na década de 50, o governo construiu a monumental ponte de concreto sobre o rio, hoje tombada pelo patrimônio histórico, ligando Santos a Santa Cruz (Bolívia).

Forte Coimbra, hoje destino de pesca

Antes da ponte, Porto Esperança era o ponto de transbordo de quem chegava de trem de São Paulo ou Campo Grande, que em 1914 tinha um terço da população de Corumbá. Para chegar a esta cidade, viajava-se por 134 km, rio acima, nos navios a vapor, um deles o lendário Fernando Vieira, velha canhoneira da Guerra do Paraguai adaptada para transportar passageiros em primeira classe. O Guarapuava cruzava o Paraguai entre Corumbá e Murtinho. A ligação ferroviária pelo rio em 1952 decretou o fim do comércio fluvial.

Porto Esperança, 1929: trem e navio no transporte de pessoas e cargas

Esperança, isolado, foi ocupada por pesqueiros na beira do rio e cerca de 60 famílias ainda vivem ali, basicamente da pesca. A histórica estação foi restaurada no início dos anos 2000,  mas o (novo) Trem do Pantanal não voltou a circular ali. Ao lado da comunidade, a Vale movimenta milhares de toneladas de minério de ferro, que segue em barcaças até os portos de Assunção, Argentina e Uruguai. Hoje o Rio Paraguai transporta mais de seis milhões de toneladas/ano de minério.

Do velho porto, navegando mais ao sudoeste, um novo Pantanal descortina: é o Nabileque, terra dos índios kadiwéus, lugar preferido dos contrabandistas de peles de jacarés, cujas cargas saíam pela fronteira desguarnecida com o Paraguai. A caça cessou no final dos anos de 1980. Algumas horas mais de barco e chega-se ao Forte Coimbra, que surge imponente na curva do rio. O local foi palco de duas batalhas, com os espanhóis e os paraguaios, e hoje guarda os restos mortais de seu construtor e herói, Ricardo Franco.

O “pedaço” da fronteira da Bolívia

Até o início dos anos 2000, morar no forte era um teste de resistência. Não havia energia elétrica, nem comunicação. Acessos apenas aéreo e fluvial, até os dias atuais. Além da corporação militar, fixou-se ali uma comunidade civil, que sofreu ameaças de expulsão pelo Exército na década passada. Estas pessoas, muitas das quais descendentes de quem lutou na guerra, vivem da pesca. Existem pousadas e o Exército abriu o forte à visitação, cujo passeio guiado inclui a misteriosa Gruta do Inferno, a terceira maior do Estado.

Bicentenário Forte Olimpo, onde o rio é a fronteira Brasil-Paraguai: atração turística no Pantanal do Nabileque

A região, além dos fatos históricos e a crença daquele povo no poder milagroso da padroeira Nossa Senhora do Carmo, que teria livrado os soldados brasileiros de um massacre nas duas batalhas para tomada do forte, reserva muito mais do que a beleza do bioma pantaneira. Logo abaixo, o marco da tríplice fronteira, onde a Bolívia tem seu pedacinho (48 km) de soberania pelas águas do rio, depois de perder seu litoral para o Chile e parte do Chaco para o Paraguai.

Já no território onde o rio é a fronteira Brasil-Paraguai, chega-se a pacata vila Baía Negra, reduto dos “coureiros” e passagem de peles de jacarés. Não se imagina, pela calmaria reinante, que ali guardava temidos contrabandistas do animal silvestre. Mesma sensação se tem ao passar por Forte Olimpo, um dos pontos de apoio do Paraguai nas guerras contra o Brasil e a Bolívia (Guerra do Chaco, 1932-1935), fundado em 1792, na margem direita do rio.

Saladeiro Cuê: futuro porto, apenas lembranças
Ruínas do saladeiro Barranco Branco, em Murtinho

Porto Murtinho, do Saladero Cuê

A vila militar de seis mil moradores, hoje atrativo turístico, circunda os morros Três Hermanos e, assim como Porto Murtinho, uns 100 km rio abaixo, é cercada por um dique contra enchentes de 4 km. Outro local que desperta a curiosidade do viajante é o estreito do Fecho dos Morros, onde deveria ter sido construído o Forte Coimbra. É um dos pontos mais altos do Rio Paraguai e atrai turistas pela visão panorâmica privilegiada que proporciona.

A chegada a Porto Murtinho é uma releitura do processo de ocupação da vasta região. Uma volta pela cidade expõe a riqueza vivida pela população no auge da erva-mate, tanino e charque, a partir de meados do século XIX. Nasceu de um porto instalado em 1892 pela nossa primeira multinacional Companhia Mate Laranjeira. Depois do declínio do mate, veio a exploração do tanino por empresas alemãs e portuguesas, empregando mais de três mil pessoas na década de 1930.

O município também viveu das charqueadas ou saladeiros, onde se curava  ou secava a carne, a fim de conserva-la por mais longo tempo, produto de exportação pelo rio. Saladero Cuê, frigorífico de espanhóis, instalado no início do século XX, se destacou com a industrialização do charque pelo seu poder econômico e faz parte da memória da cidade, onde também funcionou o Saladeiro Barranco Branco. Saladero Cuê deu lugar a um hotel, cujo proprietário montou um museu que abriga um grande acervo da história da região.