Governadores e representantes de territórios subnacionais reunidos na VII Cúpula de Governadores desde a terça-feira (7), na cidade de San Salvador de Jujuy, na província de Jujuy, Argentina, divulgaram uma ata em que resumem os avanços, os desafios e os próximos pontos a serem vencidos no esforço conjunto para construir a rota rodoviária interligando os quatro países (Brasil, Paraguai, Argentina e Chile) e os dois oceanos – Atlântico e Pacífico.
A Ata da Cúpula dos Governadores foi aprovada na reunião desta manhã (09) e está assinada pelos governadores Carlos Sadir (Jujuy) e Antonio Marocco (Salta), províncias da Argentina; José Carlos Barbosa, vice-governador de Mato Grosso do Sul (Brasil); Ricardo Días Cortéz (Antofagasta) e Carolina Quinteros Muñoz (representante do governador Miguel Carvajal Gallardo, da província de Tarapacá), do Chile; Frederico Arturo Méndez González (Alto Paraguai), Harold Bergen (Boquerón) e Bernardo Antonio Zátare Rudas (Presidente Hayes), todos do Paraguai.
O secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, integrou a comitiva de Mato Grosso do Sul e expressou a preocupação das autoridades presentes ao encontro com a necessidade de ajustes nos cronogramas de algumas obras vitais para viabilizar o corredor.
“O Paraguai já sinalizou com a construção da ponte na divisa com a Argentina, nas cidades de Pozo Hondo e Mision de La Paz. Essa é uma preocupação. O Governo Argentino ainda não fez os acordos com o Paraguai e começamos a avaliar que, talvez esse seja um ponto de estrangulamento, de atraso na implantação da Rota Bioceânica. Essa é uma das preocupações”, disse Verruck.
Outra questão recorrente é a alfandegária, tema que novamente foi dominante no encontro, conforme o secretário. “Efetivamente temos que avançar mais na discussão das cabeceiras únicas, a ideia é que tenhamos uma cabeceira única no Brasil, outra no Paraguai e depois outra na Argentina com o Chile, isso seria um grande facilitador”, pontuou.
O Governo Federal encaminhou ao Senado Federal para aprovação a Convenção TIR, que é um tratado internacional que simplifica e acelera o transporte rodoviário internacional de mercadorias, permitindo que veículos com compartimentos de carga selados circulem por diversos países sem verificações aduaneiras extensivas em cada fronteira, usando um único documento: a Caderneta TIR. O secretário destaca a importante da adesão imediata do Brasil e dos demais países servidos pelo Corredor Bioceânico a esse tratado, pois será o grande facilitador de transporte de mercadorias e desembaraço aduaneiro.
“Já estamos vendo um grande envolvimento de todos os governadores aqui. A questão alfandegária que, nós temos destacado, foi colocada numa pauta crucial para viabilização da rota. E quanto à infraestrutura, a execução dos ajustes de cronogramas para que, efetivamente, a gente consiga no prazo de um ano, um ano e meio, ter toda a infraestrutura resolvida. O gargalo que a gente identifica, nesse momento, seria a construção dessa ponte entre o Paraguai e a Argentina, mas o Paraguai já ofereceu os recursos, e ainda tem todo um trâmite de aprovação da obra, essa é a pressão que vamos fazer no momento”, completou.
Avanços e dimensões
A Ata destaca os avanços pontuados nas diferentes dimensões do Plano Diretor do Corredor Bioceânico de Capricórnio (CBC), que são: Facilitação do comércio e dos processos transfronteiriços, Infraestrutura física e digital com foco nas cadeias de valor digital com foco em cadeias de valor; Desenvolvimento local produtivo e comercial; e plataforma web do CBC. Quanto à facilitação do comércio, identificaram-se 230 oportunidades de melhoria e definiram-se 260 ações prioritárias, constituindo um roteiro para otimizar os fluxos comerciais e reduzir as barreiras administrativas nas passagens de fronteira.
Em relação à infraestrutura física, foram identificados mais de 100 projetos prioritários em diferentes fases de maturidade que abrangem obras rodoviárias, passagens de fronteira, infraestrutura ferroviária, plataformas logísticas e redes de conectividade digital. Este estudo estabelece as bases para alcançar uma integração operacional do CBC e ressalta a necessidade de coordenação entre os níveis de governo e com o setor privado para sua execução efetiva.
Na dimensão do desenvolvimento local produtivo e comercial, Identificaram-se como setores prioritários a agricultura, a agroindústria, a mineração, os serviços logísticos e o turismo. O próximo passo consistirá em realizar um conjunto de estudos específicos por território, com o objetivo de caracterizar cadeias de valor, detectar lacunas e elaborar planos de ação com projetos concretos que impulsionem o desenvolvimento econômico local.
E por fim, a plataforma web do CBC é considerada pelos governadores como ferramenta fundamental para dar visibilidade aos trabalhos realizados no âmbito do CBC e aos avanços do Plano Diretor, facilitar o acesso aos documentos de trabalho e promover a transparência e a participação dos atores institucionais, empresariais e sociais envolvidos.
A presidência Pro Tempore do Fórum foi transferida para o governador Ricardo Díaz Cortés, da província de Antofagasta, no Chile, onde acontecerá a próxima reunião do grupo, no segundo semestre no ano que vem, em data a ser definida.
Fonte: Semadesc-MS |João Prestes – Foto: João Garrigó
Para dialogar sobre os desafios e oportunidades trazidos a partir da consolidação da Rota Bioceânica, lideranças de Mato Grosso do Sul participaram, nessa quarta-feira (8), do VII Fórum dos Territórios Subnacionais do Corredor Bioceânico de Capricórnio, realizado até o dia 10 de outubro, em San Salvador de Jujuy, na Argentina.
O grupo, composto por representantes de 12 cidades sul-mato-grossenses, integra a missão-técnica que percorre o corredor rodoviário até o Porto de Iquique, no Chile, entre os dias 6 e 14 deste mês. A iniciativa, realizada pelo Sebrae/MS e Governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), é voltada aos municípios que integram o programa Cidade Empreendedora – iniciativa executada pelas instituições, em parceria com as prefeituras municipais que aderiram, com ações que visam a promoção do desenvolvimento local.
Durante o evento, o vice-governador, José Carlos Barbosa, o Barbosinha, ressaltou a importância de fortalecer a interlocução entre os países que compõem o corredor. “É oportunidade de Mato Grosso do Sul, com a presença do Governo, de prefeituras e do Sebrae, discutir essa rota de integração econômica e de união dos nossos povos. Isso aproxima os países do corredor e contribui para a consolidação desse novo percurso até o Pacífico. Muitos avanços já foram conquistados, mas somente com a integração das lideranças que nós iremos conseguir superar desafios e fazer com que os oceanos possam se integrar do ponto de vista econômico e de desenvolvimento”, pontuou.
Segundo o vice-presidente do Conselho Deliberativo Estadual (CDE) do Sebrae/MS e titular da Semadesc, Jaime Verruck, o fórum dá continuidade aos diálogos entre os países com a apresentação de estudos sobre diferentes questões que envolvem a rota, como infraestrutura, alfândega, desenvolvimento de pequenos negócios e integração econômica, além de ser um espaço onde a governança toma as principais decisões em relação aos territórios, por isso, a relevância da presença dos municípios de Mato Grosso do Sul.
“A Rota Bioceânica é estratégica para o desenvolvimento. Todo o Estado será impactado, por isso, a vinda dos prefeitos cria uma nova perspectiva para que eles possam enxergar os potenciais das cidades e tomarem decisões para se apropriarem desse grande projeto que teremos nos próximos anos, além de conhecerem a realidade de cidades de outros países que também estão nas mesmas condições. Então, é conhecimento para habilitar esses prefeitos a tomarem decisões mais assertivas em relação ao futuro dos municípios”, expôs.
Com o foco na eficiência da gestão pública, fortalecimento dos pequenos negócios e desenvolvimento territorial, o programa Cidade Empreendedora tem apoiado as administrações municipais a trabalharem as potencialidades de cada região. De acordo com o diretor-superintendente do Sebrae/MS, Claudio Mendonça, a missão-técnica integra essa estratégia ao promover aprendizado e troca de experiências entre as lideranças.
“Esse é um momento de diálogo para acompanhar o andamento da consolidação da Rota Bioceânica. O Sebrae trouxe esse grupo de prefeitos, junto com o Governo do Estado, para que a gente possa identificar como levar, para cada um desses municípios, o desenvolvimento que a rota pode proporcionar, dessa forma, podemos criar oportunidades, fortalecer o setor empresarial e impulsionar a economia de cada região”, expôs Mendonça.
No fórum, lideranças do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile apresentaram ao público o andamento dos projetos executados para a consolidação da rota. O encontro também contou com a realização de câmaras técnicas compostas por representantes de cada país para o debate sobre temáticas como obras públicas, logística e transporte; comércio e procedimentos de fronteira; turismo e cultura; participação cidadã; segurança e sustentabilidade; e educação e academia.
Um dos encontros foi focado nos municípios que permeiam o corredor rodoviário e reuniu os prefeitos e prefeitas com o intuito de trocar experiências e apresentar projetos. Participantes da missão-técnica, representantes de Amambai, Anastácio, Aquidauana, Bela Vista, Brasilândia, Inocência, Itaquiraí, Jardim, Maracaju, Nioaque, Porto Murtinho e Ribas do Rio Pardo, estiveram presentes e participaram do diálogo.
Para o prefeito de Itaquiraí e presidente da Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (Assomasul), que apoia a missão-técnica, o conhecimento trazido pelo fórum foi de grande relevância. “Aqui nós pudemos escutar e ver quais são as expectativas das autoridades locais da Argentina, Paraguai e do Chile. Mato Grosso do Sul está no portal do Brasil. Iremos receber importações de produtos e exportar, e toda essa logística irá trazer uma redução no tempo de entrega, demandando menos investimento e trazendo mais lucratividade. Então, essas conversas são importantes para estarmos mais preparados e nos tornarmos mais competitivos”, concluiu.
Integração para o desenvolvimento de soluções
Além das lideranças municipais, o fórum também envolve o meio acadêmico. Viabilizar o funcionamento do corredor bioceânico exige que os municípios estejam preparados para atender novas demandas e oferecer serviços de qualidade. Com esse propósito, um dos eixos de trabalho é o “Educação e Academia” que busca identificar as necessidades locais e desenvolver soluções inovadoras com apoio de universidades e institutos de ciência e tecnologia.
Na sétima edição do fórum, a parceria entre Sebrae/MS e Semadesc, por meio do Pró-Desenvolve, viabilizou a participação de uma caravana formada por pesquisadores sul-mato-grossenses, fortalecendo o intercâmbio de conhecimento entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
O conselheiro do Sebrae/MS e secretário-executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação da Semadesc, Ricardo Senna, ressaltou a importância dessa integração. “O corredor bioceânico é uma grande oportunidade de ampliar o comércio internacional e promover o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. Mas isso só será possível se unirmos esforços entre os países e envolvermos as universidades, onde nasce a pesquisa científica e a inovação. É essencial enxergar a inovação como uma mola propulsora para consolidar o corredor. Durante o fórum, estamos discutindo como somar forças para que o desenvolvimento aconteça de forma conjunta”, destacou.
Grande parte dos pesquisadores presentes no fórum integra a Unirila – Universidade da Rota de Integração Latino-Americana, uma rede internacional de cooperação composta por 15 universidades, sendo sete brasileiras sediadas no Estado: Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS), Faculdade Insted, Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) e Uniderp.
Segundo o coordenador da Unirila no Brasil e professor da UEMS, Ruberval Franco Maciel, os estudos sobre a Rota Bioceânica começaram a partir de uma comissão criada pelos países envolvidos em 2015. Ele explica que o trabalho colaborativo permitiu um conhecimento mais profundo sobre os territórios e fortaleceu a relação entre as instituições latino-americanas, ampliando os resultados alcançados.
Em câmara técnica, prefeitos dos municípios que permeiam a rota dialogaram sobre desafios e apresentaram projetos
“Já avançamos muito. O que começou com um pequeno grupo discutindo ideias em uma sala, hoje, se tornou um trabalho estruturado, com várias câmaras técnicas, estudos e mapeamentos que ampliaram nosso conhecimento sobre os territórios e promoveram a integração com pesquisadores do Paraguai, Chile e Argentina. Como os desafios envolvem vários países, aplicamos metodologias conjuntas considerando demandas que envolvem desde o poder público até o setor empresarial, além disso, nos preocupamos em levar os resultados para a sociedade, por meio de palestras e simpósios, para que todos possam entender o que está acontecendo e aproveitar oportunidades”, ressaltou.
Para fortalecer ainda mais a cooperação entre as instituições envolvidas na Rota Bioceânica, o fórum também marcou a formalização de novos acordos de parceria. Um deles foi o protocolo de intenções entre a Agência de Ciência, Tecnologia e Inovação de Jujuy e o Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Semadesc, com o objetivo de aproximar os dois territórios e desenvolver projetos conjuntos nas áreas de ciência, tecnologia e inovação.
Outro avanço foi a assinatura de um termo de cooperação técnica entre a Semadesc e a UEMS para a implantação do Hub de Tecnologia e Inovação da Rota Bioceânica, que será responsável por conectar instituições de pesquisa e fomentar o desenvolvimento de iniciativas científicas e tecnológicas voltadas especificamente à consolidação do corredor.
Para mais informações sobre as ações realizadas pelo Sebrae/MS e parceiros de fomento a consolidação da Rota Bioceânica acesse ms.sebrae.com.br ou entre em contato pela Central de Relacionamento, no número 0800 570 0800.
Em mais um sinal positivo para Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou o líder brasileiro como um “bom homem”. A declaração do mandatário norte-americano aconteceu nesta segunda-feira (6/10).
Durante conversa com jornalistas no Salão Oval, o presidente republicano ainda afirmou que fará “negócios” com seu colega brasileiro.
Após várias tratativas na Índia, Missão Internacional de Mato Grosso do Sul que fica até o fim desta semana na Ásia agora faz negócios no Japão, onde o foco é a ampliação do mercado de proteína animal – o popular mercado da carne – e também a atração de investimentos no setor de energia renovável, que possui uma gama de produtos, como o gás natural.
O primeiro dia de trabalho em solo nipônico foi marcado por encontros nos pavilhões do Brasil e da Arábia Saudita, onde relações comerciais e institucionais foram estreitados durante a Feira Internacional de Osaka – Expo Mundial 2025. Nesta edição, o tema principal da Expo será ‘Projetando uma Sociedade Futura para Nossas Vidas’
“A nossa vinda para cá vai além dessa relação direta com empresas e instituições. É uma construção de confiança. O Japão ao longo do tempo tem mostrado apoio em importantes iniciativas em nosso Estado, e temos que estreitar ainda mais esse laço. Mato Grosso do Sul possui grandes oportunidades de investimento”, afirma o governador Eduardo Riedel.
Entre as oportunidades citadas por Riedel, estão o setor de proteína animal, agropecuária e a energia renovável, uma pauta global liderada pelo conceito da transição energética. “As empresas podem apoiar o desenvolvimento dessa matriz energética para participar do desenvolvimento do Estado. A gente vê com bons olhos essa parceria”, completa.
Recentemente declarado livre da aftosa sem vacinação, Mato Grosso do Sul busca com esse status aumentar sua particpação nas exportações de carne bovina para a Ásia, em especial para o Japão, um dos maiores mercados do mundo em termos quantitativos e também qualitativos.
“Temos que agir com proatividade para buscar esses novos mercados e as oportunidades, quer para a indústria quer para a agroindústria, bater de porta em porta para buscar atender nossa produção para a demanda mundial. Aqui no Japão há grandes oportunidades, e buscá-las é o que estamos fazendo aqui”, explica o presidente da Fiems, Sérgio Longen. “Isso significa emprego e renda em Mato Grosso do Sul”, complementa o governador Eduardo Riedel.
Mais um passo para intensificar o processo de internacionalização da economia sul-mato-grossense foi dado na Índia, onde o governador Eduardo Riedel e toda a comitiva do Estado iniciam a missão oficial – que fica até semana que vem na Ásia – voltada para a abertura de novos mercados e atração de investidores globais para o Mato Grosso do Sul.
Nesta quinta-feira (7), as autoridades presentes na missão participaram do Fórum LIDE Brasil-Índia, realizado em Mumbai. Na oportunidade, Riedel apresentou as potencialidades do Estado a empresários e autoridades indianas, com destaque para oportunidades de exportação e atração de investimentos em setores como agronegócio, energia limpa, tecnologia e celulose.
Com uma localização estratégica no coração da América do Sul e uma economia que cresce acima da média nacional, o Estado figura como o terceiro com menor taxa de desemprego no Brasil e o segundo com menor índice de pobreza extrema. Esses indicadores positivos, aliados ao compromisso com a sustentabilidade e à industrialização crescente da produção agropecuária, tornam o Mato Grosso do Sul cada vez mais atrativo para o capital internacional.
“Ao apresentar o nosso Estado para o mercado indiano, mostramos que temos muito mais do que vocação agrícola. Temos um projeto estruturado de desenvolvimento sustentável, com transição energética, industrialização de base florestal e uma agenda estratégica de inovação”, afirmou Riedel durante o Fórum.
A agenda em Mumbai também inclui discussões sobre intercâmbios acadêmicos e cooperação tecnológica entre universidades indianas e instituições de ensino superior do Mato Grosso do Sul. A proposta é compartilhar conhecimento em áreas como agricultura de precisão e tecnologias sustentáveis no campo.
A missão internacional também está prospectando parcerias comerciais com foco na exportação de celulose, produto em que o Estado já se destaca nacionalmente. Segundo Riedel, a matéria-prima sul-mato-grossense é essencial para a indústria têxtil da Índia, especialmente na fabricação de tecidos como a viscose, segmento no qual o país asiático é líder mundial.
“Nossa intenção é ampliar ainda mais essa cooperação, especialmente no setor de celulose, que vem apresentando forte crescimento em nosso Estado”, destacou o governador. “Estamos prospectando oportunidades concretas para fortalecer essa relação comercial bilateral”, completa.
Além da Índia, a missão asiática seguirá com compromissos em Japão e Singapura. No primeiro país o governo estadual buscará estreitar laços com empresas dos setores de tecnologia, alimentos e energia. Já no segundo, o foco será a discussão de projetos de investimento com a iniciativa privada.
Diversificando mercados
O governador Eduardo Riedel Riedel avalia a missão como estratégica diante do cenário internacional incerto. Com os Estados Unidos impondo barreiras comerciais à importação de produtos brasileiros, entre eles a carne bovina e a celulose, o Mato Grosso do Sul busca diversificar seus mercados e reduzir a dependência de acordos que podem instáveis.
“Historicamente, o Brasil manteve uma relação comercial limitada com a Índia. No entanto, diante das recentes medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos, o Brasil tem voltado sua atenção para novos mercados estratégicos, e a Índia desponta como uma dessas oportunidades”, explicou o governador, que prosseguiu.
“Nossa carne bovina, que antes tinha forte presença no mercado norte-americano, agora busca espaço em outras nações, como China, e demais países da Ásia, da Europa também”.
Com o fortalecimento das exportações, a atração de investimentos e a expansão da indústria de transformação no Estado, a expectativa é a geração direta de novos empregos, o aumento da renda local e o avanço do Mato Grosso do Sul rumo a um modelo de desenvolvimento socioeconômico sustentável e competitivo no cenário global.
“Seguimos com uma agenda internacional estratégica, focada na diversificação comercial e no fortalecimento de parcerias que tragam resultados concretos para o desenvolvimento do nosso Estado”, finalizou Riedel, que encabeçou ainda a apresentação do projeto da Rota Bioceânica, que deve iniciar operações comerciais em 2027.
A nova rota de integração sul-americana permitirá o escoamento de produtos processados do Mato Grosso do Sul até o Oceano Pacífico, com destino facilitado a países asiáticos.
Em coletiva de imprensa na Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul), o governador Eduardo Riedel apresentou o roteiro e os principais objetivos do Estado na “Missão Ásia”, que vai ocorrer de 4 a 16 de agosto. A comitiva vai realizar reuniões de trabalho em três países: Índia, Japão e Singapura. O foco será mostrar os principais potenciais de Mato Grosso do Sul para atrair investimentos, abrir novos oportunidades, além de fortalecer as relações com o mercado asiático.
“Mato Grosso do Sul dispõe de um ambiente de negócios positivos e de confiança, com uma agroindustria em expansão, dispondo de dois vetores de desenvolvimento, que é transição energética e a segurança alimentar. Nestes três países se encontram grandes conglomerados empresariais, investidores e o mercado consumidor em crescimento. Nosso foco é apresentar nossas potencialidades e estruturar parcerias comerciais a longo prazo. Oportunidades que vão gerar emprego e renda para nosso povo”, afirmou o governador.
Riedel destacou que o mercado asiático será o principal destino para exportação de nossos produtos por meio da Rota Bioceânica e que nesta missão serão apresentados projetos importantes na área de infraestrutura, PPPs (Parceria Público-Privada), assim como a busca para atrair grandes investimentos privados.
“Desde o início da gestão, lá no MS Day em São Paulo começamos esta movimentação em busca de novas oportunidades. Esta dedicação e cenário positivo nos fez chegar com este nível de investimento (privado) que temos hoje no Estado. A escolha destes três mercados, Japão, Índia e Singapura é absolutamente direcionada para o mercado que percebemos o interesse em Mato Grosso do Sul. Uma agenda bem estruturada e montada”, completou o governador.
Nesta agenda internacional vão participar representantes do Governo do Estado, Fiems, Sebrae e Assembleia Legislativa. Entre os temas centrais está a Rota Bioceânica, em que Mato Grosso do Sul é peça-chave, sendo a porta de entrada e saída do Brasil para os países sul-americanos, com trajeto mais curto pelo Oceano Pacífico. Uma das ligações principais é a ponte binacional, que está sendo construída entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta (Paraguai).
“Vamos buscar novas oportunidades no maior mercado consumidor do mundo. Sentar com grandes empresas e lideranças destes três países. Uma proposta clara e objetiva de desenvolver estes mercados estratégicos, com uma agenda ousada, que temos certeza que será exitosa. Assim vamos levar Mato Grosso do Sul a um outro patamar, com reflexos positivos em médio e longo prazo”, descreveu o presidente da Fiems, Sérgio Longen.
Temas centrais
O mercado asiático é o principal destino desta rota para alavancar tanto a exportação dos nossos produtos, como facilitar a importação e integração comercial. A missão internacional será uma grande oportunidade para o Estado estabelecer negócios e parcerias comerciais com os três países.
Outro ponto de destaque nestes encontros será o potencial da “agenda verde” realizada em Mato Grosso do Sul, que tem uma meta ousada de se tornar Estado Carbono Neutro em 2030, sendo exemplo e referência para o Brasil e demais estados. Desta forma se antecipa em 20 anos o prazo estabelecido pelo Acordo de Paris. Esse compromisso com a agenda global é um dos pilares do governo estadual. Programas de incentivo e parcerias impulsionam este cenário sustentável.
Junto com este ambiente positivo e próspero, um dos atrativos que serão apresentados na missão é o crescimento econômico e industrial do Estado, que está em plena ascensão. O resultado de uma pauta que conta inovações, responsabilidade ambiental, desburocratização, investimentos em infraestrutura, logística e inclusão.
O Estado está recebendo grandes investimentos privados em diferentes setores, como celulose e bioenergia, com uma agroindústria em evolução e diversificação na cadeia produtiva. Por esta razão tem previsão de um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 4,4%, com liderança em relação aos demais estados e acima da média nacional.
Agenda internacional
Roteiro da missão internacional foi apresentado à imprensa
O primeiro compromisso da missão internacional será em Mumbai, na índia. Entre os dias 6 e 8 de agosto serão realizadas reuniões com conglomerados empresariais indianos (Mahindra, Aditya Birla e Tata Maior), que tem investimentos em diferentes segmentos, como equipamentos agrícolas, em energia renovável, logística, TI, metais, pastas de papel, fibras, químicos, têxteis, telecomunicações, cimento, serviços financeiros, assim como automóveis, aviação, siderurgia e alimentos.
Na agenda ainda tem encontros com governadores e autoridades institucionais e participação no LIDE Brazil Conference Mumbar, onde o governador e demais integrantes da comitiva vão debater temas importantes como o agronegócio.
De 9 a 12 de agosto a comitiva do Estado estará nas cidades de Tóquio e Osaka, no Japão. Entre os compromissos previstos estão reuniões com grandes empresas do país (Sumitomo Corporation e Mitsui) em setores como mineração, metais, máquinas, energia, infraestrutura, produtos químicos, alimentos, serviços financeiros, tecnologia da informação.
Assim como participação na Expo 2025 Osaka e reuniões de trabalho com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) e embaixador do Brasil no Japão, Octávio Henrique Dias Garcia Côrtes.
A última etapa da missão será em Singapura, de 13 a 15 de agosto. A agenda conta com encontros o grupo global de empresas RGE (Royal Golden Eagle), com sede em Singapura. Estão previstas reuniões com a MTA (Singapore Meat Traders’ Association), que é a Associação de Comerciantes de Carne de Singapura, além da Temasek (Fundo soberano de Singapura), GenZero (Plataforma de investimento sediada em Singapura) e Latam Chamber of Commerce.
Riedel também vai se reunir com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio de Singapura e participar de encontros com executivos brasileiros e representantes da Embaixada do Brasil em Singapura.
Leonardo Rocha, Comunicação do Governo de MS Fotos: Saul Schramm/Secom