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Bela Vista-MS Sexta-Feira, 19 de Junho de 2026
Com 3,5 mil vagas, Corrida dos Poderes amplia para crianças e municípios do interior de MS

Com 3,5 mil vagas, Corrida dos Poderes amplia para crianças e municípios do interior de MS

A Corrida dos Poderes, que chega à segunda edição, expande-se a municípios do interior de Mato Grosso do Sul e abre para a participação de crianças, devendo reunir 3,5 mil pessoas. A atividade, que tem a parceria da Assembleia Legislativa (ALEMS), foi lançada oficialmente nesta quarta-feira (28) em evento realizado no Auditório Manoel de Barros, no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, no Parque dos Poderes.

Sucesso no ano passado, com participação de 2,5 mil pessoas, a Corrida dos Poderes deve reunir, nesta edição, público ainda maior. Serão abertas 3,5 mil vagas segundo informou uma das idealizadoras do evento, Kátia Claro, esposa do deputado Gerson Claro (PP), presidente da ALEMS. Kátia Claro e a primeira-dama de Mato Grosso do Sul, Mônica Riedel, também idealizadora da Corrida, falaram, em coletiva de imprensa, sobre as novidades da edição deste ano.

As duas principais inovações deste ano são a realização de “treinões” em municípios do interior e a abertura para participação de crianças. “A ideia é trazer os servidores do interior para correr com a gente aqui em Campo Grande. Quem sabe nos próximos anos possamos realizar a Corrida em outras cidades”, disse Mônica Riedel. O primeiro passo é a realização de preparações físicas, os chamados “treinões”, em Dourados e Três Lagoas. No primeiro município, o “treinão” será no dia 1º de setembro e, em Três Lagoas, no dia 15 do mesmo mês. Nos dois casos, a partir das 7h em locais a serem definidos.

O presidente da ALEMS, deputado Gerson Claro, frisou a importância da boa relação entre os Poderes e a abertura da Casa de Leis para toda população. “Vivemos um ambiente de estabilidade política e institucional que faz com que a gente tenha um diálogo constante entre os Poderes e as instituições de modo geral. A gente tem um diálogo aberto e constante com os Poderes e com a sociedade”, considerou o parlamentar.

Gerson Claro também destacou a aproximação da Assembleia Legislativa com a população, proporcionada, entre outras iniciativas, pela Corrida dos Poderes. “A Assembleia Legislativa é um espaço do povo. A presença da população acontece de várias formas, como nas audiências públicas, em reuniões, as pessoas são recebidas nos gabinetes dos deputados. E a Corrida dos Poderes também serve para mostrar que a Assembleia é um espaço de poder do povo de Mato Grosso do Sul”, afirmou.

Também participaram do evento o desembargador Sérgio Fernandes Martins, presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), o secretário de Estado de Turismo, Esporte e Cultura, Marcelo Ferreira Miranda, o secretário de Administração, Frederico Felini, os deputados Paulo Duarte (PSB) e Paulo Corrêa (PSDB), entre outras autoridades.

Durante o lançamento da 2ª Corrida dos Poderes, foi proferida a palestra “A tempestade perfeita” pelo professor e especialista em Treino de Alto Rendimento, Marcio Atalla. Ele falou, entre outras informações, sobre a importância de se ter hábitos saudáveis e destacou quatro pilares para se ter uma vida melhor e com saúde: exercícios, alimentação, cuidado com a mente e um sono de qualidade. Lembrou ainda que saúde não é ausência de doença, mas sim “estado completo de bem-estar físico, mental e social”, referindo-se à definição da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Inscrições

Os interessados em participar da 2ª Corrida dos Poderes devem ficar atentos. Nesta quinta-feira (29), abre o primeiro lote de inscrições, disponibilizando 1,5 mil vagas para o público adulto e 100 vagas para crianças, exclusivas para servidores públicos. As inscrições serão online.

A previsão de abertura do segundo lote de inscrições é na segunda-feira, 16 de setembro. As vagas serão destinadas aos servidores públicos e ao público geral. São 1.500 vagas divididas em 1000 aos servidores e 500 ao público geral, e ainda 100 vagas para crianças.

Corrida

A 2ª Corrida dos Poderes será realizada dia 26 de outubro, sábado, em comemoração antecipada ao Dia do Servidor Público (28 de outubro), saindo do estacionamento da Assembleia Legislativa. As atividades deverão começar às 15h, com abertura da Arena, às 16h, Corrida Kids, às 17h10, Largada Pernas Solidária, às 17h20, Largada Corrida 5 e 10KM e, às 17h25, a Largada da Caminhada.

No dia 31 de outubro, quinta-feira, acontecerá a premiação da 2ª Corrida dos Poderes. As diferentes categorias receberão suas medalhas no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, mesmo lugar de lançamento da corrida. Também está previsto show com o cantor Chicão Castro.

Outras informações podem ser acessadas no site oficial do evento (clique aqui). Esse também é o endereço para a realização das inscrições.

Realizadores

A realização da corrida é da Federação de Atletismo de Mato Grosso do Sul (FAMS), com organização da Fundação de Desporto e Lazer de MS (Fundesporte), Governo do Estado, e apoio da ALEMS, Poder Judiciário, Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul e Tribunal de Contas de MS (TCE-MS).

Por: Osvaldo Júnior   Foto: Wagner Guimarães

Em lançamento da 2ª Corrida dos Poderes, Marcio Atalla fala de ‘significado’ para mudança de hábitos

Em lançamento da 2ª Corrida dos Poderes, Marcio Atalla fala de ‘significado’ para mudança de hábitos

Com a palestra do preparador físico e especialista em saúde Marcio Atalla, foi lançada na noite desta quarta-feira (28) em Campo Grande, a 2ª edição da Corrida dos Poderes. Para um auditório lotado, ele falou sobre os quatro pilares da longevidade: exercício, alimentação, mente e sono. Usou como exemplo a própria mãe.

“Eu sempre dizia para ela fazer atividade física. Em 2014 fomos ao Estados Unidos ver meus irmãos que moram lá. Começamos a fazer passeios e ela não conseguia acompanhar. Estava chegando o natal e ela me pediu um relógio que conta passos. Quando chegou ao Brasil, ela falou que tinha dado 3.500 passos. Eu falei para tentar 7.500. Um ou dois meses depois ela chegou a 8 mil”, conta.

Diante da mudança de hábito da mãe, que começou a fazer hidroginástica, Marcio perguntou o motivo. Ouviu a seguinte resposta: “Vi que não conseguiria andar com meus netos”. Um exemplo de alguém que “encontrou um significado para a prática de exercícios”, segundo o palestrante.

Durante a interação com a plateia, o especialista em saúde falou também sobre “o meio ambiente jogar contra”, já que estamos rodeados de estímulos, por isso a necessidade cada vez maior de movimentar o corpo buscando qualidade de vida. “A gente consome muito mais informação que a capacidade do cérebro tem de reter”, alerta.

A palestra foi acompanhada de perto por representantes dos poderes de Mato Grosso do Sul. Governo do Estado, Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça, Ministério Público, Defensoria Pública e Tribunal de Contas são parceiros no evento.

Mônica Riedel e Katia Claro

Consideradas madrinhas da Corrida dos Poderes, as primeiras-damas do Executivo e do Legislativo, Mônica Riedel e Katia Claro, agradeceram a participação dos servidores.

Novidades

A Corrida será realizada no dia 26 de outubro no Parque dos Poderes, em comemoração antecipada ao Dia do Servidor (28/10) e a edição conta com uma quantidade maior de vagas. “Este ano nós inovamos, a gente vai abrir 3.500 vagas com muitas novidades, inclusive 200 vagas para a ‘corrida kids’ e é justamente para que a gente não perca a ideia de que os pais ou aqueles que venham para a corrida também deem este pontapé inicial na atividade física”, destacou Katia Claro.

“Tem também 500 vagas para o público em geral. A gente acredita ser muito legal fazer a aproximação entre poderes e a população em geral”, disse Mônica Riedel. Ela ainda complementou: “Esperamos que esta segunda corrida seja ainda melhor que a primeira e a gente consiga motivar mais pessoas a ter uma vida saudável, que mude a própria realidade e também da família inteira”.

Entre as novidades também estão os “treinões”, criados para motivar os servidores no interior do Estado. Um deles será em Dourados no dia 1º de setembro e o outro em Três Lagoas no dia 15 de setembro, a partir das 7 horas da manhã.

“Eu estou treinando para daqui 2 meses fazer os 5 quilômetros no tempo bom. Tenho certeza que o envolvimento da sociedade quando vem a criança, vem o pai, vem a mãe, vem a família, é um recado que a gente dá importância de começar isso muito cedo. É saúde”, disse Gerson Claro, presidente da Assembleia Legislativa.

O secretário de Administração Frederico Felini representou o governador Eduardo Riedel no evento e lembrou que é uma premissa da atual gestão investir cada vez mais em eventos esportivos. “Quando o governo vem com a prioridade de ser verde, inclusivo, próspero e digital, com certeza traz essa prática saudável de esporte. Eu acredito muito que a caminhada, a corrida, a maratona são os esportes mais democráticos que existem. A gente precisa ter um tênis e um espaço e graças a Deus aqui a gente tem um dos mais belos espaços do país que é o Parque das Nações Indígenas e o Parque dos Poderes”, destacou.

Delegada Eliane Benicasa

É justamente neste cenário que a delegada de polícia Eliane Benicasa pratica as corridas, inclusive aos fins de semana, com o marido. “Me tira o estresse e traz uma boa forma porque para encarar o dia a dia a gente tem que estar super bem com a nossa saúde mental e também física, então é de extrema importância a gente prestigiar eventos dessa natureza. Sempre que tiver com certeza vou participar”, conta ela, pronta para se inscrever na Corrida dos Poderes.

Cada instituição tem suas estratégias para estimular os servidores a praticar exercícios. O presidente do Tribunal de Justiça, Sérgio Martins, lembra que os servidores do judiciário passam muitas horas sentados em frente ao computador. “Se eles não tiverem ginástica laboral e não tiverem a oportunidade pelo menos treinar semanalmente com uma equipe disponibilizada pelo Tribunal no preparo para eventos como esse, eles evidentemente poderão vir a ter  problemas de saúde. E isso não é o que nós desejamos”, ressaltou.

Inscrições

As inscrições para a 2ª Corrida dos Poderes são de graça e podem ser feitas pelo site corridadospoderes.ms.gov.br. O primeiro lote será aberto nesta quinta-feira (29) a partir das 8 horas da manhã apenas para servidores de Mato Grosso do Sul. O segundo lote será aberto em 16 de setembro no mesmo horário e haverá vagas para a população em geral.

Marcada para o dia 26 de outubro, a 2ª Corrida dos Poderes terá as crianças na primeira largada, a partir de 16 horas. Em seguida virá a categoria pernas solidárias, depois será a vez de quem vai correr os percursos de 5 e 10 quilômetros. Tem ainda a caminhada de 3 quilômetros. A premiação geral aos vencedores está marcada para 18h10. Chicão Castro e banda fazem o show de encerramento às 19h.

“Ela é muito democrática e totalmente gratuita. Envolve as crianças a partir de 3 anos de idade. Este ano temos grandes novidades. Nós vamos separar a premiação por categoria na quinta-feira seguinte ao evento que é para as pessoas terem a premiação geral de forma bem rápida, possam curtir o show”, disse Marcelo Miranda, secretário de Estado de Turismo, Esporte, Cultura e Cidadania (Setescc).

ATENÇÃO: confira aqui o pack imprensa com as imagens de apoio e sonoras do evento.

Danielly Escher, Comunicação Governo de MS
Fotos: Álvaro Rezende

Seguindo os passos de Yeltsin Jacques, Gonzaga disputa a Corrida do Pantanal e sonha alto no atletismo

Seguindo os passos de Yeltsin Jacques, Gonzaga disputa a Corrida do Pantanal e sonha alto no atletismo

Conversamos com o paratleta sobre como o esporte ajudou a transformar sua vida, os planos para o futuro e a inspiração no padrinho da Corrida do Pantanal

Muitos o conhecem como Aldrey Gonzaga, mas, no esporte, o sobrenome é a marca registrada. Gonzaga é como o jovem campo-grandense, de 20 anos, se reconhece como paratleta em busca de um horizonte repleto de conquistas. Ele é um dos 20 mil inscritos na edição 2024 da Corrida do Pantanal, e prepara-se para disputar a prova de 15 km na categoria para pessoas com deficiência.

A Corrida do Pantanal representa um marco na vida de Gonzaga, pois além de ter sido o primeiro evento oficial de sua carreira, ainda em 2022, representa um incentivo especial para se manter focado em seus objetivos no atletismo. Conversamos com o paratleta sobre como o esporte ajudou a transformar sua vida, os planos para o futuro e a inspiração em Yeltsin Jacques, padrinho da Corrida do Pantanal e que irá representar o país nos Jogos Paralímpicos de Paris.

Como você se define? Quem é o Gonzaga?

Gonzaga é sonhador, um cara que teve muita limitação na vida. Através do esporte eu descobri capacidades que achava que não tinha. Descobri defeitos e qualidades. Mas, principalmente, descobri no poder de acreditar que todas as coisas são possíveis. Sou competitivo, penso grande e quero ganhar tudo, mas nem sempre é assim. Então tenho que aprender a lidar com as adversidades.

Em que momento o esporte começou a fazer parte da sua vida?

Desde criança sou fanático por esporte, mas achava que não era possível por causa da deficiência. Em 2022, um amigo me falou sobre o esporte paralímpico e das grandes oportunidades que poderiam surgir. Então conheci o professor Daniel Sena, e aí me encontrei completamente no esporte. Foi um divisor de águas na minha vida.

Fale um pouco sobre sua deficiência física e como você lida com isso.

Aos 4 anos de idade, recebi a vacina contra paralisia infantil, mas tive reações. A princípio, não quiseram diagnosticar que era por causa da vacina. Sempre falavam que era um problema físico, então deixei quieto. Cresci com isso. Mas depois que entrei no esporte, comecei a viajar e conhecer outras pessoas. Aí passaram a suspeitar que meu caso era de paralisia cerebral. Tenho todas as características de uma pessoa com paralisia cerebral. Então estou buscando fazer exames para diagnosticar se realmente é isso.

Voltando a 2022, como foi sua primeira experiência com o atletismo?

Vendo o trabalho do professor Daniel Sena com deficientes visuais e cadeirantes, pensei que poderia me encaixar em alguma coisa. Ele me apresentou a Petra, que parece uma bicicleta mas tem três rodas, e os atletas correm sentados. No começo eu curti, mas depois comecei a desejar uma cadeira de corrida. Só que ela foi apenas um sonho, então hoje sou oficialmente da Petra. Participo de competições com ela e estou em busca de marcas para o mundial da modalidade.

Aquele foi o ano da primeira edição da Corrida do Pantanal, evento que você disputou. Como foi a sua participação?

Foi dia 8 de outubro de 2022, nunca esqueço. Encarei a prova de 7 km da Corrida do Pantanal com a Petra e o treinador me acompanhando. Aquilo para mim foi o ápice. Cheguei desacreditado, nervoso, com medo do que poderia acontecer. Cheguei naquele ambiente e fui totalmente abraçado. A partir do momento que foi dada a largada, as pessoas passavam por mim e falavam palavras de incentivo. Então isso foi uma experiência incrível para mim. Foi como se eu tivesse vencido. Senti as barreiras sendo quebradas. A partir daquela Corrida do Pantanal, me senti pronto para os próximos desafios. E neste ano vou com a Petra para a prova de 15 km.

Atualmente você se desenvolveu no atletismo e compete em vários torneios de nível nacional. Como tem sido a temporada 2024 do atleta Gonzaga?

No começo do ano, o treinador me disse que eu tinha chance de buscar vaga no mundial. Tudo dependia de mim. Fui convidado para participar de competições em São Paulo, como o Open Internacional e o Desafio CBAt/CPB, e algumas etapas valiam índice para o mundial. Consegui fazer bons tempos, mas não foi o suficiente. Eu precisava de 17’04” para ficar com a vaga na prova dos 100 metros rasos, e cravei 17’24”. Faltou pouco.

Em agosto nasceu meu filho, então fui dispensado dos treinos. E agora em setembro fui convocado para uma semana de treinamento em São Paulo, de 8 a 14 de setembro. Então complicou o calendário de preparação para a Corrida do Pantanal. Mas estou animado para correr.

Em agosto começam os Jogos Paralímpicos de Paris, e teremos um sul-mato-grossense com chances de medalha no atletismo: Yeltsin Jacques, que também é padrinho da Corrida do Pantanal. Como você se sente em relação ao exemplo dele para o esporte?

Yeltsin é um espelho para mim. Ele é um grande campeão e ao mesmo tempo um cara simples, humilde, que dá atenção a todo mundo que chega para falar com ele, tirar fotos. Às vezes acompanho o treino dele no Parque Ayrton Senna, com o guia e a esposa. Agora ele está Paris, representando Campo Grande e o Brasil diante do mundo todo. É legal ver que estamos seguindo os passos que um dia ele percorreu. Estamos no caminho certo, e basta acreditar nos sonhos, pois tudo é possível.

Como você percebe a valorização do esporte paralímpico no país hoje em dia?

Acredito que a gente precisa de um olhar mais humano para esse esporte. Precisamos de visibilidade, de incentivadores, de patrocínio. Entre patrocinar um atleta olímpico e um paralímpico, a maioria vai optar por um atleta olímpico. Não preciso de dinheiro, só preciso que alguém que acredita que eu possa ir mais longe. Preciso do meu próprio material, porque nem sempre posso contar com o material do clube, que é de uso coletivo. Nesse sentido é que eu digo que o esporte paralímpico precisa de um olhar mais humano.

Paratleta que começou no Sprint Social vai competir nas Paraolimpíadas em Paris

Paratleta que começou no Sprint Social vai competir nas Paraolimpíadas em Paris

Jovem de Campo Grande tem prova de atletismo no dia 03 de setembro

As Paraolimpíadas de Paris começam dia 28 de agosto e Gabriela Mendonça, de 26 anos, de Campo Grande, vai competir a prova de 100m da classe T13 atleta com baixa visão, no dia 3 de setembro.

Gabriela iniciou no esporte aos 13 anos, treinando com o professor Daniel Sena em 2011. Após alguns anos, foi morar em São Paulo para buscar uma estrutura melhor, crescimento pessoal e profissional. E, depois de um tempo, em 2021, voltou Campo Grande, retomou os treinos com o Sena, agora já com a estrutura do Sprint Social.

“Eu acompanhei todo o processo de desenvolvimento do projeto que o Daniel Senna criou, muita coisa cresceu e evoluiu, os atletas agora têm uniforme, estrutura, equipamentos e aparelhos que ajudam no desempenho”’, destaca Gabriela ao relembrar o seu período de treino aqui na cidade.

Mas nem sempre a vida no esporte é fácil, Gabriela viveu momentos difíceis, que pensou em desistir. “Eu estava bem frustrada com alguns acontecimentos. Esporte não é fácil e nunca será, então eu vinha de umas sequencias de frustrações com o esporte, lesões, treinos que não encaixavam, resultado que não saía, fiquei fora dos jogos de Tóquio em 2021, porque passei por uma classificação visual uma semana antes e mudei de categoria e isso me tirou das Paraolimpíadas, fiquei desgastada emocionalmente e fisicamente com tudo. O treinador Sena sempre acreditou em mim e me motivou a voltar a treinar. Comecei do zero novamente no Sprint Social, hoje faço parte da equipe do Sesi em São Paulo, mas foi em Campo Grande que me fortaleci para o esporte e hoje estou nos jogos de Paris”, conta Gabriela.

O projeto Sprint Social – Paratletismo & Atletismo de Inclusão proporciona uma nova perspectiva de futuro, através do esporte, para mais de 150 atletas e paratletas. O projeto surgiu em 2005 com o propósito de treinar crianças e adolescentes. Na época, recebeu o primeiro nome “Seninha Atletismo”, por causa do fundador, Daniel Sena, professor de educação física há dezenove anos.

“Depois do trabalho de iniciação ao atletismo, conquistamos o apoio de um patrocinador importante, do setor de Loteamentos, e a gente pensou em levá-los para disputar campeonatos nacionais. Mas pelas regras da Confederação Brasileira de Atletismo e do Comitê Paralímpico Brasileiro, o atleta precisa ser filiado a um clube. Criamos, então, o Sprint Social”, detalhou Sena. 

Todos os anos, eles rodam o Brasil e participam de etapas paralímpicas nas categorias escolar e adulta, e já fizeram campeões em todas elas. “Como profissional de Educação Física, entendo que o esporte é a maior ferramenta de transformação e isso que me motivou a criar o Sprint Social e fazer esse trabalho. Tenho muito orgulho dos nossos atletas, vencendo diversas competições, estaduais, nacionais e até mundiais, brilhando por onde passam”, conta Sena.

Corrida do Pantanal foi ponto de virada na vida de Leandro, que tatuou a prova na pele

Corrida do Pantanal foi ponto de virada na vida de Leandro, que tatuou a prova na pele

Falta apenas um mês! No dia 22 de setembro, 25 mil pessoas irão as ruas para participar da Corrida do Pantanal. Histórias de superação sobre a maior corrida de rua do Centro-Oeste não faltam, mas poucas são as que estão marcadas na pele, como a de Leandro Bernal, de 30 anos. Como forma de celebrar a transformação de vida a partir do esporte, Leandro fez uma tatuagem com a data da primeira edição da Corrida do Pantanal, que ele participou em 9 de outubro de 2022.

“A corrida me salvou dos meus pensamentos turbulentos, da ansiedade, da depressão. Me tornei uma pessoa melhor”, resume.

Leandro preferia musculação e não tinha interesse por corridas. Ele conta que a corrida de rua foi o caminho encontrado para ter mais saúde mental.

“Em 2014, perdi meu avô em decorrência de um câncer. Depois entrei em depressão e tive vários picos de depressão e ansiedade. Passei por acompanhamento psicológico, fui encaminhado ao psiquiatra e ele me passou medicação. Como eu não queria ficar dependente de remédio, perguntei ao médico o que poderia fazer. Ele me indicou caminhada, leitura e corrida”.

A prescrição médica instigou a curiosidade de Leandro, que aproveitou a chamada de inscrição à primeira edição da Corrida do Pantanal, em 2022, para garantir um lugar na prova de 7 km. O desconhecimento sobre o esporte e o pouco tempo de preparação não foram empecilhos para que Leandro aceitasse o desafio.

“Procurei a assessoria do Sesi e comecei a fazer aulas faltando 30 dias para o evento. É pouco tempo de preparação para correr 7 km. Mas fui aprendendo, pegando a prática. No fim, consegui terminar a prova. Lógico que quem é iniciante vai andar, vai cansar mais, mas consegui fazer a prova no tempo que eu esperava”.

Depois da Corrida do Pantanal, Leandro conta que foi “picado pelo bicho das corridas de rua” e nunca mais largou o esporte. A musculação tornou-se complemento dos treinos de corrida, com objetivo de fortalecimento e prevenção de lesões. Até a vida profissional foi influenciada: Leandro, que tem graduação em contabilidade, hoje está cursando a faculdade de Educação Física. E a saúde mental teve uma melhora significativa.

“Através da corrida, fiz muitos amigos e tive a oportunidade de conhecer lugares novos e fazer o que amo. Hoje já não sei mais viver sem estar no meio dos eventos, seja trabalhando nos bastidores ou correndo junto com a galera. A corrida é libertadora. Não importa ritmo, quilômetros percorridos, se você é velho ou novo demais, magro ou acima do peso. Não importa se o tênis é de placa ou simples. Apenas vista-o e corra. Você vai ver a melhora na autoestima, na saúde como um todo”.

Neste ano, Leandro quer acrescentar mais uma medalha da Corrida do Pantanal à sua coleção. Há um mês para a edição 2024, os treinos serão intensivos para a disputa da prova de 15 km.

“Participei dos 15 km no ano passado e este ano quero melhorar meu tempo. Embora a distância ainda seja desafiadora para mim, vou me esforçar para superar meu desempenho anterior”.

Bolsistas do Governo de Mato Grosso do Sul são destaque nas Paralimpíadas de Paris 2024

Bolsistas do Governo de Mato Grosso do Sul são destaque nas Paralimpíadas de Paris 2024

Maior evento paradesportivo do planeta, os Jogos Paralímpicos começam em Paris, na França, no dia 28 de agosto e se estenderão até 8 de setembro. Contemplados pelo Bolsa Atleta, programa do Governo de Mato Grosso do Sul coordenado pela Fundesporte (Fundação de Desporto e Lazer) e Setesc (Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura), dois atletas sul-mato-grossenses são favoritos ao pódio: Fernando Rufino, da paracanoagem, e Yeltsin Jacques, do atletismo. Ambos os atletas conquistaram medalhas e bateram recordes na última edição dos Jogos, a Tóquio-2020.

Além dos atletas, a professora de judô Anne Talitha Silva também foi convocada para representar o Brasil nas Paralimpíadas como auxiliar-técnica. Com uma trajetória dedicada ao treinamento de atletas paralímpicos desde 2006, a profissional é contemplada pelo programa Bolsa Técnico do Governo do Estado e traz sua vasta experiência para a equipe brasileira, contribuindo para o sucesso do esporte paralímpico nacional. Na capital francesa, a técnica comandará duas atletas sul-mato-grossenses nos tatames: Kelly Victório e Erika Cheres.

Fernando Rufino: o “Cowboy de Aço” na paracanoagem

Fernando Rufino de Paulo, popularmente conhecido como “Cowboy de Aço”, representará Mato Grosso do Sul na canoagem paralímpica. Natural de Eldorado, Rufino tem se destacado em competições internacionais, incluindo a recente conquista do ouro na categoria VL2M200m no Mundial de Paracanoagem, o que o torna uma das grandes promessas para Paris.

Rufino, que já brilhou nos Jogos Paralímpicos Rio 2016 com uma medalha de prata, fez história na Tóquio-2020 ao conquistar a medalha de ouro nos 200 metros, com o impressionante tempo de 53,077 segundos. Para ele, o apoio governamental foi crucial em sua trajetória. “O programa Bolsa Atleta foi fundamental para minha preparação de nível mundial, permitindo-me obter bons resultados no Campeonato Mundial e nas Paralimpíadas. Espero continuar contando com esse suporte rumo a Los Angeles 2028, acreditando que, com esse apoio, podemos alcançar alta performance e garantir uma medalha em 2028”, afirma o atleta.

O “Cowboy de Aço” tem uma história de superação inspiradora. Seu sonho inicial de ser peão de rodeio foi interrompido por um acidente que o deixou paraplégico. No entanto, ele encontrou no esporte uma nova paixão e uma oportunidade de realizar novos sonhos. “O esporte mudou minha vida de uma forma maravilhosa e completa. Sou uma pessoa realizada, com uma carreira de sucesso, e o legado que quero deixar é que, mesmo vindo de uma pequena cidade do interior e tendo meu sonho interrompido, o esporte me deu a oportunidade de sustentar minha família e construir uma vida estável.”

Rufino também destaca o poder transformador do esporte na vida das pessoas. “Quero mostrar que todos podem alcançar seus objetivos. O ‘cowboy de aço’, que era peão de boiadeiro, tornou-se campeão paralímpico e conheceu mais de 20 países. O esporte não é apenas uma maneira de salvar pessoas das ruas ou das drogas; é uma profissão onde, com dedicação, disciplina e respeito, todos podem se tornar alguém na vida.”

Yeltsin Jacques: incansável e imparável

Yeltsin Francisco Ortega Jacques, de 33 anos, natural de Campo Grande, é outro nome de peso nas Paralimpíadas de Paris. Convocado para disputar as provas de 1.500 e 5.000 metros na classe T11, destinada a atletas cegos, Yeltsin é o atual campeão mundial dos 5.000 metros e recordista mundial nas duas provas. Ele entra como um dos favoritos para conquistar medalhas, depois de sua impressionante performance em Tóquio-2020, onde levou o ouro em ambas as categorias, além de estabelecer o recorde mundial.

Preparando-se para sua terceira participação nos Jogos Paralímpicos, após competir no Rio 2016 e em Tóquio 2020, Yeltsin compartilha sua jornada de 18 anos no esporte, marcada por treinos intensos e desafios diários. “Desde o início, no Mato Grosso do Sul, enfrentamos muitos obstáculos. Naquela época, não havia uma pista de atletismo oficial, nem o programa Bolsa Atleta, nem uma estrutura básica para os treinos”, relembra o atleta.

Yeltsin chegou a se mudar para outro país em busca de melhores condições de treino, mas retornou a Campo Grande assim que a infraestrutura esportiva melhorou. “Morei e treinei fora por um tempo, mas depois, com a infraestrutura disponível em Campo Grande, pude voltar para perto da minha família. Foi difícil ficar longe dos meus pais, mas era um sacrifício necessário para melhorar meu desempenho e alcançar resultados”.

O programa Bolsa Atleta foi um fator decisivo para o retorno de Yeltsin ao Mato Grosso do Sul. “Com o apoio financeiro e a inauguração da pista de atletismo, já treinando em Campo Grande, conquistamos resultados espetaculares em Tóquio”, destaca o atleta, que, em 2024, quebrou o recorde mundial em Kobe, no Japão.

Yeltsin também reflete sobre a importância do esporte paralímpico para a inclusão de pessoas com deficiência. “Já ouvi muitas histórias de pessoas com deficiência que se limitavam, achando-se incapazes até de sair de casa. Hoje, ao verem o esporte paralímpico na TV, dizem: ‘Um dia, quero ser como ele’”.

Ele enfatiza o impacto positivo do apoio governamental ao esporte. “Cada vez mais, o governo do estado, não só com o Bolsa Atleta, mas também com outras políticas de fomento, tem mostrado o caminho para a iniciativa privada. Empresas têm investido e patrocinado o esporte, o que é transformador não só para o alto rendimento, mas também para a educação e a inclusão. Hoje, as universidades oferecem bolsas para atletas, e empresários acreditam e investem no esporte. Isso faz toda a diferença.”

Anne Talitha: pioneirismo e dedicação no judô paralímpico

A professora de judô Anne Talitha Almeida Ferreira Silva também foi chamada para integrar a delegação brasileira nas Paralimpíadas de Paris-2024 como auxiliar-técnica. Com mais de 15 anos de experiência no treinamento de atletas paralímpicos, Anne Talitha traz consigo uma trajetória marcada por dedicação e conhecimento profundo na área.

“Para mim, foi uma grande surpresa e uma enorme felicidade ser convocada. Trabalho com o esporte paralímpico há bastante tempo, especialmente com o judô. É uma realização profissional estar indo para as Paralimpíadas”, afirma a técnica.

Sob a orientação de Anne Talitha, duas atletas sul-mato-grossenses brilharão na competição. Erika Cheres Zoaga, nascida em Guia Lopes da Laguna, competirá na categoria +70 kg da classe J1 (cegos totais). A judoca possui um currículo notável, com conquistas recentes como a prata no Grand Prix de Tiblissi e o ouro no Grand Prix de Antalya em 2024. Desde que começou no judô em 2006, devido ao glaucoma congênito, Erika tem se destacado internacionalmente.

Talitha Silva (ao centro) atua como técnica há quase 20 anos (Foto: Divulgação)

A jovem Kelly Kethyllin Victório, de Campo Grande, também estará sob o comando de Anne Talitha. Com apenas 20 anos, Kelly competirá na categoria até 70 kg da classe J2 (baixa visão). Recentemente, ela conquistou a medalha de ouro no Parapan de Jovens em Bogotá e ocupa a décima posição no ranking paralímpico da Federação Internacional de Esportes para Cegos (IBSA). A convocação para os Jogos Paralímpicos de Paris marca mais um passo significativo em sua promissora carreira.

Anne Talitha comemora a participação das judocas sul-mato-grossenses. “Além de ser convocada, a alegria é ainda maior por conseguir levar duas atletas, uma delas, a Erika, que treinou comigo por muito tempo. É uma dupla felicidade poder acompanhá-la na competição. É um momento de muita alegria e ver que Mato Grosso do Sul está bem representado”.

A técnica destaca ainda a importância de fomentar o esporte paralímpico. “Espero que isso motive tanto os professores quanto os atletas a seguirem, porque elas vieram de projetos e programas de apoio do governo, já foram bolsistas, e isso é muito bacana.”

Competições

Yeltsin Jacques

  • 30 de agosto (sexta-feira): 5.000 metros – 04:05 (horário de MS)
  • 1º de setembro (domingo): semifinal dos 1.500 metros – 04:12 (horário de MS)
  • 2 de setembro (segunda-feira): final dos 1.500m – 04:08 (horário de MS)

Fernando Rufino

  • 6 de setembro (sexta-feira): Prova de Paracanoagem – 06:15 (horário de MS)
  • 7 de setembro (sábado): Prova de Paracanoagem – 07:15 (horário de MS)
  • 8 de setembro (domingo): Prova de Paracanoagem – 07:15 (horário de MS)

Kelly Victório

  • 6 de setembro (sexta-feira): luta preliminar, categoria até 70 kg, classe J2 – 04:00 (horário de MS)

Erika Cheres 

  • 7 de setembro (sábado): luta preliminar, categoria acima de 70 kg, classe J1 – 03:30 (horário de MS)

Bel Manvailer e Lucas Castro, Comunicação Setesc