“Uma amiga preta me falou: escreve, menina Conta pro mundo o que cê leva com você Mesmo que, muitas vezes, isso possa te doer
E eu perguntei Me sinto vazia Sobre o que vou escrever?
E ela me respondeu Uma resposta que me doeu Tem que escrever, porque se a gente não contar Nossas histórias continuarão sendo contadas Por quem tentou nos matar
E foi assim que eu percebi Que no meio das minhas Eu não preciso ter muito pra falar Talvez só me basta estar ali No meio delas E eu sei que elas entendem se eu começar a chorar
E ver todas aqui Receber abraços, sorrisos E muita, muita força Ver muitas que me ensinaram E ensinam A nunca a parar Sempre a continuar
Sou feita de Marielle, Raimunda Luzia de Brito, Tereza de Benguela, Lélia Gonzales, Tia Eva, Carolina de Jesus, Vânia, Romilda, Bartô, Viviane, Sandra Mara, Rosana, Márcia Catarina e todas as outras.
Que pisaram antes Machucaram seus pés Para que o caminho onde hoje eu piso Seja mais fácil de trilhar Às vezes não sei muito o que falar E tem dia que só consigo cantar: Deus é uma mulher preta”
Na poesia de Isa Ramos, que emenda versos com a canção “Deus é uma mulher preta”, a campanha da Secretaria de Estado da Cidadania mostra que o Julho das Pretas vem para evidenciar a luta delas.
Apresentação do calendário de ações abriu a programação do Julho das Pretas nessa segunda-feira (1). (Foto: Paula Maciulevicius/Cidadania)
Com o tema “Eu, mulher preta”, o auditório do Instituto Mirim de Campo Grande foi palco para a celebração da ancestralidade, luta, história e conquistas das mulheres negras.
Subsecretária de Políticas Públicas para Promoção da Igualdade Racial, pasta ligada à Cidadania, Vânia Lúcia Baptista Duarte explica que a agenda de ações foi montada em parceria com as prefeituras municipais do Estado e também movimentos sociais.
“Vamos evidenciar quem são as mulheres pretas de Mato Grosso do Sul. Vamos evidenciar as lutas e as conquistas, e também fazer o processo de escuta para a formulação das políticas públicas com o negro, o não negro, homens e mulheres, porque apesar de estarmos no Julho das Pretas, nós queremos falar para toda a sociedade”, ressalta Vânia.
Subsecretária de Políticas Públicas para Promoção da Igualdade Racial, Vânia Lúcia fala das lutas e das conquistas das mulheres negras. (Foto: Paula Maciulevicius/Cidadania)
Para a coordenadora de Política de Promoção da Igualdade Racial de Campo Grande, Rosana Anunciação, o Julho das Pretas traz a auto afirmação e reforça a necessidade de ainda se lutar pela efetivação das políticas públicas.
“Precisamos ocupar todos os espaços. As mulheres pretas precisam disso, nós precisamos disso, a sociedade precisa disso, e para falar de política pública, a gente precisa entender todo o processo. Estar aqui com vocês, dividindo essa energia, é fundamental”, pontua.
Quanto à data, a técnica da subsecretaria, Márcia Catarina, apresentou aos presentes a motivação por trás de Julho, mais precisamente, do dia 25.
“O Julho das Pretas vem em decorrência do fato criado no ano de 1992, quando se reuniram por volta de 400 mulheres negras da América Latina e Caribe, para debater sobre situações específicas das mulheres negras. Aqui no Brasil, em 2014 passou a se comemorar no dia 25 de Julho o Dia Nacional de Tereza de Benguela, e posteriormente, em 2018, o Dia Estadual”, elencou.
Secretária de Estado da Cidadania, Viviane Luiza, enfatiza a importância de evidenciar a mulher negra todos os 365 dias do ano. (Foto: Paula Maciulevicius/Cidadania)
Na cerimônia que abriu a agenda de atividades do Julho das Pretas, a subsecretária Vânia Lúcia também lançou todo o cronograma de atividades, e prestou uma justa homenagem ao coletivo de mulheres negras de MS, Raimunda Luzia de Brito, além de compartilhar que a campanha também toma conta das redes.
“Vamos tratar pouquinho dessa temática falando sobre a mulher negra na universidade, na empresa privada, e cada semana será uma. Na tela também, quando o servidor do Estado ligar o computador, vai ter a imagem da campanha Julho das Pretas. Estamos nos movimento para levar essa pauta a toda a população, e para colocar o protagonismo da mulher negra”, enfatiza Vânia.
Para a secretária de Estado da Cidadania, Viviane Luiza, a campanha não se limita apenas ao mês de julho, porque é necessário evidenciar a história das mulheres negras durante os 365 dias do ano.
“Aqui, realmente é o início do mês e de uma longa trajetória para trabalhar a sensibilização e a conscientização, e mostrar que o movimento negro está aqui e vive. Nós precisamos construir uma sociedade mais representativa, mais justa para todos, e a gente só faz isso no coletivo e na luta, por isso estamos aqui, Governo do Estado, Secretaria da Cidadania, para dizer o quanto que as mulheres pretas importam para a história, cultura, importam para a representatividade e para além, importam para o futuro”, destaca Viviane.
Homenagem prestada ao Coletivo de Mulheres Negras de MS Raimunda Luzia de Brito. (Foto: Paula Maciulevicius/Cidadania)
Maria Auxiliadora Figueredo tem 47 anos, mora em Dois Irmãos do Buriti – MS e enfrenta uma enfermidade séria devido a lesões na coluna cervical torácica e lombo sacra, além de ter desenvolvido síndrome do túnel do carpo nos dois braços. O que causa dores insuportáveis, perda da força e da sensibilidade.
Ela está em tratamento com medicação oral e injetável, mas precisa urgentemente de uma cirurgia no punho para liberação do túnel do carpo. Maria está afastada do trabalho aguardando pelo INSS e não possui recursos para cobrir os custos da cirurgia.
No SUS – Sistema Único de Saúde, a espera é muito grande, só para fazer um exame ela já está na espera faz três anos, além do descaso com seu problema, o que faz Maria buscar por tratamento particular, que custa caro. Ela já conseguiu uma parte do valor, com um almoço beneficente na sua cidade, mas ainda falta grande parte, cerca de R$ 20 mil reais.
“A dor é horrível e a cirurgia é crucial para evitar o risco de perder os meus movimentos e a força dos braços permanente. Não consigo trabalhar e tomo muita medicação para amenizar a dor”, conta Maria Auxiliadora.
Todos podem ajudar a Maria Auxiliadora através da Donativa, que é uma plataforma de crowdfunding, que não possui fins lucrativos e não cobra taxas. Atualmente tem mais de 100 projetos ativos do Brasil inteiro, que beneficiam milhares de pessoas. Todos podem ajudar, a partir de R$ 10,00 já é possível fazer uma doação.
A plataforma é on-line, segura, potente e estruturada para abrigar projetos em diversas modalidades. São diversa causas apoiadas pela Donativa, tratamento de doenças raras, de câncer, de síndromes, além de incentivo ao esporte, cultura e de proteção ao meio ambiente.
Cineastas de todo o Brasil podem inscrever curtas-metragens para participar do festival
Estão abertas as inscrições para cineastas de todo o Brasil participarem da primeira edição do Festival Curta Campo Grande, dedicado exclusivamente ao formato curta-metragem. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até o dia 26 de julho pelo site www.festivalcurtacampogrande.com/ . Filmes de até 30 minutos finalizados em 2023 e 2024 podem participar.
Organizado pela Chalana Produções, o Festival Curta Campo Grande tem os objetivos de exibir, promover, difundir, refletir e valorizar a produção de curtas-metragens no Brasil e em Mato Grosso do Sul. O festival busca revelar o atual panorama do audiovisual, contemplando um diálogo entre a produção, os realizadores e a população local.
Idealizado pelo cineasta Dannon Lacerda, que já realizou 8 curtas ao longo de sua carreira, o projeto é viabilizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, do Ministério da Cultura, por meio de edital da Sectur – Secretaria de Cultura e Turismo de Campo Grande (MS) e conta com apoio do Sesc e da Fecomércio.
Para Dannon, o festival é uma grande oportunidade para o audiovisual de Mato Grosso do Sul. “O audiovisual de Mato Grosso do Sul está tendo uma oportunidade muito grande para evoluir e conquistar novos espaços, pois a Lei Paulo Gustavo injetou recursos inéditos para a área e, com isso, novos realizadores estão tendo condições de concretizarem seus projetos. Por isso, abrimos uma exceção para que filmes de MS possam ser inscritos sem estarem finalizados pois entendemos que muitos desses filmes da nova safra ainda estarão em processo de pós-produção durante o período de inscrições”, pondera.
A qualidade da obra inscrita é o critério principal para que o filme seja selecionado para o festival. “Qualidade do filme é o resultado final que engloba todos os departamentos criativos que devem buscar uma unidade a partir da visão da direção. De nada adianta uma fotografia maravilhosa se o roteiro é fraco ou se as atuações não são convincentes. Os filmes que passam por essa primeira peneira, da qualidade, são avaliados por critérios como relevância temática, entre outros, determinados pela comissão de seleção, a partir do recorte curatorial desejado para a edição”, revela Dannon.
O Curta Campo Grande será realizado de 29 de outubro a 3 de novembro e contará com as mostras competitivas Nacional e Sul-Mato-Grossense, que disputarão o Troféu Tuiuú em 10 categorias.
Obra de autor premiado trata sobre as descobertas na vida de um jovem adulto
Após um pré-lançamento de estrondoso sucesso, o livro “Uma Colcha de Retalhos, Ela Disse” será lançado em Campo Grande na próxima terça-feira, dia 2 de julho, das 16h às 20h, na cafeteria Doce Lembrança, onde o autor Jander Gomez receberá amigos e leitores para uma conversa sobre o seu mais novo trabalho. O projeto foi financiado pelo Fundo de Investimentos Culturais do Mato Grosso do Sul (FIC-MS).
Ao todo, foram impressos mil livros nesta primeira edição, que está sendo distribuída gratuitamente. Desses, mais de 800 já foram entregues a escolas, universidades, bibliotecas, órgãos de cultura e público geral. Foi realizado um pré-lançamento pelo site do autor, por meio do qual todos que se cadastraram receberam um exemplar. Ao todo, foram mais de 450 livros entregues somente por meio do site em apenas 45 dias, um sucesso que superou todas as expectativas. “Eu não esperava essa recepção, na verdade foi uma experiência. Todo autor tem o desejo que as pessoas leiam suas histórias e gostem, se interessem, mas acho que esse livro me surpreendeu muito. É algo que ainda não mensurei”, define Jander.
“Uma Colcha de Retalhos, Ela Disse” é um romance que conta a história de Tomás, um jovem negro e pobre que muda muito cedo de Corumbá para Campo Grande após o falecimento do pai. Por meio do personagem, que precisa lidar com o trauma da morte do pai ao mesmo tempo que tenta conciliar trabalho e estudo para ajudar a mãe com as necessidades básicas da casa, a obra retrata as vivências dolorosas do luto, a revolta contra a opressão do sistema comerciário, a ideação suicida, a descoberta da sexualidade, entre outros temas.
“O que aproximou o público da história, além do drama contemporâneo, foi que o livro não é só uma história LGBTQIA+, é uma história de relação familiar. É uma história sobre a relação entre um jovem e uma mãe, sobre as descobertas que o Tomás vai fazendo ao longo da história, que vão transformando ele, e sobre o impacto disso, que é muito conflitante”, resume Jander, que é autor de outros três livros, “Re+Começar”, “Ponto Cego” e “O Bicho que Me Falta”, e revela que todas as obras são conectadas de alguma forma. O livro “O Bicho que Me Falta”, sua primeira obra de poesia, foi destaque entre as 20 melhores produções LGBTQIA+ do ano de 2022 no 30º Festival Mix Cultural de São Paulo.
As ilustrações da capa do livro, que retratam de forma sensível a história contada, foram feitas pelo artista visual Ricardo Caldeira, de Brasília, em coparceria com Fabrício Martins. “Uma Colcha de Retalhos, Ela Disse” também será lançado em Terenos, cidade onde o autor foi criado, dia 9 de julho, no Centro Cultural Ramez Tebet, a partir das 19h. Jander Gomez levará a obra para a Feira Literária de Bonito (Flib), já em segunda edição. “Não sei que proporção esse livro vai tomar daqui pra frente, mas sei que até aqui cumpriu muito bem o papel dele”, completa.
Serviço: O livro “Uma Colcha de Retalhos, Ela Disse”, do escritor Jander Gomez, publicado pela Life Editora, será lançado em Campo Grande na próxima terça-feira, dia 2 de julho, das 16h às 20h, na cafeteria Doce Lembrança, localizada na Rua Dom Aquino, nº 2.055 – Centro. Nessa ocasião, o livro terá distribuição gratuita. A primeira edição foi financiada pelo Fundo de Investimentos Culturais do Mato Grosso do Sul (FIC-MS).
Estão abertas as inscrições para o 5º ciclo do programa Brasil Mais, destinado a Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP). O objetivo da iniciativa, que oferece acompanhamento gratuito, é levar inovação aos participantes, por meio de uma metodologia ágil para solucionar problema e otimizar processos. Essa jornada é complementada com consultorias e soluções do Sebrae, de acordo com as necessidades identificadas durante o processo.
O programa é realizado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, em parceria com Sebrae, Senai e Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial. Para esta edição, será ofertada a modalidade “ALI Produtividade”, que busca auxiliar o empresário a identificar os principais problemas do negócio e propor formas de solucioná-los. Para os interessados, as inscrições já estão abertas e vão até o dia 16 de agosto.
As empresas selecionadas contarão com o apoio de Agentes Locais de Inovação (ALI) por um período de seis meses. Serão realizados, ao todo, nove encontros, coletivos e individuais, além de sprints de inovação com foco no aumento de faturamento ou redução de custos, junto a um plano de ação com consultorias especializadas.
Para a analista-técnica do Sebrae/MS, Aline Hitomi, o programa é uma ótima oportunidade para quem busca inovar no mundo empresarial e ganhar destaque no mercado. “Ao participar de um dos acompanhamentos, o empresário terá o total apoio do Agente Local de Inovação, seja para alavancar o negócio por meio de ferramentas digitais, ou implantar soluções no âmbito da gestão e planejamento. Essa é uma ótima oportunidade para as micro e pequenas empresas se transformarem por meio da inovação”, pontuou a gestora.
São disponibilizadas 352 vagas distribuídas nas cidades de Campo Grande, Chapadão do Sul, Naviraí, Paranaíba e Três Lagoas. Para participar, a empresa não pode ter feito ciclos anteriores da iniciativa. As inscrições podem ser realizadas pelo site sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/brasilmaisprodutivo.
Mais informações aos empreendedores pela Central de Relacionamento do Sebrae, no número 0800 570 0800.
Mergulhar nas profundezas da existência e refletir a dualidade entre realidade e subjetividade. Essa é a experiência literária que a poeta e escritora Alexandra Vieira de Almeida proporciona em seu primeiro livro de contos e crônicas, “O cântico de Medusa”.
Publicado pela editora Penalux, a obra transita entre a linguagem poética e a análise crítica na composição dos contos e crônicas, desafiando normas e explorando a fragilidade das fronteiras entre sanidade e loucura. Para a autora, o livro traz um público, a cada página, uma grande jornada dentro de um universo reflexivo e intrigante.
Para Alexandra, o objetivo do “O cântico de Medusa” é impactar o leitor, tirando-o da zona de conforto. A obra busca, ao mesmo tempo, transmitir mensagens fortes e encantar, despertando o imaginário do leitor com uma imagem desconcertante.
Livro de contos desafia a imaginação entre realidade e subjetividade
– Quero mostrar a própria imagem da Medusa, não aquela horrorosa, mas uma bela Medusa como numa escultura clássica em que os cabelos dela fossem labaredas do sol e a boca da Medusa produzisse sons harmônicos – reflete a autora.
A orelha do livro é assinada pela escritora e cineasta Lisa Alves, coeditora do portal cultural espanhol Liberoamerica e resenhista de livros para a revista portuguesa Incomunidade. Para ela, “O cântico de Medusa” apresenta a habilidade excepcional da autora em entrelaçar a profundidade poética com uma reflexão crítica, com uma narrativa repleta de simbolismos, convidando os leitores a explorar os mistérios e complexidades do ser humano e do mundo ao seu redor.
– Alexandra consegue desnudar um turbilhão de pensamentos e vivências que desafiam os limites entre o real e o ilusório – comenta Lisa Alves, autora do livro de poemas Arame Farpado (2015, Pernalux) e do livro transmídia “Quando tudo for possível” (2022, Mirada).
Sobre a autora
Alexandra Vieira de Almeida é professora da Secretaria de Estado de Educação — Rio de Janeiro. Foi tutora a distância durante oito anos da faculdade de Letras do Consórcio Cederj — UFF. É doutora em Literatura Comparada pela UERJ e atualmente está fazendo dois pós-docs — um na UnB e outro na PUC-Goiás. Tem oito livros de poemas publicados, sendo o mais recente A mecânica da palavra, 2022 (Editora Penalux). Tem poemas traduzidos para vários idiomas. O cântico de Medusa é seu primeiro livro em prosa.