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Bela Vista-MS Sexta-Feira, 25 de Setembro de 2026
Zé Geral: Por Rosildo Barcellos

Zé Geral: Por Rosildo Barcellos

O dicionário define como sendo o ato de produzir sons musicais utilizando a voz…expressar-se vocalmente por meio de frases melódicas. Mas e se eu disser que conheço alguém que transpira canto e exala música?

Tudo começou na rua 13 de Maio, em 1995. Lá foi realizado o primeiro Sarau do Zé Geral, na noite de uma quarta-feira. Depois num Casarão, no bairro Amambaí, seguindo por uma casa na Esplanada Ferroviária, AABB e assim foram 15 endereços e mil edições até chegar na rua Pasteur 937, o endereço da cultura. E isso o fez o músico que é referência e ícone no estado e tornou a frase famosa “Sarau do Zé Geral”. Fui apresentado a ele por Zeca do Trombone, meu professor de violão, mas que me viu trocar o dedilhar das cordas por manusear as palavras. José Geraldo Ferreira, “Zé Geral”,  é um dos pilares do Morenismo.

O Morenismo surgiu para divulgar e valorizar o que é a Cultura, promovendo ações que contribuíram e ainda o fazem para a autoestima do cidadão da capital sobre a identidade regional que temos. É um movimento de afirmação, e de apreciação da arte sonora que produzimos.

Certamente que para esta nomenclatura não se pensou na criação de modelos e nem linhas, mas sim de afirmar: é de Campo Grande sim. Mesmo que tenha sua origem externa. É como a própria formação da cidade. São pessoas que trouxeram suas contribuições e aqui criaram características próprias e assim aconteceu com o nosso amigo Zé Geral que trouxe a simpaticíssima “Val” de Atibaia para o nosso mundo Neste momento não há como não lembrar e citar o poema do Emmanuel Marinho.

Poesia? Poesia não compra sapato! Mas como andar sem poesia!!! E de poesia e música se instituiu o Morenismo e Zé Geral, é o abraço que permanece no ar e ele abraçou e abarcou toda esta estrutura e tendências, fazendo com que por anos a fio pudesse parecer a única nesga de resistência com fulcro no trabalho deste violonista, compositor e cantor que resiste ao tempo como o cerne de aroeira.

Ele tem estrutura de palco, aparelhagem e pureza de propósitos. Além de uma capacidade intelectual invejável e que pude comprovar quando musicava poemas do livro da escritora Vanda Ferreira. Material literário que foi prefaciado pelo professor de Gramática, Adelino Brandão; residente na época em Paranaíba.

Desbravada por mineiros, Campo Grande acolheu diversos imigrantes e brasileiros de vários estados e a síntese de todas estas questões e nuances estão marcadas na alegria, na poesia e no tom musical de Zé Geral.   Assim é Zé Geral: é a sombra da mangueira, é pegadas na grama, são as fotos expostas na parede, é a serenata violão e voz, na porta da amada; é história, música e poesia em fusão e difusão, que mostra a beleza sob todas as formas; e faz parte da nossa própria identidade cultural. Zé Geral, é um músico acumula mais de 20 anos de verdadeiras noites e serviços prestados pela cultura e arte local, da história do evento. Foram  mil edições, sendo que na de numero 550, reuniu em uma só noite , 212 músicos  misturados a um publico de duas mil pessoas.

E para terminar. Sou apenas um contador de histórias, mas quando se trata de Zé Geral tenho uma grande  certeza: Que há tanto nesse coração  que ele ainda gostaria de cantar hoje e tantas outras coisas que ele vai querer cantar amanhã.  Há tanto em seu coração  pra ser cantado. . Há canções que só Deus vai ouvir, há canções que só os mais íntimos ouvirão, há canções que nunca poderão ser  cantadas  e há canções que toda vizinhança vai ouvir. Entretanto sempre tem uma canção pronta pra ser entoada nesse seu eterno coração de compositor e amante da vida!

*Articulista

A incrível arte de Ilton Silva: Por Rosildo Barcellos

A incrível arte de Ilton Silva: Por Rosildo Barcellos

O Sul-mato-grossense, de Ponta Porã, Ilton Silva (1943-2018) é o criador de um imaginário com extrema força pictórica, arrisco afirmar que em suas obras vislumbro uma versão pantaneira e vibrante do cordel, com verdes exuberantes e seres reais e imaginários que integram o cotidiano da região a um universo enigmático e fantástico, em uma expressão ao mesmo tempo ampla e irrestrita.

Relembro uma entrevista do artista, em comento neste artigo, para o meu caríssimo amigo José Eduardo Gallindo Novo, para o “Nossa Música é Assim”, que aniversariou em 11 de janeiro próximo passado e inclusive muito me orgulho de ter sido entrevistado por ele. Introdução e  agradecimento feito; num certo  episódio o pintor explanava a Zédu , o quanto suas obras foram inspiradas pelo cultivo da erva-mate, Ilton Silva retratou trabalhadoras, benzedeiras e crianças em telas de um estilo alegre e divertido, que revela aspectos dos costumes indígenas, da cultura portuguesa e da própria floresta, personagem sempre presente em seu trabalho.

A simplicidade dos traços e o colorido de suas obras convidam o observador a apreciar figuras e detalhes que provocam a sinergia entre tais elementos, com um resultado emblemático e transcendental.

Lembro outro momento durante meu mandato de Conselheiro de Cultura da Cidade Branca e durante a 13ª edição do Festival América do Sul Pantanal, pude conferir um dos mais conhecidos artistas plásticos sul-mato-grossenses, Ilton Silva, pintando quadros ao vivo em pleno  Porto Geral, em Corumbá.

Naquela oportunidade eu conversava e ele me explicava que iria deixar a inspiração o conduzir na escolha dos temas, mas que pretendia dar ênfase a elementos da região, como o casario, barcos, canoas de pescador.
Ilton Antunes da Silva, nascido da união de Conceição Freitas da Silva, a notável artista primitivista que esculpia os “bugres”, hoje elevados à condição de ícones culturais de MS, e de Abílio Antunes, funcionário público federal. Nos primeiros tempos, oferecia suas telas de casa em casa. Mais tarde, instalando seus ateliês em  locais em Campo Grande, assistia à popularização desses espaços, que se tornavam referências para comercialização de suas obras e encontros de artistas e amantes das artes plásticas. O conjunto de sua obra revela o peso da presença cultural guarani em Mato Grosso do Sul. (Aliás ZéDu junto com o indefectível Bosco Martins compuseram a música “Alma Guarani” – Aqui o sol se mostra o dia inteiro, E a lua cheia é a mais bonita de assistir, Na longa história: Nativos e Forasteiros,A nossa terra tem a “Alma Guarani”.) musica que ao meu ver tem toda a essência do grandioso Ilton.

Até porque, em tese, seus personagens são trabalhadores  da fronteira. As rudes feições de ervateiros e peões produzidos pela miscigenação, seus bigodes finos e alongados, cabelos negros e olhar vivo, uma indumentária que inclui o  poncho,   às vezes, o revólver e o “machete”, a companhia do cavalo, os vistosos apetrechos de montaria, o exercício das lidas típicas do campo, o churrasco ou a roda de tereré, os bailes, as festas bem como a paisagem são elementos expressivos de composição que expõem as condições de existência dos trabalhadores fronteiriços.

O impacto da obra de Ilton Silva nos sul-mato-grossenses foi profundo. Por seu merecimento, a Câmara Municipal da Capital lhe conferiu o título de Cidadão Campo-Grandense.

Seu nome está gravado na história. Como assevera Aline Figueiredo “  A pintura faz parte de seu cotidiano, como espécie de lenitivo para aclarar as ideias. Não consegue começar ou terminar perfeitamente o dia sem antes ter pintado um quadro. In: FIGUEREDO, Aline. Artes Plásticas no Centro-Oeste. Aline Figueredo.Cuiabá,UFMT, MACP, 1979. 

Numa determinada ocasião esbarramos em uma conversa mais uma vez e ele me contou naquela noite que  naquela época arriscava, naturalmente, seus dotes artísticos com rabiscos no chão e madeira. “Minha primeira profissão foi engraxate, mas sempre fui muito observador das coisas, pessoas. Em um momento, fui trabalhar com meu tio, que fabricava erva mate, fumo, carne seca, melado e queijos. No chão daquele lugar comecei a fazer alguns desenhos e depois saía na rua tentando vender outras artes que eu fazia”.  Ilton Silva  morou por duas décadas em Santa Catarina   quando enfim partiu para  pintar estrelas com suspeita de pneumonia e anemia. Eu com as benção  que Deus me deu, hoje durmo abençoado com uma de suas obras na parede do meu minúsculo “kafofo”  dividindo o ambiente com uma rede, os jornais, livros, um valente ventilador, os diplomas que certificam meus trinta anos de estudo e as medalhas recebidos de pessoas e instituições que viram em mim, o que faço hoje … conto histórias das personalidades  que conheci e que me mostraram uma justa forma de viver e ensinaram a caminhar com fé no Arquiteto do Universo. Não se preocupe prezado Ilton. Aquele quadro só sai da parede quando eu também for escrever histórias no céu. Está ali para corroborar que a amizade pode sim, ser eterna e a cultura perene.

*Articulista

 

A toga, o poder e o limite: Por Bosco Martins

A toga, o poder e o limite: Por Bosco Martins

A proposta de Código de Conduta encaminhada pela OAB de São Paulo ao presidente do STF não é apenas um debate ético. É um gesto político, calculado e carregado de simbolismo num momento em que o Supremo deixou de ser apenas árbitro para se tornar protagonista do jogo de poder.

Ao defender regras duras sobre impedimentos, agendas públicas, eventos patrocinados, manifestações externas e uma quarentena pós-mandato, a OAB escancara o desconforto institucional com práticas que, embora não ilegais, corroem a percepção de imparcialidade da Corte. No Judiciário, a confiança não se sustenta só nas decisões — depende também da postura.

A inspiração nos Princípios de Bangalore e a ênfase na aparência de neutralidade atingem em cheio a rotina recente do Supremo, marcada por exposição midiática, discursos fora dos autos e trânsito frequente entre o mundo jurídico, político e empresarial. O recado é claro: juiz não pode parecer parte, muito menos ator político.

A quarentena de três anos para o retorno à advocacia é o ponto mais explosivo da proposta e tende a enfrentar resistência interna. Ainda assim, toca numa ferida antiga: a porta giratória entre o plenário e os grandes escritórios, sempre tratada com naturalidade corporativa.

Em ano pré-eleitoral, com tensões abertas entre STF, Congresso e Executivo, a iniciativa da OAB antecipa um debate inevitável: até onde vai a independência judicial e onde começa o poder sem freios? Se o Supremo não estabelecer seus próprios limites, outros o farão — no Legislativo, nas urnas ou na pressão da opinião pública.

Leia Coluna Amplavisão: BÔNUS E ÔNUS DA CLASSE POLÍTICA

Leia Coluna Amplavisão: BÔNUS E ÔNUS DA CLASSE POLÍTICA

BÔNUS E ÔNUS DA CLASSE POLÍTICA

BÔNUS: Ou, custos e benefícios que a classe política está sujeita a sedução pelo poder. A visibilidade massageia o ego, eleva o status, proporciona relações que proporcionam vantagens e prestígio favorecendo amigos e parentes. São raros os casos em que o político deixa o cargo e a política por se sentir desconfortável. Conhece algum?

ÔNUS: O outro lado do poder. Devido ao excesso de exposição pública os políticos são reféns do sistema e às vezes até fragilizam suas relações familiares. A priori não podem errar, seus atos vigiados, perdem a privacidade em todas situações. É o preço, as vezes alto que os políticos pagam. Mas, a maioria oceânica deles aceitam o desafio.

NOVIDADES? Riedel interioriza a gestão com lançamentos e inaugurações de obras. Barbosinha e Verruck deixam o PSD, rumo respectivamente ao Republicanos e PP. O primeiro prepara-se para a reeleição com Riedel e o segundo disputará a Câmara pelo PP ao lado de Waltinho Carneiro e Luiz Ovando. Até 4 de Abril muita coisa deve acontecer.

QUESTÕES: Na escolha dos dois senadores há dúvidas: prevalecerá a ideologia partidária – pura e simples – ou pesarão os perfis dos postulantes? Contar aposta no primeiro critério, enquanto Reinaldo e Nelsinho apostam as fichas na segunda opção. O programa eleitoral deve ser um componente importante para o eleitor se decidir.

‘CHUTES’: Os dados e números nos discursos de Ciro Gomes sem sustentação. Lula é outro ‘inventor’ de fatos. Disse que a nossa primeira universidade data de 1920, mas Rui Barbosa se formou em 1870 pela Faculdade de São Paulo. E em 1810 já havia as faculdades de Medicina de Salvador, Engenharia do Rio e de Minas em Ouro Preto.

ESCROTO: O ex-Primeiro Ministro da Itália Silvio Berlusconi marcou pela falta de respeito, gafes, piadas e termos chulos ao se conectar com o público. Chamou Barack Obama de “jovem, bonito e bronzeado. Em outra ocasião pulou de trás de um monumento e gritou “cucu” (esconde-esconde) para a ex-chanceler alemã Ângela Merkel.

FANFARRÃO: Hugo Chaves usava o humor para atacar adversários e se comunicar com apoiadores. Chegou ao cúmulo de apelidar Condoleezza Rice, ex-secretária de Estado dos Estados Unidos de “Condolência” e referindo-se a ela como “menininha”, acompanhado de gestos irônicos como mandar beijos em seus programas de TV.

DANÇOU: Senador, Collor convidou o colega malufista Júlio Campos (MT) para ser seu candidato a vice-presidente. Ele recusou e indicou a deputada Maria Kubischek que também disse não. Presente, dona Sara Kubischek sugeriu o senador Itamar Franco que aceitou no ato. Quem conta é o próprio Julinho admitindo: “fiquei chupando o dedo”.

A PROPÓSITO: Complicada a situação dos irmãos Júlio (deputado estadual) e Jaime Campos (senador). O governador Mauro Mendes quer o Senado, apoia seu vice Otávio Pivetta (RP) ao governo e o senador Wellington Fagundes (PL) é o concorrente mais forte. Júlio até se reelegeria, mas Jaime precisa costurar acordos para sobreviver. A Família Campos está na política há 60 anos.

SEM NOÇÃO: Em 1994 Valdemar da Costa Neto (ele!) estava no camarote dos bicheiro no carnaval do Rio, onde Itamar era o convidado de honra. Em seguida, Lilia Ramos, após posar para a Playboy e desfilado com os seios à mostra na ‘Viradouro’ é saudada com beijinhos por Itamar e deu no que deu. Manchete na República e lá fora.

GOZADOR: Ronald Reagan fazia piadas sobre o atraso dos russos. Uma de1988: “Na Rússia o cidadão vai à revenda comprar um carro OK e o vendedor diz: ‘Em 10 anos você vem buscar seu carro’ – “ De manhã ou a tarde”? ‘Que diferença faz? – indaga o cliente. O vendedor justifica: ‘É que de manhã nesta data, está agendada a visita do encanador à empresa”.

INCOERÊNCIA: Nunca, Lula tentou interferir pela libertação dos presos políticos nos governos de Chaves e Maduro. Logo ele que prega liberdade e direitos humanos por aí. Essa reclamação ouvi de um marceneiro venezuelano que trabalha como repositor num supermercado de Campo Grande. O que os petistas têm a dizer sobre o fato?

‘CAMARADA’: Nicalae Ceausescu, comunista. Mandou 24 anos na Romênia. O povo com fome e ele construiu um palácio de 80 quartos, 12 andares acima do solo e 8 subterrâneos com abrigo nuclear. Para isso deslocou 60 mil pessoas da área onde fica o palácio. Ele e a mulher foram presos pelo povo e executados no Natal de 1989.

ATRITAR ? JAMAIS! A Ordem dos Advogados do Brasil, antes atuante em defesa da sociedade, simplesmente saiu de cena neste escândalo do Banco Master respingando no STF e no Governo. Os dirigentes priorizam preservar as relações com o Judiciário. Ora! Onde existem crimes sem criminosos, todos acabam suspeitos. O que diria Ruy Barbosa!?

LEWANDOWSKI: Não leu as obras de Sócrates, Platão e Aristóteles sobre a ética. As notícias que envolvem recebimento de dinheiro do Banco Master quando era Ministro da Justiça são graves, precisam ser apuradas. Sua saída abrupta do cargo deixou pegadas escabrosas. O caso remete-nos ao programa do Silvio Santos com “Quem Quer Dinheiro?!”

NO BRASIL: Falta gente para trabalhar. Sobram vagas na capital. Sorte dos haitianos e venezuelanos. Temos 40 mil com carteira assinada; aposentados, pensionistas e 50 mil vivendo com o Bolsa Família e outros programas sociais. Com fins eleitorais o Governo mantém esse curral que trará problemas no futuro. Só os idiotas não enxergam.

UMA EPOPEIA: Proprietários rurais reclamam das dificuldades para se conseguir funcionários. Apesar dos bons salários, habitação com conforto (internet e celular), não é fácil ‘segurar’ funcionários por muito tempo. Isso se verifica na sojicultora, pecuária e extração do látex. O sonho de consumo ainda é a cidade grande. Baita ilusão!

BARBARIE: Coitado de quem precisa dos préstimos do INSS. Só no MS, no final de 2025, cerca de 41.775 pessoas estavam na fila de espera de benefícios. Enquanto isso a fila única (nacional) do órgão chega a 41,7 mil ‘sofredores’. Sai governo, entra governo e não se resolve o problema tão delicado. INSS lembra um ‘circo de horrores’.

PONTO FINAL:

Na política, a vingança, (não a esperança), é a última que morre.

Ser previdente é preciso: Por Wilson Aquino*

Ser previdente é preciso: Por Wilson Aquino*

Boa parte do povo brasileiro — talvez a maioria — utiliza integralmente os recursos de seus salários mensais para o próprio sustento ou o da família. Os baixos vencimentos, o alto custo de vida, a pesada carga tributária e a ausência de educação financeira fazem com que milhões de pessoas vivam permanentemente no chamado “fio da navalha”, sem qualquer reserva para enfrentar imprevistos.

Essa realidade torna-se ainda mais preocupante diante das constantes incertezas econômicas do país. A inflação que insiste em corroer o poder de compra, o encarecimento dos alimentos, dos medicamentos e dos serviços essenciais, além da instabilidade no mercado de trabalho, impõem às famílias um cenário de permanente insegurança.

Somado a isso, existe um fator cultural profundamente enraizado. Muitos aprendem desde cedo a gastar tudo o que ganham, sem planejamento, sem organização e sem disciplina financeira. Poupar ainda é visto como algo impossível, quando, na verdade, trata-se de um hábito que pode começar com valores pequenos, mas constantes.

Em algumas culturas, como a japonesa, existe um princípio amplamente difundido: viver com cerca de 70% da renda mensal e reservar os outros 30% para o futuro. Não se trata de privilégio financeiro, mas de disciplina. É essa mentalidade que protege famílias em momentos de crise, doenças, desemprego ou dificuldades inesperadas.

É verdade que o salário mínimo brasileiro, atualmente em R$ 1.621,00, está muito aquém do ideal para garantir dignidade plena a uma família. Nesse contexto, o governo precisa rever sua participação excessiva na renda do trabalhador, já que parcela significativa do salário é consumida por impostos diretos e indiretos. O empregador também é onerado por encargos elevados, que muitas vezes mais do que duplicam o custo real de cada funcionário.

Ao mesmo tempo, é necessário afirmar com clareza: o empregador possui não apenas responsabilidade legal, mas também moral. Não basta cumprir o mínimo exigido pela lei. Funcionários que ajudam a construir resultados, lucros e patrimônio precisam ser valorizados com salários mais justos e humanos.

Ainda assim, independentemente do cenário político ou econômico, cabe ao trabalhador e às famílias exercerem controle rigoroso de seus gastos. Adequar o padrão de vida à renda real, evitar dívidas desnecessárias e buscar separar mensalmente uma pequena quantia para reserva ou poupança é uma atitude de sabedoria. Ser previdente não é sinal de medo. É sinal de maturidade.

Deus, em Sua infinita sabedoria, jamais deixou Seus filhos sem orientação. As Escrituras Sagradas ensinam, de forma clara, o valor da preparação e da prudência. Na parábola das dez virgens, contada por Jesus Cristo, apenas cinco estavam preparadas, com azeite suficiente para o momento decisivo. As demais, despreparadas, sofreram as consequências da negligência.

A lição é direta: quem se antecipa atravessa os momentos difíceis com mais serenidade. A Bíblia reforça esse princípio ao ensinar: “Os planos do diligente conduzem à fartura.” (Provérbios 21:5) E ainda: “Na casa do sábio há tesouro e azeite, mas o insensato tudo desperdiça.” (Provérbios 21:20)

O Livro de Mórmon também orienta com clareza: “Não corrais mais depressa do que vossas forças permitem.” (Mosias 4:27) E adverte: “Organizai-vos; preparai todas as coisas necessárias.” (Doutrina e Convênios 88:119)

Dentro dessa mesma visão de responsabilidade e autossuficiência, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias ensina há décadas seus membros a praticarem o armazenamento familiar. A orientação é simples e profundamente sábia: preparar-se nos tempos de tranquilidade para enfrentar, com dignidade, possíveis tempos de escassez.

Esse armazenamento não nasce do medo nem do alarmismo, mas da prudência. Trata-se de manter reservas básicas de alimentos e itens essenciais, de forma organizada, equilibrada e usando um sistema que permite a conservação de grãos e outros produtos, por vários anos, conforme a realidade de cada família. O objetivo é evitar o desespero em situações como desemprego, crises econômicas mais severas ou eventuais falhas no abastecimento.

Ter uma pequena reserva não é exagero; é responsabilidade. Planejar não significa desconfiar do amanhã, mas demonstrar gratidão pelo hoje.

Esse princípio caminha lado a lado com outro igualmente essencial: o hábito da poupança mensal. Ainda que o valor seja modesto, o ato de separar regularmente uma quantia desenvolve disciplina, autocontrole e visão de futuro. Poupar não é privilégio de quem ganha muito, mas decisão consciente de quem aprende a administrar bem o que tem.

Infelizmente, essa cultura econômica saudável raramente é ensinada nos bancos escolares. Crianças e jovens aprendem conteúdos complexos, mas não aprendem a organizar um orçamento doméstico, diferenciar necessidade de desejo, planejar gastos ou compreender os riscos do consumo impulsivo.

Muitos lares, por falta de orientação, acabam repetindo erros de geração em geração. O resultado é um ciclo de endividamento, ansiedade, conflitos familiares e dependência constante de empréstimos e juros abusivos.

Promover educação financeira dentro do lar é, portanto, um ato de amor. Ensinar a gastar apenas com o necessário, evitar desperdícios, planejar compras e valorizar cada recurso recebido fortalece o ambiente familiar e gera segurança emocional.

Quando a família aprende a viver com simplicidade e organização, cria-se um lar mais leve, onde há diálogo, cooperação e paz. Os filhos crescem entendendo que o dinheiro não é um fim em si mesmo, mas um meio para viver com dignidade e servir melhor ao próximo.

No fim, ser previdente é muito mais do que uma escolha econômica. É um princípio espiritual. É compreender que Deus espera de nós responsabilidade, equilíbrio e gratidão. Ele provê, sim — mas também nos ensina a administrar.

A fé verdadeira não dispensa o planejamento; ela o inspira. E quando unimos confiança em Deus com prudência nas decisões, o futuro deixa de ser motivo de medo e passa a ser um caminho de esperança, segurança e paz.

*Jornalista, Professor e Escritor

wilsonaquino2012@gmail.com

A Democracia “À Prova” – Por Bosco Martins jornalista e escritor

A Democracia “À Prova” – Por Bosco Martins jornalista e escritor

“Canta tua aldeia e serás universal”, ensinou Tolstói. A frase ajuda a compreender o sentido das eleições de 2026, que deveriam ser guiadas por propostas e compromissos públicos, não pela radicalização do discurso político.

Em Mato Grosso do Sul, o governador Eduardo Riedel buscará a reeleição. No plano nacional, o presidente Lula tentará novo mandato. Mas o contexto dessa disputa extrapola a política local e se conecta a um cenário internacional cada vez mais instável.

O próximo ciclo eleitoral será decisivo para medir a resistência das democracias. No Brasil e no mundo, cresce a pressão de forças extremistas, impulsionadas pela desinformação digital e pelo enfraquecimento do debate público. Nos Estados Unidos, a possibilidade de retorno de Donald Trump ao poder reforça estratégias de apoio a agendas ultraconservadoras, especialmente na Europa.

Ao longo de 2026, eleições em diferentes países funcionarão como termômetro desse embate, marcado por tensão institucional e questionamentos às regras do jogo democrático. Em outubro, o Brasil estará no centro dessa observação.

Cantar a própria aldeia, com responsabilidade, diálogo e compromisso democrático, segue sendo o melhor caminho para enfrentar um mundo em ebulição.