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Bela Vista-MS Sexta-Feira, 25 de Setembro de 2026
Será que ainda tenho tempo? Ou já é tarde demais? Por Mirian Goldenberg, na FSP

Será que ainda tenho tempo? Ou já é tarde demais? Por Mirian Goldenberg, na FSP

Tenho medo de morrer; e se a minha vida não tiver valido a pena? São três os medos ligados ao envelhecimento: um material, outro simbólico e um terceiro existencial

Em dois momentos da vida tive medo da minha velhice.

Aos 40, quando descobri que estava ficando velha, por meio de uma consulta com uma dermatologista. Com uma lente de aumento, ela me obrigou a enxergar todas as minhas rugas, manchas, defeitos e imperfeições.

Ela me fez ter pânico da decrepitude do meu corpo. E foi assim que começaram as minhas pesquisas sobre envelhecimento, autonomia e felicidade.

Agora, muitos anos depois, meu medo é diferente: medo de morrer e da minha vida não ter tido significado.

Se eu tentar racionalizar, meu medo é porque minha mãe morreu aos 62, meu pai, aos 68, meu irmão, aos 50.

Tenho muito medo de ter câncer como eles tiveram. E cada notícia que leio me mostra que, sim, posso ter câncer.

Também estou com medo de Alzheimer, medo que nunca tive, mas que surgiu porque minha melhor amiga desde os 16 anos está com a doença. E tenho testemunhado, desde 2020, todo o sofrimento que ela sente.

Não tenho filhos e outro medo está me consumindo. Para quem vai ficar tudo o que conquistei na minha vida? E as centenas de diários que escrevi? Vão para o lixo? Vão ser queimados? Comidos pelas traças?
Qual será o meu legado?

Sempre tive muito medo. E, paradoxalmente, sempre precisei de muita coragem para caminhar sozinha e construir o meu destino.

Hoje, sou tudo o que jamais imaginei que poderia ser: professora, pesquisadora, escritora e uma antropóloga malcomportada.

Será que sou mesmo? Aquela menininha magrinha, apelidada de Olivia Palito, apavorada com a violência familiar, escondida dentro do armário para não apanhar e ouvir os gritos e as brigas, conseguiu, sozinha, ser a Mirian Goldenberg que é hoje?

Eu mesma não acredito que consegui. Por isso a urgência de responder tantas perguntas que me angustiam.

Agora, que consegui ser quem eu sou, será que vou ficar doente, morrer, perder tudo o que conquistei? De que adiantou lutar tanto?

Será que não vou ter tempo para saborear tudo o que conquistei? Amor, amizade, escrita, minha própria voz?

Será que desperdicei toda a minha vida tentando provar que tenho algum valor, que não sou a “bosta” que meu pai dizia que eu era?

Será que, apesar do reconhecimento que já tenho, ainda não consegui provar o meu valor nem para mim mesma?

E agora, que já poderia enxergar, aceitar e amar a mulher corajosa e potente que nunca imaginei que poderia ser, será que estou muito velha para gozar a minha vida?

Será que não vou conseguir viver a “bela velhice” que eu tanto enxergo nos meus melhores amigos nonagenários e centenários?

Por que tenho tanto medo de morrer e de tudo o que mais amo ir para o lixo? Ou será que não é só medo da morte?

Será que o medo é de perder tudo, de não ter mais tempo, de não ter conseguido provar o meu valor, nem para mim mesma?

Será que é o medo de ver tudo o que construí com muito trabalho e paixão ir para o lixo?

São três medos muito fortes. Um medo mais material: o que vai acontecer com meus diários e meus bens? Um medo simbólico: o que vou deixar de legado? Um medo existencial: será que minha vida tem algum significado?

Aos 40, o medo era o da decadência do meu corpo: manchas, rugas, bigode chinês, cabelos brancos, pálpebras caídas, pescoço enrugado, pelancas.

Hoje, o medo é de que a minha vida não tenha valido a pena. Medo de não ter conseguido provar ao meu pai –e a mim mesma– que não sou e nunca fui uma “bosta”.

Será que ainda tenho tempo? Ou será que já é tarde demais?

Leia Coluna Amplavisão: Janela Partidária; surpresas e duvidas nas filiações

Leia Coluna Amplavisão: Janela Partidária; surpresas e duvidas nas filiações

EXPECTATIVA: A velha dúvida que já se desenha: “quais deputados estaduais não terão êxito na tentativa da reeleição? ” Não há como tirar a lista do bolso do colete. Trata-se de eleição casada com o pleito nacional – o que pode influenciar de forma positiva ou não. O alcance e efeitos dos ‘ventos’ do Planalto são imprevisíveis.

RETROVISOR: Apenas para ilustrar: no pleito de 2022 para deputado estadual, houve renovação de 29,17%. Deixaram aquela casa:  Eduardo Rocha, Marçal Filho, capitão Contar, Felipe Orro, Evander Vendramini, Herculano Borges, Barbosinha e Paulo Duarte. Uns derrotados, outros se lançaram a diversos projetos políticos.

ATENÇÃO: Não basta que o parlamentar seja atuante ao longo do mandato. Isso até ajuda, mas não é determinante. Será que ele está no partido certo? Como estão suas relações com seus eleitores e com a administração estadual? Tem atendido ao menos parte de seus reclamos? Têm mantido contato com suas bases eleitorais?

FATOR NOVO: Em todas eleições há surpresas com o desempenho de candidatos vistos no início da campanha como ‘patinhos feios’. Aposto que o leitor já identificou alguns deles nos últimos pleitos. Agora, as federações partidárias poderão prejudicar nomes de grifes e até beneficiando outros de menor porte, às vezes estreantes.

EXEMPLO: Em 2022, vários candidatos se elegeram com menos votos daqueles obtidos por concorrentes de outras siglas. Casos de Rinaldo, Pedrossian Neto, Lia Nogueira e Hashioka. Eoram beneficiados pelo sistema da proporção, regras do quociente eleitoral e distribuição de sobras. Candidatos não são eleitos apenas pela votação individual, mas também pelo desempenho do partido ou federação.

PREOCUPA: Em algumas pesquisas temos notado um número expressivo de eleitores pesquisados que se negam a opinar. Pergunto:  seria meio caminho andado para deixar de votar no futuro? Lembra aquele cidadão – casado várias vezes sem sucesso – e que não admite repetir a experiência do matrimônio. Trata-se do ressabiado convicto.

PLACAR 2022:  Como subsídio ao exercício da previsão, veja a votação dos deputados eleitos: Mara 49.512 – P. Correa 49.184 – Zeca 7.193 – Lídio 32.412 – Caravina 31.952 – Cel Davi 31.480 – Kemp 27.969 – Lucas 26.575 – Mochi 26.108 – Catan 25.914 – G. Claro 25.839 –  Londres  25.691- A. Vaz 19.395 – R. Tavares 18.224 – R. Câmara 17,756 – Amarildo 17.249 – Neno 17,023 – Marcio 16.111 – Pedrossian 15.994 – Lia 15.155 – Hashioka 13.662 – Rinaldo 12.800.

QUESTÕES:  Candidato não pode se fiar cegamente nos votos que obteve na sua última eleição, como se tratasse de um patrimônio sólido, imune as ‘intempéries’ do tempo. Se cada eleição tem roteiro próprio e personagens diferentes, é preciso saber qual a leitura que o eleitorado – hoje em constante movimento – faz do candidato.

NADA MAIS?  Pelo andar da carruagem, o MDB, que deu as cartas por muitos anos, até agora reduzido as candidaturas viáveis de Puccinelli e Junior Mochi. A própria postura do ex-governador talvez tenha ajudado a espantar outros nomes com relativo potencial de ajudar o partido. O MDB prova: partido que não se renova acaba na UTI.

SURPRESAS-1: Elas não faltaram nesta reta final da janela partidária. Cada político fazendo as contas das possibilidades levando em conta a concorrência interna do partido e da federação. Tudo terá sido possível. Ainda é difícil apontar quem acertou ou acertou. Mas o festival de filiações movimentou os bastidores dos partidos. Isso é bom.

SURPRESAS-2:  Pretendente à Câmara, Hashioka deixou o União Brasil e ingressou no Republicanos, a exemplo de Jaime Verruck.  Resende recorreu à direção nacional do União Brasil para se filiar. Carlos Bernardo e Rose acolhidos nesta sigla; Dagoberto se filiou ao PP. A Federação União Progressista terá os vereadores Isa Marcondes, de Dourados, Neto Santos, da capital, Beto Pereira, Alan Guedes e Luiz Ovando. Time pesado.

SURPRESAS-3: Vice-governador Barbosinha deixando o PSD rumo ao Republicanos. O mesmo caminho escolhido por Renato Câmara, Pedrossian Neto e Beto Pereira. O objetivo é eleger 4 estaduais e 2 federais.  Antes a sigla tinha apenas Antonio Vaz, agora é vista como sigla de futuro. Aliás, chegaram a vetar o ingresso de Geraldo Resende. Jerson Domingos e Rose – caras novas no União Brasil. Eduardo Rocha – indefinido.

VOLTA POR CIMA: Antes tido em baixa, o PSDB saiu revigorado apesar das perdas de Dagoberto, Resende e Beto. A sigla ganhou Bia Cavassa (vice prefeita de Corumbá), deputado Paulo Duarte, vereador Juari (capital) e Viviane Luiza (Secretária Estadual da Cidadania), Notei um ambiente de otimismo no evento de filiação no ninho tucano. É esperar para conferir.

AZAMBUJA: Nos eventos de filiações em que participou, o ex-governador impressionou pela força dos discursos com argumentos convincentes. Ao seu estilo experiente, mostrou estar bem à vontade no papel de líder do partido Liberal, com críticas a política do Governo Federal. Impressiona sua legião de companheiros interioranos.

OUTRA FACE:  No início, Riedel era visto pela opinião pública e observadores, como apenas um técnico infiltrado casualmente na vida pública. Mas, as suas decisões administrativas e postura política mudaram a imagem e perfil. Suas falas nos eventos de filiação agradaram e ele parece ter tomado gosto pelo poder. E quem não gosta?

INFERNO ASTRAL: Final de mandato tormentoso da senadora Soraya Thronicke,. Se não bastassem os altos índices de rejeição, é denunciada pelo PL junto ao Conselho de Ética do Senado por crime de calúnia. Outro fato: embora destinara emenda de R$ 50 mil a UFMS, sua presença foi rejeitada pela maioria dos alunos de um curso, cuja maioria é de mulheres. Plantou, colheu!

HIPOCRISIA: O MPE não faz o que prega contra os servidores comissionados no serviço público? Está na mídia: No final de 2025 o órgão dispunha de 507 cargos. Destes, 41 ocupados por servidores efetivos, 2 por membro e 462 por pessoas sem qualquer vínculo, frente a 488 cargos efetivos criados e 448 providos. Haveria apadrinhado ganhando R$47,5 mil.

CRIME ORGANIZADO:  “…Esquemas que surfam nas lacunas e brechas deixadas não só por uma legislação frouxa e uma fiscalização insuficiente, como também por aqueles que deveriam estar julgado os criminosos nos tribunais, mas que na verdade estão ao lado deles…”. (Trecho do artigo “Abastecendo no posto de combustível do crime organizado” – ( Adriana Fernandes – Folha de São Paulo) 

PILULAS DIGITAIS:

No Brasil, só o crime é organizado. (na internet)

Noventa por cento do que escrevo é invenção, dez por cento é mentira. (Manoel de Barros)

Política é a arte de enfiar a mão na merda. Os delicados pedem desculpas, tem dor de cabeça e se retiram. (Otto Lara Resende)

Não ter vaidade é a maior de todas. Vaidade – excremento do talento. (Millôr)

Gente, como se faz pra ter dinheiro? Me falaram que era trabalhando, mas não é! (internet)

Sou contra milionário, mas seria perigoso me oferecerem essa posição. (Mark Twain)

Há muita gente que confunde memória curta com consciência tranquila. (Doug Larson)

Cheguei à conclusão que 95% das pessoas interrogadas pelo Ibope, não sabem de que é que estão falando. (Millôr)

Coluna: Amplavisão 1712  

A morte da esfera pública: Por Jonathan Hernandes Marcantonio

A morte da esfera pública: Por Jonathan Hernandes Marcantonio

Os últimos dez anos de vida de Jürgen Habermas, filósofo alemão que faleceu há pouco tempo aos 96 anos de idade, não devem ter sido fáceis.Ver o mundo ocidental se transformar novamente em um palco de propaganda, com a utilização de recursos comunicativos avançadíssimos e com roupagem de diálogo, como as redes sociais, e o consequente aparelhamento da esfera pública para fins privados, escusos e fortemente questionáveis do ponto de vista ético, deve ter sido difícil.

Assistir ao quão facilmente as democracias do mundo são cooptáveis e corruptíveis, tomadas por congressistas e presidentes autocráticos em prol de grandes corporações e de interesses nada republicanos, em uma estrutura de “Lobbycracia”, como muito bem descrito pelo ilustre jurista e professor Miguel Reale Júnior em artigo recente, deve ter sido angustiante.

Contemplar o (re) fortalecimento de discursos xenófobos, racistas e segregadores ao longo do mundo todo, propagados levianamente como “liberdade de expressão”, e assistir ao enraizamento desses discursos em instituições de Estado e de governo, com servidores públicos de todos os escalões e poderes utilizando-se das prerrogativas a eles atribuídas sem qualquer tipo de responsabilidade pública e impondo visões de mundo retrógradas e egocêntricas, deve ter sido sufocante.

Justo ele assistir a tudo isso. Ele, que gastou mais de quarenta anos de sua vida examinando e tentando entender e desenvolver reflexões e métodos que poderiam auxiliar a esfera pública a ter uma abertura maior às demandas sociais e, pelo diálogo, buscar elementos que pudessem contemplar todas as pessoas que, em determinada sociedade civil, coexistissem.

A ação comunicativa, antes de mais nada, se propunha-se como um escrutínio identificador de demandas sociais válidas que tinha como pauta o diálogo e a abertura pessoal (Persönliche Offenheit) entre seus interlocutores; nada mais distante da realidade social que se avizinha: narcisista, egocêntrica e míope à alteridade.

Estudei suas obras incessantemente por vinte anos. Como em tantas outras, seu nome estava estampado em minha dissertação de mestrado e também em minha tese de doutorado, ainda que de forma mais contida. Todos os debates acadêmicos que se prezam, ao longo desse período, no mundo todo e no Brasil, falavam sobre sua obra. Uns apoiando, outros criticando. Em qualquer espectro, sua relevância era consenso.

Tive o prazer de conversar pessoalmente com ele de forma muito breve, em meu primeiro congresso internacional, ainda como mestrando, lá pelos idos da primeira década do século XXI. Ele era o palestrante principal e eu, um aspirante apresentando meu primeiro artigo científico internacional (que estava péssimo).

A sorte me fez encontrá-lo na fila do café e me propiciou trocar poucas palavras com ele. Sua atenção àquela figura insignificante ao evento me chamou a atenção. Foi atento e empático às minhas palavras, e isso me marcou profundamente. Foi como um acolhimento, um aval de pertencimento a quem estava chegando àquele mundo naquele momento.

O que lamento é ele ter partido sem sequer ter visto alguém tentar colocar em prática parte de sua teoria. Ele, que era um filósofo social, da práxis, ainda que afastado das premissas marxianas, não foi capaz de ver ninguém — nenhum Estado, nenhum político, nem um professor sequer — tentar implementar a ação comunicativa como processo deliberativo e consensual.

E agora? Com a morte de Habermas e de sua teoria na prática, o que resta para a esfera pública? Existe salvação ou a “Lobbycracia” venceu definitivamente?

Se o diagnóstico de sua partida for, de fato, o desânimo diante de um mundo surdo, o luto acadêmico não pode ser apenas protocolar. Enterrar Habermas sem resgatar a urgência da ética comunicativa é aceitar que a ‘lobbycracia’ e o narcisismo digital venceram definitivamente. Mais do que lamentar o silêncio do filósofo, cabe agora àqueles que ainda acreditam na alteridade a tarefa hercúlea de reabilitar a esfera pública. O diálogo não é um luxo intelectual, mas a única barreira que nos separa do abismo da barbárie. Que o seu desgosto não seja o nosso fim, mas o nosso último alerta.

Sua teoria foi esquecida e subutilizada em meio a curtidas, comentários, “hashtags” e retrocesso, todos mascarados no futuro. Ao imaginar Jürgen Habermas, com sua alta perspicácia, compreendendo o que o mundo estava criando, produzindo e se tornando, só posso imaginar que sua morte não tenha sido fruto de complicações de sua idade avançada, mas sim por cansaço. Acho que Habermas morreu de desgosto…

Jonathan Hernandes Marcantonio  – Advogado especializado em Direito Criminal Empresarial, é doutor e mestre em Filosofia do Direito e do Estado pela PUC/SP, com estágio na Universidade Livre de Berlim. Foi professor da USP/RP e do IBMEC/SP, autor dos livros “Direito e Controle Social na Modernidade” e “Direito, Moral e Linguagem em Rawls e Habermas”.

Alexandre de Moraes sob pressão contra-ataca restringindo o Coaf

Alexandre de Moraes sob pressão contra-ataca restringindo o Coaf

**Bosco Martins é jornalista e escritor*

O ministro Alexandre de Moraes resolveu, ao que tudo indica, chutar o pau da barraca — mas como a quem diz estar apenas “organizando o sistema”. Em nome da própria defesa, restringiu a atuação do Coaf e, de quebra, abriu uma avenida jurídica para questionamentos — inclusive aqueles que, por ironia do destino, podem lhe beneficiar diretamente.

Não é pouca coisa. A decisão tem potencial para respingar em investigações robustas, como os casos envolvendo o Banco Master e o INSS. Em vez de aprofundar apurações sobre personagens como Nelson Tanure, alvo de desdobramentos da Operação Compliance Zero, o movimento soa como um curioso freio de arrumação — daqueles que coincidem, não por acaso, com o momento mais sensível para o próprio magistrado.

No epicentro da turbulência está Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, figura que deixou de ser apenas um nome do mercado financeiro para virar personagem recorrente em investigações e vazamentos incômodos. E é justamente aí que a metáfora do boxe deixa de ser figura de linguagem e passa a descrever o roteiro.

Moraes não foi nocauteado — ainda. Mas levou um “knockdown”. Caiu. Levantou. E agora tenta ganhar tempo enquanto o árbitro conta. A diferença é crucial: no nocaute, a luta acaba; no knockdown, a sobrevida exige estratégia, fôlego e, sobretudo, menos exposição.

O problema é que o ringue hoje é público — e barulhento. Levantamento da AtlasIntel mostra que quase metade dos brasileiros já vê o STF como parte do problema, não da solução. Não se trata de prova judicial, mas de algo talvez mais corrosivo: percepção.

E percepção, na política e no Judiciário, é meio caminho andado para a erosão da autoridade.
Nesse cenário, o encontro entre Flávio Bolsonaro e Moraes deixa de ser apenas um gesto protocolar e ganha contornos de rearranjo tático. Há ali mais do que um pedido jurídico em favor de Jair Bolsonaro — há um ajuste fino entre antagonistas que, no fundo, nunca romperam de fato. No Brasil, até o confronto costuma ser negociado.

O bolsonarismo, que sempre vendeu o embate com o Supremo como espetáculo, agora precisa de oxigênio institucional. Moraes, pressionado por vazamentos e desgaste, também não pode se dar ao luxo de ampliar frentes de conflito. No fim, todos recuam um passo — mesmo quando discursam avançar dois.

O “superministro”, que por muito tempo lutou no centro do ringue, hoje trabalha nas cordas. Ainda está de pé, é verdade. Mas já não impõe o ritmo — reage a ele.

E como ensina o boxe: depois de um knockdown, o lutador até pode se recuperar. Mas nunca mais volta a ser exatamente o mesmo.

Os rounds seguem abertos. Mas a plateia, cada vez mais desconfiada, já não aplaude como antes.

Alex & Yvan: Por Rosildo Barcellos

Alex & Yvan: Por Rosildo Barcellos

 

A cultura, compreendida como um conjunto de manifestações da atividade humana, constitui uma espécie de retrato do modo como os indivíduos, organizados política e economicamente, pensam e tendem a se comportar em cada momento histórico específico. A origem do sertanejo está intimamente ligada à vida e às experiências das culturas rurais do interior do Brasil. Esse gênero musical surgiu das vivências dos sertanejos, habitantes das áreas mais remotas e afastadas, como o sertão nordestino e o interior de estados como Minas Gerais, Goiás e São Paulo. Suas vidas eram marcadas pela realidade do trabalho na agricultura e na pecuária, além de condições climáticas adversas.

A música sertaneja nasceu como uma forma de expressar os sentimentos, histórias e experiências dessas comunidades. Suas canções retratavam a saudade, a simplicidade da vida no campo, os desafios enfrentados e os amores vividos. Instrumentos como a viola, a sanfona e o berrante tornaram-se icônicos no acompanhamento das letras que descreviam o cotidiano e as emoções

Nesee meio surge Alex Ferreira Maidana, (Alex) e Ivan Pereira (Yvan), começaram a cantar juntos num glorioso  13 de abril  após o término de uma banda que tocavam em Bodoquena / MS. E já estamos chegando a vinte anos de carreira. Com o tempo, e com divulgação boca a boca, (inclusive eu particularmente fui em deles), passaram a apresentar-se em outras cidades do interior do Mato Grosso do Sul.

Alex & Yvan

Em 2007, gravaram seu primeiro CD/DVD, “Porta à Fora” , ao vivo na Atualmente Chopperia, em Campo Grande capital do Estado. Do álbum, destacaram-se a faixa-título do, “Porta fora”, de Alex Maidana e Alex Machado, que foi bastante executada nas rádios naquela época..  A partir de então, se firmaram como um dos principais nomes da música sertaneja sul-mato-grossense, tendo já se apresentado em shows ao lado de nomes como Gino e Geno, Felipe e Falcão , Guilherme e Santiago , Milionário e José Rico e Zé Henrique e Gabriel, César e Paulinho, entre outros.

Em 2008, gravaram o segundo CD/DVD da carreira, ao vivo no Parque de Exposições Laucídio Coelho, em Campo Grande/MS, para um público de mais de 15 mil pessoas.  O álbum apresentou 24  faixas em estilos variados, sem perder a característica do sertanejo tradicional. Em 2010, lançaram seu terceiro DVD, “Faiz Barui Brasil”, gravado ao vivo na ExpoMS, com mais de 10 mil pessoas na plateia. O álbum apresentou 20 faixas, das quais se destacaram “Se é Pra Ser” e “Questão de Vício”. Em fevereiro de 2016, levaram a música sertaneja para o Japão, e apresentaram-se nas cidades de Hekinan e Hamamatsu.

Relembro que  a dupla inicial era composta por Alex Ferreira Maidana e Ivan Pereira. Atualmente, o novo Yvan da dupla se trata de Fagner Fabrício Corrêa. Nascido em Bodoquena, o cantor também fez parte do grupo Tradição e atuava como violeiro e sanfoneiro. Por certo sua história, ao longo destas quase duas décadas, carrega uma variedade de estilos, e a influência cultural que exerce é testemunho do poder da música como uma forma de expressão que transcende fronteiras geográficas e temporais, construindo pontes entre gerações e enriquecendo a identidade de Mato Grosso do Sul. O crescimento verdadeiro exige uma dose diária de humildade. Não se trata apenas de ouvir, mas de observar e aplicar o que aprendemos. E essa dupla carrega a humildade não apenas no sotaque mas no gesto, tanto em Barretos como no Festival da Guavira. E não me arrependo de  há quase vinte anos atrás  ter distribuído 80 copias de CD para pessoas que me eram caras, pois eu já sabia que eles levariam nossa música, ou seja,  aquele rasqueado e as “modas de viola”, que nós ouvíamos com nossos pais…para o canto certo do coração!

*Articulista

Leia Coluna Amplavisão: Oposição ensaia o discurso de campanha

Leia Coluna Amplavisão: Oposição ensaia o discurso de campanha

OPINIÃO:  Como diz o ex-deputado Eduardo Cunha: “Ao fim do dia 4, teremos a exata noção do que vai rolar para a próxima campanha eleitoral, onde governadores renunciarão para serem candidatos, candidatos a eleições majoritárias definirão seu destino, listas fortes ou fracas serão formadas, possíveis novos candidatos a presidente serão definidos. Enfim, o jogo estará pronto para ser jogado”.

DIFERENÇAS: O Fundo Eleitoral é destinado aos partidos em anos eleitorais para bancar as campanhas de seus candidatos, como viagens, cabos eleitorais e material de divulgação. Já o Fundo Partidário abastece os partidos mensalmente para custear as despesas (energia, água, aluguel). É produto de mistura de verba pública e doações privadas (dotações orçamentarias da União, multas e outros recursos da Lei 9.096/95)

CERTO? A incoerência na política é vista como uma dança de ziguezagues, onde os interesses pessoais superaram os princípios éticos, tornando a memória curta e a contradição aliados habituais do político. É marcada por alianças pragmáticas entre ex-adversários, mudanças de postura ideológica para chegar ao poder, além de promessas não cumpridas.

QUESTÃO: As reivindicações salariais de parte dos servidores públicos, podem representar um novo fator no quadro sucessório? Nesta semana, quem esteve na Assembleia Legislativa pode constatar manifestações contrárias ao anunciado índice de 3,81% de aumento salarial. Entre ativos e inativos temos hoje 86 mil servidores.

É CEDO? Num ano de eleições, com novas regras e outros fatores que até poderão alterar os prognósticos iniciais, não seria prematuro admitir que o ‘fator bolso’ não pode ser desprezado. Hoje, o descontentamento já serve de munição para adversários em seus discursos no parlamento estadual. Por sua vez, o Governo é cauteloso nesta tratativa.

‘CALMA’:  Para os observadores, o Governo precisa e deve olhar o Estado como um todo, sem deixar de medir o tamanho de seu lençol.  A crítica – ao longo da história do Mato Grosso do Sul, não perdoou nenhum de seus governantes. Começou com Harry Amorim, sacrificado em nome dos interesses de lideranças políticas. Lembro bem.

NA LISTA:  Marcelo Miranda, Pedro Pedrossian, Wilson Martins, Ramez Tebet, Zeca do PT, André Puccinelli e Reinaldo Azambuja –  cada qual com seus méritos e nem por isso passaram intocáveis em matéria de críticas pelos funcionários. Em ano eleitoral, a questão financeira aflora e ganha prioridade nas falas oposicionistas. Como se diz: faz parte.

GOVERNABILIDADE: Um deputado lembrando que em 2023 o reajuste geral anual foi de 5% – em 2025 foi de 5,06%, sem romper o limite prudencial imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Esse reajuste de 3,81% terá um impacto R$353,5 milhões em 2026 – C$ 473,5 milhões em 2027 e R$490,1 milhões em 2028.

‘VOLEIBOL’: Vai ficando evidente a parceria branca entre o deputado João Catan (Novo) e os 3 integrantes do PT nas sessões da Assembleia Legislativa. Quando Catan faz observações críticas ao Governo, ganha apoio incontinenti dos colegas petistas e vice-versa. Lembra o ‘voleibol’, um jogador levanta a bola para o outro ‘cortar’.

APOSTA-1: Dando as costas para os números das pesquisas, há quem acredite nas chances de termos 2º turno nas eleições de MS. Duas expectativas: a primeira versa sobre o desempenho de João Catan como dissidente da direita; a segunda é sobre a candidatura de Fabio Trad (pelo PT), já fora dos quadros do Governo Lula.

APOSTA-2: No saguão da Assembleia Legislativa questiona-se muito sobre as chances e desempenho dos postulantes ao Senado: Contar, Nelsinho e Reinaldo. Esse último, aposta nos dividendos de sua política municipalista como governador; o segundo no fator ideológico (Bolsonarismo), e o segundo em suas ações (emendas) aos municípios.

APOSTA-3: Existe outro fator que não pode ser ignorado no resultado das urnas locais. Trata-se da influência do desempenho de Lula e de Flavio Bolsonaro devido a notória divisão de forças – direita e esquerda – no nosso eleitorado. Ainda paira dúvidas quanto ao nível de aceitação do nome de Flavio, que só o tempo poderá dizer.

ELES VEM AÍ:  O ex-deputado Jerson Domingos, ex-governador Puccinelli, ex-prefeito Odilon (Aquidauana), Hélio Peluffo (ex-prefeito de Ponta Porã), Raíza Matos (ex-prefeita de Naviraí); Ângelo Guerreiro – ex-prefeito de Três Lagoas – compõem um quadro de postulantes com currículos de peso. Fica a pergunta: quem sairia da Assembleia para dar lugar à eles?

‘TROCA TROCA’: Intensa na janela partidária. Paulo Duarte sai do PSB e vai para o PSDB; Jamilson Name, Lia Nogueira e Caravina permanecem no PSDB; Marcio Fernandes deixa o MDB para ingressar no Liberal; Renato Câmara troca o MDB pelo Republicanos; Lídio Lopes: ingressará no PP, Avante ou Patriotas; Beto Pereira saindo do PSDB para presidir o Republicanos. Marcelo Miglioli, deixando a prefeitura da capital para tentar uma suplência ao Senado; Barbosinha abandona o PSD rumo ao Republicanos.  O PL terá coronel David, Lucas de Lima, Paulo Corrêa, Zé Teixeira, Marcio Fernandes, Mara Caseiro, Neno Razuk.; Londres e Gerson Claro firmes no PP.

EM TEMPO: Com o advento das federações partidárias aumentou a interlocução dos partidos dos estados com as respectivas lideranças nacionais. Como ainda estamos no prazo legal (janela) tudo pode acontecer até o dia 3 de abril. Só após, poderemos ter o quadro oficial das candidaturas nesta ou aquela federação. Isso se chama política.

ALERTA:  A intervenção desastrosa no leito do rio Mississipi (USA) precisa ser lembrada pelos defensores do idêntico processo no rio Paraguai para tentar ‘melhorar’ a navegação entre P. Murtinho e Corumbá. Aliás, o tema está na pauta da COP 15. Os impactos ameaçariam todo o Pantanal e as consequências ecológicas irrecuperáveis.

O RIO FEDE!  Nos últimos 30 anos o Estado do Rio apresentou vários casos que envolveram seus governantes. Moreira Franco (1987/1991) foi preso suspeito de corrupção, mas foi solto; Antony Garotinho acabou preso, a exemplo de Rosinha Garotinha por atos de corrupção; Sergio Cabral foi alvo de 184 acusações, condenado a 430 anos de prisão, está solto e virou colunista; Luiz F. Pezão foi preso ainda no cargo por corrupção e hoje é prefeito de Piraí; Wilson Witzel (ex-magistrado) também foi preso por envolvimento de corrupção. Para finalizar temos Claudio Castro, declarado inelegível pelo TSE. Enfim, visto de cima o Rio continua lindo. Visto de baixo, fede.

PILULAS DIGITAIS:

“Não ficamos adultos, só ficamos bobos maiores. ” (Luiz F. Veríssimo)

A pergunta: quais ‘forças ocultas’ levaram Ratinho Jr. a desistir?

“Vamos lutar para que o caso Master chegue onde a Lava Jato foi impedida de chegar”. (Deltan Dallagnol – candidato ao Senado no Paraná)

“Na política, ninguém muda de rota sem motivo”. (na internet)

“O ódio e o fanatismo são duas doenças mentais que vêm da antiguidade e ainda nos atormentam”. (Amós Óz)

“Os socialistas são contra o lucro. Os capitalistas são apenas contra o prejuízo.” (Millôr)

“O homem é a soma de suas obsessões”. (Nelson Rodrigues)

“60% dos brasileiros não confiam no STF e nos ministros. 40% não sabem o que é o STF”.

“Tenho que preservar minha imagem” – como diz o velho palhaço traçando uma linha sobre a boca sem dentes. (Millôr)