
Agentes de combate a endemias têm uma missão: reduzir índices de infestação do mosquito aedes aegypti nos dois lados da fronteira.
Ponta Pora (MS) Uma iniciativa inédita na fronteira. Agentes de combates a endemias de Ponta Porã e de Pedro Juan Caballero realizaram nesta terça-feira um mutirão visando reduzir os índices de infestação do mosquito transmissor de doenças como a dengue, zika e chikungunya. O local escolhido foi uma ocupação irregular localizada nas imediações da antiga estação ferroviária de Ponta Porã, onde moram cerca de 500 pessoas.
O trabalho reuniu agentes da Prefeitura de Ponta Porã e do Senepa, órgão de prevenção e combate a endemias do Paraguai. A presença dos agentes do Senepa se justifica porque no bairro moram vários paraguaios que não entendem perfeitamente as instruções dos agentes brasileiros. “Nosso trabalho é basicamente em cima de orientações. E, estávamos percebendo que algumas pessoas não entendiam o que os agentes falavam. Por isso convidamos os agentes paraguaios para que eles pudessem estar juntos e, falando em espanhol e guarani, melhorar a forma de repasse das informações. Inclusive distribuímos folhetos que o Senepa produz em espanhol para orientar as formas de prevenção a estas doenças”, explicou o secretário de saúde de Ponta Porã, Patrick Derzi.
Ele destacou a importância do trabalho em conjunto, já que a comunidade local é composta por paraguaios em sua maioria. “É uma parceria que vai alcançar moradores que às vezes não entediam muito bem o que os agentes de saúde brasileiros orientavam, com a presença de paraguaios conversando, explicando e orientando os moradores paraguaios da localidade, o combate pode ser mais eficiente”, declarou.
Segundo ele, em Ponta Porã alguns locais preocupam. “Temos uma infestação do mosquito aedes aegypti superior ao recomendado pela Organização Mundial de Saúde que é de 1%. Em alguns pontos de Ponta Porã a incidência atinge 1,9%. É preciso reduzir isso especialmente neste período de chuvas intensas que facilitam a proliferação do transmissor das doenças”.
O trabalho mobilizou 70 agentes de combates a endemias e também comunitários de saúde de Ponta Porã. O local escolhido é uma área ocupada irregularmente e também conhecida por bairro Conquista. Ali já foram registrados casos de dengue no ano passado e existem vários locais que favorecem a proliferação do mosquito transmissor da doença.
Para o coordenador do Senepa, Leoncio Delgado, a iniciativa inédita pode ser a arma que faltava para que a fronteira consiga combater com maior eficiência ao mosquito transmissor de várias doenças.
“Não estamos combatendo um mosquito com nacionalidade, ele não diferença em lugar algum. Mas os moradores podem até ter três idiomas diferentes. Por isso é importante essa parceria. Os agentes do Senepa trabalhando com paraguaios em Ponta Porã e depois com agentes de saúde brasileiro trabalhando com brasileiros no Paraguai, pode ser a arma que faltava para combatermos o mosquito Aedes Agypit com mais eficiência”, afirmou
Ele considera trabalhos desta forma como fundamentais para controlar a situação que é muito preocupante no lado paraguaio da fronteira. “Temos bairros com infestação do mosquito em índices alarmantes. Uma das regiões que nos preocupa bastante é a área central e bairros próximos”.
De acordo com Leoncio, na próxima semana o mutirão deverá ser realizado no lado paraguaio. “Vamos definir a estratégia com os colegas de Ponta Porã para que tenhamos agentes brasileiros atuando em Pedro Juan Caballero. Temos poucos agentes e, por isso, a participação dos brasileiros será muito importante”, declarou Leoncio.
Em Ponta Porã, neste ano, foram registrados nove casos suspeitos de dengue e nenhum confirmado até o momento. No lado paraguaio foram 50 casos notificados sem nenhuma confirmação. Juntas as cidades de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero formam uma população de mais de 200 mil habitantes.
Legenda da foto: Prefeitura de Ponta Porã