(67) 99634-2150 |
Bela Vista-MS Sábado, 14 de Março de 2026
gildo

Genivaldo é o segundo em pé da direita para a esquerda

Campo Grande (MS) – Ele não chegou a atuar profissionalmente, principalmente por conta de um acidente de moto aos 18 anos. No entanto, o amor pelas quadras o manteve intimamente ligado ao voleibol.

Natural de Diamantino (MT), especificamente do bairro Pedregal, Genivaldo Alves faz questão de relembrar as origens. Prova disso é o nome do clube que ajudou a fundar: AVP (Associação de Vôlei do Pedregal), equipe oriunda do Mato Grosso e que há três anos migrou para Campo Grande e, junto com o Rádio Clube, recolocou Mato Grosso do Sul no cenário nacional do vôlei após quase três décadas, desde a equipe da Copagaz.

“Depois de 30 anos, é um orgulho. A gente tem apenas um ano trabalhando e já conseguimos chegar onde a maioria das equipes sonham chegar, que é uma vaga na Superliga B”, comemora o diretor administrativo e financeiro da Associação.

A AVP/Rádio Clube disputou, em outubro, a Taça de Prata, que reuniu sete clubes no ginásio do Tijuca Tênis Clube, no Rio de Janeiro (RJ). Com uma única derrota na competição, o selecionado sul-mato-grossense garantiu vaga na Superliga B, divisão de acesso à elite do voleibol brasileiro.

Agora, conforme Genivaldo, o objetivo é alçar voos ainda mais altos. Porém, o apoio financeiro é imprescindível. “O futuro está nas mãos de Deus. Se não tivermos patrocínio, não conseguiremos levar adiante um projeto focado na Superliga B, que é alto e tem um custo muito elevado. Você precisa manter um nível de equipe bem alto, com atletas bons, e isso tem custo”, analisa.

Confira a entrevista, realizada em parceria com o Esporte Ágil

Por que o interesse pelo voleibol?
EU fui atleta, não atuei profissionalmente, mas joguei muitos anos da minha vida. Até que, aos 18 anos, sofri um acidente de moto e isso me impediu de jogar. Mas sempre amei o voleibol e, sempre que posso, estou no meio do esporte, principalmente do vôlei. A equipe se chama AVP justamente por conta da cidade de onde vim, do bairro. Associação de Vôlei do Pedregal, que é um bairro de Diamantino. Lá sempre joguei, conheço muito gente, foi lá onde tudo começou. Levo com muito orgulho meu bairro no nome da equipe.

Leia  Jogos Abertos de Mato Grosso do Sul terão seis etapas regionais em 2026, entre abril e setembro

Como começou a equipe?
Ela começou há três anos, no Mato Grosso, e não era para vir para Mato Grosso do Sul. Sou de Diamantina, a 200 quilômetros de Cuiabá (MT). Tudo começou lá, com a equipe jogando na cidade. Em julho, tinham os Jogos de Férias, e começamos a montar o time. Como moro há 15 anos em Campo Grande, começamos a levar os meninos daqui para jogar lá. Ganhamos alguns torneios e surgiu essa ideia, de montar uma equipe para jogar campeonatos.

E como houve essa profissionalização?
Assim que a equipe começou, a gente escolhia um ou dois campeonatos, montávamos equipe competitiva e íamos participar. Com um ano, começamos a falar de montar uma equipe para nós mesmos. Por que não termos uma equipe nossa, para jogar em alto nível? Continuamos com uma equipe catada, quando pega alguns atletas e vai competir. Nessas equipes, começamos a observar os atletas, quem era bom, quem era de grupo, quem não era de briga. E anotávamos tudo e, nas competições, sempre chamávamos os mesmos jogadores.

Houve respaldo da federação do Mato Grosso?
Com dois anos e meio para três anos, queríamos montar a equipe no Mato Grosso. Mas, na Federação de lá, não tivemos respaldo. Cobrou taxas absurdas para federar os meninos. No primeiro momento, não formamos a equipe por conta dos custos. Depois, viemos para Campo Grande, já que temos empresa lá e aqui.

Por isso a equipe migrou para Mato Grosso do Sul?
Em seguida, começamos a conversar com alguns amigos e atletas de voleibol, e todos gostaram da ideia. Fomos até a FVMS (Federação de Voleibol de Mato Grosso do Sul), e o professor Madrugada (presidente da FVMS) tem nos ajudado muito. Através dele fizemos a parceria com o Rádio Clube. Ele não cobrou para federar os atletas, registrar. Só cobra transferência, que é um valor bem simbólico.

Leia  Em parceria com FFMS, clube de futebol de amputados de MS participa de quadrangular em Mogi Mirim/SP

O respaldo foi importante para vocês então?
A Federação não dá dinheiro, claro. Há a taxa anual, que é R$ 1,5 mil para todos. A gente conversou com o professor, para saber o que ele achava de ter uma equipe de alto rendimento aqui, e ele aprovou. A partir daí a gente começou jogando em Mato Grosso do Sul, os torneios da federação, e também saímos para outras competições.

Os jogadores se dedicam integralmente ao vôlei?
Acredito que seja a única equipe de alto rendimento. Os meninos vivem pelo vôlei. São três períodos de treinamento, com academia à tarde.

E como a equipe é mantida?
Hoje, o que mantém a equipe são nossas empresas, do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Praticamente 100% do que entra de valores na associação, para repassar à equipe, como gastos com alimentação e despesas médicas, saem das nossas empresas. Quando o Cícero (Gomes da Silva, presidente e investidor do clube) ficou doente, ficou essa incógnita, se o time continuaria. Ele ainda está se tratando, mas como os meninos abriram mão de salários, começaram a reduzir despesas… Todas essas coisas ajudaram a minimizar os custos. Assim, resolvemos tocar adiante o projeto. E o resultado foi essa vaga na Superliga B.

Qual avaliação você faz do ano de 2016?
Foi um ano bom. Produtivo, pena que aconteceu a triste notícia com o Cícero. Isso deixou a gente um pouco triste. As conquistas que almejávamos, conseguimos. Trabalhamos forte durante o ano para conquistar essa vaga na Superliga B. Agora, esperamos que o Estado e a Prefeitura possam nos dar o apoio devido. Possa apoiar os meninos, pois eles são de fora e não têm salário. A gente não tem condição. Não sei se a Prefeitura tem algum projeto onde eles possam ser incluídos. Assim, poderemos trazer cada vez mais atletas para Mato Grosso do Sul. Depois de 30 anos, é um orgulho. A gente tem apenas um ano trabalhando e já conseguimos chegar onde a maioria das equipes sonham chegar, que é uma vaga na Superliga B.

Leia  Atleta bela-vistense João Vitor é convocado para Seleção Sub-16 de MS e disputa Brasileiro de Vôlei em Saquarema

E quais os planos futuros?
Tudo vai depender da Prefeitura, do Estado, de patrocínio. A partir de agora, muda o patamar. A Superliga B é outro nível, tem atletas bons que ganham até R$ 4 mil por mês. Se não tiver apoio, você não consegue fazer uma boa temporada. A gente não consegue arcar com esses custos. A gente consegue por a equipe lá, mas precisamos do respaldo do Estado, da Prefeitura, de parceiros, enfim. O futuro está nas mãos de Deus. Se não tivermos patrocínio, não conseguiremos levar adiante um projeto focado na Superliga B, que é alto e tem um custo muito elevado. Você precisa manter um nível de equipe bem alto, com atletas bons, e isso tem custo.

Fonte: Top Midia News