
Professora Adriana Rochas, da UEMS, abordou os resultados da governança social em Mato Grosso do Sul.
A governança corporativa é um dos temas mais importantes atualmente no mundo dos negócios e foi o principal assunto debatido no IV Encontro Acadêmico de Administração e Ciências Contábeis (EAACC), Promovido em parceria pela UEMS – Unidade de Ponta Porã e a FIP/Magsul. Junto com o Conselho regional de Contabilidade, as duas instituições de ensino promoveram uma semana de palestras e apresentações de trabalhos além de oficinas reunindo estudantes, professores e profissionais da Contabilidade e da Administração.
Os debates foram ainda mais enriquecidos com a presença de renomados profissionais em nível nacional. Na terça-feira, por exemplo, a palestrante foi a professora doutora Adriana Rochas Moreira, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, com o tema “Governança Social em MS”.
Adriana disse que a governança social no Estado de Mato Grosso do Sul, assim como no Brasil, é o modus operandi da gestão estatal para garantir o bem-estar da sociedade. Na última década constata-se melhorias no aspecto social referente à pobreza, observa-se por meio de diversos índices, mais especificamente o IDHM, o Estado de MS apresenta-se na faixa de desenvolvimento Humano alto, ou seja, com IDHM de 0,729; neste nível o Estado ocupa uma posição de 10° lugar entre as 27 unidades da Federação.
Segundo ela, “isso se deve a diversas políticas sociais adotadas nesta década com foco na educação, saúde e renda. O conjunto de políticas públicas coordenadas para o desenvolvimento garante o bom desempenho socio-econômico estatal, garantindo o bem-estar da população sul-mato-grossense. Políticas focalizadas são de suma importância para solucionar problemas que assola a nossa humanidade, como a miséria e a pobreza. Porém, para garantir a sustentabilidade do desenvolvimento humano é necessária política que garantam a estabilidade econômica, emprego, renda, saúde, educação, redução das desigualdades”, afirmou durante palestra realizada no IV
Adriana fez uma observação importante: “o novo relatório divulgado sobre a aplicação de politicas públicas com o objetivo de beneficiar as pessoas é sobre a Felicidade. O Brasil está como o 17° no ranking dos países mais felizes. As políticas públicas devem se atentar para este índice, a fim de garantir ações que estabeleçam um desenvolvimento sustentável”, observou.
LAVA JATO
Na palestra seguinte, proferida pela professora doutora Patrícia Maria Bortolon, da Universidade Federal do Espírito Santo. O tema foi a governança corporativa. Ela iniciou a apresentação falando da importância da governança para os pequenos empresários: “esta região possui muitas empresas familiares e a governança também é fundamental para os pequenos empreendedores, especialmente para aqueles que possuem parentes como sócios. A governança ajuda a resolver conflitos ainda mais no momento que vivenciamos hoje no Brsil, marcado por uma forte crise”, afirmou.
Segundo ela o mundo empresarial se abriu para as práticas da governança corporativa a partir da crise de 2008 que contribuiu para o fechamento de muitas
empresas no mundo todo. “As pessoas precisam ficar mais atentas. Empresários, acionistas, enfim, é necessário um monitoramento constante da saúde financeira e administrativa das empresas. É preciso questionar, participar das assembleias, analisar relatórios. No âmbito das pequenas empresas a governança oferece instrumentos para que as pessoas separem o que é empresa e o que é família”, recomendou. “Agindo desta forma, aumentam as possibilidades do negocio prosperar e a sociedade perdurar por um longo tempo”.
Patrícia também falou sobre o momento atual das empresas estatais no Brasil por conta dos efeitos da operação lava jato que tem colocado na cadeia, empresários, diretores de estatais e políticos. “A governança está sendo discutida no Congresso Nacional e, no Senado já foi até aprovada uma lei de responsabilidade das estatais, visando tornar estas empresas públicas menos vulneráveis à ação de dirigentes sem capacidade e mal intencionados. Efetivamente acordou-se para o fato de se ter mais cuidado na nomeação de pessoas para dirigir órgãos públicos e participar dos conselhos de administração das estatais. Vejo a lava jato inclusive como positiva para a iniciativa pois a empresas já discutem hoje as formas de fazer negócios com o governo”, avaliou.