(67) 99634-2150 |
Bela Vista-MS Quarta-Feira, 11 de Março de 2026
56ef86d0c62c1db1813be0eaf06efbef1d6ee9b09145c

Juiz Odilon de Oliveira defende cadeia para corruptos – Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado (arquivo)

“O safado de colarinho branco vai preso, e vai pensar duas ou três vezes antes de cometer um crime contra o povo”. É assim que o juiz Odilon de Oliveira, titular da 3ª Vara Federal de Campo Grande, sintetiza os efeitos da Lava Jato, a operação que desvendou o maior esquema de corrupção do País, chegou ao ex-presidente Lula e está próxima do Palácio do Planalto.

Era 2014, ano em que começaram as investigações da Polícia Federal, quando o magistrado entendeu que era hora de acionar a equipe para traduzir em números os prejuízos causados pela corrupção no Brasil. “Quando vou ao supermercado, fico observando as pessoas na fila do caixa. Ao pagar, você recebe a nota fiscal e nela consta o quanto você pagou pelo que vai consumir, e o quanto é imposto. Posso pagar, ainda que a contragosto, por R$ 50 de impostos, por exemplo, mas o senhor que está atrás de mim e aqueles mesmos R$ 50 com certeza farão falta para pagar a conta de luz, ou comprar mais dois quilos de carne?”, questiona ele, que apesar de viver sob um forte aparato de segurança, faz questão, diz ele, de manter as atividades cotidianas e se manter perto das pessoas.

E foi observando as pessoas que o magistrado chegou à conclusão de que a corrupção é a causa dos males do País. A elevada carga tributária, por exemplo, que encarece praticamente todo produto comprado no Brasil, tem tudo a ver com a corrupção, explica o doutor Odilon. A começar pelo fato de que a prática estimula a sonegação fiscal o que, por consequência, faz o Governo aumentar impostos. Ao mesmo tempo, enriquece os mais ricos, aqueles que estão no poder, e empobrece os mais pobres, gerando toda uma cadeia de desigualdades sociais que aumentam os índices de criminalidade e freiam o desenvolvimento. “Ao pegarmos a raiz do problema, a corrupção, fica fácil entender porque o Brasil está do jeito que está”, acredita o juiz.

Fonte: Correio do Estado