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Bela Vista-MS Sábado, 01 de Agosto de 2026

A decisão do senador Nelsinho Trad (PSD) de não disputar a reeleição como titular precisa ser analisada além do calendário de 2026. Embora apresentada como uma renúncia ao projeto eleitoral, a composição como primeiro suplente de Reinaldo Azambuja (PL) pode garantir ao parlamentar uma posição estratégica para 2030.

O movimento também ajuda a resolver um problema imediato da base do governador Eduardo Riedel (PP). Com Reinaldo Azambuja e Capitão Contar ocupando as duas vagas da aliança na corrida pelo Senado, uma candidatura isolada de Nelsinho poderia dividir o grupo e enfraquecer o palanque governista.

Ao aceitar a suplência, Nelsinho deixa a disputa direta, preserva sua participação no bloco e mantém aberta a possibilidade de retornar ao Senado sem enfrentar uma nova eleição.

Campanhas e eleições

O primeiro movimento: organizar 2026

Durante semanas, Nelsinho Trad, presidente estadual do PSD, sustentou a intenção de buscar um novo mandato. A direção nacional do partido, porém, pressionou por uma composição que mantivesse a legenda no grupo de Riedel.

O arranjo encaminhado coloca Reinaldo Azambuja e Capitão Contar como candidatos titulares ao Senado. Nelsinho passa a integrar a chapa de Reinaldo como primeiro suplente.

A escolha reduz conflitos entre os aliados, encerra a possibilidade de uma candidatura própria do PSD e fortalece a estrutura política organizada para tentar reeleger Eduardo Riedel.

Vista apenas pelo cenário de 2026, a decisão parece representar uma perda de protagonismo para Nelsinho. Quando o horizonte é ampliado até 2030, porém, a suplência assume outro peso.

O segundo movimento: Reinaldo pode voltar ao governo

A primeira peça desse possível tabuleiro depende da eleição de Reinaldo Azambuja para o Senado em 2026.

O mandato de senador tem duração de oito anos. Caso Reinaldo seja eleito e decida concorrer novamente ao Governo de Mato Grosso do Sul em 2030, poderá deixar o Senado para assumir o Executivo estadual, desde que vença a eleição.

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Em caso de renúncia ao mandato, a cadeira passaria ao primeiro suplente. Nesse cenário, Nelsinho Trad assumiria o restante do mandato, com aproximadamente quatro anos pela frente, sem precisar disputar diretamente a vaga nas urnas em 2030.

Material de referência geográfica

Isso não significa que o plano esteja confirmado. A operação depende dos resultados eleitorais de 2026 e 2030, da manutenção da aliança e das decisões pessoais de cada liderança. Politicamente, entretanto, a composição cria essa possibilidade.

O terceiro movimento: Riedel rumo ao Senado

A outra ponta do desenho envolve Eduardo Riedel. Se for reeleito governador em 2026, ele concluirá seu segundo mandato em 2030 e não poderá disputar uma nova reeleição consecutiva para o cargo.

O caminho natural seria concorrer ao Senado. Com a estrutura do governo, apoio do grupo político e quatro anos adicionais de exposição administrativa, Riedel chegaria à disputa como um dos nomes mais competitivos do Estado.

O possível roteiro ficaria assim:

  1. Reinaldo Azambuja é eleito senador em 2026.
  2. Eduardo Riedel conquista a reeleição para o Governo do Estado.
  3. Em 2030, Reinaldo disputa novamente o governo.
  4. Riedel concorre ao Senado.
  5. Se Reinaldo vencer e renunciar ao mandato parlamentar, Nelsinho Trad assume sua cadeira.

Nesse desenho, nenhum dos três perde espaço. Há apenas uma redistribuição de posições dentro do mesmo grupo político.

Nelsinho troca a disputa pela espera

A principal vantagem para Nelsinho é evitar uma campanha difícil e potencialmente desgastante em 2026. Sem vaga na chapa principal, ele teria de concorrer pelo PSD de forma praticamente independente, enfrentando candidatos apoiados pela mesma base política da qual participa.

Ao aceitar a suplência, o senador abre mão do confronto imediato e aposta na continuidade da aliança. Em vez de disputar uma cadeira agora, posiciona-se como possível herdeiro do mandato de Reinaldo.

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É uma estratégia de risco calculado. Nelsinho fica dependente da eleição de Azambuja, de uma eventual candidatura dele ao governo em 2030 e da vitória nesse segundo pleito. Se alguma dessas etapas não ocorrer, a sucessão automática não se concretiza.

Campanhas e eleições

Ainda assim, a composição mantém o senador dentro do centro de decisões e preserva sua relação com o bloco governista.

PSD formaliza posição em convenção

PSD de Mato Grosso do Sul realiza sua convenção estadual neste sábado, 1º de agosto, no Rádio Clube Cidade, em Campo Grande. O encontro deve formalizar a participação da legenda na aliança e definir os candidatos aos cargos proporcionais.

A convenção também servirá para apresentar aos filiados a justificativa política para a mudança de planos de Nelsinho. Em manifestação pública, o senador afirmou que não considera a decisão um passo atrás, mas um movimento para preservar a unidade do grupo.

A explicação combina com o desenho construído nos bastidores: Nelsinho deixa de disputar o espaço agora, mas continua posicionado para ocupá-lo no futuro.

Material de referência geográfica

O tabuleiro de 2030

Na política, acordos duradouros raramente são construídos pensando em apenas uma eleição. A composição envolvendo Reinaldo Azambuja, Eduardo Riedel e Nelsinho Trad pode atravessar dois ciclos eleitorais e manter o mesmo grupo no comando das principais posições de Mato Grosso do Sul.

Não há garantia de que o roteiro será cumprido. Eleições dependem dos eleitores, alianças podem mudar e projetos individuais costumam ser revistos conforme o cenário.

Mas a suplência oferecida a Nelsinho não parece uma simples acomodação. Ela cria uma ponte direta entre 2026 e 2030.

Enquanto os demais candidatos se preparam para disputar votos, as principais lideranças da base governista organizam posições, preservam alianças e administram o tempo. Nessa leitura, Nelsinho não saiu do jogo. Apenas mudou de casa no tabuleiro.

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Fonte: Jornaldoestadoms