A força-tarefa formada pela Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (SENAD) e pela Polícia Federal do Brasil iniciou nesta semana a Operação Nova Aliança 56, considerada a maior ação de erradicação de cultivos ilícitos de maconha do mundo.
Deflagrada na segunda-feira (27), a operação seguirá até o dia 7 de agosto, concentrando esforços no Departamento de Amambay, na fronteira com Mato Grosso do Sul.
O centro das operações está em Pedro Juan Caballero, de onde partem as equipes terrestres e aéreas para áreas identificadas pelos serviços de inteligência dos dois países como importantes polos de produção de cannabis destinada ao tráfico internacional.
Participam da ofensiva agentes antidrogas e forças especiais da SENAD, helicópteros da Polícia Federal brasileira e da Força Aérea Paraguaia, integrantes do Comando de Operações de Defesa Interna (CODI) e representantes do Ministério Público do Paraguai.
Segundo a SENAD, o objetivo da operação vai além da destruição de plantações. As equipes atuam para eliminar toda a infraestrutura utilizada pelas organizações criminosas, incluindo acampamentos, centros de processamento e rotas logísticas empregadas para o escoamento da droga. A estratégia busca atingir diretamente a capacidade financeira dos grupos criminosos, causando prejuízos milionários aos financiadores da produção.
De acordo com a secretaria paraguaia, mais de 80% da maconha produzida no país tem como destino o mercado ilícito brasileiro, tornando a cooperação entre os dois países essencial para reduzir a oferta da droga antes mesmo de ela cruzar a fronteira.
Criada em 2012, a Operação Nova Aliança tornou-se referência internacional pelo volume de entorpecentes retirados de circulação. Ao longo de suas edições, já foram destruídas mais de 45 mil toneladas de maconha, além da erradicação de milhares de hectares de plantações ilegais.
Os resultados das operações mais recentes reforçam a dimensão da iniciativa. A Nova Aliança 50, realizada em 2025, eliminou 816 toneladas de maconha em apenas nove dias. A edição 52 destruiu outras 589 toneladas, enquanto a Nova Aliança 54, realizada em abril de 2026, resultou na destruição de 200 toneladas da droga, na erradicação de 65 hectares de cultivo e no desmantelamento de quatro pontos de processamento e comercialização.
Somente em 2025, o programa registrou um recorde anual com 5.464 toneladas de maconha destruídas.
Além do enfrentamento ao narcotráfico, a operação também contempla ações de recuperação ambiental em áreas degradadas pelo cultivo ilegal nos departamentos de Amambay e Canindeyú. O desmatamento provocado pela expansão das plantações clandestinas é considerado um dos principais passivos ambientais da região.
Para Mato Grosso do Sul, especialmente os municípios da faixa de fronteira, como Ponta Porã e Dourados, a operação tem importância estratégica.
Grande parte da maconha produzida no território paraguaio atravessa a fronteira seca por rotas clandestinas e abastece o mercado brasileiro, além de servir como ponto de distribuição para outros países da América do Sul. Ao concentrar esforços na origem da produção, a Operação Nova Aliança busca reduzir significativamente o fluxo da droga antes de sua entrada em território brasileiro.
Fonte: Antonio Coca – Porã News