A cabeleireira Aline Alves da Silva, de 38 anos, viveu um cenário de horror absoluto durante os sete anos em que residiu nos Estados Unidos. O que parecia ser um relacionamento seguro transformou-se em um pesadelo de tráfico sexual, supostamente orquestrado pelo próprio marido e por familiares próximos dele. Segundo o relato chocante da brasileira, ela era sistematicamente dopada e envenenada para que, em total estado de inconsciência, fosse abusada sexualmente e gravada. O objetivo final era a comercialização cruel desse conteúdo em comunidades clandestinas e grupos de pornografia na internet.
O suplício de Aline durou cerca de três anos ao lado do ex-companheiro, período no qual ela começou a apresentar sintomas físicos alarmantes devido às substâncias que lhe seriam ministradas. A vítima relembra que, com apenas um mês e meio de convivência, passou a sofrer episódios de quase desmaios, queda excessiva de cabelo, vômitos, diarreia e dormência nas extremidades do corpo. O crime, segundo a denúncia, não envolvia apenas o marido, mas também um casal de tios dele, que participariam ativamente das agressões e realizariam ameaças constantes de sequestro contra os três filhos da cabeleireira, um jovem de 18 anos e gêmeos de 14 anos.
Após conseguir fugir da residência onde era mantida sob controle, Aline buscou socorro nas autoridades americanas, mas relata ter enfrentado uma negligência institucional severa. O caso teria sido tratado apenas na vara de família e não na esfera criminal, o que a obrigou a viver em um abrigo por cinco meses com seus filhos até conseguir o retorno ao Brasil em janeiro de 2024. De volta ao país, ela se estabeleceu em São Paulo e procurou a Polícia Civil, que encaminhou o caso para a Polícia Federal, mas até o momento a vítima segue sem respostas concretas sobre a punição dos envolvidos.
Mesmo em solo brasileiro, a perseguição não cessou. Aline afirma que o ex-marido, que permanece nos Estados Unidos, continua a intimidá-la através de ataques digitais. Em maio de 2024, suas redes sociais foram invadidas pela quinta vez, uma tentativa desesperada de calar seus relatos públicos sobre o horror vivido. A história de Aline não é um caso isolado e ecoa o drama de outras mulheres, como o caso de Catarina Lima em Cruzeiro, que também foi exposta em grupos como ‘Casados mostrem suas esposas’, evidenciando uma rede de misoginia e crimes digitais que cresce assustadoramente.
Especialistas alertam que o estupro marital e a dopagem de vítimas configuram crimes gravíssimos. O delegado Gabriel Cipriano e o advogado Liberato Menezes esclarecem que atos cometidos contra pessoas sem capacidade de resistência são enquadrados como estupro de vulnerável, sob o artigo 217-A do Código Penal, com penas de 8 a 15 anos. Como Aline é brasileira, a legislação permite a aplicação da extraterritorialidade, o que significa que a Justiça Federal tem competência para processar e julgar o agressor, mesmo por crimes cometidos fora do território nacional, combatendo a impunidade que marca a violência de gênero no exterior.