Maria Loureiro Pinheiro nasceu em 23 de abril de 1939 em Bela Vista, filha de Pego Loureiro de Almeida e Vera Guimarães Loureiro. Seus pais tiveram 9 filhos, todos formados, o que era uma singularidade para a época, demonstrando seu comprometimento com a educação, a despeito dos desafios.
Estimulada a valorizar o aprendizado, Maria estudou no Colégio Santo Afonso, em Bela Vista; Auxiliadora, em Campo Grande; Santana, em São Paulo; e Bennet, no Rio de Janeiro.
Aos 19 anos casou-se com Kesio Loureiro Pinheiro, com quem teve 4 filhos: Kesio Junior, falecido em 2015, Vera Rita, Sergio e Ana Cristina.
Sua trajetória de lutas e vitórias no setor da educação teve por marco um evento ocorrido quando seu filho Kesio Jr. – carinhosamente conhecido e chamado por todos de “Kesinho” – aos 4 anos de idade precisou de tratamento em São Paulo, o que envolveu passar entre outros, por cirurgias bastante delicadas. Kesinho era uma criança com deficiência, e como tal, com necessidades especiais inclusive de aprendizado.
Tendo em vista que Bela Vista carecia de escolas que pudessem atender as necessidades do seu primogênito, Maria passou a estudar e especializou-se em desenvolvimento infantil e em como poderia auxiliar as crianças – com deficiência ou não – em seu aprendizado. Nessa pesquisa, Maria percebeu algo que passou a ser disseminado somente muitos anos depois na região. Segundo ela, cada criança tem sua forma de aprender e de se desenvolver, e assim também deve ser seu processo de aprendizado: individualizado e adaptado às necessidades de cada um.
Foi então que, em 1974, aos 35 anos fundou a escola primária “Casinha Feliz”, onde Kesinho estudou junto com outras crianças bela-vistenses e aprendeu a ler, escrever e fazer operações básicas matemáticas através de um método especializado, assim como a interagir e desenvolver habilidades sociais junto aos colegas. Como resultado Bela Vista viu uma geração mais empática se formar diante de seus olhos: crianças especiais integradas e sendo convidadas a aprender com os demais ao mesmo tempo em que lhe ensinavam a ser mais gentis, respeitosos e atentos ao outro.
Na década de 1980 Maria, residindo então em Campo Grande, passou a atender crianças e jovens portadores de deficiência e com dificuldade de aprendizado através de aulas e instruções particulares.
Em 1998 Maria foi convidada a voltar à gestão escolar, por meio da presidência da APAE de Bela Vista, se dedicando por mais alguns anos ao ensino das pessoas portadoras de deficiência, tendo por seus braços direito e esquerdo a diretora Enoly Loureiro de Assis, Sr. Antônio Lopes e todos os professores, colaboradores e membros da sociedade civil bela-vistense, que ao longo de seu mandato contribuíram para esse trabalho tão especial e necessário à nossa cidade.
Entre 2013 e 2019, Maria foi forcada a mudar-se para São Paulo para realização de tratamentos de saúde. Foram anos de luta, empenho e redescoberta para essa mulher que aprendeu a reinventar-se mais uma vez, ressurgindo das cinzas a cada etapa de seu tratamento, demonstrando garra, perseverança, resiliência e fé inabalável diante das adversidades.
Segundo a Constituição Brasileira “A educação é direito de todos e dever do Estado e da Família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.”
Maria é irmã, mãe, avó, madrinha, professora, pedagoga, belavistense… Mas antes de qualquer outra coisa, Maria é exemplo.
Que possamos nos espelhar e aprender com esta bela-vistense para que sejamos mães e pais dedicados e profissionais responsáveis em contribuir por meio de nosso trabalho, não apenas para o desenvolvimento de nossa família e entes queridos, mas para a nossa sociedade. E principalmente: que sigamos o exemplo da Sra. Maria e nos engajemos no trabalho diário no sentido da inclusão e da dignidade das pessoas portadoras de deficiência, reconhecendo e respeitando diferenças, cada um ao nosso modo.
“Como as aves, as pessoas são diferentes em seus voos, mas iguais no direito de voar” -Autor desconhecido
Redação – Fronteira News – com informações da familia



