(67) 99634-2150 |
Bela Vista-MS Sábado, 06 de Junho de 2026

Hoje celebramos o grande repouso do Sábado Santo. Dentro do “tríduo” pascal, frequentemente centramos a atenção na Paixão ou na Ressurreição do Senhor, mas esquecemos facilmente o vínculo que existe entre os dois acontecimentos: o Sábado Santo. Talvez isso aconteça porque o silêncio profundo deste dia se afoga rapidamente no ruído do nosso mundo. E, no entanto, é neste silêncio que a palavra adquire sentido. A morte de Jesus não é simbólica: é real. Não só se solidarizou com os vivos — na sua encarnação — mas, desde o sepulcro, também se solidarizou com os mortos.

Uma mulher da paróquia de Sabadell (Espanha) visitava o cemitério todos os sábados; dizia que gostava da paz do lugar. E é que “cemitério” significa “dormitório” em grego, lugar de repouso depois de uma grande atividade. Ontem — Sexta-feira Santa — Jesus completava a obra da redenção. Hoje, no sepulcro, descansa. Não atua. É pura passividade confiante. Abandona-se nas mãos do Pai, sabendo que será libertado.

A descida de Cristo vai além do sepulcro: desce aos infernos, ao abismo, ao reino dos mortos. Como Jonas dentro do monstro marinho, Jesus conhece a morte por dentro, sonda-a, tal como também nós o faremos um dia. Mas o Sábado Santo não afirma apenas que o Filho de Deus repousou entre os mortos, afirma também que regressou de lá. O Pai não o deixou naquele reino, mas libertou-o das suas cadeias. O monstro da morte não pôde manter cativo Aquele a quem o Pai ama.

E se não o pôde reter a Ele, também não poderá reter aqueles que ouviram a sua voz: os justos que repousavam na morte. Este é o mistério profundo do Sábado Santo, um silêncio mais eloquente do que mil palavras. Preparemo-nos, neste silêncio, para a Páscoa. Para a palavra renovada que ouviremos esta noite. «Por isso, o meu coração se alegra e o meu ser exulta e o meu corpo repousa em segurança» (Sl 16,9).

Leia  Evangelho do Dia: (Mc 12,35-37):