Uma pessoa morreu e outra ficou gravemente ferida na manhã desta terça-feira em decorrência da queda de um caminhão carregado com piche na Serra de Maracaju, na BR-060, entre as cidades de Sidrolândia e Nioaque, na região sudoeste do Estado. Esta foi, pelo menos, a segunda morte no local desde a mudança de uma parte do traçado no meio da serra.
Bombeiros de Jardim e integrantes da Defesa Civil de Nioaque que atenderam a ocorrência ainda não haviam divulgado detalhes sobre a ocorrência, como identidade das vítimas ou possível causa da tragédia.
Mas, conforme vídeo feito por Robson Humberto Maciel, coordenador da Defesa Civil de Nioaque e que que há mais de uma década socorre vítimas de acidentes no mesmo local, a carreta tombou no meio do asfalto antes de transpor a mureta de concreto e despencar na ribanceira.
Aquele trecho, na altura do quilômetro 515 da rodovia, é palco de tragédias há cerca de três décadas e a estimativa é de que pelo menos 30 pessoas tenham morrido exatamente no mesmo local. Em meados do ano passado o DNIT liberou a passagem por um novo traçado de cerca de 700 metros implantado para tentar acabar com os acidentes.
O investimento do governo federal para mudar o traçado de uma das curvas mais perigosas foi da ordem de R$ 4 milhões, mas, no dia 4 de agosto deste ano uma carreta que transportava pó de gesso perdeu os freios no meio deste novo traçado e despencou pelo barranco, matando o motorista de 30 anos.
Nos acidentes fatais anteriores, os caminhões despencavam do lado esquerdo da rodovia. Nesta terça-feira, porém, ele caiu do lado direito, onde a altura do barranco é menor, mas também chega a cerca de 30 metros.
E, além dos casos de acidentes com morte, pelo menos outros quatro aconteceram no mesmo local depois da intervenção do DNIT. Em três deles os caminhões tombaram em uma vala instalada entre a pista de subida e o novo traçado, que é usado para descida, conforme Aurélio Vargas, do site Jardim MS News.
Nas redes sociais, motoristas que costumam passar pelo local não poupam críticas aos responsáveis pela implantação da rodovia e nem àqueles que fizeram as alterações recentes.
“Esses meios engenheiros deveriam sair um pouco do Estado de MS e ir pra São Paulo ou outros estados para verem como se faz para evitar esses acidentes. Uma “serrinha” (se comparada a outras) como essa, causando tantos acidentes. Pura falta de vontade de consertar”, opina uma pessoa que se identifica como Aldo Olídio em comentário postado no site Jardim MSnews.
E para evidenciar que os acidentes não são de agora, Sônia Santos Barros diz na mesma rede social “que coisa triste, perdi um primo em um acidente nessa serra na década de 80”.
A quase totalidade das vítimas da “curva da morte” são ocupantes de veículos pesados, mas no dia 9 de novembro de 2021, um caminhão que perdeu o freio atingiu uma caminhonete S10 que subia a serra e os dois veículos caíram no abismo. Uma idosa que estava na caminhonete morreu no local e três pessoas sofreram ferimentos.